thumb|Representação satírica da lavagem cerebral. A lavagem cerebral, lavagem de cérebro, reforma de pensamento ou reeducação é qualquer esforço constituído visando mudar certas atitudes e crenças de uma pessoa — crenças estas consideradas indesejáveis ou em conflito com as crenças e conhecimentos das outras pessoas — utilizando-se, para tal, de métodos agressivos, como cansaço, substâncias químicas e persuasão, aplicados sobre pessoas que estão privadas da livre determinação de sua vontade, como prisioneiros de guerra.'Less Than Human': The Psychology Of Cruelty Por meio da lavagem cerebral, indivíduos passam a ter opiniões que não teriam se estivessem em condições de plena liberdade.FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 014.Compare:
Motivos para a lavagem cerebral podem incluir o objetivo de afetar o pensamento e comportamento do indivíduo que o sistema de valores padrão considera indesejável. A lavagem cerebral é, atualmente, um elemento forte na cultura popular globalizada e, muitas vezes, é retratada como uma teoria conspiratória.
Em 1987, a Câmara de Responsabilidade Social e Ética para a Psicologia (BSERP) da American Psychological Association (APA), provisoriamente, recusou o reconhecimento da lavagem cerebral, pela carência de informações científicas sólidas a seu favor, embora o debate continue em curso.
O termo "lavagem cerebral" foi usado pela primeira vez em inglês por Edward Hunter em 1950 para descrever como o governo chinês parecia fazer as pessoas cooperarem com eles durante a Guerra da Coréia . A pesquisa sobre o conceito também analisou a Alemanha nazista, alguns casos criminais nos Estados Unidos e as ações de traficantes de pessoas . No final dos anos 1960 e 1970, os experimentos MK-Ultra, da CIA, falharam sem o uso operacional dos sujeitos. Seguiu-se um debate científico e legal, bem como a atenção da mídia, sobre a possibilidade de lavagem cerebral ser um fator quando a dietilamida do ácido lisérgico (LSD) foi usada, ou na conversão de pessoas a grupos considerados cultos.Dicionário Enciclopédico de Religião . Vol. 2. Editora Gyan. 2005.
Wright, Stuart (December 1997). "Media coverage of unconventional religion: Any "good news" for minority faiths?". Review of Religious Research. 39 (2): 101–115. doi:10.2307/3512176. JSTOR 3512176.
O conceito de lavagem cerebral não é geralmente aceito como um fato científico. No discurso casual, "lavagem cerebral" e sua forma verbal, "lavagem cerebral", são usados figurativamente para descrever o uso de propaganda para persuadir ou influenciar a opinião pública.Usarski, Frank (6 December 2012). Cresswell, Jamie; Wilson, Bryan (eds.). New Religious Movements: Challenge and Response. Routledge. p. 238. ISBN 9781134636969.
American Psychiatric Association. DSM-5.
Terminologia As palavras "reeducar" e "reeducação" já existiam com vários sentidos desde 1808, mas foi na década de 1940 que passaram a expressar especificamente conotações políticas. A expressão "lavagem cerebral" foi utilizada pela primeira vez no idioma português na década de 1950. Formas anteriores de coação por persuasão ocorreram, por exemplo, durante a caça às bruxas e no decurso de dos julgamentos contra os "inimigos do Estado" na União Soviética, mas a expressão propriamente dita surgiu nas primeiras décadas da República Popular da China, sendo usada para uso interno na luta contra os "inimigos do povo" e invasores estrangeiros.
O termo em chinês 洗脑 (xǐ não, literalmente "lavagem cerebral"), inicialmente, referia-se aos métodos coercivos de persuasão utilizados na 改造 (gǎi Zao, "reconstrução", "mudança", "alterar") dos padrões de pensamento feudal de cidadãos chineses. Já existia um termo semelhante no taoismo: "limpeza/lavagem do coração" (洗心, xǐ xin), que era utilizado porque os chineses acreditavam precisar estar "limpos" espiritualmente antes de realizar certas cerimónias ou entrar em determinados lugares santos, sendo que, em chinês, a palavra "心" (xin) também refere-se a alma ou espírito, contrastando com cérebro. O termo entrou em uso geral nos Estados Unidos e no mundo na década de 1950 durante a Guerra da Coreia (1950-1953) para descrever os métodos aplicados pelos comunistas chineses que resultaram em permanentes mudanças comportamentais em prisioneiros.
A expressão "lavagem cerebral" entrou em uso nos Estados Unidos para explicar por que, ao contrário das guerras anteriores, uma porcentagem relativamente elevada de soldados norte-americanos havia ido para o lado inimigo depois de ficar prisioneiros de guerra na Coreia. Posteriores análises determinaram que algumas das principais metodologias empregadas sobre eles durante a sua prisão incluía privação do sono e outras métodos de tortura psicológica destinadas a minar a autonomia dos indivíduos.
Após a Guerra da Coreia, a expressão "lavagem cerebral" veio a aplicar-se a outros métodos de persuasão coercitiva e até mesmo para o uso eficaz das propagandas ordinárias e doutrinação.
Origem Guerra da Coreia (1950-1953) O Partido Comunista da China utilizou a frase "xǐ nǎo" ("lavagem cerebral", 洗脑) para descrever seus métodos ortodoxos de persuadir os membros que não estão em conformidade com a mensagem do partido. A frase foi baseada no xǐ xin (洗心, "lavagem de coração"), uma exortação - encontrada em muitos templos taoistas – para que os fiéis limpassem seus corações dos desejos impuros antes de entrar.
