Menés (; ;Manetho, fr. 6 e fr. 7. egípcio: Meni) é creditado pela tradição clássica como o primeiro faraó do Antigo Egito, de Época Tinita, fundador da primeira dinastia.Manetão, citado por Eusébio de Cesareia, Crônica, A partir dos registros de Manetão, que compôs um trabalho em três volumes sobre os deuses, semi-deuses, espíritos e reis mortais que governaram o Egito, até o persa Dario, 45, 1a Dinastia, Menés de Tinis e seus sete descendentes [em linha]
A identidade de Menés é um tema de debate em curso entre os egiptólogos. Alguns o identificam a Narmer enquanto outros o identificam a seu sucessor, Hor-Aha. Um estudo de 2014 realizado por Thomas C. Heagy compilou uma lista de 69 egiptólogos que se manifestaram a respeito da identidade de Menés. Desse total, 41 concluíram pela identificação de Menés com Narmer, enquanto 31 estão a favor de identificar Menés com Hor-Aha.Heagy (2014). Discussões recentes a favor de Narmer incluem Kinnaer,Kinnaer (2001). Cervelló-AutuoriCervelló-Autuori (2005) e HeagyHeagy (2014)..
Nome e identidade
O nome Menés (em grego: Μήνης) é encontrado em citações da obra História do Egito do historiador Mâneto, que viveu durante o período ptolomaico. É mencionado por Heródoto, no século V a.C., sob a forma Min (Μῖν), uma variante que pode ter resultado da contaminação com o nome do deus Mim.Lloyd 1994: 6 Heródoto o identifica como o primeiro ser humano a reinar no Egito e atribui a ele a construção de uma barragem em Mênfis, desviando o curso do rio Nilo. Ainda segundo Heródoto, depois de desviar o curso do Nilo, Min teria fundado a cidade de Mênfis e mandado construir lá um lago artificial alimentado pelo rio e também um grandioso templo ao deus Hefesto (geralmente identificado com o deus egípcio Ptah). Eusébio de Cesareia identifica o Min de Heródoto com o Menés de Mâneto. A forma egípcia Meni é encontrada nas listas reais de Turim e Abidos (datadas da ).Etheredge 2008 De acordo com essas duas listas, o primeiro faraó do Egito teria sido Meni e, de acordo com Mâneto, Menés teria sido o fundador da primeira dinastia. miniaturadaimagem|Reconstrução da impressão do selo de Narmer-Menés proveniente de Abidos. É possível, contudo, que o nome Meni, cujo significado é "aquele que persevera", tenha sido cunhado como "um mero epíteto descritivo denotando um herói semi-lendário que, no passado remoto, tenha unificado as Duas Terras sob uma coroa e cujo nome havia sido perdido".Edwards 1971: 11 Enquanto o unificador do Alto e Baixo Egito, o nome Meni pode remontar a Ka, , Narmer ou Hórus-Aha. Uma impressão de selo proveniente de Abidos apresentando o sereque de Narmer alternado com o símbolo do tabuleiro, que apresenta o valor fonético mn, complementado pelo sinal de n, sempre usado na escrita do nome completo de Menés, é a mais antiga associação entre Narmer e o nome Menés. Embora pareça uma forte evidência de que Narmer e Menés tivessem sido a mesma pessoa, a impressão do selo pode ser interpretada como contendo o nome de um príncipe de Narmer chamado Menés. Baseando-se em análises de outras impressões de selos da Primeira Dinastia contendo o nome de um ou mais príncipes, é possível interpretar que Menés tenha sido o sucessor de Narmer, ou seja, seu filho Hor-Aha, identificado com Atótis na lista dos faraós fornecida por Mâneto.
Menés e Narmer A escassez de menções a Menés no registro arqueológico contemporâneo às primeiras dinastias coloca em dúvida a existência de um faraó com tal nome. O nome Narmer, contudo, aparece na Paleta de Narmer, cuja figuração em ambas as faces pode remeter à unificação do Alto e Baixo Egito, tendo dado origem à teoria que identifica Menés com Narmer.
Um rótulo de marfim proveniente de Nacada contém o nome de Hórus Aha (o faraó Atótis) ao lado de um edifício, dentro do qual está o nome nebtyOriginalmente, o título real completo de um faraó era nome de Hórus "x" nome nebty "y". Para abreviar, apenas um elemento pode ser usado, mas a escolha varia entre as circunstâncias e o período. Na I dinastia, o nome de Hórus foi usado por um faraó vivo, o nome nebty por um morto. (Lloyd 1994: 7) e o hieróglifo para mn,Gardiner 1961: 405 geralmente interpretado como o nome Menés.Edwards 1971: 11 e 14. Uma possibilidade de interpretação é que Menés poderia ser o nome nebty de Hórus Aha.
