miniaturadaimagem|upright=1|Logo da Olimpíada Internacional de Linguística. A Olimpíada Internacional de Linguística (em inglês: International Linguistics Olympiad), ou simplesmente IOL, é uma olimpíada de conhecimento em linguística que ocorre anualmente a nível internacional, em local itinerante, sendo destinada a estudantes do ensino médio de todo o mundo. A sigla "IOL" foi escolhida com o propósito de não refletir a ordem do nome da competição em nenhuma língua específica.
Sua primeira edição ocorreu em 2003, em Borovets, na Bulgária, com a participação de seis países, majoritariamente do Leste Europeu. Desde então, o evento tem crescido e já chegou a contar com a participação de mais de 40 países. O Brasil é representado na competição desde a sua nona edição, de 2011, através da Olimpíada Brasileira de Linguística.
Formato O formato da competição consiste na resolução, individual e em equipes, de problemas linguísticos autossuficientes. Essas questões abrangem as mais diversas áreas da linguística, como fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, linguística histórica, sociolinguística, linguística computacional, pragmática, métodos formais, linguística de corpus, entre outras, e não exigem o conhecimento prévio da língua abordada, somente são necessários conceitos fundamentais do funcionamento de línguas, de cultura geral e de pensamento lógico.
Todos as questões são elaboradas internamente pelo Comitê de Problemas da IOL, e a correção é conduzida pelo Júri Internacional, composto de membros do Comitê de Problemas e de especialistas afiliados. As provas são físicas em papel e não é permitido nenhum tipo de consulta ou comunicação externa
Além da competição, o evento inclui cerimônias formais, atividades culturais, excursões turísticas e oficinas pedagógicas. Isso permite um maior espaçamento entre as provas individual e por equipes, que ocorrem em dias diferentes, e busca fomentar a confraternização entre as delegações.
Línguas de trabalho miniaturadaimagem|upright=1|Problema #4 (Dâw) da IOL Brasília 2024, de autoria do brasileiro João Henrique Oliveira Fontes. Como uma olimpíada internacional, o idioma de cada prova é determinado pela língua materna do participante, de forma a não favorecer certos falantes nativos em detrimento dos outros competidores. A tradução dos problemas é feita por um comitê independente das respectivas delegações internacionais e qualquer língua pode ser solicitada para integrar as línguas de trabalho das provas. Atualmente, a IOL tem as seguintes línguas de trabalho:
Alemão Búlgaro Chinês (simplificado) Chinês (tradicional) Coreano Esloveno Espanhol Estoniano Finlandês Francês Grego Húngaro Inglês Japonês Letão Neerlandês Polonês Português (brasileiro) Romeno Russo Sueco Tailandês Tcheco Turco Ucraniano
Prova individual A prova individual é a primeira das competições, sendo composta por cinco problemas inéditos que devem ser resolvidos em até seis horas, sem pausas.
Prova por equipes A prova por equipes ocorre após a prova individual, em outro dia. Cada equipe, formada por até quatro estudantes de um país ou região, tem entre três a quatro horas para resolver a prova conjuntamente. Desde a segunda edição da olimpíada, a prova por equipes é formada por uma questão única de complexidade e dificuldade elevadas, mas, na primeira edição, de 2003, a prova por equipes foi excepcionalmente composta por três problemas.
História miniaturadaimagem|upright=1|Cartaz da Primeira Olimpíada Tradicional de Linguística e Matemática de Moscou, 1965.
A primeira olimpíada de linguística para alunos do ensino médio foi organizada em 1965 em Moscou, na União Soviética, por iniciativa do estudante de linguística Alfred Zhurinsky sob a orientação do matemático Vladimir Uspensky. Nas décadas subsequentes, a iniciativa se disseminou, primeiro para a Bulgária (1982) e posteriormente para São Petersburgo (Rússia), Tchéquia, Letônia, Estônia e Países Baixos. Esses países foram os participantes da primeira Olimpíada Internacional de Linguística, então chamada de Olimpíada de Linguística Teórica, Matemática e Aplicada, realizada em 2003 em Borovets, na Bulgária.
