Na administração, a avaliação de empresas e negócios consiste no processo usado para o apuração do valor de uma determinada entidade, seja ela comercial, industrial, de serviços ou ainda de investimento, que tem como intuito exercer uma actividade económica. A avaliação de empresas também é conhecida como Valuation, que é o seu termo correspondente em inglês.

Existem diversos modelos e variadas técnicas, simples ou mais complexas para o apuramento do valor da empresa, residindo no entanto a complexidade de apuramento sobretudo nos valores subjectivos que revestem a avaliação, pois o valor de uma empresa é em última análise o equilíbrio entre o que o vendedor aceita como preço perante todas as alternativas de que dispõe, e o que o comprador estiver disposto a pagar, que poderá incluir além do valor de mercado esperado, o Goodwill envolvido na aquisição.*

Avaliar significa apurar ou estimar o valor de determinada coisa, assim avaliar é sem dúvida um processo bastante subjectivo, pois depende de um conjunto vário de condicionantes alguns deles deveras subjectivos como por exemplo: as características do avaliador, a finalidade da avaliação (compra, venda, fusão, liquidação, gestão para valorização da empresa)Avaliação de empresas: tudo o que você precisa saber sobre valuation / https://dernegocios.com.br/valuation-avaliacao-de-empresas/, do contexto económico, social e político em que a avaliação é realizada, bem como dos diversos modelos de avaliação existentes.

Objetivos da avaliação de empresas A avaliação pode servir para vários propósitos, cada um com exigências e critérios específicos. Entre os principais:

Compra e venda de empresas: ajuda a definir um preço justo de mercado e sustentar negociações. Fusões e aquisições (M&A): determina a contribuição de cada parte na nova entidade. Captação de investimento: permite justificar o valor da empresa perante investidores (ex. capital de risco, business angels). Planeamento sucessório ou partilhas: especialmente relevante em empresas familiares ou em casos de divórcio. Entrada/saída de sócios: define o valor das quotas ou ações para compensações justas. Reestruturações internas: permite analisar se um segmento do negócio deve ser encerrado, vendido ou expandido. Avaliação para efeitos fiscais ou contabilísticos: como nos casos de reavaliação de ativos, impairment, ou reporte financeiro.

Valor e preço O preço é a expressão numérica do valor de troca, expressão vulgarmente utilizada em economia para reflectir a quantidade de unidade monetária necessária para que se verifique a troca, não se esgotando no entanto a noção de valor neste contexto, como é exemplificado pelo Professor J. Carvalho das Neves no seu livro "Avaliação de Empresas e Negócios" na pag. 4 "um computador com um processador 386 não tem valor de troca; portanto, o seu preço ou valor de troca é nulo. No entanto, tem valor de uso, na medida em que, estando em funcionamento, é utilizado para processar textos e folhas de cálculo, pelo que acrescenta valor". Desta forma, considera-se valor, ao valor de uso do bem, à sua utilidade. O bem pode já não ter valor de troca/mercado, mas ter ainda valor de uso pois permite ainda gerar valor com a sua utilização para além do seu tempo de vida esperado e até após ser já considerado obsoleto. Ao preço, atribui-se a designação de valor (monetário) de troca, valor pelo qual o vendedor está disposto a vender o bem e o comprador está disposto a comprá-lo.

Valor de mercado (esperado) A definição de valor de mercado traduz o valor pelo qual uma empresa poderia ser transaccionada no mercado que seja competitivo e aberto para uma troca justa entre vendedor e comprador, sendo ambos conhecedores do negócio, prudentes e sem urgência em efectuar o negócio, embora interessados e dispondo de alternativas.

Estão envolvidos factores internos à empresa como a qualidade dos seus recursos humanos, produtos e imagem da empresa, assim como factores externos à mesma como são exemplos a concorrência, regulamentação do sector e tendências da economia em geral.

Valor intrínseco ou de rendimento O valor intrínseco ou de rendimento representa uma opinião de valor produzida por um avaliador, baseada na percepção das características inerentes ao investimento, através do método do valor esperado fluxos de caixa actualizados ou dos lucros supranormais.

Não é tomada em consideração a existência de um investidor específico e quando congrega a opinião de todos os investidores, o valor intrínseco acaba por se transformar em valor de mercado.

Um dos métodos preferenciais para a avaliação de empresas de pequena e média dimensão, é o método dos cash – flows descontados. Para além de ser o mais aceite, este método faz a análise da capacidade futura da empresa em gerar riqueza num espaço tempo mínimo de 5 anos. Assim, quanto maior for o seu potencial de gerar valor no futuro, maior será também o valor da empresa.

No Método dos Cash-Flows descontados os ativos fixos e o histórico da empresa são tido em consideração, porém o mais importante são as projeções futuras no que diz respeito ao futuro da empresa e da capacidade da mesma em gerar receitas.

Valor fundamental O valor fundamental é uma perspectiva utilizada no mercado de capitais com o pressuposto de que o valor intrínseco de uma acção pode ser determinado através da avaliação rigorosa de algumas variáveis fundamentais como o lucro, os dividendos, a estrutura financeira, as perspectivas de mercado ou a qualidade da gestão entre outras. Não pressupõe a existência de um investidor/comprador específico.

O valor fundamental é usado para comparação com os preços de cotação e consequente tomada de decisão: Se a cotação estiver acima do valor fundamental, a decisão passa por recomendar a venda. Se a cotação estiver abaixo da do valor fundamental, a decisão passa por recomendar a compra.

