O processo de eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 ocorreu entre 2007 e 2009 e contou com a participação de sete cidades de três continentes. Outras ainda planejaram participar do processo, mas não se inscreveram.
Em 13 de setembro de 2007 encerrou-se o prazo de inscrições. Duas cidades da América (Chicago e Rio de Janeiro), duas da Ásia (Doha e Tóquio) e três da Europa (Baku, Madri e Praga) oficializaram a postulação. Em junho de 2008, o Comitê Olímpico Internacional escolheu, baseado no relatório do Grupo de Trabalho designado para analisar os sete projetos, as quatro cidades que se tornariam finalistas: Chicago, nos Estados Unidos, Tóquio, no Japão, Rio de Janeiro, no Brasil, e Madri, na Espanha.
A segunda fase começou com o Programa de Observação dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, em Pequim. Depois de elaborar o seu livro de candidatura e receber a visita da Comissão Avaliadora do Comitê Olímpico Internacional, as cidades agora candidatas participaram, em junho, de um encontro, promovido pela primeira vez na história, com os membros do COI, que elegeriam a cidade-sede dos Jogos de 2016.
Em setembro, a Comissão Avaliadora divulgou o relatório com suas impressões sobre os projetos finalistas. Tóquio, a cidade que teve a nota preliminar mais alta, perdeu o favoritismo, principalmente devido aos baixos níveis de apoio popular que a candidatura recebia. Chicago sofreu com protestos internos e com problemas com as leis americanas. Madri também teve problemas com a legislação, sofrendo sérias críticas da Comissão Avaliadora. O Rio de Janeiro, apesar de ter tido boas notas, teve problemas com a acomodação e os transportes. As avaliações foram consideradas equilibradas, não sendo possível até então apontar alguma cidade como favorita, nem pelo presidente do COI, Jacques Rogge, nem pelos membros da entidade, que tinham o direito de escolher a vencedora, assim como por órgãos de imprensa e sites especializados.
A cidade-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão de 2016 foi escolhida em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, em votação durante a 121ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional. Após as eliminações de Chicago e Tóquio, Madri e Rio de Janeiro chegaram à final, vencida pela candidatura brasileira, com mais de 2/3 dos votos. Esta é a primeira vez que os Jogos Olímpicos terão uma sede na América do Sul.
Processo de eleição
O processo de eleição da cidade-sede de uma edição dos Jogos Olímpicos dura sete anos, começando com a inscrição da cidade postulante, através de seu Comitê Olímpico Nacional, e terminando com a eleição da sede, realizada durante uma Sessão do COI. O processo é regido pela Carta Olímpica, em seu quinto capítulo. Após o prazo de inscrições, as cidades postulantes respondem a um questionário com temas importantes para uma organização bem sucedida. Após um estudo detalhado dos questionários, o Comitê Executivo do COI seleciona as cidades classificadas para a fase seguinte, as candidatas oficiais. Na segunda fase, as cidades candidatas respondem a outro questionário, mais detalhado. Esses documentos são cuidadosamente estudados pela Comissão Avaliadora do COI, que também faz inspeções de quatro dias em cada uma das cidades candidatas, nas quais verifica os locais de competição planejados e conhece detalhes dos projetos. A Comissão Avaliadora divulga, cerca de um mês antes da Sessão em que vai ocorrer a votação, um relatório com as impressões do grupo. Na Sessão do COI em que ocorre a eleição, os membros ativos do Comitê Olímpico (excluindo os honorários) têm direito a um voto cada. Membros de países com cidades candidatas não podem votar enquanto estas não forem eliminadas. O processo é repetido quantas vezes for preciso até que uma candidata atinja a maioria absoluta dos votos. Se isso não acontecer na primeira rodada, a cidade com menos votos é eliminada e uma nova sessão começa. Em caso de empate no último lugar, uma rodada extra ocorre para desfazê-lo, com a vencedora se classificando para a seguinte. A cada rodada o nome da cidade eliminada é anunciado. Após o anúncio final, a cidade-sede eleita assina o "Contrato de Cidade-sede" com o COI, que delega as responsabilidades de organizar os Jogos ao país e ao seu respectivo CON.
