Teste de hipóteses, teste estatístico ou teste de significância é um procedimento estatístico que permite tomar uma decisão (rejeitar ou não a hipótese nula ) entre duas ou mais hipóteses (hipótese nula ou hipótese alternativa ), utilizando os dados observados de um determinado experimento. Há diversos métodos para realizar o teste de hipóteses, dos quais se destacam o método de Fisher (teste de significância), o método de Neyman–Pearson e o método de Bayes.

Por meio da teoria da probabilidade, é possível inferir sobre quantidades de interesse de uma população a partir de uma amostra observada de um experimento científico. Por exemplo, estimar pontualmente e de forma intervalar um parâmetro de interesse, testar se uma determinada teoria científica deve ser descartada, verificar se um lote de remédios deve ser devolvido por falta de qualidade, entre outros. Por meio do rigor matemático, a inferência estatística pode ser utilizada para auxiliar a tomada de decisões nas mais variadas áreas.

Os testes de hipóteses são utilizados para determinar quais resultados de um estudo científico podem levar à rejeição da hipótese nula a um nível de significância pré–estabelecido. O estudo da teoria das probabilidades e a determinação da estatística de teste correta são fundamentais para a coerência de um teste de hipótese. Se as hipóteses do teste de hipóteses não forem assumidas de maneira correta, o resultado será incorreto e a informação será incoerente com a questão do estudo científico. Os tipos conceituais de erro (erro do tipo I e erro do tipo II) e os limites paramétricos ajudam a distinguir entre a hipótese nula e a hipótese alternativa .

São fundamentais os seguintes conceitos para um teste de hipóteses: Hipótese nula (): é a hipótese assumida como verdadeira para a construção do teste. É a teoria, o efeito ou a alternativa que se está interessado em testar. Hipótese alternativa (): é considerada quando a hipótese nula não tem evidência estatística. Erro do tipo I (): é a probabilidade de se rejeitar a hipótese nula quando ela é verdadeira. Erro do tipo II: é a probabilidade de se rejeitar a hipótese alternativa quando ela é verdadeira.

Hipótese nula é verdadeiraHipótese nula é falsaHipótese nula é rejeitadaErro do tipo INão há erroHipótese nula não é rejeitadaNão há erroErro do tipo II

Origens

O teste de significância é, em grande parte, um produto de Karl Pearson (p–valor e teste qui quadrado de Pearson), William Sealy Gosset (distribuição t de Student) e Ronald Fisher (hipótese nula, análise de variância e teste de significância), enquanto o teste de hipóteses foi desenvolvido por Jerzy Neyman e Egon Pearson (filho do próprio Karl Pearson). Ronald Fisher começou sua vida na estatística na área bayesiana, mas logo se desencantou com a subjetividade envolvida (ou seja, o uso do princípio da indiferença para determinar as probabilidades anteriores) e procurou fornecer uma abordagem mais objetiva da inferência.Raymond Hubbard, M. J. Bayarri, P Values are not Error Probabilities . A working paper that explains the difference between Fisher's evidential p-value and the Neyman–Pearson Type I error rate .

Fisher foi um estatístico agrícola que enfatizava o desenho experimental rigoroso e o método para extrair resultado de algumas amostras assumindo as distribuições gaussianas. Neyman enfatizou o rigor matemático e os métodos para obter mais resultados a partir de muitas amostras e uma maior variação de distribuições. Embora os testes de hipóteses modernos tenham sido popularizados no início no século XX, evidências do seu uso podem ser encontradas muito antes. Nos anos 1770, Laplace considerou a estatística de quase meio milhão de nascimentos para mostrar o maior número de meninos em comparação com as meninas. Ele concluiu pelo cálculo do p–valor que o excesso era real, mas inexplicado. Fisher popularizou o teste de significância. Ele exigiu a hipótese nula (correspondente à distribuição da frequência da população) e uma amostra. Seus cálculos determinaram se uma hipótese nula deveria ou não ser rejeitada. O teste de significância não utilizou hipótese alternativa. Então, não havia o conceito erro do tipo II. O p–valor foi concebido como um índice informal (mas objetivo) para ajudar um pesquisador a determinar (com base em outros conhecimentos) se é preciso modificar os experimentos futuros ou fortalecer a crença na hipótese nula.

