A Esquerda (, também chamado Linkspartei; ) é um partido político da Alemanha fundado em 16 de junho de 2007, a partir da fusão do Partido do Socialismo Democrático (PDS) — sucessor do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), que governou a antiga Alemanha Oriental, oficialmente República Democrática Alemã, nos quarenta anos em que esta existiu — e da Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG), que havia sido constituída na antiga Alemanha Ocidental. Seus presidentes foram, num primeiro momento, Lothar Bisky e Oskar Lafontaine, seguidos por Klaus Ernst e Gesine Lötzsch e, em 2012, por Katja Kipping e Bernd Riexinger.

O partido, que representa a esquerda no Bundestag, defende o socialismo democrático, abrigando, no entanto, em seu interior, uma pluralidade de correntes ideológicas. Internacionalmente, Die Linke é membro do Partido da Esquerda Europeia, sendo o maior partido do grupo GUE/NGL no Parlamento Europeu. De acordo com dados oficiais do partido, o partido tinha 77.645 membros registrados, em setembro de 2009."Mitgliederzahlen September 2009" Site oficial de Die Linke. Os 69 deputados do partido o tornam o quinto maior do Bundestag. Nas eleições federais de 2017, Die Linke ganhou 5 cadeiras, passando a deter 69 dos 709 assentos do Bundestag (9,2%). O partido recebeu pouco mais de 4 milhões de votos em todo o país.

O partido é o partido mais de esquerda dos sete representados no Bundestag. É descrito como extrema-esquerda por alguns meios de comunicação e é considerado populista de esquerda por alguns pesquisadores, mas o Escritório Federal Alemão para a Proteção da Constituição (Bundesamt für Verfassungsschutz) não considera o partido como extremista ou uma ameaça à democracia. No entanto, ele monitora algumas de suas facções internas, como a Plataforma Comunista e a Esquerda Socialista, por conta de tendências extremistas, assim como as autoridades constitucionais de alguns estados.Verfassungsschutzbericht reports, 2007–2015, Bundesamt für Verfassungsschutz

Em relação à política externa, A Esquerda defende o desarmamento internacional, descartando qualquer tipo de envolvimento da Bundeswehr fora da Alemanha. O partido defende a retirada das tropas americanas da Alemanha, bem como a substituição da OTAN por um sistema de segurança coletiva que inclua a Rússia como país-membro. Eles acreditam que a política externa alemã deve ser estritamente confinada aos objetivos da diplomacia civil e da cooperação, em vez do confronto, embora também acreditem que tais demandas sejam mais uma visão, não devam ser implementadas o mais rápido possível e não devam ser vistas como pré-condições inflexíveis para uma coalizão federal de esquerda, vermelha-vermelha-verde.

Em seu manifesto, o partido diz: "Todo apoio aos estados da OTAN que, como a Turquia de Erdoğan, desrespeitam o direito internacional, deve ser interrompido imediatamente."

Correntes e tendências thumb|250px|right|Karl-Liebknecht-Haus, sede do partido A Esquerda na Rosa-Luxemburg-Platz, foto de 2007 A Esquerda Anticapitalista (Antikapitalistische Linke) representa o grupo mais crítico à participação do partido em coalizões governamentais. O grupo acredita que a participação de membros do partido no governo deve depender de uma série de demandas (que este não se comprometa com privatizações, guerras e cortes em gastos sociais, principalmente).

A Plataforma Comunista (Kommunistische Plattform, KPF) era originalmente uma tendência do PDS. É o grupo menos crítico da República Democrática Alemã dentro do partido, defendendo posições ortodoxas do marxismo em debates. Uma "meta estratégica" da KPF é "construir uma nova sociedade socialista, usando experiências positivas do que realmente é socialismo e aprendendo com os erros". A Plataforma tinha cerca de 850 membros em 2007, de acordo com o Bundesamt für Verfassungsschutz (um dos serviços secretos da Alemanha) - cerca de 1% de todos os membros do partido. Mantém relações com o Partido Comunista da Alemanha.

O Fórum do Socialismo Democrático (Forum demokratischer Sozialismus) é uma facção que prega o socialismo democrático, sendo originalmente uma tendência do PDS. Seus membros apoiam a participação do partido no governo de Berlim e do seu presidente Klaus Wowereit, do SPD. O grupo possui ideologia semelhante à Rede de Reforma da Esquerda.

A Rede de Reforma da Esquerda (Netzwerk Reformlinke) foi originalmente formada em 2003 como tendência do PDS. O grupo defende a ideologia social-democrata, apoiando coligações do partido com o SPD e o Partido Verde.

A Esquerda Emancipatória (Emanzipatorische Linke, Ema.Li) é uma corrente que defende os princípios do socialismo libertário. Para o grupo, a sociedade ideal é aquela mais descentralizada possível, por isso, apoiam os movimentos sociais. A maioria dos membros da Ema.Li são provenientes da Saxônia.

A Esquerda Socialista (Sozialistische Linke) foi fundada em agosto de 2006 e incluem socialistas democráticos e eurocomunistas. O grupo defende a aproximação do partido com o movimento trabalhista. Muitos líderes da Esquerda Socialista eram membros do WASG. O grupo mantém laços com o Partido Socialista holandês e com o Partido da Refundação Comunista italiano.