Atualmente, equipes de mais de 50 países já participaram de pelo menos uma edição da IOL, representando todos os continentes menos a África, onde há iniciativas de criar olimpíadas de linguística nos âmbitos nacionais.
miniaturadaimagem|miniaturadaimagem|upright=1|Países que já integraram a IOL (atualizado em 2025).
Países e territórios que já participaram (Anglófono) (Francófono)
Desde 2017 o Canadá compete com dois times separados, um anglófono e outro francófono.
Edições Borovets 2003 miniaturadaimagem|upright=1|Vista de Borovets em 2015.
A primeira edição da olimpíada foi realizada de 6 a 12 de setembro de 2003 na Bulgária sob organização geral de Iliyana Raeva. A cidade-sede escolhida foi Borovets (em búlgaro: , ), uma vila de esqui histórica e tradicional no país, e a competição ocorreu no Hotel Chamkoria.
Seis países, que são considerados os fundadores da IOL, enviaram delegações para o evento, foram eles: Bulgária (com três equipes); Tchéquia; Estônia; Letônia; Países Baixos; e Rússia (com duas equipes, uma de Moscou e uma de São Petersburgo). No total, a edição teve 33 participantes.
Os problemas da prova individual foram: 1. Álgebra Transcedental de Jacob Linzbach, de autoria de Ksenia Gilyarova; 2. Igualdades aritméticas em árabe egípcio, de autoria de Ivan Derzhanski; 3. Expressões de datas em basco, de autoria de Alexandre Arkhipov; 4. Estruturas de sentenças em adigue, de Yakov Testelets; 5. Prefixos verbais em francês, de Boris Iomdin. Já a prova por equipes teve três problemas e abordou: 1. Relações entre as línguas tocarianas (tocariano A, tocariano B e prototocariano), de autoria de Svetlana Burlak; 2. Uso de índices para a marcação de posse, de autoria de Maria Rubinstein; 3. Verbos performativos, de autoria de Boris Iomdin. Ademais, o Comitê de Problemas foi presidido por Ivan Derzhanski.
O júri concedeu 7 medalhas (3 de ouro, 2 de prata e 2 de bronze), além de 3 troféus para a competição por equipes, 3 troféus para a equipe com a maior média de pontuação e 9 prêmios para as melhores soluções dos problemas. O primeiro lugar da prova individual foi para Alexandra Petrova (Rússia, time de São Petersburgo) e o time com a melhor média de pontuação individual e melhor desempenho na prova por equipes foi dos Países Baixos. +Quadro de medalhas da 1ª IOLOrdemPaís ou territórioProva individualProva por equipesTotal121101172110100330010001
Moscou 2004 miniaturadaimagem|upright=1|Prédio principal da Universidade Estatal Russa para as Humanidades em 2015.
A segunda edição da olimpíada foi realizada de 31 de julho a 2 de agosto de 2004 na Rússia. A cidade-sede escolhida foi Moscou (em russo: , ), capital e maior cidade do país, e a competição ocorreu na Universidade Estatal Russa para as Humanidades (RGGU).
Sete países enviaram delegações para o evento. Em relação à edição anterior, a Polônia e a Sérvia entraram para a competição pela primeira vez, mas a Tchéquia não participou. No total, a edição teve 43 participantes.
Os problemas da prova individual foram: 1. Sintaxe de sentenças polares em kayapó, de autoria de Peter Zubkov; 2. Adequação vocabular em traduções para o inglês, de autoria de Boris Iomdin e Leonid Iomdin; 3. Mudanças fonéticas e reconstrução da pronúncia do latim, de autoria de Svetlana Burlak e Ilya Itkin; 4. Significado de palavras em lakota, de autoria de Ivan Derzhanski; 5. Transitividade e valência em verbos em tchuvache, de autoria de Boris Iomdin. Já o problema em equipe envolvia a escuta, a transcrição e a tradução de um diálogo em armênio. Ademais, o Comitê de Problemas foi presidido por Boris Iomdin.