Os conceitos de "teste de hipóteses", "erro do tipo I" e "erro do tipo II" foram concebidos por Neyman e Pearson como uma alternativa mais objetiva ao p–valor de Fisher para determinar o comportamento do pesquisador sem requerer qualquer inferência indutiva da parte dele. Neyman e Pearson consideraram um problema diferente, o qual chamaram de teste de hipóteses. Fisher e Neyman e Pearson entraram em choque. Neyman e Pearson consideravam sua formulação uma generalização melhorada do teste de significância. Entretanto, seu artigo principal On the Problem of the Most Efficient Tests of Statistical Hypotheses era considerado abstrato. Os matemáticos têm generalizado e refinado essa teoria há décadas. Fisher pensou que isso não era aplicável à pesquisa científica porque geralmente, durante o curso do experimento, descobre–se que as afirmações iniciais sobre a hipótese nula são questionáveis devido às fontes inesperadas de erro. Fisher acreditava que o uso de decisões rígidas para rejeição ou aceitação baseada em modelos formulados antes da coleta de dados era incompatível com este cenário comum enfrentado pelos cientistas e as tentativas para aplicar este método à pesquisa científica poderia provocar uma confusão geral."We are quite in danger of sending highly trained and highly intelligent young men out into the world with tables of erroneous numbers under their arms, and with a dense fog in the place where their brains ought to be. In this century, of course, they will be working on guided missiles and advising the medical profession on the control of disease, and there is no limit to the extent to which they could impede every sort of national effort." A disputa entre Fisher e Neyman e Pearson foi travada em bases filosóficas, podendo ser caracterizada como uma disputa sobre o papel apropriado dos modelos na inferência estatística.

Neyman aceitou um cargo no Ocidente, rompendo sua parceria com Pearson. A Segunda Guerra Mundial também interrompeu o debate. A disputa entre Fisher e Neyman terminou sem resolução depois de 27 anos com o falecimento de Fisher em 1962. Neyman escreveu um respeitoso elogio ao estatístico. Posteriormente algumas das publicações de Neyman reportaram p–valores e níveis de significância.

Visão moderna A visão moderna de teste de hipóteses é um híbrido de duas abordagens que resultou da confusão entre autores de livros estatísticos (como previsto por Fisher), começando nos anos 1940. Por exemplo, detecção de sinal ainda usa a formulação de Neyman e Pearson. Grandes diferenças conceituais e muitas advertências, além das mencionadas acima, foram ignoradas. Neyman e Pearson forneceram a terminologia mais forte, a matemática mais rigorosa e a filosofia mais consistente, mas o conteúdo ensinado atualmente em estatística introdutória tem mais similaridades com o método de Fisher que com o método de Neyman e Pearson. Esta história explica a mistura presente da terminologia. Por exemplo, a hipótese nula nunca é aceita, mas pode ser não rejeitada, porém tem uma região de aceitação.

Por volta de 1940, os autores de livros estatísticos começaram a combinar estas duas estratégias anonimamente, usando o p–valor no lugar do teste estatístico para testar contra o nível de significância de Neyman e Pearson. Portanto, os pesquisadores eram encorajados a inferir a força dos seus dados contra algumas hipóteses nulas, usando p–valores, enquanto eles também pensavam que estavam mantendo a objetividade pós coleta de dados fornecida pelo teste de hipóteses. Em seguida, isto se tornou usual para a hipótese nula, que era originalmente uma hipótese de pesquisa realista, que seria usada quase que exclusivamente como a hipótese para a qual o tratamento não tem efeito, independentemente do contexto.

