Adjuvilo Pronúncia: [ adʒuˈvilo ] Outros nomes: "Ido simplifié"; "Ido mis au point" Criado por: Claudius Colas Data: 1910 Emprego e uso: Língua auxiliar internacional Região: França Falantes: Desconhecido Família: Esperanto  Ido    Adjuvilo Escrita: Alfabeto latino (26 letras + 3 dígrafos) Estatuto oficial Língua oficial de: nenhum Regulado por: nenhum Códigos de língua IETF: art-x-adjuvilo

Adjuvilo (pronúncia ) é uma língua construída classificada como esperantido — isto é, um projeto linguístico derivado do Esperanto —, mais especificamente uma reforma do Ido. Foi concebida com o objetivo de simplificar ainda mais o Ido, eliminando o acusativo morfológico, adotando o plural em -s para substantivos e adjetivos, e abolindo a voz passiva sintética em favor de uma construção analítica. A língua foi publicada em 1.º de agosto de 1910 em Paris pelo esperantista francês Claudius Colas (1884–1914), sob o pseudônimo "Profesoro V. Esperema".

No panfleto, Colas apresenta o Adjuvilo como uma proposta prática e urgente de adoção, afirmando que "alguns dias de estudo e exercício" seriam suficientes para falar a língua com fluência, e que sua superioridade era ao mesmo tempo teórica e prática. Ele chegou a anunciar a publicação de uma gramática completa e um livro de exercícios para o outono de 1910 (outubro a novembro), obras que nunca chegaram a ser publicadas..

Apesar da intenção declarada de uso efetivo, o Adjuvilo não chegou a reunir uma comunidade de falantes até o advento da Internet, que despertou o interesse de um pequeno número de entusiastas.

Adjuvilo é citado em estudos de interlinguística como um exemplo de tentativa de reforma radical dentro do movimento das línguas auxiliares internacionais no período anterior à Primeira Guerra Mundial.

História

Antecedentes: a Délégation e a cisão Esperanto–Ido

O movimento em favor de uma língua auxiliar internacional ganhou impulso no final do século XIX com a publicação do Esperanto por L. L. Zamenhof em 1887. Em 1901, os filósofos Louis Couturat e Léopold Leau fundaram a Délégation pour l'Adoption d'une Langue Auxiliaire Internationale (DAL), que em outubro de 1907 reuniu uma comissão em Paris para avaliar os projetos existentes. A comissão rejeitou o Esperanto sem reformas e recomendou um projeto anônimo apresentado sob o pseudônimo "Ido", mais tarde revelado como obra de Louis de Beaufront, que havia trabalhado em conjunto com Couturat. Esse fato desencadeou uma cisão no movimento esperantista. Segundo a estimativa do historiador Ulrich Lins, cerca de 20% dos principais promotores do Esperanto e apenas 3% a 4% dos esperantistas comuns aderiram ao Ido.

A nova língua, publicada sob o nome de Ido, passou a ser divulgada pela revista Progreso, fundada por Couturat em 1908. Nos anos seguintes, surgiram diversas propostas de reforma do próprio Ido, publicadas nas páginas de Progreso.

Publicação do Adjuvilo

Em 1.º de agosto de 1910, Claudius Colas — que era na época redator da revista católica esperantista Espero Katolika — assinou a introdução do panfleto L'Adjuvilo : Langue auxiliaire internationale basée sur le maximum d'internationalité, de simplicité et d'harmonie. Système Ido mis au point, editado pela Librairie Internationale Gamber, em Paris. O autor usou o pseudônimo "Profesoro V. Esperema", mas a autoria de Colas é incontestada.

No prefácio, Colas critica duramente Couturat e de Beaufront por terem ficado "a meio caminho" na aplicação dos princípios de simplificação e internacionalidade, argumentando que o Ido mantinha complicações desnecessárias, como a voz passiva sintética e as exceções ao acento tônico. O projeto do Adjuvilo, ao contrário, propunha uma reforma mais radical, eliminando o acusativo, adotando o plural em -s em vez de -i, e abolindo por completo a flexão verbal de pessoa e número. O próprio Colas encerra a introdução com a afirmação de que "cedo ou tarde, a forma do Adjuvilo se imporá ao Ido — isso é certo".

