Sebastião Monteiro da Vide S.J. (Monforte, Portalegre, bap. 17 de março de 1643 — 1722) foi um religioso português, conhecido por ter sido importante Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil.
Biografia esquerda|miniaturadaimagem|Retrato gravado em «Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia», 1719 Nasceu em Monforte, no Alentejo, onde foi baptizado a 17 de março de 1643. Filho de Domingos Martins da Vide, que tinha a alcunha de “o moço”, e de Beatriz Moutosa, o seu padrinho era o licenciado e presbítero Gaspar Sardinha que, provavelmente com o parente que o batizou, ampararam a aprendizagem das primeiras letras do jovem Sebastião que, desde cedo, terá sido destinado ao clero.
Aos 10 anos, em 14 de junho de 1653, iniciou a vida religiosa na Companhia de Jesus, onde tomou a prima tonsura e as ordens menores no paço episcopal de Portalegre pelas mãos de frei Vivardo de Vasconcelos. Não obstante, também seguiu a carreira militar. Estudou cânones na Universidade de Coimbra, e recebeu as ordens sacras de epístola, evangelho e missa pelo bispo do Funchal D. Gabriel de Almeida, no Colégio Real de São Paulo, em Coimbra, respetivamente, nos dias 28, 29 e 30 de agosto de 1671. Foi ordenado presbítero nesse mesmo dia de 30 de agosto.GOMES, Paulo de Tarso. Fontes primárias da história da educação no Brasil: A primeira edição das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia . Revista HISTEDBR Jun 2008.
A 21 de dezembro de 1701, Sebastião é nomeado bispo pelo Papa Clemente XI, e sagrado como tal pelo arcebispo de Lisboa, D. Luís de Sousa.
Chegou a Salvador da Bahia em 22 de maio de 1702, exercendo o cargo de Arcebispo da Bahia até sua morte em 7 de setembro de 1722. Na sede da arquidiocese organizou em 1707 o Sínodo da Bahia com o objetivo de regular a vida religiosa na colônia. Do encontro saiu um documento — as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia — considerado um dos mais importantes documentos de caráter religioso do Brasil Colônia.
Foi autor do reconhecimento do Santuário do Bom Jesus da Lapa, quando ao receber notícias de que numa gruta do sertão da Bahia habitava um eremita com fama de santidade, chamou-o a Salvador e depois de prepará-lo, ordenou-o sacerdote em 1706 com o nome de padre Francisco da Soledade, nomeando-o capelão do mesmo santuário.
Após a morte do governador D. Sancho de Faro e Sousa, em 1719, exerceu também o governo civil junto a Caetano de Brito e Figueiredo e João de Araújo e Azevedo.
D. Monteiro da Vide foi o responsável pela construção do Palácio do Arcebispado de Salvador ao lado da antiga Sé da cidade. Seu brasão decora o portal de entrada do palácio.
Conheceu a Madre Vitória da Encarnação, monja clarissa do Convento de Santa Clara do Desterro, falecida em 1715, que tinha fama de santidade e da qual foi um grande admirador. Desejando torná-la a primeira santa brasileira, publicou em 1720, em Roma, o livro História da Vida e Morte da Madre Vitória da Encarnação.
Conforme pedia a Igreja, Dom Sebastião esperou que se passassem os cinco anos após a morte da Madre Vitória para solicitar ao Vaticano a abertura de sua causa de beatificação, porém, o mesmo veio a falecer dois anos após a publicação do seu livro. Além disso, outros fatos contribuíram para que a causa não seguisse adiante, como a expulsão do jesuítas de Portugal e Brasil pelo Marquês de Pombal em 1759 e a tentativa de extinguir as muitas obras publicadas pelos religiosos da Companhia de Jesus, dentre elas a biografia da Madre Vitória. Pouquíssimos exemplares foram preservados. Devido ao quase total desaparecimento desta obra a história da religiosa quase foi excluída da memória dos brasileiros, o que fez com que os arcebispos que sucederam Dom Sebastião não conhecessem bem a história da "santa da Bahia" e não investissem na sua canonização. Contudo ainda se espera que sua causa seja retomada e que seja reconhecida oficialmente pela Igreja como a primeira santa brasileira.
Obras
Ver também Arquidiocese de São Salvador da Bahia Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia História da Vida e Morte da Madre Vitória da Encarnação Madre Vitória da Encarnação Francisco da Soledade
Bibliografia Paulo de Tarso Gomes: Fontes primárias da história da educação no Brasil: A primeira edição das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia. Revista HISTEDBR Jun 2008.
Ligações externas
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