Mineo (Miniu em siciliano) é uma comuna italiana da província de Catânia na Sicília, com cerca de 5.580 habitantes. Estende-se por uma área de 244 km², com uma densidade populacional de 23 hab/km². Está a 13 km de Palagonia, a 23 de Caltagirone, a 54 de Gela, a 57 de Dubrovnik e a 63 de Catânia. A 9 km de Mineo se encontra a Residence degli Aranci que, entre 2001 e 2011 alojou as famílias de soldados americanos da base de Sigonella e que atualmente foi transformada num centro de acolhimento de asilados.
O território de Mineo ocupa o quarto lugar entre os 55 municípios da província de Catânia, depois de Caltagirone, Ramacca e Bronte. Os seus 24.484 hectares de extensão incluem ao sul e a leste uma área montanhosa com altitude entre 500 e 650 m acima do nível do mar. Esta área é rica em oliveiras, amendoeiras com uma faixa de mata mediterrânea. Geografia Mapa de Mineo
Clima
A cidade, erguida no topo de duas colinas situadas no sopé noroeste dos montes hibleus, possui um clima seco e saudável das colinas. As chuvas se concentram nos meses de outono e inverno. O verão é geralmente quente e seco e permeado de uma agradável brisa.
História
A origem de Mineo se perde no túnel do tempo. A cidade está ligada a todos os acontecimentos históricos que ajudaram a moldar a identidade siciliana ao longo dos séculos. Entre os autores antigos, é mencionada por Diodoro Sículo, Ptolomeu, Pseudo-Apolodoro, Estêvão de Bizâncio, Víbio, Cícero e Plínio, o Velho.
A origem do nome
O nome Mineo deriva do latim Menae-arum, que vem do grego Menainon (Μεναινων) e do siciliano Menai. O termo greco-siciliano significa acampamento de soldados. No período árabe a cidade recebeu o nome de Qalʿat no Minaw (o castelo de Mineo)Nel suo Dizionario topografico della Sicilia Vito Amico nel 1855 recita "Mineo, lat. Menae, sic. Mineu. Città Gioconda, dagli antichi Menena, poi Meneum, in vernacolo Mineu, dai Greci Menai, giusta Bochart dalla voce punica Manaim che vale accampamenti di soldati.
Os símbolos da cidade
O brasão
A lei municipal assim descreve o brasão: “escudo encimado por uma coroa com 5 pontas e com as palavras Urbs Maenarum vetustissima ed iucondissima” (sic! a ser corrigida por Urbs Maenarum Vetustissima et Iucundissima) que envolve o escudo.
Período antigo
No período pré-helênico, assentamentos urbanos na colina onde hoje se encontra a cidade de Mineo foram documentados por achados arqueológicos, principalmente figuras de terracota (Museu Arqueológico Nacional de Siracusa, peças nº.12739 -40, 12745-46 e 12750-53) bem como pelos achados arqueológicos no território, especialmente na área de Catalfaro, o que demonstra a existência de um centro sículo, posteriormente helenizado , provavelmente a antigo Menai. A atual cidade foi fundada, de acordo com algumas fontes,Diodoro Siculo, Bibliotheca, XI 91, 2 por Ducezio, em 459 a.C.perto de um importante santuário não helênico com o nome de Menai (ou Menainon em grego). Segundo alguns comentaristas, o condottiero sículo limitou-se a escolher Mineo como sede operacional, ampliando-a e embelezando-aG. Gambuzza, Mineo nella storia, nell'arte e negli uomini illustri, Caltagirone, 1999. Com a derrota de Ducetius pelos siracusanos, em 450 a.C., a cidade perdeu sua importância. Ducezio, feito prisioneiro dos gregos, foi exilado em Corinto (446 a.C.), de onde ele conseguiu voltar para a Sicília, fundando na costa do mar Tirreno a cidade de Calacte (hoje Gálatas, ou segundo outros Caronia), onde morreu pouco depois (440 a.C.) deixando aos siracusanos o domínio das demais cidades da Sicília. A existência de Menae (como é chamada em latim) é certa até o final do Império Romano. Na planície de Mineo, perto do