Apesar do tom polêmico, a proposta dirigia-se diretamente aos idistas, convidando-os a comparar imparcialmente as duas gramáticas. No mesmo ano de 1910, Colas cofundou a Internacia Katolika Unuiĝo Esperantista (IKUE), o que mostra que ele se mantinha ativo tanto no movimento esperantista quanto nos debates sobre reformas linguísticas.

Teoria da "sabotagem" do movimento idista

Entre comentadores do movimento das línguas auxiliares, é frequentemente aventada a hipótese de que Colas, sendo um esperantista convicto, teria criado o Adjuvilo com o intuito de semear a discórdia no movimento idista, que na época vivia um período de crescimento. Essa interpretação, no entanto, não encontra respaldo em fontes primárias — o próprio Colas, no panfleto, apresenta o Adjuvilo como uma reforma genuína e urgente do Ido, destinada ao uso efetivo, e não como um projeto de sabotagem.

Claudius Colas

Claudius Colas (Saint‑Huruge, 29 de novembro de 1884 — Batalha do Marne, 11 de setembro de 1914) foi um esperantista francês, redator da revista Espero Katolika (1908–1911) e cofundador da IKUE em 1910. Morreu aos 29 anos durante a Primeira Batalha do Marne, na Primeira Guerra Mundial, vítima de um ferimento de tiro na cabeça. Além do Adjuvilo, Colas publicou contos em Esperanto, como "Kristnasko" (Natal) e "Epizodo de milito" (1911).

Características linguísticas

Fonologia e ortografia

O Adjuvilo utiliza as 26 letras do alfabeto latino básico (idêntico ao inglês) e três dígrafos: ch , qu e sh . O Ido tinha quatro dígrafos (incluindo gu), que Colas eliminou.

As vogais são cinco: , com as médias podendo ser abertas ou fechadas conforme a preferência do falante. As consoantes são , às quais se somam as semivogais . Os ditongos ocorrem apenas em raízes, não através de afixos.

O acento tônico recai sempre na penúltima sílaba, sem exceções — ao contrário do Ido, que mantinha exceções em palavras terminadas em -ar, -ir, -or e -al.

Morfologia nominal

Artigo definido: la (singular) e las (plural); permite elisão como l antes de vogal ou consoante. Não há artigo indefinido. Substantivos: terminam em -o no singular e acrescentam -s no plural (ex.: la lando / las landos). O Ido usava -i para o plural. Adjetivos: terminam em -a e concordam em número com o substantivo, recebendo -s no plural (ex.: un bona viro, belas juvenilos). No Ido, os adjetivos eram invariáveis. Gênero: não há gênero gramatical; o feminino é formado pelo sufixo -in (filio / filiino). Casos''': o genitivo e o dativo são expressos pelas preposições de e a, respectivamente. O acusativo morfológico (presente no Esperanto e mantido no Ido em contextos de inversão) foi completamente abolido.

Pronomes

+ Pronomes pessoais, possessivos e reflexivos Função Singular Plural Pessoais me, tu/vu, il, el, it, lo nos, vos, ilos, elos, itos, los Possessivos mea, tua, ila, ela nosas, vosas, ilosas, elosas Reflexivo su / sua (3.ª pessoa) O pronome vu é usado como forma de cortesia. O reflexivo su/sua só se aplica à terceira pessoa e refere-se ao sujeito da oração.

Verbos

Os verbos do Adjuvilo não flexionam por pessoa nem por número. Os tempos e modos são marcados por sufixos invariáveis:

+ Conjugação do verbo vidar (ver) Tempo/modo Sufixo Exemplo Infinitivo -i (forma esperantista) vidi Presente -an me vidan Pretérito -in me vidin Futuro -on me vidon Condicional -un me vidun Imperativo -en viden!

Os particípios ativos são -ant (presente), -int (passado) e -ont (futuro); os particípios passivos são -at, -it e -ot. A voz passiva é sempre analítica, formada pelo verbo auxiliar estar seguido do particípio passivo:

Me estan vidita — "sou visto / fui visto" Me estin vidita — "tinha sido visto" Me eston vidita — "terei sido visto"

Essa construção substitui a voz passiva sintética do Ido (que usava o sufixo -es-), que Colas considerava uma complicação desnecessária.

