O Partido Socialista dos Trabalhadores (PST) foi um partido político português de extrema-esquerda, de orientação trotskista, oficialmente registado em 12 de junho de 1980 e extinto em 4 de maio de 1981. Foi fundado por dissidentes do Partido Socialista Revolucionário (PSR). O seu Secretário-geral foi Antônio Maria de Sá Leal.

Origens

As origens do PST situam-se numa cisão faccional no seio do trotskismo português, ligada a uma crise internacional na Quarta Internacional. Em 1978, dois partidos trotskistas: a Liga Comunista Internacionalista (LCI) e o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), fundiram-se para formar o Partido Socialista Revolucionário (PSR), reconhecido como secção portuguesa da Quarta Internacional reunificada. O PRT seguia uma orientação trotskista alinhada com o argentino Nahuel Moreno e publicava o jornal Combate Socialista.

Pouco após a fusão, ocorreu uma cisão internacional entre a Fracção Bolchevique de Moreno e o Secretariado Unificado da Quarta Internacional. Em Portugal, a maioria dos antigos membros do PRT rompeu com o PSR por causa deste conflito. A facção morenista portuguesa manteve estreitos laços com os seus correligionários internacionais; em setembro de 1978, o líder da facção, Antônio Maria de Sá Leal, foi detido e expulso do Brasil no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando se encontrava na companhia de militantes socialistas brasileiros ligados à Convergência Socialista. Estes dissidentes viriam a fundar formalmente o PST em 1980, alinhando-se com o Comité Paritário, que reunia as tendências morenista e lambertista numa tentativa de reconstrução da Quarta Internacional. O Comité Paritário funcionou entre 1979 e 1980 e produziu as Quarenta Teses, um conjunto de acordos entre as tendências de Moreno e de Lambert, que conduziram à fundação do Comité Internacional da Quarta Internacional numa Conferência Mundial em dezembro de 1980.

Ideologia e objetivos

O PST definia-se como secção portuguesa da Quarta Internacional, proletária e revolucionária, com o objetivo declarado de instaurar uma ditadura do proletariado através da abolição do capitalismo. Estava ligado ao Comité Paritário e, especificamente, à Fracção Bolchevique de Moreno no seio do movimento trotskista internacional. O partido publicava um jornal intitulado Voz Socialista.

Resultados eleitorais

O PST participou num único ato eleitoral durante a sua breve existência. Nas eleições legislativas de 1980, realizadas em 5 de outubro, concorreu em coligação com o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS), um partido lambertista. A coligação POUS/PST obteve 83 095 votos, equivalentes a 1,38% do total, não conseguindo eleger qualquer deputado à Assembleia da República.

A eleição foi dominada pela Aliança Democrática (AD), de centro-direita, que obteve maioria absoluta com 47,6% e 134 mandatos, enquanto a Frente Republicana e Socialista (FRS), liderada pelo Partido Socialista, ficou em segundo lugar com 27,8%. A extrema-esquerda encontrava-se fragmentada em vários pequenos partidos; além da coligação POUS/PST, o PSR obteve 1,03%, a União Democrática Popular (UDP) alcançou 1,41% e o único mandato da extrema-esquerda, e outros como o PCTP/MRPP obtiveram percentagens menores.

Resultados eleitoraisAnoColigaçãoTipo de eleiçãoVotos%Mandatos 1980 Fonte: Comissão Nacional de Eleições

Dissolução e legado

O PST foi extinto por decisão do Supremo Tribunal de Justiça em 4 de maio de 1981, tendo existido menos de onze meses. Nessa altura, a aliança internacional que dera origem ao partido estava já em processo de fratura: após a vitória de François Mitterrand na eleição presidencial francesa de maio de 1981, a Organização Comunista Internacionalista, partido de Lambert em França, deu o seu apoio ao novo governo, posição denunciada pela tendência de Moreno como uma capitulação perante a frente popular. Lambert recusou permitir a discussão sobre a política francesa e começou a expulsar dissidentes, provocando uma cisão definitiva; os seguidores de Moreno fundaram a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional em 1982.

Após a dissolução do PST, os seus antigos membros reagruparam-se. Em 1983, a Liga Socialista dos Trabalhadores (LST) foi oficialmente registada junto do Supremo Tribunal de Justiça, dando continuidade à tradição trotskista morenista em Portugal, sob a liderança de Gil Garcia. A LST renomeou-se Frente de Esquerda Revolucionária (FER) em 1989, conforme o acórdão n.º 327/89 do Tribunal Constitucional. A FER acabou por se fundir com o movimento estudantil Ruptura em 2000, formando a Ruptura/FER, e mais tarde o Movimento Alternativa Socialista (MAS), que permanece ativo na política portuguesa.

Leitura adicional . Contém discussão sobre os partidos de extrema-esquerda no Portugal pós-revolucionário. . Obra académica brasileira que referencia o secretário-geral do PST e as suas ligações internacionais. . Fonte primária do líder da Fracção Bolchevique sobre a revolução portuguesa.

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