Porto Cabeças () é um município da Região Autónoma do Atlântico Norte (RAAN) na Nicarágua, se localiza no litoral do Caribe nicaraguense, entre as coordenadas 14 graus 03' latitude norte e los 83 graus 22' longitude oeste. Bilui (Bilwi) é sua sede municipal e onde fica o Governo Regional Autônomo da Costa Caribe Norte (GRACCN) segundo a Reforma à Ley Nº 59 que trata sobre a divisão política e administrativa da República da Nicarágua, aprovada no dia 21 de junho de 1996. Muitas vezes se denomina esta cidade com o nome de Porto Cabeças, o que é errado, já que seu verdadeiro nome é Bilui e dista 560 km da cidade de Manágua, capital do país.
Geografia O território municipal limita:
ao Norte com o município de Waspán, ao Sul com o de Prinzapolka, ao Leste com o Mar do Caribe, e ao Oeste com os municípios de Rosita e Waspán. O município é uma vasta planície composta por sedimentos terciários. A planície apresenta um relevo uniforme, sem acidentes topográficos relevantes. Apresenta uma linha costeira onde há amplias zonas pantanosas submetidas a inundações. A zona é atravessada por numerosos rios e lagoas. Natureza e Clima O município tem um clima tropical úmido ainda que com variações dependendo da altitude. A temperatura normalmente está entre os 24 e os 30 °C com uma média de 26,9 °C, com uma média anual de precipitação de 3.000 mm.
Localidades O município é composto por 22 bairros na zona urbana e 63 comunidades na zona rural, distribuídas em 4 setores: Área urbana de Bilui, com 22 bairros. Setor Llano Sul: com 18 comunidades. Setor Llano Norte: com 16 comunidades. Setor Litoral Sul: com 16 comunidades. Setor Litoral Norte: com 13 comunidades.
Economia A produção agrícola é dedicada basicamente ao autoconsumo e à venda no mercado local de Bilui. A extração de madeira é outra das atividades fundamentais no município, ainda que a porcentagem das utilidades que fica no local é mínima. O setor pesqueiro ocupa um lugar privilegiado na atividade econômica, existindo um grande número de indústrias que se dedicam à pesca, processamento e comercialização dos recursos da fauna marinha entre os que destacam os mariscos. A pesca artesanal é levada a cabo pelos habitantes da costa. O município é também conhecido pelo seu porto, um dos mais importantes do Caribe nicaraguense, impulsionando um intercâmbio comercial na zona por meio de exportações e importações.
Cultura e religião O idioma oficial do país é o espanhol, também são reconhecidos como oficiais para as Regiões Autônomas os idiomas Inglês crioulo nicaraguense (Nicaraguan Creole English), miskito, sumu ou sumo, garífuna e rama. A etnia misquito ou miskito -que incluem os zambos- é majoritária no município, professa a religião morávia, ainda que existem grupos pequenos que pertencem a outras igrejas evangélicas. Os afrodescendentes se distribuem na religião morávia, adventista, anglicana e batista; enquanto que, os mestiços são católicos. Cada etnia celebra os eventos próprios da sua cultura, cada uma delas conforme a tradições culturais e características históricas; assim vemos festas especiais das etnias como as celebrações miskitas que os ajuda a preservar a memoria e cultura de seus antepassados. Todos os povoadores do município coincidem na identidade nacional e regional durante a celebração anual da Autonomia, aprovada em Lei pela Assembleia Nacional da Nicarágua em setembro de 1987.
História Se bem a cidade significa muda de cobra com origem no sumu ou mayangna, povos que tradicionalmente habitavam na área dos atuais departamentos de Matagalpa e Jinotega mas que foram obrigados a emigrar até o leste pelos conquistadores espanhóis onde entraram em conflito com os miskitos. Estes tiveram o apoio dos ingleses no século XVII para surgir como etnia dominante em boa parte do território pertencentes a estes; assim como nos pertencentes aos ulwas e ramas.
Apesar de que o próprio Cristóvão Colombo pisou em terra no Cabo Gracias a Dios, na desembocadura do rio Coco, não muito longe de Bilui, a cidade em si não foi fundada senão até o século XIX com a chegada de missionárioss morávios procedentes da vila de Herrnhut na Alemanha. A exploração florestal e o cultivo da banana ajudaram o crescimento da cidade.
Mediante o Tratado Altamirano-Harrison do dia 19 de abril de 1905, Grã-Bretanha reconheceu a soberania absoluta da Nicarágua sobre a Reserva Mosquitia, ficando desde então oficialmente incorporada ao resto do país como Departamento de Zelaya e a cidade recebeu o nome de "Porto Cabeças".
Durante a guerra da Contra, a população cresceu de 5.000 a 30.000 habitantes devido a sua importância militar e à política de fomento da colonização que propiciou o governo revolucionário sandinista. O porto foi um importante ponto de chegada para a ajuda militar de Cuba e da União Soviética para o Exército Popular Sandinista (EPS).
Bilui foi afetada pelo Furacão Félix, o qual, com categoria 5, causou destruição nas casas de madeira na terça-feira dia 4 de setembro de 2007 e arrasou 70% do local. A sede principal da Universidade das Regiões Autônomas da Costa do Caribe da Nicarágua (URACCAN), a pouca distância da cidade a qual servia de refúgio à gente, também foi destruída pelos fortes ventos do Félix, assim como o teto da Paróquia católica "San Pedro Apóstol" e várias escolas foram danificadas perdendo seus arquivos.
Educação Universidade das Regiões Autônomas da Costa Caribe Nicaraguense (URACCAN) Bluefields Indian and Caribbean University (BICU)
Bibliografia
Ligações externas Portal da cidade História da cidade Página da universidade URACCAN
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