O Campeonato Catarinense de Futebol, também conhecido como Campeonato Catarinense, é a principal competição de futebol do estado de Santa Catarina, no Brasil. É por meio dela que são indicados os representantes catarinenses para as competições nacionais. É organizado pela Federação Catarinense de Futebol, responsável pelo futebol profissional no estado.
O campeonato é disputado desde 1924 e é considerado um dos mais equilibrados do país. Nos últimos 96 anos (desde 1924), a Série A não teve campeão definido em dois anos. Em 1933 o torneio não foi concluído e em 1946 o torneio não foi realizado.
Uma das características históricas do Campeonato Catarinense foi a falta de uma padronização no sistema de disputa, que muda a cada ano, assim como as regras e o número de participantes. A competição já contou com a participação de 130 clubes ao longo da sua história. A maioria destes clubes estão desativados nos dias atuais.
Desde 1972, o campeonato é dominado pelos cinco grandes – Avaí, Chapecoense, Criciúma, Figueirense e Joinville – que ganharam todos os campeonatos desde então, exceto as edições de 1992, 2022 e 2026. Todas as finais foram disputadas entre os cinco grandes, exceto em dezesseis ocasiões.NDMAIS - EA Sports confirma os cinco grandes clubes de Santa Catarina no jogo FIFA 17, página editada em 1 de setembro de 2016 e disponível em 18 de fevereiro de 2024.POLIDORO JUNIOR - Fora os 5 grandes de SC o Metropolitano de Blumenau é quem melhor pontua no Ranking da CBF, página editada em 13 de dezembro de 2016 e disponível em 18 de fevereiro de 2024.Globoesporte.com - Cinco grandes dividem a primeira rodada do Catarinense, página editada em 2 de fevereiro de 2015 e disponível em 18 de fevereiro de 2024.
O Avaí foi o vencedor da primeira edição da competição e também é o maior campeão com 19 títulos. Em seguida temos o Figueirense, com 18 títulos de campeão, o Joinville e o Criciúma Esporte Clube com 12 títulos e a Chapecoense com 7 títulos. Esses cinco clubes são responsáveis por boa parte das conquistas do Campeonato Catarinense, a rivalidade entre eles está marcada na história desta competição. Ao todo, vinte e três clubes já foram campeões da competição, doze campeões por mais de uma vez, de onze cidades diferentes.
Atualmente, a Série A é disputado por 12 equipes e normalmente realizado entre os meses de janeiro e meados de maio. No Ranking Nacional das Federações, Santa Catarina aparece na quinta colocação entre os 27 estados da federação. Tal colocação, possibilita que a Federação Catarinense de Futebol distribua três vagas para a Copa do Brasil e três vagas para a Série D do Campeonato Brasileiro, geralmente distribuídas aos melhores colocados do Campeonato Catarinense.
História A história do futebol de Santa Catarina traz consigo grandes momentos protagonizados por tradicionais clubes e clássicos municipais que foram surgindo nos maiores centros do estado. Estes jogos entre equipes da mesma cidade se tornaram grandes clássicos, que ganharam reconhecimento e fama ao longo dos tempos pelo ótimo nível das equipes. No Norte, em Joinville, América vs. Caxias, no Vale do Itajaí em Blumenau, Olímpico vs. Palmeiras, em Itajaí, Almirante Barroso vs. Marcílio Dias, em Brusque, Paysandu vs. Carlos Renaux. Seguindo para o Sul, em Criciúma, com Próspera, Metropol e Comerciário. No litoral Sul, em Tubarão, Ferroviário vs. Hercílio Luz, no Planalto Serrano, nas cores do Internacional de Lages, no Oeste, em Chapecó, com a .
Primeiros anos (1924–1929) thumb|direita|200px|Equipe do Caxias, de Joinville, campeão do Campeonato Catarinense de 1929
Fundada em 12 de abril de 1924 com o nome de Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres, a história da regulamentação do futebol em Santa Catarina começou na Rua Esteves Júnior, no centro da capital, no Gymnasio Catharinense, atual Colégio Catarinense, berço da educação e da prática desportiva, onde se reuniram os representantes dos clubes Atlético Florianópolis, Figueirense, Internato, Trabalhista e Avaí, para registrar a ata de fundação da atual, Federação Catarinense de Futebol.