Léxico

Colas manteve em grande parte o vocabulário do Ido, mas introduziu algumas modificações morfofonológicas e, em certos casos, restaurou formas esperantistas. Exemplos documentados no panfleto:

+ Alterações lexicais selecionadas Português Ido Adjuvilo pássaro ucelo avio galo / galinha hano / hanino galo / galino dia dio dago deus deo dio sol suno sulo algum kelka alguna cena ceno sceno que (comparativo) kam quam cinco kin quin nove non nov quando kande quande porquê pro quo quare partícula interrogativa kad num de (genitivo) di de pron. neutro 3.ª p. ol it / lo

Desenvolvimentos contemporâneos (gramática de 2011)

Dentro do pequeno círculo de entusiastas que mantiveram interesse no Adjuvilo no início do século XXI, foram propostas algumas expansões e sistematizações que não constam do panfleto original de Colas. A principal delas é a Gramatiko de Adjuvilo primitiva e per Adjuvilo, compilada em 2011 por Aleshandre Shavyer Kasanova Domingo e disponibilizada nos grupos do Yahoo! Groups, na lista de discussão AUXLANG (Brown University) e no periódico eletrônico Posta Mundi. Embora o autor afirme descrever apenas o Adjuvilo "primitivo", o documento introduz vários elementos novos ou mais detalhados, explicitamente apresentados como sugestões para um "Adjuvilo moderno". Entre as principais expansões estão:

+ Expansões propostas na gramática de 2011 Elemento Descrição Exemplo Dígrafo gu (reintrodução) Colas havia eliminado o dígrafo gu do Ido (substituindo-o por g simples), mas a gramática de 2011 o restabelece, tratando gu como g+w (semivogal). guano (gua-no), gumo (gu-mo) Sufixo -ac Indica produção natural ou secreção. floraci (florescer), sangaci (sangrar) Sufixo -el Indica fragmento. sablonelo (fragmento de grão de areia), vitrelo (caco de vidro) Sufixo -ik Indica proveniência ou resultado. infantikajo (coisa de criança) Sufixos -esk e -isk Indicam transformação ativa e passiva, respectivamente. malyuneski (envelhecer), troviski (ser encontrado) Sistematização do aspecto verbal Embora Colas mencionasse particípios, a gramática de 2011 detalha combinações do verbo auxiliar estar com particípios para expressar aspecto perfectivo/imperfectivo. me estan rigardinta (eu tenho olhado), me estan rigardata (eu estou sendo olhado) Expansão vocabular Vocabulário de cerca de 700 palavras, incluindo neologismos como damzelo (jovem), kutilo (talher) e sulo (sol – já presente em Colas, mas reafirmado). damzelo, kutilo, sulo Produção de textos originais Pela primeira vez desde 1910, surgem textos novos escritos em Adjuvilo, incluindo traduções de poemas de Heinrich Heine e Erich Fried, letras da banda The Cure, e contos originais do próprio compilador. La severa profesoro e la existeso de Dio, La tantrismo de Nasrudino

A gramática de 2011 não tem qualquer caráter oficial e nunca foi endossada por qualquer organização; seus autores declararam explicitamente que o Adjuvilo "moderno" deveria ser decidido pelos usuários, e que o documento era um "ponto de partida" aberto a correções e expansões. Essas propostas, portanto, refletem tentativas isoladas de revitalização dentro de um nicho muito restrito de entusiastas, não constituindo uma evolução consensual da língua.

Comparação com o Ido primitivo

A tabela seguinte, baseada no capítulo III do panfleto de Colas, resume as principais diferenças entre o Adjuvilo e o Ido de 1907:

+ Diferenças entre Adjuvilo e Ido primitivo Característica Ido primitivo (1907) Adjuvilo (1910) Alfabeto 28 letras (com w) 26 letras (sem w ativo) Dígrafos 4 (sh, ch, qu, gu) 3 (ch, qu, sh) Acento tônico Penúltima, com exceções (-ar/-ir/-or/-al) Sempre na penúltima Plural do substantivo -i -s Plural do adjetivo invariável concorda em -s Artigo definido la (invariável) la / las Acusativo -n em ordens invertidas abolido Infinitivo -ar -i (forma esperantista) Número de infinitivos três (-ar, -ir, -or) forma única Voz passiva sintética (-es-) analítica (estar + particípio) Possessivos mea, tua, lua, nia, via, lia (irregulares) regulares (pessoal + -a/-as) Partícula interrogativa kad num

Recepção e legado