Ambas as listas reais de Turim e Abidos listam Meni como o primeiro faraó. Ambas apresentam os nomes nebty dos faraós, não seus nomes de Hórus, sendo vitais para a reconciliação de vários registros: os nomes nebty na listas reais, os nomes de Hórus nos registros arqueológicos, os faraós da primeira dinastia de acordo com Mâneto e outras fontes históricas.Lloyd 1994: 7
A primeira tentativa de cruzamento entre essas diferentes fontes foi realizado por Flinders Petrie, ao associar Iti com Quenquenés como o terceiro faraó da primeira dinastia, Teti (Turim) (ou outro Iti [Abidos]) com Atótis como segundo faraó, e Menés (um nome nebti) com Narmer (um nome de Hórus) como primeiro faraó da primeira dinastia.Edwards 1971: 13 Lloyd (1994) achou esta sucessão "extremamente provável", e Cervelló-Autuori (2003), categoricamente afirma que "Menés é Narmer e a Primeira Dinastia começou com ele".Cervelló-Autuori 2003: 174
História Embora Heródoto (II.4) e Mâneto (Fr. 7) tenham colocado Min ou Menés como o primeiro faraó humano do Egito Antigo, nenhum deles afirma que ele tenha unificado o Egito. Seu nome não aparece nos Anais Reais contidos na Pedra do Cairo ou na Pedra de Palermo, que são listas reais, em estado fragmentário, esculpidas em estelas datadas da V dinastia. O nome Meni aparece em fontes mais tardias como o primeiro humano a governar o Egito, diretamente herdando o trono do deus Hórus.Shaw and Nicholson 1995: 218 Ele também aparece em outra lista real, muito mais tardia, sempre como o primeiro faraó humano do Egito. Menés também aparece em romances demóticos do período greco-romano, demonstrando que, mesmo que tardiamente, ele foi considerado uma figura importante.Ryholt 2009
Embora a obra História do Egito de Mâneto tenha se perdido, excertos dela são encontrados em autores posteriores. Os fragmentos 6 e 7, que mencionam Menés como o primeiro faraó, são na verdade trechos da obra Eklogué Cronografias de Jorge Sincelo, um eclesiástico bizantino que viveu entre o final do século VIII e início do ÌX, nos quais ele compara duas cronologias do Egito: o Fr. 6 corresponde à cronologia fornecida por Sexto Júlio Africano (século II-III d.C.) e o Fr. 7 corresponde à cronologia de Eusébio de Cesareia (século III-IV d.C.). Ambos teriam se baseado na obra de Mâneto.
O Fr. 6, de Africano, coloca Menés de Tinis como o primeiro faraó da primeira casa real, ou dinastia, que conta com 8 faraós. Ele teria reinado por 62 anos e foi levado por um hipopótamo, sendo sucedido por seu filho Atótis.Manetho, Fr. 6.
O Fr. 7a, de Eusébio, coloca Menés de Tinis como o primeiro faraó e o identifica com o Min de Heródoto. Ele teria reinado por 60 anos e sua dinastia teria 7 descendentes. Eusébio também menciona que Menés teria realizado uma expedição ao estrangeiro e ganhado renome, mas foi levado por um hipopótamo e sucedido por Atótis.Manetho, Fr. 7a.
O Fr. 7b provém da versão em armênio da obra de Eusébio e, embora também identifique Menés de Tinis com o Min de Heródoto e atribua 7 descendentes à sua dinastia, atribui 30 anos ao reinado dele, em lugar dos 60 anos atribuídos no Fr. 7a. O Fr. 7b também informa que ele avançou com seu exército para além das fronteiras de seu reino, conquistando renome por suas explorações, e foi levado por um deus hipopótamo.Manetho, Fr. 7b.
Segundo os fragmentos 6, 7a e 7b, foi seu filho Atótis quem construiu um palácio em Mênfis, contradizendo Heródoto, que atribui sua construção a Min.
