Félix da Mota Pais, também grafado Felix da Motta Paes (Embaú, São Paulo, 9 de janeiro de 1794 — Conceição dos Ouros, Minas Gerais, 2 de março de 1872), foi um proprietário rural e major brasileiro, associado à fundação do povoado que deu origem ao município de Conceição dos Ouros, no sul de Minas Gerais.
Foi casado com Lucinda Maria de Jesus, também referida como Lucinda Angélica Ribeiro, com quem teve numerosa descendência. Entre os seus filhos contam-se Joaquim da Mota Pais, barão de Camanducaia, e José Ribeiro da Mota Pais, barão da Mota Pais.
Biografia Félix da Mota Pais nasceu em 9 de janeiro de 1794, em Embaú, então localidade da região de Lorena, no atual município paulista de Cachoeira Paulista. Era filho do capitão Joaquim José da Mota Pais e de Quitéria Leme Cabral. A família Mota Pais estava ligada ao vale do Paraíba paulista e, no final do século XVIII, deslocou-se para o sul de Minas Gerais, fixando-se em Pouso Alto.
Em Pouso Alto, Félix da Mota Pais casou-se com Lucinda Maria de Jesus Ribeiro, também conhecida como Lucinda Angélica Ribeiro. A descendência do casal teve projeção regional, sobretudo através de seus filhos Joaquim da Mota Pais, agraciado com o título de barão de Camanducaia, e José Ribeiro da Mota Pais, barão da Mota Pais.
Fixação na região de Conceição dos Ouros Nas primeiras décadas do século XIX, Félix da Mota Pais instalou-se na região da atual Conceição dos Ouros, vindo de Pouso Alto. Chegou à área acompanhado da família, escravos e agregados, fixando-se inicialmente numa área abaixo do rio, que passou a ser conhecida como Oratório das Dores.
A tradição histórica local enquadra a ocupação da região num espaço já anteriormente habitado por populações indígenas e atravessado por entradas e bandeiras vindas de São Paulo em direção às minas. O topónimo de Conceição dos Ouros relaciona-se com o Ribeirão dos Ouros, afluente do rio Sapucaí-Mirim, associado à ocorrência de ouro de aluvião.
Fundação de Conceição dos Ouros Félix da Mota Pais, juntamente com Inácio da Costa Rezende, é apontado como fundador do povoado situado no Ribeirão dos Rezendes.
O núcleo inicial de Conceição dos Ouros formou-se em torno de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Em 1854, Félix da Mota Pais e sua esposa doaram terras para a formação do património religioso e fizeram construir uma capela na região da Barra dos Ouros, próxima à confluência do Ribeirão dos Ouros com o rio Sapucaí-Mirim. A escritura de doação do terreno foi assinada em 24 de abril de 1854, e, em dezembro do mesmo ano, o padre João Dias de Quadros Aranha celebrou a primeira missa na Capela de Nossa Senhora da Conceição dos Ouros.
A construção da capela e a doação das terras são tradicionalmente consideradas o marco fundador do povoado. Em torno do templo, desenvolveram-se a praça, os primeiros arruamentos e casas de taipa, dando origem ao arraial de Nossa Senhora da Conceição dos Ouros.
Desenvolvimento do arraial esquerda|miniaturadaimagem|270x270px|Conceição dos Ouros na década de 1920, vendo-se a antiga igreja de taipa de pilão, fundada pelo major Félix da Mota Pais. O povoado cresceu rapidamente após a construção da primeira capela. Em 14 de março de 1860, Conceição dos Ouros foi elevada a Distrito de Paz. A necessidade de um templo maior levou à construção de uma nova igreja, novamente sob a liderança do major Félix da Mota Pais. O edifício foi erguido com paredes de taipa de pilão de mais de um metro de largura, em estilo simples e sem torres, tendo a fachada principal voltada para leste, na direção da fazenda do doador das terras do património.
Em 29 de março de 1862, a capela foi declarada curato. Em 2 de janeiro de 1866, Ouros tornou-se distrito de Pouso Alegre, e, em 26 de junho do mesmo ano, foi transformado em freguesia ou paróquia. O município só seria emancipado politicamente em 1948, já no século XX, pela Lei Estadual n.º 336, promulgada em 27 de dezembro daquele ano, com instalação municipal em 1.º de janeiro de 1949.
Família e descendência Félix da Mota Pais foi casado com Lucinda Maria de Jesus Ribeiro, também referida como Lucinda Angélica Ribeiro. O casal teve nove filhos, entre os quais se destacaram Joaquim da Mota Pais e José Ribeiro da Mota Pais, ambos agraciados com títulos nobiliárquicos durante o período imperial brasileiro.
Félix da Mota Pais morreu em Conceição dos Ouros em 2 de março de 1872, aos 78 anos, vítima de "catarro pulmonar", expressão usada no século XIX para várias afecções respiratórias dos pulmões. Foi sepultado no cemitério da capela,"Brasil, Minas Gerais, Registros da Igreja Católica, 1706-2018," database with images, FamilySearch (https://familysearch.org/ark:/61903/3:1:939V-M38K-G?cc=2177275&wc=M5FP-6TL%3A371010001%2C369593702%2C371079301 : 22 May 2014), Conceição dos Ouros > Nossa Senhora da Conceição > Óbitos 1862, Abr-1896, Jan > image 28 of 146; Paróquias Católicas (Catholic Church parishes), Minas Gerais. que segundo a tradição oral havia mandado construir.
A família Mota Pais tornou-se objeto de estudos genealógicos, em especial no livro Do fumo ao café: Major Felix da Motta Paes e seus descendentes, de José de Campos Salles Neto, publicado em 2017, dedicada à história do major Félix da Motta Paes.
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