O júri concedeu 14 medalhas (3 de ouro, 4 de prata e 7 de bronze), além de 3 troféus para a competição por equipes, 3 troféus para a equipe com a maior média de pontuação e 9 prêmios para as melhores soluções dos problemas. O primeiro lugar da prova individual foi para Ivan Dobrev (Bulgária, time 1), a equipe com a melhor média de pontuação individual foi o time 1 da Bulgária e o melhor desempenho na prova por equipes foi do time de São Petersburgo da Rússia. +Quadro de medalhas da 2ª IOLOrdemPaís ou territórioProva individualProva por equipesTotal122000152114100730000101
Leiden 2005 miniaturadaimagem|upright=1|Prédio principal do Centro de Linguística da Universidade de Leiden em 2003. Abaixo do prédio há um mural em escrita lontara.
A terceira edição da olimpíada foi realizada de 8 a 12 de agosto de 2005 nos Países Baixos sob organização geral de Michiel Arnoud Cor de Vann. A cidade-sede escolhida foi Leiden (em neerlandês: , ), onde é localizada a Universidade de Leiden, instituição organizadora da Olimpíada Holandesa de Linguística e local da competição.
Nove países enviaram delegações para o evento. Em relação à edição anterior, a Finlândia e a Romênia entraram para a competição pela primeira vez. No total, a edição teve 50 participantes.
Os problemas da prova individual foram: 1. Sintaxe em tsotsil, de autoria de Boris Iomdin; 2. Semântica em langu, de autoria de Ksenia Gilyarova; 3.Numerais mansi, de autoria de Ivan Derzhanski; 4. Posse em iorubá, de autoria de Ivan Derzhanski; 5. Tônicas em lituano, de autoria de Alexander Lubotsky. Já o problema em equipe envolvia a criação de uma ortografia a partir de frases faladas em figuig, de autoria de Maarten Kossmann e Alexander Lubotsky. Ademais, o Comitê de Problemas foi presidido por Ksenia Gilyarova.
O júri concedeu 6 medalhas (1 de ouro, 1 de prata e 4 de bronze), além de 9 menções honrosas, 3 troféus para equipes, 3 troféus para as equipes com a maior média de pontuação e 8 prêmios para as melhores soluções dos problemas. O primeiro lugar da prova individual foi para Ivan Dobrev (Bulgária, time 1), a equipe com a melhor média de pontuação individual foi o time 1 da Bulgária e o melhor desempenho na prova por equipes foi do time 1 dos Países Baixos. +Quadro de medalhas da 3ª IOLOrdemPaís ou territórioProva individualProva por equipesTotal110200142000100130120115
Tartu 2006 miniaturadaimagem|upright=1|Prédio principal da Universidade de Tartu em 2022.
A quarta edição da olimpíada foi realizada de 1 a 6 de agosto de 2006 na Estônia sob organização geral de Renate Pajusalu. A cidade-sede escolhida foi Tartu (em estoniano: , ), segunda maior cidade do país, e a competição ocorreu na Universidade de Tartu (UT).
Nove países enviaram delegações para o evento. Em relação à edição anterior, a Lituânia entrou para a competição pela primeira vez, mas a Romênia não participou. No total, a edição teve 51 participantes.
Os problemas da prova individual foram: 1. Coordenação em sentenças lakota, de autoria de Pyotr Arkadiev; 2. Substantivos plurais em catalão, de autoria de Boris Iomdin; 3. "Escrita redonda" do alfabeto khmer, de autoria de Sergey Dmitrenko; 4. Posse em udihe, de autoria de Boris Iomdin; 5. Sentenças em ngoni, de autoria de Olga Fyodorova. Já o problema em equipe envolvia a descrição do vocabulário e da gramática da língua de sinais americana (ASL). Ademais, o Comitê de Problemas foi presidido por Alexander S. Berdičevskis.
O júri concedeu 13 medalhas (3 de ouro, 6 de prata e 4 de bronze), além de 2 menções honrosas, 3 troféus para equipes, 3 troféus para as equipes com a maior média de pontuação e 6 prêmios para as melhores soluções dos problemas. O primeiro lugar da prova individual foi para Maria Kholodilova (Rússia, time de São Petersburgo), a equipe com a melhor média de pontuação individual foi o time 1 da Bulgária e o melhor desempenho na prova por equipes foi do time 2 da Bulgária. +Quadro de medalhas da 4ª IOLOrdemPaís ou territórioProva individualProva por equipesTotal123010062132000630000101
São Petersburgo 2007