miniatura|Um gato usa habilidades de resolução de problemas para abrir uma porta.

Inteligência dos gatos refere-se à capacidade do gato de resolver problemas, adaptar-se ao ambiente, aprender novos comportamentos e comunicar suas necessidades. Estruturalmente, o cérebro do gato apresenta semelhanças com o cérebro humano, contendo cerca de 250 milhões de neurônios no córtex cerebral, região responsável por processos complexos. Gatos apresentam neuroplasticidade, o que permite que o cérebro se reorganize com base em experiências. Também possuem memória bem desenvolvida, podendo reter informações por uma década ou mais. Essas lembranças frequentemente estão associadas a emoções, permitindo que gatos recordem experiências positivas e negativas ligadas a lugares específicos. Embora se destaquem na aprendizagem observacional e na resolução de problemas, estudos concluem que eles têm dificuldade em compreender relações de causa e efeito da mesma maneira que os seres humanos.

O estudo da inteligência dos gatos concentra-se principalmente nos gatos domésticos. A vida em ambientes urbanos expôs esses animais a desafios que exigem comportamentos adaptativos, contribuindo para seu desenvolvimento cognitivo. A reprodução seletiva e alterações genéticas também influenciaram sua inteligência. Filhotes aprendem habilidades essenciais de sobrevivência observando suas mães, enquanto gatos adultos refinam suas capacidades por meio de tentativa e erro.

Contexto histórico As primeiras pesquisas sobre a inteligência dos gatos remontam ao fim do século XIX e ao início do século XX, quando psicólogos como Edward Thorndike usaram caixas-problema para estudar a aprendizagem animal. Os experimentos de Thorndike demonstraram que gatos eram capazes de aprender a manipular alavancas e trincos por tentativa e erro, revelando, assim, sua capacidade de aprendizagem associativa. Com o tempo, experimentos mais refinados passaram a examinar outros aspectos da cognição, incluindo percepção espacial, memória e estratégias de resolução de problemas.

Em experimentos controlados, gatos demonstraram conceitos plenamente desenvolvidos de permanência do objeto, indicando que sua inteligência sensório-motora é completa. Em contraste, bebês humanos são testados com múltiplos deslocamentos invisíveis de um objeto para avaliar o surgimento da representação mental durante o sexto e último estágio da inteligência sensório-motora. O comportamento de busca dos gatos nessas tarefas foi consistente com a capacidade de representar um objeto não percebido sensorialmente e refletiu inteligência sensório-motora plenamente desenvolvida.

Em 2009, foi realizado um experimento no qual gatos podiam puxar um cordão para obter um petisco localizado sob uma tela plástica. Quando havia apenas um cordão, os gatos obtinham o petisco com facilidade; no entanto, quando vários cordões eram apresentados — alguns dos quais não estavam conectados a petiscos —, os gatos não conseguiam escolher consistentemente o cordão correto. Essa descoberta levou à conclusão de que gatos não compreendem causa e efeito da mesma forma que os seres humanos.

Habilidades cognitivas Em felídeos selvagens, como os leões, pressões seletivas demonstraram que esses animais exibem ampla memória de longo prazo em relação à resolução de problemas por pelo menos sete meses após a solução. Entretanto, relações com seres humanos, diferenças individuais de inteligência e idade podem afetar a memória. Gatos possuem capacidades notáveis de memória de longo prazo, retendo lembranças de eventos e locais por uma década ou mais. Essas memórias frequentemente estão ligadas a emoções, permitindo que gatos recordem experiências positivas e negativas associadas a determinados lugares. Essa capacidade de adaptar as lembranças de ambientes passados ao longo da vida permite que os gatos se ajustem com facilidade ao ambiente atual.Stock, Judith A. Pet Place. 1 de janeiro de 2011. Web. 24 de março de 2011.Pawprints and Purrs. Cat Health. 11 de outubro de 2010. Web. 24 de março de 2011.