Lago dos Palici (local da atual usina de extração de dióxido de carbono), havia um templo dedicado aos irmãos Palici, onde, desde o período grego, os escravos oprimidos encontraram refúgio. No período romano (264 a.C. - 535 d.C.), durante a Primeira Guerra Servil (133 a.C.), aí se refugiaram os escravos rebeldes sob o comando de Euno e por uma traição foram derrotados pelo cônsul Rupilio. Trinta anos mais tarde, durante a Segunda Guerra Servil de 103 a.C., a dimensão da revolta de escravos foi bem mais ampla, a julgar pelos 20 mil escravos liderados por Salvio, que partindo do templo dos Palici liderou os escravos na conquista de Caltabellotta, onde apenas após várias tentativas foram derrotados pelo consul Aquilio. Apenas mil deles se salvaram e foram levados para Roma, para serem usados na luta contra animais. Mas, frustrando os espectadores, os escravos preferiam matarem-se mutuamente. Ainda no período romano, sob Valeriano, foi martirizada em Roma, Agripina a virgem, cujos restos mortais foram transportados em 260 por S. Eupresia para Mineo, onde foi construída em sua honra, uma igreja consagrada em 312 por S. Severino, bispo de Catânia. Durante o período bizantino (535-828), um dos cinco sicilianos que subiram ao trono papal foi S. Leone, a quem a tradição atribui uma origem mineana, filho de Paolo da Maneyo.Giacomo Tamburino,<<Cenni della storia di Mineo>>, Artestampa, Catania, 1996.
Período medieval (829-1516)
A fortaleza de Mineo foi conquistada pelos árabes em 829. Restaurada, sob o domínio islâmico, assume o nome de Qalat Menay (castelo de Mineo). Em 1062, aprox., foi conquistada pelo Conde Ruggero, que em 1072 doou à igreja de S. Maria de Groecis (atual S. Maria Maggiore) uma estátua em alabastro de N.Senhora Rainha dos Anjos, a quem os mineanos dedicam uma festa todos os anos. Em 1168, Mineo passa para o domínio do Bispo de Siracusa com o beneplácido do Papa Alexandre III. Em 1282, Mineo se une aos rebeldes contra os franceses. São mortos 13 franceses sob a liderança do jovem Adinolfo, cujo nome foi dado ao portão principal de acesso à cidade. O lugar onde os franceses foram sepultados tomou o nome de “Tomba gallica". Em 1282, toda a Sicília passa ao domínio dos aragãos. Nos tumultuados anos da Guerra dos Noventa Anos e do domínio dos aragãos Mineo passou por várias formas institucionais: fez parte do patrimônio régio, passou a condado (submetido, p.ex., ao Conde de Mineo, Giovanni de Aragão. Por concessão de Frederico III, passou a fazer parte do Reino da a Câmara Régia, como dotação pessoal da Rainha da Sicília. Em 1398, passou um breve período sob a jurisdição de Matteo Moncada. A estes anos de inserção na política aragonesa Mineo viu nascer o grande literato e político, Matteo Zuppardo. No entanto, Mineo teve a sorte do restante da ilha. Com os últimos reis aragoneses houve a união sob a coroa de Barcelona dos Reinos da Sicília e de Nápoles. Com o casamento (1492) do último rei Ferdinando II de Aragão com Isabella de Castiglia surgiu a grande potência política da Espanha da qual Mineo e a Sicília fizeram parte. Em 1360, no castelo de Mineo o bispo de Catânia, Marziano, celebrou o casamento entre Costanza de Aragão e Federico III. Costanza manteve-se ligada a Mineo, residindo aí durante o verão. Vinculou-se a Mineo também a rainha Bianca de Navarra, segunda mulher de Martino. A rainha para fugir às intrigas dos feudatários durante a ausência do marido que tinha partido para a Sardenha (1408) para apaziguar uma revolta, escondeu-se no convento das Beneditinas de Mineo, cuja abadessa recebeu o título de baronesa de RabbatoGiacomo Tamburino,<<Cenni della storia di Sicilia>>, Artestampa, Catania, 1996.
