Vila Santana é uma denominação de bairro localizada no distrito de Santana, administrado pela Subprefeitura de Santana-Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo. Integra a região comumente denominada Alto de Santana e apresenta ocupação predominantemente residencial, marcada pela coexistência de casas, sobrados, edifícios e equipamentos institucionais. Seus limites são descritos como contíguos aos bairros de Santana, Santa Teresinha, Água Fria e Mandaqui.
História A formação histórica da região relaciona-se à antiga Fazenda de Sant' Ana, propriedade rural administrada pela Companhia de Jesus durante o período colonial. Após a fragmentação das antigas terras, chácaras, sítios, caminhos e pequenas propriedades rurais passaram a compor a paisagem situada ao norte da várzea do rio Tietê. Durante o século XIX, essa área permaneceu parcialmente rural, embora a ocupação do núcleo de Santana e dos terrenos mais elevados avançasse gradualmente.
A expressão “Alto de Santana” já aparecia em documentos municipais no final do século XIX. Um levantamento de requerimentos particulares registrou uma solicitação de construção com essa localização em 1891, além de pedidos referentes ao Morro de Santana, ao Largo de Santana e à rua Voluntários da Pátria. A ocupação dos terrenos elevados foi favorecida pela representação da colina como uma área mais salubre e menos exposta às inundações da várzea. Essa característica posteriormente seria utilizada na promoção de residências destinadas aos setores de maior poder aquisitivo, embora a região também abrigasse moradias de trabalhadores, vilas e estabelecimentos comerciais. A implantação dos serviços urbanos acompanhou o crescimento do Alto de Santana. Em 1903, o vereador Nicolau Baruel propôs a instalação de noventa lâmpadas elétricas na rua Voluntários da Pátria e de outras vinte na rua Alfredo Pujol, até o quartel onde anteriormente funcionara a hospedaria do Núcleo Colonial de Santana. A concessão envolvia a São Paulo Tramway, Light and Power Company, que controlava os serviços de iluminação e de transporte na região.
A companhia também assumiu a concessão da linha de bondes entre a Ponte Grande e Santana. Em 1907, os trilhos foram prolongados até o antigo largo situado no Alto de Santana, ainda com veículos de tração animal. No mesmo ano, passageiros depredaram bondes puxados por animais em protesto contra a precariedade do serviço. Em 1909, o percurso até o Alto de Santana já se encontrava eletrificado.
A eletrificação foi acompanhada por conflitos tarifários. Em 1908, moradores de Santana encaminharam ao prefeito Antônio da Silva Prado um abaixo-assinado com 212 assinaturas, no qual contestavam a cobrança projetada de quatrocentos réis para a viagem direta entre o bairro e o centro da cidade. Até então, os passageiros utilizavam um bonde de tração animal até a Ponte Grande e realizavam uma baldeação para os veículos elétricos. Os signatários, entre os quais havia farmacêuticos, professores, comerciantes, estudantes, médicos, dentistas, proprietários e agricultores, reivindicavam que a tarifa fosse reduzida para duzentos réis. miniaturadaimagem|290x290px|Placa de um bonde do século XIX em exibição no Museu do Transporte que conectava a Ponte Grande ao Alto de Santana. A ocupação urbana concentrou-se inicialmente nos principais eixos de circulação. Entre 1907 e 1915, foram identificadas 484 solicitações de obras particulares em Santana, destinadas principalmente a imóveis residenciais, comerciais e de uso misto. A rua Voluntários da Pátria concentrou 247 pedidos, seguida pela então avenida Cantareira, atual Avenida Cruzeiro do Sul, com 47 solicitações, pela rua Alfredo Pujol, com 37, e pela rua Duarte de Azevedo, com 36. A concentração de construções nessas vias evidencia a influência das linhas de bondes e do Tramway da Cantareira na expansão do bairro.
Outros serviços foram implantados nas proximidades dos transportes. Em 1910, a Companhia Rede Telefônica Bragantina recebeu autorização para instalar uma linha que acompanhava o traçado ferroviário e alcançava o Colégio Santana. Em 1912, foi construído o Grupo Escolar de Santana nas proximidades da estação ferroviária e do cruzamento da avenida Cantareira com a rua Gabriel Piza. O saneamento avançou mais lentamente: uma planta de 1901 indicava o quartel da rua Alfredo Pujol como o único edifício público de Santana atendido pelas redes de água e esgoto, enquanto os pedidos particulares de ligação se tornaram mais frequentes a partir de 1912, depois da regularização dos logradouros. miniaturadaimagem|290x290px|Rua Voluntários da Pátria x Rua Pedro Doll e o Reservatório do Alto de Santana em 1943. A distribuição das melhorias permaneceu desigual entre o núcleo suburbano de Santana e os terrenos rurais situados em direção ao Mandaqui e à Serra da Cantareira. Em 1920, um abaixo-assinado com 206 assinaturas solicitou o prolongamento da linha de bondes do Alto de Santana até o encontro das estradas de Água Fria, Barro Branco e Cantareira. Segundo os requerentes, a extensão beneficiaria moradores do Mandaqui, Tremembé, Cantareira, Vila Albertina, Cachoeira, Guapira, Vila Mazzei, Parada Inglesa e Tucuruvi. A Light and Power considerou o investimento pouco vantajoso e não realizou a extensão naquele momento.