O processo de 2016 Cronograma DataEvento14 de maio de 2007 Abertura do processo de candidatura.13 de setembro de 2007 Encerramento do prazo de inscrição para as Cidades Postulantes.14 de janeiro de 2008 Data final para envio do relatório com as respostas ao questionário do COI.Janeiro a junho de 2008 Avaliação dos relatórios enviados.4 de junho de 2008 Divulgação das Cidades Candidatas.8 a 24 de agosto de 2008 Programa de Observação dos Jogos Olímpicos - Pequim 2008.12 de fevereiro de 2009 Envio dos livros de candidatura das Cidades Candidatas.2 de setembro de 2009 Publicação do Relatório da Comissão Avaliadora, com as impressões sobre as cidades candidatas.2 de outubro de 2009 Eleição da sede dos Jogos Olímpicos de 2016 em Copenhague, Dinamarca.
Potenciais candidatas thumb|direita|250px|Berlim teve sua candidatura cancelada. thumb|direita|250px|Lisboa também desistiu de se candidatar.
Durban: o prefeito da cidade manifestou desejo de se candidatar. No entanto, o projeto não foi entregue. Berlim e Hamburgo: as duas, que foram subsedes da Copa do Mundo FIFA de 2006, desistiram da disputa pelos Jogos de 2016 por considerarem serem maiores as chances quatro anos mais tarde. Buenos Aires: a cidade, que já foi candidata a sede dos Jogos de 2004, apenas sinalizou uma possível candidatura. Bruxelas: a capital da Bélgica desistiu da candidatura por considerar a vitória inatingível. Montreal: a sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 1976 manifestou o desejo de se candidatar, mas não o oficializou. Dubai: a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos manifestou o desejo de oficializar uma candidatura e desistiu. Los Angeles, São Francisco, Houston e Filadélfia: Los Angeles perdeu a eleição interna nos Estados Unidos para Chicago. São Francisco também concorria, mas desistiu. Houston e Filadélfia não chegaram ao final do processo interno. San Diego/Tijuana: a proposta de realizar os Jogos em duas cidades de dois países diferentes foi rejeitada pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos. Nova Déli: preferiu adiar os planos para 2020. Roma: desistiu após as vitórias de Londres para 2012 e Sochi para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Fukuoka: a cidade perdeu a eleição interna no Japão para a capital Tóquio. Monterrey: o Comitê Olímpico do México rejeitou a candidatura da cidade. Lisboa: a capital portuguesa iniciou estudos para tentar uma candidatura, mas não oficializou a tempo de concorrer neste processo. Nairóbi: o Ministro dos Esportes do Quênia chegou a anunciar uma candidatura, mas o Comitê Olímpico do país desistiu da ideia. Moscou: o prefeito da cidade havia anunciado em 2005 que, se Moscou perdesse a chance de sediar os Jogos de 2012, tentaria novamente, o que acabou não acontecendo. Bangkok: após o sucesso da equipe do país nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004, a capital da Tailândia manifestou interesse em sediar os Jogos de 2016, mas não oficializou candidatura. Istambul: depois de quatro tentativas frustradas, a cidade mais importante da Turquia decidiu postergar para 2020 uma nova empreitada.
Avaliação das cidades postulantes thumb|direita|250px|Apoio político é um dos critérios de avaliação. Na imagem, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros políticos brasileiros fazem campanha a favor da candidatura do Rio de Janeiro em Londres.
