Túnel Américo Simas é uma obra de engenharia e via pública localizada em Salvador, município capital do estado brasileiro da Bahia. Sua construção durou 15 anos e foi inaugurado em 1967. É o túnel mais movimentado da cidade. Atravessa a Falha Geológica de Salvador para conectar Cidade Alta e Cidade Baixa, interligando o Porto e o resto do bairro do Comércio e o bairro da Calçada de um lado e, do outro, o Terminal do Aquidabã e o bairro de Nazaré a partir da Avenida Vale de Nazaré (Avenida Presidente Castelo Branco). Assim, trata-se de um marco no processo de modernização urbana, na engenharia e na mobilidade da cidade dada a superação da então "barreira geográfica".
Em seus cerca de 300 metros de extensão estão desenhadas quatro faixas de tráfego em sentido duplo, duas em cada. Além disso, está na área de influência do projeto do Sistema Viário Oeste (SVO), do qual forma parte a Ponte Salvador–Ilha de Itaparica.
História Sua criação tem a ver com o desenvolvimento econômico e urbano da cidade, que tornou as ladeiras insuficientes ao trânsito de veículos terrestres entre os dois planos da cidade, sobretudo pelas pistas sinuosas e estreitas delas, a exemplo da Ladeira da Água Brusca, da Misericórdia, da Montanha, da Preguiça. Para isso, alguns projetos foram anunciados. O primeiro deles, a ideia de 1858 para um túnel entre as Hortas do Carmo e os Coqueiros d’Água de Meninos foi aprovada com modificações pelo Presidente da Província da Bahia em 1866. Com o transporte por bondes na cidade, tanto a empresa Cantanhede & Cia Engenheiros – Empreiteiros quanto a Companhia Trilhos Centrais disputaram pela construção em área similar (entre Fonte dos Padres e Baixa dos Sapateiros). No entanto, em nenhuma das duas oportunidades se concretizou a construção de um túnel.
Assim, dentre várias outras propostas elaboradas, destacou-se a apresentação do engenheiro Américo Furtado de Simas na Semana de Urbanismo de outubro de 1935 de um projeto completo de túnel para circulação entre os dois planos de Salvador. Recebeu inicialmente a denominação de Túnel do Pilar e até que passou a render homenagem a Simas, um dos fundadores da Escola Politécnica da Bahia, para além de ter apresentado aquele projeto em 1935. Com o Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade de Salvador (EPUCS) criado em 1942, a construção foi assumida pela Prefeitura Municipal de Salvador na gestão de (1950-1954) e iniciada em 1952, após formada comissão de engenheiros da Prefeitura. Quintino Steinbeck, membro da comissão, foi em visita técnica à construção do Túnel do Pasmado, no Rio de Janeiro. Dada a magnitude da obra e dificuldades financeiras, foram 15 anos de construção do túnel, perfurando 15 metros de rocha na altura da Rua Direita de Santo Antônio, na Cidade Alta, para alcançar a Avenida Engenheiro Frederico Pontes, na Cidade Baixa. A Prefeitura firmou o segundo contrato para a obra em 1957 com a empresa Comercial Construtora Vitória Ltda. e, dois anos depois, na gestão de Heitor Dias, consultou a Companhia das Docas da Bahia sobre sua colaboração para finalização do túnel. Finalmente, a inauguração foi feita pela gestão de Nelson Oliveira em 30 de janeiro de 1967.
Em 27 de abril de 1971, houve deslizamento de terra no túnel em virtude de chuvas acima da média por três dias seguidos e outras causas geológicas, que resultou no abalo de moradias da Rua Joaquim Távora, danos ao frigorífico da CASEB e interdição temporária do túnel. O já ex-prefeito Gordilho publicou em 1989 um livro dedicado à história dessa obra de engenharia.
Em 2007, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (CREA-BA) apontou problemas na segurança do túnel em função de construções desordenadas, desmatamento irregular, falta de esgotamento sanitário adequado e presença de infiltrações em uma área de falha geológica, que é inerentemente instável, ainda que inativa. Em 2015, foram noticiados problemas na iluminação pública e limpeza urbana do túnel. Em 2018, a terceira edição do estudo “Infraestrutura de Salvador: Prazo de validade vencido”, realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (SINAENCO), classificou o estado de conservação como ruim, dada a falta de manutenção periódica e as colisões de veículos mais altos que o permitidos com o teto do túnel, expondo ferragens do mesmo e sujeitando-as à corrosão. Em 2024, estruturas de ferro estavam expostas no teto do túnel podendo prejudicar veículos altos.
Ver também Lista de túneis na Bahia Via Expressa Baía de Todos os Santos Transportes de Salvador
Bibliografia
Americo Simas Categoria:Infraestrutura de transporte terminada em 1967 Categoria:1967 na Bahia