No princípio, a entidade organizava campeonatos das modalidades de atletismo, tiro ao alvo e também de futebol. O primeiro presidente da então Liga Santa Catharina de Desportos Terrestres foi Luiz Alves de Souza (1924–1927). Mais tarde, já em 1927, a entidade teve seu nome modificado para Federação Catarinense de Desportos. Com a consolidação do futebol como o esporte das multidões e com evolução das demais modalidades de práticas esportivas e a consequente criação de entidades regulamentadoras específicas para cada uma, em 1951 a Federação Catarinense de Desportos tornou-se a Federação Catarinense de Futebol.
No ano de 1927, os clubes do interior se interessaram em filiar-se a FCD, como o Brasil Football Club (atual Blumenau EC) e o América, de Joinville. O Avaí campeão da FCD teve que colocar o título em jogo contra o campeão do interior. O América desistiu de filiar-se e o jogo programado para decisão do interior entre Brasil e América não aconteceu, assim, a FCD decidiu homologar o título de campeão do interior ao Brasil Football Club.
Nesta década, foram disputados seis edições da competição. O Avaí foi o maior campeão da década com quatro conquistas (1924, 1926, 1927 e 1928), sendo três delas de forma consecutivas. O Externato conquistou a edição de 1925 e o Caxias, de Joinville, em 1929, sendo este o primeiro campeão do interior. Destaca-se também o Brasil Football Club, vice-campeão em 1927 e 1928.
Domínio da capital e o primeiro título de Itajaí (1930–1939)
Na década de 1930, começa a surgir os clubes clássicos em Santa Catarina, mas que hoje em dia grande parte estão desativados. Também foi uma década de domínio da capital. Avaí, Figueirense e Atlético Catarinense conquistaram sete das dez edições. Desta vez, o Figueirense foi o maior campeão da década com cinco conquistas (1932, 1935, 1936, 1937 e 1939), sendo três destas de forma consecutivas.
O primeiro título de Itajaí aconteceu na edição de 1931, que terminou apenas no dia 31 de janeiro de 1932. A final seria contra o Atlético Catarinense, da capital. Seria, porque o time de Florianópolis não apareceu. A equipe ficou irritada porque a partida decisiva foi adiada em uma semana. A diretoria do Atlético, que já não estava em sintonia com a Federação Catarinense de Desportos, resolveu não aparecer e o Lauro Müller venceu por WO. O Atlético acabou punido e o Caxias foi considerado o vice-campeão.
Em agosto de 1935, os clubes de Joinville formaram a Associação Catarinense de Desportos (ACD) e realizaram o seu próprio campeonato estadual com América, Caxias, Cruzeiro, Grêmio, Glória e São Luiz. Isso porque o interior não estava satisfeito com a Federação Catarinense de Desportos (FCD hoje FCF). As principais reclamações eram que as equipes da capital eram beneficiadas nas competições estaduais. Disputando entre si os títulos ou sendo ajudadas pela arbitragem. A indignação já era grande antes de 1934, mas após o título homologado do Atlético Catarinense – em um campeonato sem os times de Joinville –, as equipes do interior se organizaram e criaram a ACD. Ambas as entidades tinham um objetivo idêntico: organizar o "verdadeiro" Campeonato Catarinense. A Federação Catarinense de Desportos tinha acabado de se recuperar financeiramente de uma grave crise que fez o estadual de 1933 ser cancelado e no ano que volta a ativa perdia os times do interior. A nova liga confirmou sua legitimidade junto a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e representou Santa Catarina no Campeonato Brasileiro de Seleções, o que não mudou a rotina de derrotas do estado. O primeiro campeão da ACD foi o Caxias, que no ano seguinte levou mais uma taça. No último ano da disputa do interior o título ficou com o Ypiranga, de São Francisco do Sul. Somente em 1937 a ACD se filiou a FCD, tendo seus campeonatos de 1935 e 1936 reconhecidos como citadinos e não estaduais. Em 13 de Janeiro de 1942, a ACD mudou o nome para Liga Joinvilense de Futebol (LJF).