Bayes não viveu na mesma época que Fisher, Neyman e Pearson, mas a teoria bayesiana também tem sido utilizada no contexto de tomadas de decisão. Por exemplo, na medicina.

Escolha da hipótese nula Paul Meehl argumenta que a importância epistemológica da escolha da hipótese nula não foi reconhecida. Quando a hipótese nula é prevista pela teoria, um experimento mais preciso é um teste mais severo da teoria subjacente. Quando a hipótese nula é sem diferença ou sem efeito, um experimento mais preciso é um teste menos severo da teoria que motivou a realização da experiência.

Os exemplos de escolha da hipótese nula incluem:

1778 – Pierre Laplace compara as taxas de nascimento de meninos e meninas em várias cidades europeias. Laplace afirma que é natural concluir que estas possibilidades estão quase na mesma proporção. Portanto, a hipótese nula de Laplace é que as taxas de nascimento de meninos e meninas devem ser iguais dada a sabedoria convencional.

1900 – Karl Pearson desenvolve o teste qui quadrado para determinar se uma dada forma da curva de frequência descreverá eficientemente as amostras desenhadas a partir de dada população. Portanto, a hipótese nula é que a população é descrita por tal curva de frequência. Pearson usa um exemplo da quantidade de 5 e 6 nos dados do lançamento de dados de Weldon.

1904 – Karl Pearson desenvolve o conceito de contingência para determinar se os resultados são independentes de um dado fator categórico. A hipótese nula é que duas coisas não estão relacionadas (por exemplo, formação de cicatrizes e taxas de morte por varíola). Neste caso, a hipótese nula não é mais prevista pela teoria ou pela sabedoria convencional. Em vez disto, ela é prevista pelo princípio da indiferença que levou Fisher e outros a descartar o uso de probabilidades inversas.

Variações Embora a inferência frequentista e a inferência bayesiana tenham diferenças notáveis, o teste de hipóteses é um princípio fundamental de ambos os métodos. Os testes de hipótese definem um procedimento que controla (corrige) a probabilidade de se rejeitar a hipótese nula incorretamente. O procedimento baseia–se na probabilidade de ocorrer um conjunto de observações se a hipótese nula for verdadeira. Esta probabilidade de tomar uma decisão incorreta não é a probabilidade de a hipótese nula ser verdadeira, nem mesmo se qualquer hipótese alternativa for verdadeira. Isto contrasta com outras possíveis técnicas da teoria da decisão, em que hipótese nula e hipótese alternativa são tratadas em uma base mais igualitária.

Uma abordagem bayesiana ingênua para o teste de hipóteses é basear as decisões na probabilidade a posteriori, mas isto falha quando as hipóteses pontuais e contínuas são comparadas.Schervish, M (1996) Theory of Statistics, p. 218. Springer ISBN 0-387-94546-6 Outras abordagens para a tomada de decisão como a teoria da decisão bayesiana tentam equilibrar as consequências das decisões incorretas dentre todas as possibilidades ao invés de se concentrarem em uma única hipótese nula. Uma série de outras abordagens para a tomada de decisão com base em dados estão disponíveis por meio da teoria da decisão e da decisão ótima, algumas das quais possuem propriedades desejáveis. Entretanto, o teste de hipóteses é uma abordagem dominante na análise de dados em muitos campos da ciência. As extensões dos testes de hipóteses incluem o estudo do poder dos testes de hipótese. Isto é, a probabilidade de se rejeitar a hipótese nula corretamente. Estas considerações podem ser usadas para determinar o tamanho da amostra antes da coleta de dados.

Procedimentos para o teste de hipóteses miniaturadaimagem|400x400px|Relação entre os erros do tipo I e do tipo II associados às distribuições das hipóteses nula e alternativa.

Teste de hipóteses usando região crítica