O período em que o gato ainda é filhote é a fase em que ele aprende e memoriza habilidades de sobrevivência, adquiridas por meio da observação da mãe e das brincadeiras com outros gatos. A brincadeira, de fato, é mais do que uma forma de diversão para o filhote: ela é essencial para estabelecer a hierarquia social, desenvolver habilidades de caça e, em geral, exercitar comportamentos próprios da vida adulta.

Quanto mais velho o gato, maior pode ser o efeito dessas mudanças sobre sua memória. Não há estudos específicos sobre a memória de gatos idosos, mas existe a hipótese de que, assim como ocorre em seres humanos, a memória de curto prazo seja mais afetada pelo envelhecimento. Em um teste sobre onde encontrar alimento, a memória de curto prazo dos gatos durou cerca de 16 horas.

Cérebro felino O cérebro do gato doméstico mede aproximadamente cinco centímetros de comprimento e pesa entre 25 e 30 gramas. Em um gato típico, com cerca de 60 centímetros de comprimento e aproximadamente 3,3 quilogramas de peso, isso corresponde a cerca de 0,91% de sua massa corporal total, em comparação com cerca de 2,33% em um ser humano médio. Segundo o estudo de Jerison de 1973 sobre o quociente de encefalização (QE) — que classifica valores acima de 1 como associados a cérebros relativamente grandes e valores abaixo de 1 como associados a cérebros relativamente pequenos —, o gato doméstico tem QE entre 1 e 1,71, ao passo que os valores humanos ficam entre 7,44 e 7,8.

Os maiores cérebros da família Felidae são os dos tigres de Java e Bali. É debatido se existe uma relação causal entre tamanho cerebral e inteligência em vertebrados. A maior parte dos experimentos que analisam a relevância do tamanho do cérebro para a inteligência parte da suposição de que comportamentos complexos exigem um cérebro complexo — e, portanto, inteligente —; no entanto, essa relação não foi demonstrada de forma consistente.

A área de superfície do córtex cerebral de um gato é de aproximadamente 83 cm²; além disso, um gato teórico com 2,5 kg teria um cerebelo de 5,3 g, equivalente a 0,17% do peso total. De acordo com pesquisadores da Tufts University School of Veterinary Medicine, a estrutura física dos cérebros de humanos e gatos é muito semelhante. Humanos e gatos têm lobos cerebrais semelhantes em seu córtex cerebral.

Estima-se que o número de neurônios corticais no cérebro do gato seja de 203 milhões. Verificou-se que a área 17 do córtex visual contém cerca de 51.400 neurônios por mm³. A área 17 é o córtex visual primário. Cérebros felinos são girencefálicos, isto é, apresentam dobramentos superficiais, como os cérebros humanos.

Análises de cérebros de gatos mostraram que eles são divididos em várias áreas com tarefas especializadas, altamente interconectadas, que compartilham informações sensoriais em uma espécie de rede de distribuição em centros e raios, com grande número de centros especializados e muitas vias alternativas entre eles. Essa troca de informações sensoriais permite que o cérebro construa uma percepção complexa do mundo real e reaja ao ambiente, bem como o manipule.

O tálamo do gato inclui o hipotálamo, o epitálamo, o núcleo geniculado lateral e outras estruturas nucleares secundárias. O cérebro do gato doméstico também contém o hipocampo, a amígdala, lobos frontais — que compreendem de 3% a 3,5% do cérebro total em gatos, em comparação com cerca de 25% em humanos —, corpo caloso, comissura anterior, glândula pineal, núcleo caudado, núcleos septais e mesencéfalo.

Grouse et al. (1979) verificaram a neuroplasticidade no cérebro de filhotes de gato em relação ao controle de estímulos visuais, correlacionada a mudanças em estruturas de RNA. Em estudo posterior, constatou-se que gatos possuem memória de reconhecimento visual e flexibilidade de codificação cerebral a partir de informações visuais.

