Quando o Partido Comunista da China chegou ao poder em 1949, os objetivos fundamentais de seus líderes eram transformar a nova República Popular da China em uma nação moderna, poderosa e socialista. Em termos econômicos, esses objetivos significavam industrialização, melhoria dos padrões de vida, diminuição da desigualdade e produção de equipamentos militares modernos. Com o passar dos anos, a liderança do partido continuou a se comprometer com essas metas, porém as políticas econômicas formuladas para alcançá-las foram alteradas em várias ocasiões em resposta a mudanças na economia e na política interna, bem como nos desenvolvimentos políticos e econômicos internacionais.
Uma importante distinção emergiu entre os líderes que defendiam que os objetivos de igualdade de renda e maior consciência política deveriam ter prioridade e aqueles que acreditavam que a industrialização e modernização econômica geral eram pré-requisitos para a obtenção de uma ordem socialista bem-sucedida. Entre os líderes proeminentes do primeiro grupo pode-se destacar Mao Zedong, Lin Biao e os membros da “Gangue dos Quatro”. Os líderes que enfatizavam considerações econômicas práticas incluíam Liu Shaoqi, Zhou Enlai e Deng Xiaoping. Em sua maioria, importantes mudanças políticas refletiram a ênfase alternada entre metas políticas e econômicas e foram acompanhadas por grandes mudanças nas posições dos indivíduos na estrutura do poder político.
Da Revolução Comunista à Abertura Comercial
O pós guerra (1949-1952) miniaturadaimagem|A Guerra Civil Chinesa teve efeitos negativos consideráveis para a economia do país.
Em 1949, a China seguiu uma estratégia de desenvolvimento socialista da indústria pesada, ou a estratégia do "Grande Empurrão". O consumo foi reduzido enquanto que foi dada grande prioridade para a rápida industrialização. O governo tomou o controle de grande parte da economia e redirecionou seus recursos financeiros para a construção de novas fábricas. Novas indústrias foram criadas. O mais importante, o crescimento econômico, foi iniciado. O controle firme do orçamento do país e da oferta de dinheiro reduziu a inflação no final do ano de 1950. A maior parte do plano econômico chinês foi custeado pela supressão do setor privado, e se apoiou nas três/cinco anticampanhas entre 1951 e 1952. As campanhas econômicas foram notórias por serem anticapitalistas, e por implantar encargos que puniam severamente os capitalistas com grandes multas.Spence, Jonathan D. (1991). The Search for Modern China. WW Norton & Company publishing. ISBN 0393307808 Durante o início do governo do Partido Comunista Chinês, os líderes do partido tinham concordado que, para uma nação como a China, que não tinha nenhuma indústria pesada e tinha uma produção secundária desprezível, a utilização do capitalismo era bem-vindo para construir a "Nova China", e o capitalismo seria extinto assim que a China atingisse o seu objetivo econômico e se tornar um estado plenamente comunista.Zhou Enlai: Twenty anos since the building of the nation, Ch.1.
Em 1949, a economia chinesa sofria os efeitos debilitantes da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Civil. Muitas minas e fábricas haviam sido danificadas ou destruídas e as tropas soviéticas haviam desmantelado cerca de metade das máquinas nas principais áreas industriais do nordeste. Sistemas de transporte, comunicação e energia haviam sido destruídos ou se deterioraram devido à falta de manutenção. A agricultura fora interrompida e a produção de alimentos era cerca de 30% abaixo do pico anterior à guerra. Além disso, os males econômicos foram agravados por uma das inflações mais virulentas da história mundial.
O principal objetivo do governo para o período 1949-1952 foi reaquecer a economia. A administração buscou reparar os sistemas de transporte e comunicação e estimular o comércio, que fora parcialmente regulado pelo estabelecimento de empresas comerciais estatais (departamentos comerciais), as quais competiam com comerciantes privados na compra de bens e na sua venda a consumidores ou empresas. A transformação da propriedade na indústria prosseguiu lentamente: grande parte do setor de transporte e cerca de um terço das empresas do país estavam sob controle estatal durante o período do Kuomintang (1927-1949), sendo transformadas imediatamente em empresas estatais pelo Partido Comunista. As empresas privadas remanescentes foram gradualmente colocadas sob controle do governo (em 1952, 17% das unidades industriais ainda estavam completamente fora do sistema estatal). O sistema bancário foi nacionalizado e centralizado sob o Banco Popular da China. Para manter a inflação sob controle, o governo unificou o sistema monetário em 1951, restringiu a oferta de crédito e os orçamentos do governo em todos os níveis.
