Lourenço de Almada (1645 — Palácio de São Domingos, Lisboa, 2 de maio de 1729O Palácio Almada, por Luís Pastor Macedo e António Rodrigues Cavalheiro, in Anais da Academia Portuguesa da História, vol. VIII, 1944. Nota 3: Cf. Liv. IV dos óbitos, fl. 221 V. - S.ta Justa), (9.º conde de Avranches) (12º senhor dos Lagares d' El-Rei) (7.º senhor de Pombalinho), entre vários lugares oficiais de grande responsabilidade, teve especial relevo como administrador colonial de Portugal.
No Brasil, onde foi governador-geral, foi dado o seu nome à Rua Lourenço de Almada, no bairro de Vila Alto de Santo André, na cidade de Santo André,CEP 09240590 - Rua Lourenço de Almada, CEP Brasil e à Rua Dom Lourenço de Almada, no bairro Portal do Patrimonium, no município de Caraguatatuba,CEP 11677-130, DiárioCidade ambos em São Paulo (estado).
Foi igualmente fidalgo do Conselho, deputado da Junta dos Três Estados, ainda foi presidente da Junta do Comércio«Memorias Históricas e Genealógica dos Grandes de Portugal», por D. António Caetano de Sousa, Officina de Antonio Isidoro da Fonseca, Lisboa, 1742, pág. 618. e, porque esta última foi temporariamente extinta em 1720, finalmente, nessa altura assume a coordenação do Conselho da FazendaElogio funebre e historico do muito alto, poderoso, augusto, pio, e fidelissimo Rey de Portugal , e senhor D. Joaõ V., por Francisco Xavier da Sylva, 1750, pág. 307.
Biografia Teve a comenda de S. Vicente de Vimioso e recebe também a alcaidaria-mor e comenda de Proença-a-Velha, da Ordem de Cristo, em 1675, por o seu avô materno (anterior alcaide e comendador) ter fugido para Castela quando tomou partido de Filipe III. Essa função e privilégio será continuado pelos primogénitos da sua descendência até à implantação do liberalismo em Portugal.
Terá tido um papel importante no seio da vida social da Igreja Católica pois a primeira irmandade ou confraria que houve em Condeixa-a-Nova (onde a família Almada tinha casa), a das Almas fundada em 19 de Novembro de 1679, ele foi o primeiro juiz da mesma.Condeixa-a-Nova, por A. Santos Conceição, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1941 Igualmente, segundo o Agiologio Lusitano, terá sido o 193º provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.Agiologio Lusitano dos sanctos e varoens illustres em virtude do reino de Portugal e suas Conquistas, Volume 4, Lisboa, 1744, pág. 29
Segundo conta António Caetano de Sousa, no início de Setembro de 1687, ao referir-se aos festejos do casamento de D. Pedro II de Portugal com D. Maria Sofia Isabel de Neuburgo diz que D. Lourenço será um dos cavaleiros tauromáquicos que actuará neles. Tendo-lhe calhado essa sorte o segundo dia, dos três que eles decorreram, e nos outros actuaram D. Luís Manuel de Távora, conde de Atalaia e D. Cristóvão Manuel de Vilhena, conde de Vila Flor, respectivamente.O fasto na afirmação de poder: enlaces régios na época barroca, por Lucília Didier, VS 21, 2014, pág. 205Anno historico, diario portuguez, noticia abreviada de pessoas grandes, e cousas notaveis de Portugal, a saber... offerecido a el rey D. Joao V. nosso senhor...Composto pelo padre mestre Francisco de Santa Maria, Volume 2, na officina, e à custa de Domingos Gonsalves, 1744, pág. 614
Será incumbido da função de Mestre-sala da Casa Real,Alvará. Mestre-sala da Casa Real, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, liv. 1, f.350-350v em 22 de outubro de 1696A Casa Real Portuguesa ao Tempo de D. Pedro II (1668-1706), por Joana Leandro Pinheiro de Almeida Troni, Tese para obtenção do grau de Doutor em História Moderna, Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, Departamento de História, 2012, pág. 266RGM, D. Pedro II, L.º 1, fl. 350-350v, ANTT, in Resenha da Nobreza Portuguesa, por Miguel Vaz Pinto, Chiadobooks, 2025, pág. 50 (cargo oficial que se manteve na sua família directa, por varonia, hereditário durante seis gerações), ao serviço dos reis Pedro II e João V. Foi nessa qualidade que na manhã do dia 12 de janeiro de 1723, conjuntamente com o conde de Pombeiro, capitão da Guarda Real, conduziu as majestades e a nova princesa das Astúrias D. Bárbara de Bragança, casada no dia anterior com o futuro rei D. Fernando VI de Espanha, para a solene audiência pública ao Patriarca de LisboaMaria Bárbara (D.). Infanta de Portugal. Portugal - Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume IV, págs. 833-834. Edição em papel © 1904-1915 João Romano Torres - Editor. Edição electrónica © 2000-2015 Manuel Amaral.