Dieta

Uma dieta de suporte cognitivo para felinos é um alimento formulado com o objetivo de melhorar processos mentais como atenção, memória de curto e longo prazo, aprendizagem e resolução de problemas. Atualmente, não há evidência robusta de que essas dietas sejam eficazes na melhora da função cognitiva. Alegações de suporte cognitivo aparecem em algumas formulações para filhotes, voltadas ao desenvolvimento cerebral, bem como em dietas destinadas a gatos idosos, com o objetivo de ajudar a prevenir distúrbios cognitivos. Essas dietas normalmente buscam fornecer ácidos graxos ômega-3, ômega-6, taurina, vitaminas e outros suplementos considerados benéficos para a cognição.

Os ácidos graxos ômega-3 são nutrientes importantes para a cognição felina. Eles são essenciais para os gatos, pois não podem ser sintetizados naturalmente em quantidade adequada e precisam ser obtidos pela dieta. Entre os ácidos graxos ômega-3 que dão suporte ao desenvolvimento e ao funcionamento cerebral estão o ácido alfa-linolênico, o ácido docosa-hexaenoico (DHA) e o ácido eicosapentaenoico (EPA). Óleos de peixe, peixes e outras fontes marinhas fornecem uma fonte muito rica de DHA e EPA. O ácido alfa-linolênico pode ser obtido a partir de óleos e sementes.

Ácidos graxos ômega-6 também são frequentemente incluídos em dietas voltadas à cognição felina. O principal ácido graxo ômega-6 envolvido no suporte cerebral e na cognição é o ácido araquidônico. O ácido araquidônico, ou AA, é encontrado em fontes animais, como carne e ovos. O AA é necessário na dieta dos gatos, pois felinos convertem quantidades insignificantes dele a partir do ácido linoleico, devido à atividade limitada da enzima delta-6-dessaturase. Assim como o DHA, o ácido araquidônico é frequentemente encontrado nos tecidos cerebrais dos gatos e parece exercer papel de suporte na função cerebral. Em um estudo de 2000 realizado por Contreras et al., verificou-se que DHA e AA compunham 20% dos ácidos graxos no cérebro de mamíferos. O ácido araquidônico compõe altas proporções da membrana da maioria das células e tem diversas ações pró-inflamatórias.

A taurina é um aminoácido essencial na dieta dos gatos, devido à baixa capacidade desses animais de sintetizá-la. A taurina é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e participa de muitas funções neurológicas no cérebro, especialmente no desenvolvimento visual. Sem taurina, felinos podem apresentar morfologia anormal no cerebelo e no córtex visual. Quando gatos foram alimentados com dieta deficiente em taurina, houve redução da concentração de taurina na retina. Isso resultou na deterioração dos fotorreceptores, seguida de cegueira completa.

A colina é um nutriente hidrossolúvel que previne e melhora a epilepsia em animais e distúrbios cognitivos. A suplementação é parte da terapia para gatos com convulsões e disfunção cognitiva felina, embora esse tratamento se baseie principalmente em evidências anedóticas e em pesquisas realizadas com cães. A colina é precursora de substâncias nervosas como dopamina e acetilcolina, sendo importante para o funcionamento adequado do sistema nervoso.

Capacidades de aprendizagem

Edward Thorndike conduziu alguns experimentos importantes sobre a capacidade de aprendizagem dos gatos. Em um de seus experimentos, gatos foram colocados em diferentes caixas de aproximadamente 51 × 38 × 30 cm, com uma porta que era aberta ao puxar um peso preso a ela. Observou-se que os gatos se libertavam das caixas por "tentativa e erro com sucesso acidental". Embora os gatos ocasionalmente apresentassem desempenho inferior, Thorndike constatou, de modo geral, que, à medida que repetiam as tentativas, o tempo necessário para escapar das caixas diminuía na maioria dos casos.