Lysias Augusto Cerqueira Rodrigues (São Paulo, 23 de junho de 1896 — Rio de Janeiro, 21 de maio de 1957) foi um major-brigadeiro do ar da Força Aérea Brasileira, piloto militar, engenheiro, historiador, escritor, pesquisador, desbravador e pioneiro da aviação civil e militar brasileira.

Biografia Lysias Augusto Cerqueira Rodrigues nasceu na cidade de São Paulo, em 23 de junho de 1896. Era filho de Nicolau Augusto Rodrigues e Júnia Cerqueira Leite Rodrigues. Era irmão do engenheiro Philúvio Cerqueira Rodrigues, do médico Nahor Rodrigues e de Lahir Rodrigues (falecido aos 18 anos). Seu pai foi um notório jornalista carioca, que atuou por muitos anos em O Jornal. Ficou órfão de mãe aos seis anos de idade.

Em maio de 1913 ingressou na Escola Naval da Marinha Brasileira. Em dezembro de 1914, após concluir o primeiro ano do curso, pediu baixa da Escola.

Em 1915 tentou a Escola Politécnica do Rio de Janeiro, sendo classificado na lista da turma suplementar. Após cumprir o primeiro ano do curso pediu desligamento da Escola.

Em 23 de março de 1916 ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, tendo sido declarado aspirante-a-oficial na arma da artilharia em 17 de dezembro de 1918.

Desde o período da Escola Militar já era dedicado à aviação, realizando cursos e treinamentos, inclusive com algumas experiências em Raids entre o Rio de Janeiro e São Paulo junto a outros aviadores.

Em 30 de dezembro de 1919 foi promovido a 2º tenente.

Em 5 de janeiro de 1921 foi promovido a 1º tenente. Ainda naquele ano realizou na Escola de Aviação Militar no Campo dos Afonsos o curso de observação aérea na primeira turma, ao lado de outros ilustres, como capitão Newton Braga, dos tenentes Eduardo Gomes, Ivo Borges Leal, Amílcar Velloso Pederneiras, Gervásio Duncan de Lima Rodrigues, Ajalmar Vieira Mascarenhas, Sylvino Elvidio Bezerra Cavalcante, Plínio Paes Barreto e Carlos Saldanha da Gama Chevalier.

Em 1921 conquistou recorde de altitude em voo com passageiro, voando a mais de 6 mil metros.

Em 1922 serviu no 4º Grupo Independente de Artilharia Pesada (GIAP) de Uberaba e mais tarde no 1º GIAP de Itaguay.

Em agosto de 1922 serviu como observador na 3ª esquadrilha de observadores em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Em 17 de setembro de 1924 foi promovido a capitão. Na Revolução de 1924 combateu ao lado das forças governistas, integrado no destacamento comandado pelo coronel Christiano Klingelhoefer.

Em 1925 serviu no 4º Regimento de Artilharia Montada (RAM) de Itu; e também no 2º Grupo de Artilharia Montanha (GAM) de Jundiaí. No ano seguinte foi nomeado chefe do serviço de informações da Escola de Aviação Militar.

Em 26 de janeiro de 1927 foi declarado piloto aviador militar. Naquele ano comandou esquadrilha de bombardeiros de Alegrete, no Rio Grande do Sul.

Em março de 1927 anunciou o plano de um Raid junto com o piloto Aroldo Leitão, visando à travessia pioneira do oceano Atlântico por meio de voo direto, pela rota Santos-Lisboa-Genova. Para tanto, em 27 de julho daquele ano adquiriu o brevet internacional, após curso na mesma turma dos tenentes Floriano Peixoto da Fontoura Neves, Godofredo Vidal, Francisco de Assis Corrêa de Mello e do aspirante João Egon Prates da Cunha Pinto. Contudo, a missão foi frustrada pelo fracasso nas negociações para obtenção dos apoios necessários junto ao Governo Brasileiro. Semanas depois foi realizada com sucesso uma famosa missão brasileira de voo de travessia do oceano Atlântico, comandada o aviador jauense João Ribeiro de Barros, uma missão similar a planejada pelo então capitão Lysias Augusto.

Entre as décadas de 1920 e 1940 foi um dos principais defensores da importância da aviação como arma na defesa da Nação, tendo publicado inúmeros artigos na imprensa argumentando em torno dessa tese. Entre os artigos de maior repercussão está "Uma necessidade premente: o Ministério do Ar", publicado no O Jornal em 7 de outubro de 1928. Ao longo dos anos as suas ideias contribuíram para o debate e a formação de consenso em torno da necessidade de criação do Ministério da Aeronáutica e da própria Força Aérea Brasileira (FAB).

Em 1927 serviu no Regimento de Artilharia Mista (RAM) de Campo Grande, como capitão ajudante.

Em dezembro de 1927 obteve transferência da arma da artilharia para a recém-criada arma da aviação, da qual foi por anos um fervoroso defensor.

