thumb|250px|O Cavaleiro, a Morte e o Diabo (1513), gravura em metal de Dürer.
A gravura em metal, também conhecida como gravura de encavo, é um método de impressão pelo qual imagens são gravadas através de uma placa de metal, que pode ser produzida em cobre, zinco, latão e alumínio. Encavo, côncavo, em oco ou de entalhe significa que a parte a ser impressa é aquela que é encavada no metal e que o depósito de tinta para impressão é feito dentro dos sulcos gravados e não sobre a superfície da matriz, como no caso da Xilogravura. Por isso, e pelas formas que o metal pode ser manipulado, a impressão na placa de metal apresenta muitas variedades de tons e imagens, trazendo mais possibilidades para as impressões.CAMARGO, Iberê. A gravura. SAGRA-DC LUZZATTO, 1975BUTI, Marco e LETYEIA, Anna. Gravura em Metal. Edusp - Editora da Universidade de São Paulo, 2015
E assim como outras técnicas da gravura, as obras criadas podem ser reproduzidas diversas vezes, mesmo que cada impressão ainda seja reconhecida como única. Entinta-se a matriz de modo que a tinta penetre no interior dos sulcos e depois limpa-se a tinta em excesso, também dito como a tinta que fica na superfície da placa que ainda não foi absorvida. A impressão só pode ser feita com prensa calcográfica, pois necessita forte pressão para o papel entrar no sulco. A matriz de metal pode ser impressa sem tinta, resultando numa imagem em baixo relevo que se chama também de timbragem.
História A técnica da gravura em metal começou a ser utilizada na Europa no século XV, com matrizes a partir de placas de alumínio. As placas de metal, nessa época, são feitas por incisão direta, o que é chamado de ponta-seca.COSTELLA, Antonio. Introdução à gravura e à sua história. Mantiqueira, 2006
O maior e principal artista europeu, que desenvolveu esta técnica foi Albrecht Dürer, gravador, pintor, ilustrador e teórico alemão de arte e, provavelmente, o mais famoso artista do Renascimento nórdico, tendo influenciado artistas do século XVI no seu país e no resto da região. esquerda|miniaturadaimagem|Gravura em água-forte. Kleine bedelaarster, Jakob Smits (1855–1928)
Técnica A gravação da chapa metálica pode ser realizada através de incisão direta ou indireta. A incisão direta envolve técnicas em que o gravador sulca a matriz com ajudas de ferramentas como o talho doce, o buril, a ponta-seca e maneira negra. Por incisão indireta, também conhecida como gravação química, compreende-se as técnicas que o gravador emprega algum químico que corrói a matriz. Processos químicos de gravura em metal são a água-forte, água-tinta e verniz mole. O mais comum é que se use diversos processos numa mesma matriz para gerar diversos efeitos na impressão.
Gravura em metal no Brasil Durante o século XX na Europa, a arte da gravação é feita por pintores, quase sempre relegada a um segundo plano, mesmo que de alta qualidade, a gravura não era tão importante assim, principalmente por seu fator gráfico. Na Europa, nessa época, a demanda era por um outro tipo de estética. No Brasil, a gravura é feita por gravadores, a maior parte da produção é feita por artistas que se dedicam exclusivamente à gravura. Alguns deles são Oswaldo Goeldi, Lívio Abramo, Marcello Grassmann.
A imprensa, a impressão e a gravação de imagens eram proibidas no Brasil colônia até a vinda de Dom João VI e a família real em 1808 e a fundação da Imprensa Régia, quando foi fundado o primeiro jornal brasileiro. As poucas tentativas realizadas de impressões foram duramente punidas. Não há, portanto, uma produção significativa de gravura no Brasil até o início do século XX. A gravura artística conceituada como obra independente e não de reprodução surge por volta de 1913 com a chegada do italiano Carlos Oswald, mas se firma mesmo como forma de arte somente por volta da década de 30.
Diferente da Europa no fim do século XIX, o Brasil não vive a decadência da gravura causada pela fotografia, a crise quase existencial que seu surgimento da causou em diversos pintores da época. No Brasil, a gravura artística chega depois da fotografia, como um país colonizado e movido pelo trabalho e o fazer, a arte se desenvolve sem o mesmo propósito do que na Europa. Aqui, ela chega como arte acessível, a partir da xilogravura e depois como experimentações a partir da gravura em metal para que se produzisse outro tipo de arte. Inicialmente focado em paisagens do cotidiano, depois evoluindo a partir desse tópico para discussões antropológicas e sociais. Ou, como no trabalho de Marcello Grassmann e muitos outros, contos, mitos ou histórias que os atravessavam.ORSI, Ricardo. Gravura no Brasil: BIBLIOGRAFIA. Briquet de Lemos, 2015.
A tradição e a força da gravura brasileira se formam nesta cadeia de ensino, no conhecimento que vem da prática e da discussão constante entre as partes. Como a gravura em metal é um processo específico que necessita de dominação total de todas as partes, a maior rede de ensino desse tipo de reprodução vem nos ateliês, passados de mestres para discípulos, formando gerações de gravadores.
Importantes gravadores Albrecht Dürer (Alemanha) Piranesi (Itália) Rembrandt (Holanda) Goya (Espanha) Pablo Picasso (Espanha) Oswaldo Goeldi (Brasil) Iberê Camargo (Brasil) Lívio Abramo (Brasil) Arthur Luis Piza (Brasil) Adir Botelho (Brasil) Marcelo Grassmann (Brasil) Rubens Matuck (Brasil) Maria Bonomi (Brasil) Fayga Ostrower (Brasil) Renina Katz (Brasil) Regina Silveira (Brasil) Evandro Carlos Jardim (Brasil) Feres Lourenço Khoury (Brasil) Ruth Pimentel (Brasil) Marcio Périgo (Brasil) Paulo Roberto Lisboa (Brasil) Anna Letycia Quadros (Brasil) Carlos Oswald (Brasil) Marcello Grassmann (Brasil)
Ver também Emanuel Araújo (A Construção do Livro)
Categoria:Gravura