O Judas em Sábado de Aleluia é uma peça teatral de Martins Pena, escrita na década de 1840. É uma comédia de costumes, em um único ato, com 12 cenas.
Enredo A história se passa no Rio de Janeiro, em 1844, na casa de José Pimenta, cabo da Guarda Nacional, e de suas filhas Chiquinha e Maricota. É Sexta-Feira Santa, e um grupo de crianças prepara um boneco de Judas para a malhação da manhã seguinte. O jovem Faustino vem se encontrar com Maricota, mas quando chega Ambrósio, pretendente mais rico da moça, ele se esconde no Judas. A partir daí, passa a testemunhar, sem ser visto, conversas entre vários personagens - inclusive uma declaração de amor de Maricota por Ambrósio, bastante semelhante à que ela tinha feito há pouco para ele.
Personagens José Pimenta: cabo-de-esquadra da Guarda Nacional, pai de Chiquinha e Maricota. Chiquinha: filha mais recatada, nutre um amor não declarado por Faustino. Maricota: filha namoradeira, corteja e é cortejada por vários pretendentes ao mesmo tempo. Faustino: pretendente de Chiquinha. Capitão Ambrósio: superior de Faustino na Guarda Nacional, também pretendente de Maricota. Antônio Domingos: personagem forçado por Faustino a se casar com Maricota.
Análise O expediente central da peça (Faustino escondido dentro do próprio boneco de Judas) funciona como um dispositivo de onisciência teatral: ao ocupar o lugar do boneco, a personagem passa a testemunhar, sem ser vista, os segredos e contradições dos demais moradores da casa, o que lhe confere, no desfecho, uma autoridade quase judicante sobre o destino dos outros personagens. Ele é quem redistribui os casamentos finais, "condenando" Antônio Domingos e o Capitão e "absolvendo" a si mesmo e a Chiquinha.
Bruna Grasiela da Silva Rondinelli inclui O Judas em Sábado de Aleluia, além de Os Irmãos das Almas e O Noviço, no corpus de peças de Martins Pena mais associadas ao Teatro de São Pedro de Alcântara, discutindo como a produção cômica do autor se relaciona com a estratificação social do público que frequentava aquela casa de espetáculos no Rio de Janeiro oitocentista.RONDINELLI, Bruna Grasiela da Silva. Martins Pena, o comediógrafo do Teatro de São Pedro de Alcântara: uma leitura de O Judas em Sábado de Aleluia, Os Irmãos das Almas e O Noviço. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012. 310 p.
Assim como em outras comédias de Martins Pena, a peça retrata tipos fixos da pequena e média burguesia carioca (o funcionário público, o militar pretendente interesseiro, a moça em busca de casamento), um recurso que a crítica associa à predileção do autor por concentrar sua comédia nos costumes visíveis da sociedade em vez de aprofundar psicologicamente as personagens. O desfecho conciliador, resolvido às pressas com casamentos e reconciliações gerais, é apontado como uma marca recorrente das comédias de Pena, que costumava "livrar-se" da trama reunindo os personagens em torno de um baile, um casamento arranjado ou outro artifício de fechamento rápido, mais do que como consequência lógica da ação anterior.PIERSON, Colin M. Martins Pena: A View of Character Types. Latin American Theatre Review, Lawrence, KS: University of Kansas, v. 11, n. 2, p. 41-48, Spring 1978.
Adaptações e montagens Uma montagem histórica da peça foi feita pelo Teatro de Arena em 1954, com direção de Sérgio Britto, e elenco formado por Eva Wilma, Aracy Cardoso, Sérgio Sampaio, John Herbert, Lulu Rodrigues e José Renato.
Em 1943, o cineasta Humberto Mauro realizou um média-metragem de 34 minutos com base nesta comédia e com o mesmo título, utilizando como elenco os atores do Radioteatro da Mocidade.
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