Em Setembro de 1950, o Miami Daily News publicou um artigo de Edward Hunter que continha, pela primeira vez, a expressão "lavagem cerebral" em inglês, que, rapidamente, se tornou uma frase popular na propaganda da Guerra Fria. Hunter, identificado por alguns como "um operador de propaganda da Agência Central de Inteligência", escreveu diversos livros e artigos sobre o tema. thumb|Representação artística da lavagem cerebral Um outro artigo de Hunter sobre o mesmo assunto apareceu na revista The New Leader em 1951. Em 1954 e 1956, dois estudos sobre a Guerra Coreana feitos por Robert Lifton Citado de Thought Reform and the Psychology of Totalism e por Edgar Schein Citado de Thought Reform and the Psychology of Totalism concluíram que havia um efeito de lavagem cerebral transitória utilizada em prisioneiros de guerra.
Lifton e Schein constataram que os chineses não se engajaram em qualquer reeducação sistemática dos presos, mas que, geralmente, utilizaram as técnicas de persuasão coercitiva para perturbar a capacidade mental dos prisioneiros. Os chineses teriam tido sucesso na obtenção de declarações antiestadunidenses por parte de alguns dos prisioneiros, colocando-os presos em condições adversas, de privação física e social e perturbação. Em seguida, ofereciam-lhes uma situação mais confortável, como dormir em locais melhores, qualidade alimentar, roupas mais quentes ou cobertores. No entanto, os psiquiatras ainda alegaram que estas medidas de coação se demonstraram ineficazes pois não provocaram mudanças de atitudes na maioria das pessoas, e os presos não adotavam efetivamente as crenças comunistas. Os poucos prisioneiros influenciados pela doutrinação comunista aparentemente haviam sucumbido por características de personalidade que já existiam antes da prisão.
Lifton e Schein concluíram que a lavagem cerebral era resultado de uma mistura de aspectos sociais, psicológicos e físicos e pressões aplicadas a um indivíduo para produzir mudanças em suas crenças, atitudes e comportamentos. Lifton e Schein alegaram que tais práticas podem ter sucesso na presença de um elemento físico de confinamento, forçando o indivíduo a uma situação na qual, para sobreviver físicamente e psicologicamente, ele precisa mudar de personalidade. Eles também concluíram que tais métodos tiveram sucesso somente em uma minoria, pois a coerção manteve os indivíduos muito instáveis, e a maioria voltou à sua condição anterior logo após ter deixado o ambiente coercivo.
Após o armistício que interrompeu as hostilidades na Guerra da Coreia em Julho de 1953, um grande grupo de oficiais da inteligência, psiquiatras, psicólogos e soldados das Nações Unidas recebeu missões para repatriar os soldados. O governo dos Estados Unidos queria entender o nível sem precedentes de colaboração, a confiança depositada pelos prisioneiros em seus captores, e outros indícios de que os chineses tinham conseguido eficácia no seu tratamento dos prisioneiros de guerra. Estudos formais em revistas académicas começaram a surgir em meados dos anos 1950, bem como alguns relatos de antigos prisioneiros. Em 1961, dois especialistas na área publicaram livros que sintetizaram estes estudos para os não especialistas preocupados com as questões de segurança nacional e política social. Segundo eles, a lavagem cerebral se destinava a produzir confissões, para fazê-los sentirem-se culpados de crimes contra o Estado, torná-los desejosos de uma mudança fundamental nas perspectivas para as instituições da nova sociedade comunista e, finalmente, para realmente cumprir as alterações desejadas na lavagem cerebral/reforma de pensamento. Diz-se que as técnicas utilizadas para a lavagem cerebral foram: desumanização das pessoas, mantendo-as em locais sujos; privação do sono; privação sensorial parcial; assédio moral; sentimento de culpa; pressão de grupos sociais.
Críticas às teorias de "lavagem cerebral" na Guerra da Coreia Segundo o psicólogo forense Dick Anthony, a CIA inventou o conceito de "lavagem cerebral" como uma estratégia de propaganda anticomunista. Dick ainda afirmou que os prisioneiros nos campos coreanos comunistas tinham voluntariamente expressado sua simpatia pelo comunismo. Anthony descreveu que, em seus livros, Edward Hunter (que possuía ligações com a CIA) estava se passando por um jornalista e que ele era "um grande especialista na guerra psicológica", apresentando, ao público em geral, a teoria da lavagem cerebral da CIA. Ele afirmou ainda que, por vinte anos, começando no início dos anos 1950, a CIA e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos conduziram investigações secretas, em uma tentativa de desenvolver práticas de lavagem cerebral, mas sua tentativa fracassou.
Movimento anti-seitas e Cultos religiosos Existem debates sobre a possíveis práticas de lavagem cerebral em seitas e novos movimentos religiosos ou supostamente religiosos (há acusação de lavagem cerebral por parte da cientologia). Pesquisadores acadêmicos de seitas discordam sobre a existência de um processo social com influência coerciva, e também discordam sobre se as pessoas se tornam influenciados contra a sua vontade. Bromley, David G. (1998). "Brainwashing". In William H. Swatos Jr. (ed.). Encyclopedia of Religion and Society. Walnut Creek, CA: AltaMira. pp. 61–62. ISBN 978-0-7619-8956-1.
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