Na essência, o valor intrínseco e o valor fundamental têm o mesmo significado.

Valor para o investidor A avaliação de valor para o investidor é efectuada levando em conta nos seus cálculos factores que diferem dos utilizados no valor intrínseco, já que considera variáveis específicas que dizem respeito aquele investidor em particular. Por exemplo, a recente aquisição da Compal pela Sumolis teve com certeza em conta as sinergias que esta aquisição geraria em termos de enriquecimento do seu portfólio, permitindo aumentar a massa crítica dos seus negócios. Estaria pois em posição de atribuir maior valor por esse negócio do que por exemplo uma instituição financeira como a CGD, anterior accionista maioritário.

Valor residual As análises do valor fundamental e do valor intrínseco consistem em dois períodos de vida da empresa: O período de previsão anual O período residual No primeiro período, é projectada a actividade da empresa anualmente para apuramento dos lucros, dividendos e fluxos de caixa anuais. O valor residual refere-se ao valor da empresa no final do período de previsão explícito.

O período residual refere-se ao valor da empresa no final do período previsto

Valor Justo A noção de valor justo é ambígua e de utilizações diversas, pelo que se opta pela designação utilizada pelos International Valuation Standards Council (IVSC), que diz que "o preço, expresso em dinheiro ou equivalente, a que uma propriedade troca de proprietário entre um hipotético e interessado comprador e um hipotético e interessado vendedor, num mercado aberto e sem restrições, sem que nenhum esteja forçado a comprar ou a vender, e em que ambos têm conhecimento razoável dos factos relevantes". Se entendermos propriedade como a empresa, chegamos assim ao valor justo desta.

O IASB lançou recentemente o IFRS 13 que regulamenta a apuração do valor justo internacionalmente, tendo como correspondente no Brasil o CPC 46. Neste consta a definição de valor justo como "o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração." COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS - PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 46 - Mensuração do Valor Justo. Brasília, 2013, p.3.

Valor Percebido (pelo cliente) Valor Percebido é a utilidade dada a determinado produto ou serviço em função da percepção do cliente, e não da posição da empresa no mercado. Tem subjacente o conceito de benefícios incorporados versus o seu custo de aquisição. Para um determinado produto ou serviço gozar de um valor percebido pelo cliente quererá dizer que o cliente reconhece um benefício na oferta da empresa em comparação com os benefícios oferecidos pela concorrência.

(Valor oferta – Preço oferta = Benefícios da Oferta) > (Valor alternativa - Preço alternativa = Benefícios da Alternativa)

Valor de liquidação O valor de liquidação é aquele que a empresa tem caso seja necessário proceder à sua liquidação ou no caso do seu valor de mercado ser inferior ao valor dos activos deduzidos do passivo, tornando-se mais interessante para o investidor.

Este valor tenderá a ser menor quanto maior for a urgência na venda e menor for o poder de decisão do vendedor.

Valor contabilístico ajustado O valor contabilístico ajustado encontra-se após se adicionar, retirar ou diminuir valores ao activo e passivo contabilístico da empresa.

Verificando-se a existência de activos ou passivos não afectos à exploração do negócio, torna-se então necessário fazer alguns ajustamentos para que possamos obter apenas o montante de capital efectivamente empregue nas operações. Seguem-se alguns exemplos de ajustamentos que se podem efectuar:

Imobilizados em Curso – Uma vez que se tratam de activos que ainda não se encontram em exploração e que, como tal, não contribuem ainda para o retorno do negócio estes valores não serão incluídos no CE Operacional; Imobilizados não Afectos à Exploração – No caso de se verificar a existência de imobilizados que não são assignáveis às operações do negócio estes não deverão ser considerados no cálculo do CE Operacional; Activos Operacionais não Reflectidos no Balanço – Sempre que se verifique a existência de activos operacionais que não estejam reflectidos no balanço estes deverão ser adicionados no cálculo do CE Operacional (ex- imobilizados totalmente amortizados geradores de resultado); Investimentos Financeiros – Os investimentos financeiros representam o investimento num negócio, susceptível também ele da necessidade de realização de ajustamentos, e não contribuem para a performance operacional pelo que não serão considerados no CE Operacional. A sua análise será feita ao avaliarmos os negócios que essas participações representam; Goodwill – O Capital Empregue Operacional poderá ser calculado antes e depois de goodwill. Se pretendermos analisar não apenas a forma como o negócio remunera o capital nele investido, mas também um prémio que o accionista tenha pago pela sua aquisição deveremos então incluir o goodwill no cálculo. O goodwill será sempre considerado pelo seu valor bruto no pressuposto de que, sendo um prémio pago pelo accionista, não sofre depreciação. Empréstimos de/a Empresas do Grupo – Os empréstimos de/a empresas do grupo não relacionadas com a actividade operacional do negócio não devem ser consideradas para efeitos do CE Operacional. Clientes/Fornecedores/Outros Devedores/Outros Credores – No caso de se verificarem créditos/débitos não resultantes da actividade operacional estes não serão incluídos no cálculo do CE Operacional (Ex: Relações de maximização da eficiência fiscal, fee’s de gestão de cariz extra operacional); Fornecedores de Imobilizado – Considera-se que os valores em fornecedores de imobilizado estarão relacionados com o imobilizado em curso pelo que não são considerados para efeitos de cálculo do CE Operacional Subsídios ao Investimento – Os subsídios ao investimento, por serem equiparados a uma fonte de financiamento, serão retirados ao passivo circulante.

Valor substancial