A história da União Soviética entre 1927 e 1953, comumente denominada Era Stalin ou Era Stalinista, abrange o período da história soviética compreendido entre o estabelecimento do stalinismo, a vitória na Segunda Guerra Mundial e a morte de Josef Stalin, em 1953. Stalin procurou destruir seus inimigos enquanto transformava a sociedade soviética por meio do planejamento central, particularmente através da coletivização forçada da agricultura e da rápida industrialização pesada. Stalin consolidou seu poder dentro do partido e do Estado e promoveu um amplo culto à personalidade. A polícia secreta soviética e a mobilização em massa do Partido Comunista serviram como os principais instrumentos de Stalin para moldar a sociedade soviética. Os métodos de Stalin para alcançar seus objetivos, que incluíam expurgos partidários, limpezas étnicas, repressão política da população em geral e coletivização forçada, provocaram milhões de mortes: nos campos de trabalho do Gulag e durante a fome.

A Segunda Guerra Mundial, conhecida como "a Grande Guerra Patriótica" pelos historiadores soviéticos, devastou grande parte da URSS, e aproximadamente uma em cada três mortes ocorridas na guerra correspondeu a um cidadão soviético. Durante a Segunda Guerra Mundial, os exércitos da União Soviética ocuparam o Leste Europeu, onde estabeleceram ou apoiaram governos fantoches comunistas, formando uma esfera de influência soviética. Em 1949, a Guerra Fria já havia começado entre o Bloco ocidental e o Bloco Oriental soviético, com o Pacto de Varsóvia, criado em 1955, em oposição à OTAN, criada em 1949, na Europa. Depois de 1945, Stalin não participou diretamente de nenhuma guerra e manteve seu governo totalitário até sua morte, em 1953.

Desenvolvimento do Estado soviético

Industrialização na prática

A mobilização de recursos por meio do planejamento estatal ampliou a base industrial do país. Entre 1928 e 1932, a produção de ferro-gusa, necessária para o desenvolvimento adicional da infraestrutura industrial, aumentou de 3,3 milhões para 6,2 milhões de toneladas por ano. A produção de carvão, um combustível básico das economias modernas e da industrialização stalinista, aumentou de 35,4 milhões para 64 milhões de toneladas, enquanto a produção de minério de ferro cresceu de 5,7 milhões para 19 milhões de toneladas. Vários complexos industriais, como os de Magnitogorsk e Kuznetsk, as fábricas de automóveis de Moscou e Gorky, as fábricas de maquinário pesado dos Montes Urais e de Kramatorsk e as fábricas de tratores de Kharkiv, Stalingrado e Tcheliabinsk, haviam sido construídos ou estavam em construção.

Em termos reais, o padrão de vida dos trabalhadores tendeu a diminuir, em vez de aumentar, durante a industrialização. As leis de Stalin destinadas a "reforçar a disciplina de trabalho" agravaram a situação. Uma alteração de 1932 no código de leis trabalhistas da RSFS da Rússia, por exemplo, permitiu a demissão de trabalhadores que se ausentassem sem justificativa do local de trabalho por apenas um dia. A demissão nessas circunstâncias significava a perda do "direito de utilizar cartões de racionamento e de mercadorias", bem como a "perda do direito de utilizar um apartamento", além da inclusão do trabalhador em uma lista que dificultava uma nova contratação. Em conjunto, essas consequências representavam uma ameaça de morte por inanição. Essas medidas, entretanto, não eram aplicadas integralmente, pois os administradores enfrentavam dificuldades para substituir os trabalhadores. Em contraste, a legislação de 1938, que introduziu as carteiras de trabalho e foi seguida por grandes revisões da legislação trabalhista, foi aplicada. A ausência ou mesmo um atraso de vinte minutos, por exemplo, podia justificar uma demissão; os administradores que deixassem de aplicar essas leis podiam ser processados criminalmente. Posteriormente, o decreto do Presidium do Soviete Supremo de 26 de junho de 1940, "Sobre a transferência para a jornada de trabalho de oito horas, a semana de trabalho de sete dias e a proibição da saída não autorizada de trabalhadores e funcionários das fábricas e escritórios", substituiu as revisões de 1938 por penas criminais obrigatórias para o abandono de um emprego — de dois a quatro meses de prisão — e para atrasos de vinte minutos — seis meses de liberdade condicional e confisco de 25% do salário —, entre outras infrações.

Com base nesses números, o governo soviético declarou que o Plano Quinquenal de Produção Industrial havia sido cumprido em 93,7% em apenas quatro anos, enquanto as partes dedicadas à indústria pesada haviam sido cumpridas em 108%. Em dezembro de 1932, Stalin declarou o plano um sucesso perante o Comitê Central, pois o aumento da produção de carvão e ferro impulsionaria o desenvolvimento futuro.

Durante o Segundo Plano Quinquenal (1933–1937), com base no enorme investimento realizado durante o primeiro plano, a indústria se expandiu com extrema rapidez e quase atingiu as metas estabelecidas. Em 1937, a produção de carvão era de 127 milhões de toneladas, a produção de ferro-gusa chegava a 14,5 milhões de toneladas e a indústria de armamentos havia se desenvolvido muito rapidamente.