Foi um dos nomeados em Santarém para acompanhar D. Pedro II na 1.ª fase da Guerra de Sucessão de Espanha, a favor de Carlos de Áustria.Augusto dos Santos Conceição, Condeixa-a-Nova, 2.ª edição, Revista e Acrescentada por José Maria Gaspar, Coimbra, 1983, pág. 56.
Ocupou igualmente e respectivamente os lugares de capitão-general da Ilha da Madeira e governador-geral de Angola e do Brasil.
Como governador da Madeira foi nomeado em 4 de Agosto de 1687 e tomou posse a 13 de Abril de 1688. terminando o seu serviço em 2 de Dezembro de 1689 ao ceder o lugar em D. Rodrigo da CostaAs Saudades Da Terra, Manuscrito do século XVI, pelo Gaspar Fructuoso anotado por Francisco Rodrigues de Azevedo, Typographia Funchalense, Funchal, 1873, pág. 825
Na vigência da governação desta ilha, foi completada a fortificação da frente mar da cidade e construíram um portão dentro do gosto maneirista internacional – o chamado Portão dos Varadouros, onde, no ano de 1689, foi mandada colocar uma inscrição em latim, que se pode traduzir por “Cada um dos antecedentes governadores debalde se esforçou por concluir estas muralhas; ao Senhor Lourenço de Almada estava reservada a satisfação da sua conclusão”. Refere o provedor Ambrósio Vieira de Andrade, em certidão de 30 de setembro de 1690, que o governador “fez findar a muralha com toda a perfeição, brevidade e comunidade”.almada, lourenço de, por Rui Carita, Aprender Madeira, (atualizado a 13.11.2016
A tomada de posse do lugar de governação do reino de Angola deu-se em 20 de Novembro de 1705. Nessa altura terá mandado fazer várias melhorias na sua defesa nomeadamente na Fortaleza de São Miguel de LuandaEnsaios sobre a statistica das possessões portuguezas na Africa occidental e oriental; na Asia occidental; na China, e na Oceania, Imprensa nacional, 1844, p. 141 e na Sé de Luanda.Carta do governador e capitão-general de Angola, João Jacques de Magalhães, ao rei [D. João V] remetendo novamente mapas da artilharia das fortalezas de Angola acrescentando a artilharia de Ambaca, montada e com os seus reparos; informando que também tinha mandado fazer reparos na fortaleza da ilha de Nossa Senhora do Cabo que estava em ruína e no telhado da Sé de Luanda, e que tinha terminado a obra das casas iniciada no tempo de governador D. Lourenço de Almada., Arquivo Histórico Ultramarino, em 1739-07-29, Cód. Ref.: PT/AHU/CU/001/0033/03223 Conta-nos João Carlos Feo e Torres que D. Lourenço governou, até 4 de Outubro de 1709, com grande prudência e integridade. Sendo tal confirmado por ofício passado pelos oficiais à sua responsabilidade nessa governaçãoConsulta: Os oficiais da câmara de Angola dão conta do bem que governou aquele reino D. Lourenço de Almada, Arquivo Histórico Ultramarino, Datado de: 1710-10-09, Código de ref.: PT/AHU/CU/046/0554/00236CONSULTA do Conselho Ultramarino ao rei D. João V sobre a carta dos oficiais da câmara de Angola, elogiando o desempenho de D. Lourenço de Almada no governo daquele reino, lamentando que não ficasse mais tempo., Arquivo Histórico Ultramarino,, Datado de: 1710-10-09, Código de fer.: PT/AHU/CU/001/0020/02060 e por um sindicato feito posteriormente.Carta do sindicante Manuel Ferreira de Carvalho, ao rei (D. João V) sobre a residência que tirara do tempo em que D. Lourenço de Almada governara o reino de Angola, considerando que fora venerado por todos e cumpridor da justiça; informando que o ouvidor-geral Manuel Antunes de Almeida acusara o dito governador de usar de poder absoluto, mas tal não se verificara, porque fornecera gente paga para a prisão de Francisco Vaz Francisco e no caso do criminoso capitão António de Tovar Lopes não havia autos de processos., Arquivo Histórico Ultramarino, Datado de 1716-12-10, código de ref.: PT/AHU/CU/001/0021/02145 Foi nessa altura que terá passado uma Carta de confirmação do senhorio das terras de Caculo Cacahenda, ao Dembo D. Sebastião Francisco ChequeCarta de confirmação do senhorio das terras de Caculo Cacahenda, ao Dembo D. Sebastião Francisco Cheque por D. Lourenço de Almada, governador geral do reino de Angola (Cópia), 1705-12-18, Arquivo Histórico Militar, Código de referência PT/AHM/DIV/2/02/001/02Na estrutura política tradicional dos povos Ambundu que habitavam a região, o Caculo Cahenda era considerado pelos portugueses como o mais poderoso de todos os Dembos. - Revoltas e campanhas nos Dembos (1872-1919): 47 anos de independência às portas de Luanda, por António José Machado Marracho, Dissertação de mestrado, Iscte – Instituto Universitário de Lisboa, 2008.