No dia 16 de abril de 1939, um time de Itajaí conquistava pela segunda vez o título do Campeonato Catarinense de Futebol (a edição era a do ano anterior). O CIP, sigla para Companhia Itajaiense de Phósforos Foot-ball Club. Depois de eliminar o Avaí na semifinal, o CIP enfrentou o Atlético São Francisco, de São Francisco do Sul, que bateu o Caxias, de Joinville. A vitória por 2–0 fez com que os itajaienses levassem o troféu. Segundo um jornal da época, os atletas foram elogiados “pela exuberância e energia com que souberam batalhar ante a agressividade brutal dos adversários”. Foi a primeira e última participação do CIP no estadual. O time encerrou as atividades em 1944.
O interior surge ao futebol catarinense (1940–1949)
A partir de meados da década de 1940, o interior catarinense se tornou hegemônico, equipes de fora da capital se adequaram mais rapidamente à realidade do profissionalismo, caso clássico do Olímpico e do América, ambos campeões catarinense. Desde então, começa surgir a força do interior catarinense. Contudo, entre as dez edições disputadas, cinco foram vencidas pelas equipes de Florianópolis. Assim como na década de 1920, destaca-se o Avaí com quatro conquistas.
A decisão do estadual de 1942, teve como finalistas o América e o Avaí. Porém, o jogo final nunca aconteceu e o Leão da Ilha ficou com a taça por conta de um decreto. Os jogadores do time joinvilense foram impedidos de jogar pelo batalhão do exército para a partida decisiva porque o América tinha no elenco atletas que faziam partida do 13º Batalhão de Caçadores. Assim, o time do Norte do estado tentou realizar a partida em outra data, ou mesmo em Joinville — onde os jogadores que serviam o exército poderiam jogar —, mas a FCF não cedeu e decretou o Avaí campeão.
A edição de 1946, não foi disputada, pois a Federação Catarinense de Desportos foi suspensa pela Confederação Brasileira de Desportos, por recusar-se a jogar com sua seleção estadual em Curitiba, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. A Federação Catarinense ficou impedida de realizar competições oficiais pelo período de um ano. Antes de concluir a pena, houve o perdão da Confederação Brasileira, mas não havia tempo hábil para as disputas do campeonato estadual. A grande reclamação dos catarinenses foi que o árbitro anulou um gol legítimo de Saulzinho.
Domínio do interior (1950–1959) Na edição de 1950, o Carlos Renaux conquistou o seu primeiro Campeonato Catarinense. Com a final disputada em dois jogos contra o Figueirense, o Carlos Renaux ganhou as duas partidas por 1–0, a primeira no dia 27 de maio de 1951 no Estádio Cônsul Carlos Renaux, em Brusque. O juiz da partida foi Artur Paulo Lange de Santa Catarina. A segunda partida ocorreu no dia 3 de junho de 1951 no Estádio Adolfo Konder, em Florianópolis. O juiz da partida foi Manoel Machado, do Rio de Janeiro.
Dois anos depois, na edição de 1953, o Carlos Renaux caiu na fase qualificatória contra o União de Ibirama, e aplicou logo de cara duas goleadas históricas, 9–3 e 7–2. Nas quartas de final outra goleada histórica, 7–1 em cima do Cruzeiro. O placar foi tão elástico que a equipe do Cruzeiro decidiu não comparecer ao jogo de volta. Nas semifinais outra goleada, 6–2 sobre o Baependi, e com mais 2–0 no jogo de volta a equipe se classificou para a final. A final foi contra o América, e após duas vitórias apertadas, 4–3 e 3–2, o Carlos Renaux conquistou o título de forma invicta pela segunda vez em sua história. Com isso se tornou bicampeão catarinense.