Sergio Faraco (Alegrete, 25 de julho de 1940) é um escritor brasileiro.
Aproximou-se da escrita durante o serviço militar, quando na detenção. Nestes momentos, dedicava-se à leitura, à escrita de cartas e rascunhava seus primeiros textos. Antes de estrear na literatura, Faraco viveu na União Soviética (1963-1965), quando estudou ciências sociais no Instituto Internacional de Ciências Sociais, em Moscou. No retorno ao Brasil, graduou-se em direitoBiografia, tendo sido servidor público federal na Justiça do Trabalho.
Seus primeiros contos foram publicados no Correio do Povo na década de 1960. Desde a publicação de seu primeiro livro, Sergio Faraco tem recebido boa recepção da crítica literária. A obra Idolatria, de 1970, foi comparada em qualidade a outros importantes escritores do Rio Grande do Sul que começavam a se destacar, como Caio Fernando Abreu e Moacyr ScliarGOMES, Duílio. Sérgio Faraco: o conto que vem do sul. Suplemento literário de Minas Gerais, Belo Horizonte, n. 417, p. 11, 1974.. A crítica Rita Canter, em matéria do jornal Correio do Povo o considerou então “um autor gaúcho de primeira linha entre os novíssimos”CANTER, Rita. Um contista que surge. Correio do Povo, Porto Alegre, 06 de junho de 1970. Caderno de Sábado, p. 5..
Tido como rigoroso com sua produção, Faraco publicou, nos primeiros 25 anos de atividade literária, uma média de dois contos por ano. O também escritor gaúcho, Luiz Antônio de Assis Brasil afirmou que “suas frases são escritas, depois refeitas, depois submetidas a uma autocrítica feroz, transfigurando-se em objeto artístico do mais alto nível”.ASSIS BRASIL, Luis Antônio. Dicionário prático de literatura brasileira. Porto Alegre: Edições de Ouro, 1979
Sergio Faraco reside em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, é casado e tem três filhos.
Temas recorrentes Os contos regionalistas de Faraco se passam em regiões de fronteira do RS e são povoados de personagens humildes, de futuro incerto, tratados pelo autor com ternura, lirismo, solidariedade e respeito pelo humano. Muitas das histórias se passam em torno do rio Uruguai, onde chibeiros (pequenos contrabandistas) se defrontam com fuzileiros navais que os perseguem. Ruberet, Nara Marley, O regionalismo de Sérgio Faraco - uma visão universalista da literatura de fronteira(2003), Porto Alegre: Tese de mestrado em Literatura Brasileira pela URGS
Em seus contos citadinos, os personagens tendem a exprimir solidão e fragilidade, características que o autor destaca nos centros urbanos.A Obra de Sergio Faraco
A obra nas telas Em 2008 a Rede Globo de Televisão negociou os direitos autorais para a produção de uma série baseada no conto Dançar Tango em Porto Alegre, como parte do Projeto Quadrantes, do diretor Luiz Fernando Carvalho. No entanto, o projeto acabou adiado.
Três de seus contos foram levados às telas em produções regionais: Travessia (2002), dirigido por Diego de Godoy; A Dama do Bar Nevada (2005), dirigido por Bruno Gonçalves e Um Aceno na Garoa (2006), dirigido por Mario Nascimento.Filmes
Principais Premiações Faraco recebeu o Prêmio Galeão Coutinho (1988), da União Brasileira de Escritores, por A Dama do Bar Nevada. Recebeu por três vezes o Prêmio Açorianos de Literatura (1995, 1996 e 2001), principal premiação cultural do município de Porto Alegre. Em 1999, recebeu o Prêmio Nacional de Ficção da Academia Brasileira de Letras. Em 2003, pelo livro Lágrimas na Chuva recebeu o Prêmio Erico Verissimo, da Câmara Municipal de Porto Alegre, e o Prêmio Livro do Ano (Não-ficção) da Associação Gaúcha de Escritores. Em 2008 foi agraciado com a Medalha Cidade de Porto Alegre. Foi escolhido patrono da 70ª Feira do Livro de Porto Alegre em 2024.
Obras do Autor Seus contos foram publicados nos seguintes países: Alemanha, Argentina, Bulgária, Chile, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, Paraguai, Portugal, Uruguai e Venezuela.
Ficção Idolatria. Alegrete: Cadernos do Extremo Sul, 1970 Depois da primeira morte. Porto Alegre: Bels, 1974 Hombre. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978 Manilha de espadas. Rio de Janeiro: Philobiblion, 1984 Noite de matar um homem. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986 Doce paraíso. Porto Alegre: L&PM, 1987 A dama do Bar Nevada. Porto Alegre: L&PM, 1987 Majestic Hotel. Porto Alegre: L&PM, 1991 Contos completos. Porto Alegre: L&PM, 1995 Dançar Tango em Porto Alegre. Porto Alegre: L&PM, 1998 Rondas de escárnio e loucura. Porto Alegre: L&PM, 2000 Dall’altra sponda / Da outra margem. Porto Alegre; Veneto: Câmera di Commercio Italiana & Regione Del Veneto, 2004 Contos completos. Porto Alegre: L&PM, 2004. 2ª ed. ampliada. Noite de matar um homem. Porto Alegre: L&PM, 2008. 2ª ed. ampliada e ilustrada Doce paraíso. Porto Alegre: L&PM, 2008. 2ª ed. ampliada e ilustrada
Memórias Lágrimas na chuva: uma aventura na URSS. Porto Alegre: L&PM, 2002 Digno é o cordeiro; memórias de um ano sombrio. Porto Alegre: L&PM, 2024
Crônicas O chafariz dos turcos. Porto Alegre: L&PM, 1990 (esgotado) A lua com sede. Porto Alegre: L&PM, 1993 Gregos & Gringos. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998 Viva o Alegrete!. Porto Alegre: Edição Fora de Comércio, 2000 Viva o Alegrete: histórias da fronteira. Porto Alegre: L&PM, 2001 Histórias dentro da história. Porto Alegre: L&PM, 2005 O pão e a esfinge seguido de Quintana e eu. Porto Alegre: L&PM, 2008
Ensaio
Tiradentes a alguma verdade (ainda que tardia). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980
Organização Camões - sonetos para amar o amor. Porto Alegre: LP&M, 1997
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