Desde a sua formação, muitos grupos de extrema-esquerda, como o Linksruck (agora conhecido como Marx21), juntaram-se a Die Linke, assim como vários membros da Alternativa Socialista, inclusive a polêmica Lucy Redler. Nas eleições estaduais de Berlim, em 2006, Redler desafiou o PDS, fiel aliado do WASG, e lançou-se candidata. Como candidata de uma coligação independente, liderada pelo WASG, ela criticou publicamente a atuação do PDS no governo do prefeito Klaus Wowereit, além de ter sido contra a fusão dos dois partidos para a formação de Die Linke. Entretanto, sua filiação foi aceita, em outubro de 2008. Outros grupos, como o Partido Comunista e o Partido Marxista-Leninista da Alemanha, formaram eventualmente alianças locais com Die Linke, mas não se juntaram ao partido.

Resultados Eleitorais

Eleições legislativas DataLíderM. UninominalM. ProporcionalDeputados+/-StatusNotasCI.Votos%+/-CI.Votos%+/-1990Gregor Gysi6.º1 049 2456.º1 129 578Oposiçãocomo PDS1994Gregor Gysi5.º1 920 4201,86.º2 066 1762,013Oposiçãocomo PDS1998Gregor Gysi5.º2 416 7810,86.º2 515 4540,76Oposiçãocomo PDS2002Gabi Zimmer6.º2 079 2030,66.º1 916 7021,132Oposiçãocomo PDS2005Lothar Bisky4.º3 764 1683,74.º4 118 1944,752OposiçãoPDS e WASG2009Oskar Lafontaine3.º4 791 1243,14.º5 155 9333,222Oposição2013Gregor Gysi3.º3 585 1782,93.º3 755 6993,312Oposição2017Sahra Wagenknecht4.º3 966 0350,45.º4 296 7620,65Oposição2021Dietmar Bartsch7.º2 307 5363,67.º2 270 9063,330Oposição2025Jan van Aken Heidi Reichinnek5.º3 932 5842,95.º4 355 3823,925Oposição

Eleições europeias DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Notas19945.º1 670 316como PDS19995.º1 567 7451,16como PDS20045.º1 579 6930,31como PDS20095.º1 969 2391,4120144.º2 167 6410,5120196.º2 056 0101,5220248.º1 091 2682,82

Eleições regionais

Baden-Württemberg +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status20065.º121 753Extra-parlamentar20115.º139 7000,3Extra-parlamentar20166.º156 2400,1Extra-parlamentar

Baixa Saxónia +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status20036.º21 560Extra-parlamentar20085.º243 1066,611Oposição20135.º112 2124,011Extra-parlamentar20176.º177 1181,5Extra-parlamentar

Baviera +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status20086.º461 755Extra-parlamentar20136.º251 0972,5Extra-parlamentar20137.º216 6801,1Extra-parlamentar

Berlim +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-StatusNotasBerlim Leste19902.º592 102OposiçãoBerlim Unificada19903.º184 820Oposição19953.º244 1965,411Oposição19993.º276 8693,11Oposição20013.º366 2924,9Governo20063.º185 1859,210GovernoPDS7.º40 504Extra-parlamentarWASG20114.º171 0504,64Oposição20163.º255 7013,98Governo

Bremen +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19957.º8 174Extra-parlamentar19995.º8 4180,5Extra-parlamentar20037.º4 8851,2Extra-parlamentar20074.º23 2826,77Oposição20114.º73 7692,82Oposição20154.º111 4853,93Oposição

Hamburgo +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19979.º5 354Extra-parlamentar20019.º3 2990,3Extra-parlamentar2004Não concorreu20084.º50 132Oposição20115.º220 428Oposição20154.º300 5672,13Oposição

Hesse +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status20085.º140 769Apoio parlamentar20095.º139 0740,3Oposição20134.º161 4880,2Oposição

Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19903.º139 612Oposição19943.º221 8147,06Oposição19983.º264 2991,72Governo20023.º159 0658,07Governo20063.º137 2530,4Oposição20113.º125 5281,61Oposição20164.º106 2565,23Oposição

Renânia do Norte-Vestfália +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-StatusNotas20006.º79 934Extra-parlamentar20055.º181 988Extra-parlamentarWASG7.º72 9890,2Extra-parlamentarPDS20105.º435 6272,511Oposição20126.º194 4283,111Extra-parlamentar20176.º415 9362,4Extra-parlamentar

Renânia-Palatinado +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status20065.º44 826Extra-parlamentar20115.º56 0540,4Extra-parlamentar20166.º59 9700,2Extra-parlamentar

Sarre +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19997.º4 490Extra-parlamentar20047.º10 2401,5Extra-parlamentar20093.º113 66419,011Oposição20123.º77 6125,22Oposição20173.º68 5663,22Oposição

Saxónia +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19903.º269 420Oposição19943.º339 6196,34Oposição19992.º480 3175,79Oposição20042.º490 4881,41Oposição20092.º370 3593,02Oposição20142.º309 5811,72Oposição

Saxóna-Anhalt +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19904.º169 319Oposição19943.º225 2437,99Apoio parlamentar19983.º293 4750,34Apoio parlamentar20022.º236 4840,8Oposição20062.º217 2953,71Oposição20112.º235 0110,43Oposição20163.º183 2907,413Oposição

Schleswig-Holstein +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status20006.º20 066Extra-parlamentar20058.º11 3920,6Extra-parlamentar20095.º95 7645,26Oposição20127.º29 9003,76Extra-parlamentar20176.º56 0181,5Extra-parlamentar

Turíngia +DataCI.Votos%+/-Deputados+/-Status19903.º136 464Oposição19943.º235 5566,98Oposição19992.º247 9064,84Oposição20042.º263 7174,77Oposição20092.º288 9151,31Oposição20142.º265 4280,81Governo

"A nova esquerda alemã: DIE LINKE" do site português Esquerda.net

Ligações externas Site oficial Ingar Solty, The Historic Significance of the New German Left Party. ''Rosa-Luxemburg-Stiftung.'

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