Período árabe (829-1062)
Escavações e estudos nos permitiram obter informações sobre o tipo de vida dos habitantes de Mineo deste período. As investigações arqueológicas no centro histórico trouxeram à tona as bases das imponentes torres do Portão da Cidade do período islâmico.
Período normando-suávio(1062-1268)
Período angevino (1268-1282)
Período aragonês-castelhano(1282-1516)
A Câmara real da Sicília
Mineo fazia parte da câmara real juntamente com poucas outras cidades da ilha. Os outros 262 centros da Sicília pertenciam a feudos. A diferença era notável, dado que os centros feudalizados estavam sob o domínio de um senhor feudal que geralmente impunha taxas adicionais às oficiais e, pior ainda, que fazia justiça com suas próprias mãos, ou por meio de “capitães de justiça" sem escrupulosos, que facilmente permutavam as penas por retribuições pecuniárias em benefício próprio. Pertencer ao Estado e ainda mais ao Estado real trazia vantagens. Era a "corte de justiça" vinculada à administração da cidade, que realizava os acordos com o vice-rei que estabelecia as taxas a serem pagas. Entre os benefícios, o mais importante era o "mero e misto império", com o exercício da "iurisdictio plena in capite" do "bannum sanguinis" e da "potestas gladii ", ou seja, com pleno poder de administrar a justiça civil e penal em benefício próprio, inclusive a pena capital. Havia outros benefícios, que levava o governo central a se comprometer a não conceder a ninguém a "baratteria", ou seja, a exploração de jogos de azar, a ser isentos da obrigação de alojar soldados, o que impedia o governo de cobrar de impostos as não ser o devido à “Grande Corte”. Encerrava a lista de privilégios o orgulho de obter um título elogioso como: felix, nobilis, jucundissima, clarissima, faecunda, fidelissima , magnifica, fulgentissima, vetustissima, excelsa, victoriosa, dilecta, inespugnabilis, generosa, etc . Para beneficiar-se de dois desses títulos era necessário pagar um valor adicional. Embora a convenção não tivesse limites de tempo, por duas vezes os reis da Espanha renegociaram os contratos: com Carlos V, em 1537, quando ele enfrentou a terceira guerra com Francisco I da França e com Filipe IV em 1625, durante a longa guerra dos 30 anos.Giacomo Tamburino, "Tributi siciliani alla corte di Enrico VIII", su: La Rivista', HO.U.SE. Ed., Catania, 2007
Tributos sicilianos à corte de Henrique VIII
Em 1502 , Catarina de Aragão, filha de Fernando o Católico e Isabel de Castela, casou-se na Inglaterra para Arturo herdeiro do trono . Logo a princesa ficou viúva devido à morte prematura de seu marido, sem ter tido tempo para consumar o casamento. Em 1507, com a morte do rei Henrique VII, subiu ao trono seu filho Henry VIII, que decidiu se casar com sua cunhada Catarina. Do dote nupcial de Catarina, também faziam parte as "segrezie" (impostos) devido à câmara real da Sicília, e que foram engordar os cofres da coroa inglesa. Isto foi até 1536, quando morre Catarina no castelo de Kimbalton, onde ela tinha sido segregada por seu marido por não ter-lhe dado um herdeiro do sexo masculino. Segundo as crônicas, Henrique tinha pedido a anulação do casamento ao Papa Clemente VII. A negativa ao pedido causou a separação da Igreja Anglicana. Obtido o divórcio do bispo anglicano de Canterbury, Thomas Carnmer, o monarca inglês casou-se com Ana Bolena que não lhe deu herdeiros e que, acusada de traição, foi decapitada na Torre de Londres. Henry VIII teve, no espaço de dez anos, outros quatro casamentos: Jane Seymour, que morreu durante o parto de seu único filho Edward, Anna de Claves e Catarina Norfolk, Catarina Parr. Em 1537, morre Henrique VIII: Catarina Parr, seguindo os hábitos de seu marido, não desdenhou de se casar pela quarta vez. Enquanto isso, em 1537, o rei da Espanha abole o reino da Sicília. As cidades que tiveram o privilégio de fazer parte dele, passaram a fazer parte dos dos oitenta municípios estatais da ilha.ver nota n. 10
Comunidade judaica