Eduardo Melo Peixoto, mais conhecido por Cónego Melo (Braga, 30 de outubro de 1927 – Santuário de Fátima, ) foi um sacerdote português, que foi Deão do Cabido da Sé de Braga e Vigário-geral da Arquidiocese de Braga e um ativista anticomunista. Foi acusado de envolvimento no terrorismo de extrema-direita e acusado de envolvimento na morte do padre Max e de Maria de Lurdes, vítimas de um atentado bombista, em 1976. Seria constituído arguido mas nunca viria a ser condenado.Machado, Delfim (2026) Mercenários ligados ao CDS contratados para matar padre Max. Jornal de Notícias. 29 março, 2026
Papel de Cónego Melo durante o PREC Voz ativa contra os acontecimentos em Portugal durante o período pós-Revolução dos Cravos, em especial durante o chamado Verão Quente, tornando-se conhecido por combater os movimentos comunistas no pós 25 de Abril.
Ligações Nessa altura terá sido um dos fundadores do "Movimento da Maria da Fonte", tendo sido indicado pelo Arcebispo de Braga D. Francisco Maria da Silva, após uma humilhação sofrida pelo prelado, numa revista efetuada pelo Copcon, no Aeroporto de Lisboa.
São também conhecidas as ligações ao MDLP - grupo militar anticomunista, formado a partir de apoiantes de António Spínola, derrotados no 11 de Março de 1975 e responsável por inúmeros atentados à bomba, maioritariamente, a norte e contra sedes partidárias do PCP e outros partidos de extrema esquerda, entre 1975 e 1976. As 566 ações violentas do MDLP até Novembro de 1975 incluíram assaltos a sedes, ataques bombistas, incêndios, atentados a tiro. Seriam seguidos ainda de maior violência nos meses seguintes com vários assassinatos, incluindo a morte do padre Max, atentado à embaixada de Cuba, de sindicalista, de trabalhador ou vítimas não intencionais (ver MDLP).
Atividades O Cónego Melo deu guarida a múltiplas reuniões de preparação das ações deste movimentos. Ficou famoso o almoço de trabalho em Outubro de 1975, ao esconder Alpoim Calvão (MDLP), Paradela de Abreu (Plano Maria da Fonte) e Ângelo do Nascimento no telhado do Seminário em Braga quando militares tentaram deter estes elementos.
Alpoim Calvâo reconheceu a sua importância, revelando que o cónego Eduardo Melo foi "pedra-chave" na organização destes diferentes movimentos.
Em 1975, terá dito a bombistas: "abençoo as vossas mãos".
Julgamento Haverá três acusações no caso do Padre Max. Eduardo Melo também foi constituído arguido, "por denúncias de elementos da rede bombista". É possível ver o seu depoimento em tribunal na RTP. Não foi condenado.
Atividades eclesiásticas e da sociedade civil Promoveu obras de restauro na Sé de Braga, na década de 1990.
Foi presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, e da Irmandade de São Bento da Porta Aberta, pelos cursos de Cristandade, pelo ISAVE - Instituto Superior do Vale do Ave e pela presidência do Conselho Geral do Sporting de Braga.
Morte e legado Faleceu em Fátima, onde pernoitava numa residência pastoral.
A Assembleia da República prestou-lhe homenagem, e no voto de pesar, aprovado em sessão após a sua morte com os votos favoráveis do CDS-PP e do PSD, a abstenção da maioria dos deputados socialistas e o voto contra do PCP, BE e PEV, podia ler-se "em 1975 teve um papel decisivo na luta pela preservação das liberdades e pela instauração de uma democracia parlamentar". Durante a discussão do voto de pesar, o deputado do CDS-PP, Nuno Melo, recordou que o Cónego Melo foi alguém que dedicou toda a vida "à Igreja, aos outros à sua cidade e ao país". Já o líder parlamentar de então do BE, Luís Fazenda, lembrou que o Cónego Melo assumiu a sua ligação ao MDLP e que "semeou o terror" na altura do 25 de Abril, acrescentando que, ao votar contra o voto de pesar, o BE "recorda todos os que ficaram debaixo das bombas".
A 28 de junho de 1988, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.
Em maio de 2013 foi aprovada em reunião do executivo municipal a edificação de uma estátua do cónego Melo numa rotunda da cidade. A estátua do cónego Melo foi colocada no centro de uma rotunda no Largo de Monte D’Arcos, junto ao cemitério municipal no dia 10 de agosto de 2013. A escultura foi desenhada pelo arquitecto Fernando Jorge e está colocada no topo de um pedestal de pedra.
No dia seguinte à inauguração da estátua, um grupo de cidadãos bracarenses organizou uma concentração de repúdio que decorreu na rotunda onde a estátua foi colocada.Adicionalmente, outros fizeram pichagens da estátua em protesto pelo seu papel no assassinato de padre Max e Maria de Lurdes, mas o Partido Nacional Renovador (PNR) defendeu-o.
Obras literárias Capela de Santo António (co-autor) - (1999) O homem na catedral - (2003) Ecos da Vida - (2005) Ordenamento jurídico: Notas jurídico-canónicas e pastorais - (2007) Memórias da cidade - (2007)
Ver também
Notícia sobre o falecimento do Cónego Melo publicado pelo jornal Público
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