miniaturadaimagem|Praça em Levallois-Perret, 1911|260x260px|alt=Praça em Levallois-Perret, 1911 José Júlio de Souza Pinto (Angra do Heroísmo, 15 de setembro de 1856 — Pont-Scorff, Bretanha, 14 de abril de 1939) foi um pintor português, ligado à primeira geração naturalista.Migliaccio, 1998, pp. 61. Foi irmão de António Souza Pinto, também pintor, ativo no Brasil.

Vida e obra 323x323px|thumb|Le rendez-vous (O encontro) (1893). Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.|alt=Le rendez-vous (O encontro) (1893). Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro. Nascido na ilha Terceira do arquipélago de Açores mas filho de pais continentais, viveu nesta ilha, em Santa Maria e em São Miguel até aos 14 anos. Souza Pinto residiu no Porto até o fim da adolescência, onde teve seus primeiros contatos com a pintura. Frequentou a Escola de Belas-Artes desta cidade entre 1870 e 1878, onde estudou com João António Correia, Tadeu de Almeida Furtado e Soares dos Reis. Em 1880, vencendo o prêmio de viagem, partiu, ao lado de Henrique Pousão, para Paris.

Na capital francesa, frequentou o estúdio de Alexandre Cabanel e estudou com William-Adolphe Bouguereau e Adolphe Yvon na École des Beaux-Arts. Copiou Tiepolo e Jean-Jacques Henner. Integrou-se rapidamente à vida artística parisiense, expondo regularmente nos Salons e recebendo vários prêmios.

Em 1890, é nomeado membro do júri oficial da Legião de Honra e, em 1900, do júri acadêmico da École. Em 1901, o Museu de Luxemburgo adquiriu a sua obra La Recolte des Pommes de Terre, hoje no Museu de Orsay.

A 18 de junho de 1920, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

Souza Pinto desenvolveu uma carreira de grande solidez na França, permeada por frequentes visitas a Portugal, onde expôs em mostras coletivas e individuais em Lisboa e no Porto, até 1929. Suas obras figuram nos acervos de diversos museus franceses, e foi o primeiro artista português a ter uma obra inclusa na coleção do Museu do Luxemburgo (embrião do Museu de Orsay). Apaixonou-se pela Bretanha, região francesa onde residiu da maturidade até a sua morte.

Pintou obras de grande emoção, permitindo-se a utilização de alguns efeitos secundários do Impressionismo em sua vasta produção de paisagens campestres e à beira-mar, ademais de um anedotário do quotidiano rural (A colheita da batata, 1898, Museu de Orsay), dos dramas vividos pelos aldeões (Barco desaparecido, 1890, Museu do Chiado), cenas de género e interiores (Interior de laboratório, 1903, Museu de Arte de São Paulo).Migliaccio, 1998, pp. 62.

A partir de 1907, Sousa Pinto instala-se em Neuilly-sur-Seine e aí representa muito a sua família em jardins (Praça em Levallois-Perret, 1911).

Em 1895, recebe a condecoração honorífica francesa de Oficial da Legião de Honra, dada pelo governo francês. Em 1920, recebe o Grau de Comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada, atribuído pelo governo português. A 1 de abril de 1932, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo.

Silva Gaio registra sua "tonalidade viscosa", a exemplo da de Jules Breton e Jules Bastien-Lepage. Para José Augusto França, Souza Pinto é o artista que melhor estabelece uma conexão entre a pintura portuguesa e a Escola de Paris, definindo "as relações possíveis com as propostas do meio artístico internacional da capital francesa".

Desde 2015 o seu nome está consagrado na toponímia de Lisboa através da Rua Sousa Pinto, que foi inaugurada em maio de 2017 na Urbanização Nova Amoreiras (antiga Quinta do Mineiro), na freguesia de Santo António.Câmara Municipal de Lisboa (CML) - Toponímia de LisboaInauguração da Rua Seara Nova e da Rua Sousa Pinto, Toponímia de Lisboa, 19.5.2017

Exposições Exposições da Sociedade Promotora das Belas Artes (1880, com primeiro prémio, e 1887) Academia Portuense de Belas Artes (1881 e 1884) Academia Real Inglesa (1882) Salon de Paris (1883) menção honrosa Exposição de Nice (1884), medalha de ouro Exposições do Grupo do Leão (1885, 1887 e 1888) Exposição Internacional do Porto (1887), medalha de ouro Centro Artístico Portuense (de 1887 a 1893) Exposição Universal de Paris de 1889, 2ª medalha Exposição do Rio de Janeiro (1895), medalha de prata, e (1908) Exposição Atlanta (1896), medalha de ouro Grémio Artístico (1898), medalha de honra Sociedade Nacional de Belas Artes (1901, 1910, 1918 e 1937). Exposição individual em 1916. Santa Casa da Misericórdia do Porto (1904) Salão Nobre da Fotografia União (1908) Sociedade de Belas Artes do Porto (1908) Palácio de Cristal Portuense (1911), no atelier-escola de Artur Loureiro. Salão Nobre do Ateneu Comercial do Porto (1927) Grande Exposição do Norte de Portugal, no Palácio de Cristal (1933) Salão Silva Porto (1935) Sociedade Nacional de Belas Artes, Retrospetiva póstuma (1937).

Ver também Lista de pinturas de José Júlio Sousa Pinto Duarte Maia Guilherme de Santa-Rita Academicismo

Bibliografia Luciano, Migliaccio. José Júlio de Souza Pinto. In: Marques, Luiz (org.) Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand: Arte da Península Ibérica do centro e do norte da Europa. São Paulo: Prêmio, 1998. 61-62 p.

Ligações externas Biografia no Pitoresco José Júlio de Sousa Pinto, Antigo Estudante da Academia Portuense de Belas Artes

Categoria:Naturais de Angra do Heroísmo Categoria:Pintores de Portugal Categoria:Naturalismo em Portugal Categoria:Alumni da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto Categoria:Comendadores da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada Categoria:Comendadores da Ordem Militar de Cristo