Menés foi visto como uma figura fundadora por grande parte da história do Antigo Egito, similar a Rômulo na Roma Antiga.Manley 1997: 22
Mâneto associou a cidade de Tinis com as primeiras dinastias (Dinastia I e II) e, em particular, a Menés, um "tinita" ou nativo de Tinis.Verbrugghe and Wickersham 2001: 131 Ele atribui a construção de Mênfis ao filho de Menés, Atótis, e chama os faraós da III dinastia de "menfitas".Verbrugghe and Wickersham 2001: 133 No entanto é pouco provável que apenas durante o reinado do sucessor de Menés, a capital tenha sido transferida para Mênfis, pois, sua localização possibilitaria um controle mais eficiente sobre o recém-incorporado Baixo Egito, assim como das rotas comerciais com o Oriente Próximo.Narmer II
Eusébio de Cesareia, ao comentar a cronologia de Manetão, observa que a duração total dos reinos egípcios é muito longa, e sugere que as várias dinastias de Manetão poderiam ter reinado ao mesmo tempo, em diversas partes do Egito, com reis em Tinis, Mênfis, Saís e na Etiópia.Manetão, citado por Eusébio de Cesareia, Crônica, 44, A partir dos registros de Manetão, que compôs um trabalho em três volumes sobre os deuses, semi-deuses, espíritos e reis mortais que governaram o Egito, até o persa Dario
Locais como Hieracômpolis e Nacada, por sua importância durante o período pré-dinástico, receberam templos. Da mesma forma, Abidos foi mantida como necrópole da I dinastia.
Influência cultural Diodoro Sículo afirma que Menés introduziu a adoração dos deuses e a prática de sacrifícios tão bem quanto um mais elegante e luxuoso estilo de vida.Elder 1849: 1040
Por esta última invenção, a memória de Menés foi desonrada pelo faraó da XXIV Dinastia Tefnacte, e Plutarco menciona um pilar de Tebas sob o qual foi inscrito uma maldição contra Menés como o introdutor da ostentação.
Episódio do crocodilo Diodoro Sículo recorda uma história de Menés,Diodoro (n.d.): 45 relatada pelos sacerdotes do deus crocodilo Suco de Crocodilópolis, em que o faraó Menés, atacado por seus próprios enquanto caçava, fugiu atravessando o lago Moéris nas costas de um crocodilo e, em agradecimento, fundou a cidade de Crocodilópolis.Maspero 1910: 235Joseph 2004: 99Edwards 1974: 22
Edwards (1974) afirma que "a lenda, que está, obviamente, cheia de anacronismos, é manifestamente desprovida de valor histórico", mas Mastepo (1910), embora reconhecendo a possibilidade de que as tradições relativas a outros reis podem ter-se misturado com essa história, rejeita a sugestão de alguns comentadorese.g. Elder 1849: 1040: in defiance of chronology de que a história deve ser transferida para o faraó da e não vê nenhuma razão para duvidar de que Diodoro não registrou corretamente uma tradição de Menés.
Joseph (2004) interpreta a história como uma alegoria para a vitória de Menés e seus aliados em sua guerra de unificação, e em que os inimigos de Menés são simbolizados insultuosamente como os cães.
Faber (1816), tendo a palavra campsa o significado tanto de crocodilo como arca e preferindo este último, identifica Menés como Noé e toda a história como um mito do dilúvio.Faber 1816: 195
Morte Segundo Manetão, Menés reinou por 30 (ou 60 anos) e foi morto por um hipopótamo.Sayce and Gibbon 1906: 15
Outros usos Alguns estudiosos afirmam que o nome do rei Minos quem governou a Antiga Creta é derivado de Menés assim como os nomes Tsar, Cáisere "Czar" são derivados de César.<ref>R.Wunderlich.The secret of Creta".Efstathiadis group. Athens 1987 p. 171</ref> Como não há nenhuma menção de Menés nos registros arqueológicos egípcios, é também possível que seu nome foi derivado de Minos.
Na cultura popular Alexander Dow (1735/6-1779), um dramaturgo e orientalista escocês, escreveu a tragédia Sethona, situada no Antigo Egito, em que o personagem principal, Menés, é descrito na dramatis personæ como "próximo herdeiro masculino para a coroa" agora usada por Serápis, e foi interpretado por Samuel Reddish em uma produção de 1774 por David Garrick no Teatro Drury Lane.Dow 1774
Bibliografia
Cervelló-Autuori, Josep (2005), "Was King Narmer Menes?", Archéo-Nil, 15.
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Heagy, Thomas C. (2014), "Who Was Menes?", Archéo-Nil, 24. pp. 59-92.