A formação da atual Vila Santana relaciona-se especialmente ao parcelamento de uma grande propriedade rural pertencente a Guilherme Christoffel. A documentação acadêmica registra o sobrenome do proprietário com a grafia “Christoffel”, enquanto a rua que conserva sua memória aparece no uso toponímico apresentado para o bairro como rua Doutor Guilherme Cristoffel. A propriedade situava-se à esquerda da antiga Estrada do Mandaqui, em uma área de ligação entre o Alto de Santana e a estação Mandaqui do Tramway da Cantareira. miniaturadaimagem|290x290px|Vista do bairro, do Colégio Imperatriz Leopoldina e do Reservatório do Alto de Santana. Em 1924, Guilherme Christoffel iniciou o parcelamento da chácara e denominou o empreendimento Jardim Sant’Anna. O projeto dividia parte da propriedade em lotes destinados à construção de casas e reservava outra área, próxima à rua Voluntários da Pátria, para a instalação de um sanatório. Uma planta cadastral produzida em 1925 mostra o loteamento ao lado da Estrada do Mandaqui e registra sua proximidade com o leito do Tramway da Cantareira e com a estação Mandaqui.
A área reservada para o sanatório corresponde, segundo a pesquisa histórica, ao terreno posteriormente ocupado pelo complexo do Hospital do Mandaqui. A destinação hospitalar prevista no parcelamento introduziu uma função institucional de grande porte em uma propriedade cuja parcela restante era destinada principalmente à ocupação residencial. A documentação anexada não descreve as etapas posteriores de construção do hospital, mas estabelece a relação territorial entre o antigo sítio ou chácara de Guilherme Christoffel, o Jardim Sant’Anna e o atual complexo hospitalar. miniaturadaimagem|290x290px|Vista do bairro pela a Rua Pedro Doll. O parcelamento de Christoffel ocorreu no mesmo período em que outras propriedades da região eram transformadas em loteamentos. Depois do falecimento do conde Alexandre Siciliano, em 1923, sua família promoveu, no ano seguinte, a divisão de terrenos próximos ao largo de Santana, no Alto de Santana. A Vila Aurora foi projetada em 1924 pela Sociedade Civil Villa Aurora nas proximidades das estações Mandaqui e Invernada, enquanto a planta do Jardim Sant’Anna foi registrada em 1925. A proximidade com o Tramway e com suas estações era utilizada para facilitar o acesso e favorecer a ocupação dos novos bairros.
Durante a segunda metade do século XX, a paisagem residencial passou por um processo de adensamento e verticalização. A construção de edifícios tornou-se mais expressiva a partir das décadas de 1960 e 1970 e alcançou áreas da Vila Santana próximas às ruas Doutor Guilherme Cristoffel, César Zama, Doutor Luís Lustosa da Silva, Dona Luísa Tolle, Augusto Tolle e Voluntários da Pátria. Em 1994, reportagem de O Estado de S. Paulo registrava a expansão de edifícios de alto padrão nas ruas Pedro Doll, Augusto Tolle e Doutor Guilherme Cristoffel como parte do crescimento vertical de Santana. miniaturadaimagem|290x290px|Santa Terezinha e Vila Santana A urbanização não produziu uma paisagem uniforme. Nos arredores da rua Padre Donizetti Tavares de Lima permanecem setores de menor verticalização, com sobrados, casas geminadas, vegetação urbana e pequenas praças. Em contraste, o eixo formado pelas ruas Doutor Guilherme Cristoffel, César Zama, Doutor Luís Lustosa da Silva, Dona Luísa Tolle, Augusto Tolle e Voluntários da Pátria apresenta maior concentração de edifícios residenciais. A coexistência dessas formas de ocupação reflete diferentes etapas do crescimento do bairro, desde o parcelamento das antigas chácaras até a construção de condomínios. A infraestrutura de saúde e educação de Vila Santana está integrada à rede existente nos bairros limítrofes. O principal equipamento associado à sua formação histórica é o Hospital do Mandaqui, instalado na área originalmente reservada para uso sanatorial no loteamento de Guilherme Christoffel.
O acesso por transporte coletivo ocorre principalmente pelas linhas de ônibus que percorrem a rua Voluntários da Pátria e as vias de ligação com o Centro de Santana. A Estação Santana, da Linha 1–Azul do Metrô de São Paulo, atende o setor mais amplo do distrito, embora não esteja localizada no núcleo interno de Vila Santana. A mobilidade do bairro depende, portanto, da conexão entre os eixos viários locais, as linhas de ônibus e o metrô.
Ver também Rua Voluntários da Pátria Alto de Santana Santana (distrito de São Paulo) Santana (bairro de São Paulo)
Categoria:Bairros de Santana (distrito de São Paulo)