Embora tenha produzido um enorme avanço na capacidade industrial, o Primeiro Plano Quinquenal foi extremamente severo para os trabalhadores industriais. As cotas eram difíceis de cumprir, exigindo que os mineiros trabalhassem em jornadas de dezesseis a dezoito horas. O descumprimento das cotas podia resultar em acusações de traição. As condições de trabalho eram precárias e até perigosas. Devido à destinação de recursos para a indústria e à queda da produtividade provocada pela coletivização, ocorreu uma fome. Na construção dos complexos industriais, os detentos dos campos do Gulag eram utilizados como recursos descartáveis. As condições, porém, melhoraram rapidamente durante o segundo plano. Ao longo da década de 1930, a industrialização foi acompanhada por uma rápida expansão da educação técnica e da engenharia, bem como por uma ênfase crescente na produção de munições.

Entre 1922 e 1953, o Estado policial operou com grande intensidade, procurando qualquer pessoa acusada de sabotar o sistema. As estimativas variam consideravelmente. Possivelmente, 3,7 milhões de pessoas foram condenadas por supostos crimes contrarrevolucionários, entre elas 600 mil condenadas à morte, 2,4 milhões enviadas a campos de trabalho e 700 mil condenadas ao exílio. A repressão stalinista atingiu seu auge durante o Grande Expurgo de 1937–1938, que eliminou numerosos administradores e especialistas qualificados e desacelerou consideravelmente a produção industrial em 1937.

Economia

Coletivização da agricultura

thumb|A propaganda apresenta o uso de tratores — neste caso, um McCormick-Deering 15–30 — como a base da coletivização. Ucrânia Soviética, 1931 Durante a NEP — Nova Política Econômica —, Lenin precisou tolerar a continuidade da agricultura de propriedade privada. Ele decidiu esperar pelo menos vinte anos antes de tentar colocá-la sob o controle do Estado e, enquanto isso, concentrar-se no desenvolvimento industrial. Entretanto, depois da ascensão de Stalin ao poder, o prazo para a coletivização foi reduzido para apenas cinco anos. A demanda por alimentos aumentou, especialmente nas principais regiões produtoras de cereais da URSS, com a aplicação de novos métodos coercitivos. Ao ingressarem nos colcozes — fazendas coletivas —, os camponeses precisavam entregar suas terras e propriedades privadas. A cada colheita, a produção dos colcozes era vendida ao Estado por um preço baixo, determinado pelo próprio Estado. O avanço natural da coletivização, no entanto, era lento, e o plenário de novembro de 1929 do Comitê Central decidiu acelerá-la por meio da força. De qualquer forma, a cultura camponesa russa constituía um baluarte do tradicionalismo que se opunha aos objetivos do Estado soviético.

Diante dos objetivos do Primeiro Plano Quinquenal, o Estado procurou ampliar seu controle político sobre a agricultura para alimentar a população urbana em rápido crescimento e obter uma fonte de divisas estrangeiras por meio do aumento das exportações de cereais. Como havia começado o processo tardiamente, a URSS precisava importar uma quantidade considerável das tecnologias caras necessárias à industrialização pesada.

Em 1936, aproximadamente 90% da agricultura soviética havia sido coletivizada. Em muitos casos, os camponeses se opuseram amargamente ao processo e frequentemente abateram seus animais, em vez de entregá-los às fazendas coletivas, embora o governo desejasse apenas os cereais. Os cúlaques, camponeses considerados prósperos, foram reassentados à força na República Socialista Soviética Cazaque, na Sibéria e no extremo norte da Rússia — uma grande proporção dos cúlaques cumpriu penas em campos de trabalho forçado. Entretanto, praticamente qualquer pessoa que se opusesse à coletivização era classificada como "cúlaque". A política de liquidação dos cúlaques como classe, formulada por Stalin no final de 1929, implicou algumas execuções e um número ainda maior de deportações para assentamentos especiais e, em certos casos, campos de trabalho forçado.

Contrariando as expectativas, a coletivização provocou uma queda catastrófica na produtividade agrícola, que só retornou aos níveis alcançados durante a NEP em 1940. A perturbação associada à coletivização foi particularmente grave na Ucrânia e na Região do Volga, que possuía uma numerosa população ucraniana. Os camponeses abateram seus animais em massa para evitar entregá-los. Somente em 1930, foram mortos 25% dos bovinos, ovinos e caprinos do país, além de um terço de todos os suínos. O número de animais de criação da União Soviética só retornaria aos níveis de 1928 durante a década de 1980. Burocratas governamentais, que haviam recebido uma formação rudimentar sobre técnicas agrícolas, foram enviados ao campo para "ensinar" aos camponeses as novas práticas da agricultura socialista, baseando-se principalmente em ideias teóricas com pouca relação com a realidade. Mesmo depois que o Estado inevitavelmente venceu e conseguiu impor a coletivização, os camponeses fizeram tudo o que podiam para sabotá-la. Cultivaram parcelas muito menores de suas terras e trabalharam consideravelmente menos. A dimensão do Holodomor ucraniano levou muitos estudiosos ucranianos a argumentar que houve uma política deliberada de genocídio contra o povo ucraniano. Outros estudiosos sustentam que o enorme número de mortes foi resultado inevitável de uma operação extremamente mal planejada contra todos os camponeses, que haviam oferecido pouco apoio a Lenin ou Stalin.

thumb|Antigo cartaz soviético: "A fumaça das chaminés é a respiração da Rússia Soviética" Somente na Ucrânia, estima-se atualmente que 3,5 milhões de pessoas tenham morrido nas fomes.

A URSS assumiu o controle da Estônia, da Letônia e da Lituânia em 1940, perdeu esses territórios para a Alemanha em 1941 e os recuperou em 1944. A coletivização de suas fazendas começou em 1948. Por meio do terror, de assassinatos em massa e de deportações, a maior parte do campesinato foi coletivizada até 1952. A produção agrícola caiu drasticamente em todas as demais repúblicas soviéticas.

Industrialização acelerada