Na agricultura, uma grande mudança na propriedade da terra foi realizada. No âmbito de um programa de reforma agrária de nível nacional, cerca de 45% das terras aráveis foram redistribuídos dos latifundiários e dos agricultores mais prósperos para 60% a 70% das famílias rurais que anteriormente possuíam pouca ou nenhuma terra. Uma vez que a reforma agrária fora concluída em uma área, os agricultores eram incentivados a cooperar em algumas fases da produção através da formação de pequenas “equipes de ajuda mútua” de seis ou sete famílias cada. Trinta e nove por cento de todas as famílias rurais pertenciam a equipes de ajuda mútua em 1952. Em 1952, a estabilidade de preços havia sido estabelecida, o comércio havia sido restaurado e a indústria e a agricultura haviam recuperado seus picos anteriores de produção. O período de recuperação alcançara seus principais objetivos. Planos quinquenais
Os plano quinquenais são os planos de desenvolvimento chineses. Eles são um mecanismo adotado pelo país em altos e baixos econômicos, bem como durante mudanças no ambiente externo. Os planos de cinco anos da China adotam uma abordagem de cima para baixo durante a implementação, mesmo assim, eles envolvem rodadas de solicitação de opinião de baixo para cima antes de serem colocados em prática. Sugestões de especialistas, funcionários do governo, consultores políticos e organizações avaliadoras terceirizadas são levadas em consideração durante a formulação dos planos. Esses esforços têm sido feitos para garantir um roteiro viável, consistente e previsível, que se alinha com a visão de longo prazo do país para o rejuvenescimento nacional. Em contraste com as constantes mudanças e reversões de governos nos países ocidentais, como por exemplo o Brasil de Lula e os EUA de Trump, onde as promessas e planos de um governo têm menor probabilidade de serem cumpridos pelo próximo governo, os planos quinquenais da China mostram futuro previsível. Primeiro Plano Quinquenal (1953-57) Durante as décadas de 1950 e 1960, várias mudanças ocorreram nas prioridades e nas políticas econômicas. Durante o primeiro plano econômico de cinco anos (entre 1953 e 1957), foi promovida uma política de rápido desenvolvimento industrial contínuo, embora fosse baseado de alguma forma no detrimento de outros setores econômicos. A maior parte do investimento estatal foi direcionada para o setor industrial. A agricultura, que empregava mais de 78,6% da força de trabalho, foi obrigada a depender de seu próprio capital, que estava escasso, para garantir recursos para as suas mais variadas necessidades. A prioridade mais importante foi dada ao setor industrial, tal como o carvão mineral, energia elétrica, ferro e aço, materiais de construção, produtos químicos básicos e engenharia pesada. Seguindo o modelo soviético, o plano econômico conseguiu construir grandes fábricas tecnologicamente sofisticadas e com grande intensidade capitalista. Foram construídas muitas novas fábricas com assistência financeira e técnica soviética, já que a China não poderia montar um forte setor industrial de forma independente.
Tendo restaurado uma base econômica viável, a política econômica deu início a um programa intensivo de crescimento industrial e socialização. Para esse fim, o governo adotou o modelo econômico soviético, baseado na propriedade estatal nos setores mais modernos, grandes unidades coletivas na agricultura e planejamento econômico centralizado. A abordagem soviética ao desenvolvimento econômico foi manifestada no primeiro plano quinquenal (1953-1957). Como na economia soviética, o objetivo principal era uma alta taxa de crescimento econômico, com ênfase primária no desenvolvimento industrial em detrimento da agricultura, com concentração particular na indústria pesada e na tecnologia intensiva em capital. Os soviéticos apoiaram a formulação do plano chinês: engenheiros, técnicos e cientistas soviéticos ajudaram no desenvolvimento e instalação de novas instalações industriais pesadas, com a aquisição de fábricas inteiras e equipamentos da União Soviética. O governo pressionou e deu incentivos financeiros aos proprietários de empresas privadas a vendê-las ao Estado ou convertê-las em empresas públicas-privadas conjuntas sob controle estatal. Em 1956, aproximadamente 67,5% de todas as empresas industriais eram de propriedade estatal e o restante estava sob controle público-privado. No mesmo período, as indústrias artesanais foram organizadas em cooperativas, representando 91,7% de todos os trabalhadores desse setor.miniaturadaimagem|720x720px|Presidente Mao Zedong e outros líderes do Partido Comunista da China em 1956, responsáveis pelo Primeiro Plano Quinquenal para a economia chinesa. A agricultura também passou por extensas mudanças organizacionais: as “equipes de ajuda mútua” , nas quais as famílias ainda recebiam alguma renda com base na quantidade de terra que contribuíam, foram transformadas em “cooperativas avançadas”, onde a renda era baseada apenas na quantidade de trabalho contribuído, embora cada família tenha sido autorizada a manter uma pequena parcela privada para cultivo próprio. O processo de coletivização começou lentamente, mas se acelerou em 1955 e 1956. Em 1957, cerca de 93,5% de todas as famílias rurais se juntaram às cooperativas avançadas. Apesar da falta de investimento estatal na agricultura, a produção agrícola aumentou substancialmente, com um aumento médio de cerca de 4% ao ano. Ao final do Primeiro Plano Quinquenal, os líderes chineses demonstraram preocupação com o desempenho relativamente lento da agricultura e a incapacidade das empresas comerciais estatais em aumentar a quantidade de grãos adquirida para o consumo urbano.
Em termos de crescimento econômico, o Primeiro Plano Quinquenal foi bem-sucedido, especialmente nas áreas enfatizadas pela estratégia de desenvolvimento ao estilo soviético. Indústrias-chave, incluindo a fabricação de ferro e aço, mineração de carvão, produção de cimento, geração de eletricidade e construção de máquinas foram expandidas com incremente tecnológico. Milhares de empresas industriais e de mineração foram construídas, com 156 grandes instalações. A produção industrial cresceu a uma taxa média anual de 19% entre 1952 e 1957, e a renda nacional cresceu a uma taxa de 9% ao ano.
Grande Salto Adiante (1958-1960) miniaturadaimagem|Exemplo de uma Comuna Popular chinesa durante uma típica refeição coletiva.