As enchentes no Brasil em 1979 foram uma série de fenômenos que ocorreram, com maior destaque, nos estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.
Em Minas e Espírito Santo, as enchentes após fortes chuvas atingirem os estados entre janeiro e fevereiro daquele ano. Foi o maior desastre natural já registrado na região, tendo um total de desabrigados, 74 vítimas fatais e residências atingidas. Foram inundados 36 km de trechos da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), com tráfego de trens paralisado durante duas semanas e posterior interrupção da extração do minério de ferro, e rodovias como a BR-101 precisaram ser interditadas. Houve grande repercussão mundial.
A sobrecarga do rio São Francisco também trouxe, naquele ano, enchentes em Minas Gerais e na Bahia. Neste último estado, o principal fenômeno também esteve relacionado com a sobrecarga da barragem de Sobradinho. Por consequência, vários municípios ribeirinhos do rio São Francisco foram inundados.
Chuvas As enchentes foram causadas pelo grande acumulado de chuva entre janeiro e fevereiro do ano de 1979 no Espírito Santo e em toda a porção leste do estado de Minas Gerais, durante 35 dias seguidos de chuvas intensas e contínuas. No dia 26 de janeiro, o acumulado foi de em Bom Jesus do Galho, em Nova Era, em Dom Cavati e em Colatina. Em 30 de janeiro, foram acumulados em Aimorés e no município de Ipanema, onde também choveram no dia 26 e o acumulado mensal de janeiro foi de . Em Itaguaçu o acumulado foi de no dia 19 de janeiro e em 31 de janeiro. Em 1º de fevereiro, foram em Ipanema e no município de Timóteo. Em 2 de fevereiro, choveram em Belo Oriente, em Dom Cavati e em Ferros. Na capital mineira, Belo Horizonte, o acumulado de chuva entre janeiro e fevereiro chegou aos .
Impactos thumb|esquerda|Colatina, no Espírito Santo, inundada pelo rio Doce durante as enchentes de 1979 (Revista Manchete, 24 de fevereiro de 1979). As cidades de Linhares, Colatina, Aimorés, Conselheiro Pena e Governador Valadares foram as mais atingidas às margens do rio Doce, além de Rio Piracicaba, Nova Era, Timóteo e Coronel Fabriciano, no rio Piracicaba; Caratinga, no rio Caratinga e córrego São João; Manhuaçu, no rio Manhuaçu; Ferros, no rio Santo Antônio; Mariana, no rio do Carmo; Frei Inocêncio, no rio Suaçuí Grande; e Itaguaçu, no rio Santa Joana. Ao menos 37 cidades ficaram ilhadas. Em Ipatinga, no Vale do Aço, os estragos atingiram proporções de tragédia: foram contabilizados cerca de 10 mil desabrigados e 42 mortos, a maioria soterrada por grande queda de encosta ocorrida em uma região do bairro Esperança denominada Grota do IAPI. Municípios como Tumiritinga, Galileia, Itueta, Resplendor, Antônio Dias, Baixo Guandu, Ponte Nova e Santana do Manhuaçu também foram afetados.
Após as enchentes, uma série de estações pluviométricas e fluviométricas foi instalada em diversos municípios visando a alertar a população de uma possível enchente, tendo o sistema administrado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Em 6 de abril de 1979, foi realizado no Estádio do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro, um jogo de futebol amistoso entre o Atlético Mineiro e o Flamengo a fim de arrecadar dinheiro para as vítimas das enchentes. A partida foi vencida pelo time carioca, que teve participação especial de Pelé, por 5 a 1.
Com a cheia do rio São Francisco, vários municípios mineiros e baianos foram inundados. Foram registrados casos em municípios como Pirapora, Montes Claros, Januária, São Romão, Malhada, Paratinga e Xique-Xique.
Sucedentes Em janeiro de 1997, novas enchentes de grandes proporções atingiram diversas cidades situadas entre Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, após chuvas contínuas. Nos três estados, registraram-se 82 mortes, casas foram danificadas e outras ficaram destruídas, afetando 175 municípios. Em Governador Valadares grande parte da cidade foi inundada pelo rio Doce, sendo então a segunda pior enchente da história da cidade (perdendo para a de 1979) e em 2012 ocorreu a terceira pior, quando o rio atingiu quatro metros e treze centímetros acima do nível normal no dia 6 de janeiro daquele ano.
Os danos causados pelas enchentes de 2013, no entanto, são comparáveis aos de 1979, tendo deixado mais de 40 mortos e 50 mil pessoas fora de suas casas. Mais de cem municípios nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo foram afetados, sendo decretado estado de emergência em todo o Espírito Santo. Em cidades como Barra de São Francisco e Rio Bananal os estragos de 2013 foram superiores aos da década de 70.
Ver também Desastres em 1979 Geografia de Minas Gerais Geografia do Espírito Santo
Ligações externas
Imagens de satélite Imagens do satélite SMS-1, em 18 de janeiro de 1979 (NOAA) - Um canal de umidade está se formando desde a faixa norte do Sudeste até a Amazônia. Imagens do satélite SMS-1, em 25 de janeiro de 1979 (NOAA) - Há uma faixa de nebulosidade organizada sobre parte do Brasil. Imagens do satélite SMS-1, em 4 de fevereiro de 1979 (NOAA) - Ainda observa-se bastante instabilidade sobre o Sudeste (agora exceto em São Paulo) e ainda em parte do interior nordestino. Imagens do satélite SMS-1, em 7 de fevereiro de 1979 (NOAA) - O sistema de umidade começa a perder força sobre Minas Gerais e Espírito Santo. Imagens do satélite SMS-1, em 9 de fevereiro de 1979 (NOAA) - Já com o sistema de umidade dissipado, com poucas instabilidades apenas sobre a faixa oeste de Minas Gerais. Imagens do satélite SMS-1, em 19 de fevereiro de 1979 (NOAA) - Um novo canal de umidade se formou desde o Espírito Santo até a Amazônia.
Minas Categoria:Desastres no Espírito Santo (estado) Categoria:Desastres em Minas Gerais Categoria:Enchentes em 1979 Categoria:1979 no Brasil