A par do exercício de governador, envolveu-se igualmente no rendoso negócio do álcool para África.“A Baixa de Lisboa: Permanências e Transformações de um Roteiro (1700 -1762)”, por Delminda Rijo, C. M. Lisboa - Gabinete de Estudos Olisiponenses, CITCEM - Grupo de História das Populações, nota 15
Fazendo jus ao seu bom exercício na referida missão régia ultramarina, para o Reino de Portugal, em 26 de Novembro de 1709, o rei escrevia-lhe a convidá-lo a governar "temporariamente" a "capitania geral do Estado do Brazil" "debaixo do mesmo preito e homenagem" que a anterior.
No mesmo dia mandava outra carta oficial ao anterior governador, Luiz César de Menezes, dispensando-o das suas funções e a entregá-las a D. Lourenço.Chronica Geral do Brazil, por Alexandre José de Mello Moraes, B. L. Garkier — Livreiro editor, págs. 20 e 21
Durante sua estadia terá contribuído com várias obras militares, entre elas o Reduto do Rio VermelhoReduto do Rio Vermelho, tutor Roberto Tonera, com cotribuíção de: Carlos Luís M. C. da Cruz, Fortalezas.org e o Forte de São Lourenço da Ilha de Itaparica,Forte de São Lourenço na ponta da ilha de Itaparica, Com a contribuição de conteúdo de: Carlos Luís M. C. da Cruz, Contribuições com mídias: Projeto Fortalezas Multimídia (Jaime José S. Silva), Atualizado em 14/05/2009 pelo tutor Roberto Tonera, Fortalezas.org ambos a Bahia, tendo a este último sido dado o mome de São Lourenço em sua homenagem.
Embora assim fosse, teve pouca sorte no Brasil porque nessa altura, apenas ele chegou a Pernambuco, começaram as revoltas dos moradores do Recife, chamada Guerra dos Mascates, protegidos pelo governador Sebastião de Castro, que queriam que a sua povoação fosse elevada a vila. E mal tinha tudo acalmado recebeu a notícia de que um corsário francês, Duguay-Trouin, tomara e saqueara o Rio de Janeiro governado por Francisco de Castro Morais, querendo vingar a derrota que tempos antes sofrera aí uma expedição francesa comandada por Du Clerc às suas mãos. O mais grave é que este, exigiu para resgate dos edifícios que poupava, uma quantia exorbitante e a que D. Lourenço se viu obrigado a pagar. Tudo isso deve ter sido demasiado para ele porque, apenas um ano depois da sua governação, em 1711, pediu a demissão. Isso, apesar dos oficiais da Câmara da Bahia terem solicitado ao rei a prorrogação do seu mandato antes de o conseguirRepresentação dos oficiais da Câmara da Bahia ao rei (D. João V) solicitando prorrogação do mandato do governador-geral do Brasil Lourenço de Almada, 18 jun. 1710, Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) ID Geral: 001138, Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) AHU_ACL_CU_005 519. Ainda assim continuou vivendo na Baía, possivelmente por ser lá apreciado pelos locais como se viu, sem qualquer função de estado, mas, no seu azar, viu-se envolvido noutros confrontos sem o desejar que achou por bem retirar-se definitivamente para Portugal continental.
Dados genealógicos