Religião tradicional chinesa ou religião popular chinesa () e também shenismoAlmeida e Carmo, António Duarte de, A igreja católica na China e em Macau no contexto do sudeste asiático: que futuro?, p. 407. Fundação Macau, 1 de janeiro de 1997. (神教; pinyin: Shénjiào), são termos utilizados para descrever o conjunto de tradições étnicas e religiosas que têm sido o principal sistema de crenças da China e dos grupos étnicos chineses han por boa parte da história desta civilização até os dias de hoje. O shenismo abrange a mitologia chinesa, e inclui o culto dos shens (神, shén; "divindades", "espíritos", "consciências", "arquétipos"), que podem ser divindades naturais, Taizu ou divindades clânicas, divindades urbanas, divindades nacionais, heróis nacionais e semideuses, dragões e ancestrais. O termo "shenismo" foi utilizado pela primeira vez por A. J. A Elliot, em 1955.
A designação "religiões tradicionais chinesas" é muito vulgar e usada para designar um vasto conjunto sincretizado de crenças, práticas e valores de diferentes religiões orientais com expressão na China. Este conjunto, chamado também de crenças populares chinesas ou crenças tradicionais chinesas, foi adaptado e desenvolvido pelos chineses ao longo de séculos e revela o carácter altamente sincrético e prático mas espiritual dos chineses, que conseguiram criar uma unidade compatível com tanta diversidade entre religiões diferentes.
Neste conjunto chinês, pode-se encontrar vários elementos e valores do budismo, do confucionismo, do taoismo, da mitologia chinesa e de outros costumes, crenças, superstições e práticas tradicionais chinesas, sendo o culto aos antepassados considerado fundamental pelos chineses. Estas religiões e crenças populares são tão importantes na vida cotidiana de muitos chineses que são até considerados por eles como uma parte integrante da tradição e da cultura chinesa. A religião tradicional chinesa costuma ser confundida com o taoismo, já que durante séculos o taoismo institucional vem tentando assimilar ou administrar as religiões locais. Mais especificamente, o taoismo pode ser definido como um ramo do shenismo, já que suas origens estão na religião popular e na filosofia chinesa. A religião popular chinesa por vezes é vista como parte constituinte da religião tradicional chinesa, porém, com frequência, ambas são vistas como sinônimas. Com cerca de 454 milhões de seguidores, cerca de 6,6% da população mundial,Religion. (2011). In Encyclopædia Britannica. a religião tradicional chinesa é uma das principais tradições religiosas do mundo. A República Popular da China atual, mais de 30% dos habitantes seguem ou o shenismo ou o taoismo.
Apesar de ter sido reprimida com força durante os últimos dois séculos da história da China, desde o Movimento Taiping até a Revolução Cultural, a religião popular chinesa vem passando por um período de renascimento nos dias de hoje, tanto na China continental quanto em Taiwan. Diversas de suas manifestações, como o mazuismo, do sul da China (oficialmente, 160 milhões de chineses são mazuistas), o culto de Huangdi, o culto ao dragão negro em Shaanxi,The Policy of Legitimation and the Revival of Popular Religion in Shaanbei, North-Central China e o culto de Caishen, recebem apoio do governo chinês.
Síntese thumb|Estátuas vestidas de Mazu/Matsu, deusa chinesa do mar.
O professor W. E. Soothil fez uma síntese da religião popular chinesa, que era a religião oficial da China até ao fim da monarquia chinesa (1911):
O católico chinês John Wu Ching Hsiung, citando e desenvolvendo esta síntese, explicou que esta religião popular não permite os chineses de prestarem directamente culto a Shang Ti, o Deus supremo chinês, porque os próprios crentes achavam-se demasiado pequenos e humildes diante de Shang Ti. Só o Imperador podia prestar culto a Shang Ti, que é demasiado grande, desconhecido e distante dos homens. Por isso, os crentes comuns prestavam culto e homenagem aos antepassados, às divindades menores e aos homens deificados (como Confúcio, Lao Zi e Buda), para que estes possam ajudá-los na sua vida quotidiana e transmitir a sua mensagem e fervor religioso a Shang Ti. Eles encaravam as suas inúmeras divindades como seres superiores encarregados por Shang Ti de velar e cuidá-los. No fundo, com todas estas estratificações, os crentes chineses acreditavam que o reino do Céu era uma sociedade feudal, tal e qual como a sociedade humana que eles pertenciam até à queda da monarquia.
Confucionismo
Budismo
Taoismo
Deuses e deusas
Guan Yu (關羽), o Deus-Supremo Fu Shen (福神) Hu Ye (虎爺) Jiu Wang Ye (九皇爺), o 9o imperador divino Mazu (媽祖) Qiye (七爺) e Baye (八爺) Shangdi Shangdi (上帝) (lit. Supremo Imperador) Cheng Huang (城隍) Sun Wukong (孫悟空) Tu Di Gong (土地公) Wenchangdi (文昌帝) Xi Wangmu (西王母) Yuexia Laoren (月下老人) Zao Shen (灶君|灶神) Zhusheng Niangniang (註生娘娘)
Ver também Mitologia chinesa Religião na China Religião em Macau
Ligações externas