As sete cidades que se inscreveram tiveram até 14 de janeiro de 2008 para responder ao primeiro questionário. Através da análise das respostas, o COI deu notas a cada projeto em cada um dos onze critérios de avaliação:
Apoio político e social Infraestrutura geral Locais de competição Vila Olímpica Meio ambiente Acomodações
Transporte Segurança Experiências anteriores Finanças Legado
Cidades com nota geral média superior a seis (nível definido pelo COI) são consideradas aptas a receber os Jogos. Em junho de 2008, o COI fez o anúncio oficial, classificando quatro cidades e eliminando outras três:
Classificadas Tóquio (nota 8,3) Madri (nota 8,1) Chicago (nota 7,0) Rio de Janeiro (nota 6,4)
Eliminadas Doha (nota 6,9) Praga (nota 5,3) Baku (nota 4,3)
As quatro finalistas tiveram assegurado o direito de usar os anéis olímpicos em seus logotipos, junto com a expressão "Candidate City" ("Cidade Candidata").
Candidaturas eliminadas thumb|direita|250px|Doha planejava usar nos Jogos de 2016 o legado dos Jogos Asiáticos de 2006.
As cidades eliminadas na primeira fase tiveram problemas variados na avaliação do Grupo de Trabalho. O projeto de Doha previa, em virtude de condições climáticas mais favoráveis, a realização dos Jogos em outubro. A segurança receberia investimentos de 44 milhões de dólares e 70% dos eventos seriam realizados em instalações construídas para os Jogos Asiáticos de 2006. A cidade, apesar de ter obtido uma nota mais alta que o Rio de Janeiro, não foi classificada exatamente por propôr a realização dos Jogos em um período fora do proposto pelo COI (junho a setembro) e por estar numa região propensa a ataques terroristas. Praga havia projetado a construção de três centros: um estádio para a natação, um complexo olímpico na periferia da cidade e um velódromo em Brno. A falta de infraestrutura da cidade, que havia sido apontada por integrantes do governo nacional, foi um dos fatores que determinaram a eliminação da capital da República Checa. Já o projeto de Baku previa a realização dos Jogos em quatro regiões, todas a menos de 10 km da Vila Olímpica. Seriam construídas 23 instalações esportivas e cerca de 80.000 quartos em hotéis. A cidade recebeu as notas mais baixas em praticamente todos os quesitos.
Avaliação das cidades candidatas thumb|direita|250px|Cartazes divulgam a candidatura de Tóquio no museu Edo-Tokyo.
Em 12 de fevereiro de 2009, todas as candidatas enviaram o documento de candidatura ao COI. Após um período de análise pelo órgão, as cidades foram visitadas pela Comissão Avaliadora, composta por doze membros e liderada pela ex-atleta marroquina Nawal El Moutawakel. As visitas, de quatro dias cada, ocorreram entre 4 de abril e 8 de maio.
Chicago - 4 a 7 de abril Tóquio - 16 a 19 de abril Rio de Janeiro - 29 de abril a 2 de maio Madri - 5 a 8 de maio
Em 2 de setembro de 2009, o COI divulgou os relatórios da inspeção das quatro candidatas. Por não conter notas ou rankings, as avaliações foram consideradas muito equilibradas.
Madri teve o projeto mais criticado, principalmente por causa da falta de clareza das leis antidoping da Espanha e da estrutura organizacional do comitê local. As críticas fizeram os representantes da candidatura correrem contra o tempo, e, mesmo com o prefeito Alberto Ruiz-Gallardón chegando a admitir uma derrota, conseguiram mudanças nas leis antidoping do país poucos dias antes da votação.
Tóquio também teve bastantes críticas, nomeadamente em relação ao tamanho do terreno destinado à vila olímpica, às condições de algumas instalações e ao baixo apoio popular, embora os números da pesquisa conduzida pelo COI tenham sido sutilmente contestados.
thumb|direita|250px|Edifícios em Chicago divulgam a candidatura da cidade.
Chicago recebeu críticas em virtude do alto orçamento e da falta de garantias financeiras, além da falta de um projeto claro para o transporte público e dos problemas relacionados ao trânsito intenso na região onde o comitê local pretendia realizar os Jogos. Com o objetivo de corrigir as falhas apontadas no relatório, o Conselho Municipal aprovou por unanimidade garantias governamentais para o financiamento dos Jogos.