Em 9 de fevereiro de 1928 foi promovido por antiguidade a major-aviador.

Em 1928 participou junto a demais técnicos militares do planejamento para construção da infraestrutura terrestre para a inauguração da linha aérea de passageiros Rio-São Paulo. Naquele ano se tornou inspetor da Escola de Aviação Militar.

Em abril de 1929 realizou curso de aperfeiçoamento para oficiais na Escola de Aviação Militar do Exército. Em 1930 passou a integrar a Diretoria da Aviação Militar.

Em agosto de 1931 realizou o estudo da Rota do Tocantins, utilizando múltiplos meios de transporte disponíveis, como trem, carro, barco, canoa, animais de carga, entre outros, conseguindo alcançar Belém do Pará no 52º dia. Nessa viagem inicial de reconhecimento demarcou 17 campos de pouso, onde aterrou quando realizou a primeira viagem do Correio Aéreo em 1935 e que teve a duração de três dias.

Em julho de 1932, após a deflagração da Revolução Constitucionalista, arriscou-se em viagem do Rio de Janeiro a São Paulo, chegando a capital paulista em 18 de julho, quando então se apresentou às autoridades do Exército Constitucionalista.

No Exército Constitucionalista, comandou o 1º Grupo de Aviação de Caça Constitucionalista, sediado no então aeródromo Campo de Marte, que possuía o cognome de “Gaviões de Penacho”, sob chefia do major-aviador Ivo Borges Leal, que era o comandante geral dos Grupos de Aviação Constitucionalista.

esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|Lysias Augusto Rodrigues (o quinto da esq. p/ dir.) no Campo de Marte em 1932, ao lado de Mário e José Ângelo, respectivamente, mortos em setembro de 1932.

Nesse Grupo de Aviação, a despeito dos escassos recursos, realizou dezenas de missões ao longo do conflito, como as de reconhecimento, propaganda, bombardeio e combate às esquadrilhas governistas.

Nos combates aéreos, entre os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o então Mato Grosso, rechaçou o adversário por diversas vezes, a despeito da inferioridade do número de aviões do Grupo de Aviação Constitucionalista.

Como forma de compensar as limitações, em frota e tripulação, os Grupos de Aviação Paulistas empregavam "hubs" estratégicos para reabastecimento e remuniciamento das aeronaves, com aeródromos instalados em Campinas, Mogi Mirim, Itapetininga, Lorena, Campo Grande, entre outras cidades, como forma de garantir o alcance das missões. Com isso as esquadrilhas paulistas conseguiram um grande número de sortidas e cobriram múltiplas frentes de combate utilizando os mesmos aviões, equiparando-se com o poder de fogo dos Grupos de Aviação do Exército Federal que durante a maior parte do conflito tiveram grande dificuldade em cobrir todas as frentes de combate, apesar de possuírem maior número de aeronaves, dada a limitação de sua autonomia.

Em 8 de agosto de 1932, durante uma missão, participou do abate em pleno voo de um avião governista sobre a cidade de Buri e Capão Bonito. Esse foi tido como o primeiro avião abatido em combate aéreo na América do Sul. Sobre essa ocorrência, o chefe do setor de combate, coronel Brasílio Taborda, publicou o seguinte Boletim do Setor Sul, nº 14, de 10 de Agosto de 1932:

O feito também chamou a atenção do general Bertoldo Klinger, então Comandante Supremo do Exército Constitucionalista, que exaltou a vitória dos aviadores no Boletim n.º 194 de 12 de Agosto de 1932:

Em 21 de setembro de 1932 o major-aviador Lysias Augusto Rodrigues liderou uma missão de bombardeio aéreo bem-sucedida em um aeródromo governista recém-aberto em Mogi Mirim. Naquela missão, a esquadrilha paulista com quatro aparelhos conseguiu destruir em terra cinco aviões governistas e avariar um sexto que tentava alcançar voo, causando ainda dezenas de baixas entre mortos e feridos. Na ocasião, os governistas haviam sido pegos completamente desprevenidos graças a um plano tático elaborado pelo major Lysias Augusto, que fez sua esquadrilha alcançar aquela posição voando em baixa altitude e vindo da própria retaguarda do adversário. Conforme noticiou o jornal Diário Nacional, em 22 de setembro de 1932, em múltiplos boletins:

direita|miniaturadaimagem|200x200px|Lysias Augusto Rodrigues (o 2º em pé da esq. p/ dir.) no Campo de Marte durante a Revolução de 1932 ao lado de outros aviadores paulistas.

Em 24 de setembro de 1932 participou da fatídica missão de bombardeio sobre o cruzador Rio Grande do Sul, o qual realizava o bloqueio do Porto de Santos junto com outros navios da Armada brasileira, fechando o cerco sobre os paulistas naquele conflito. O então major, a frente da esquadrilha, decolou por volta das 12 horas do Campo de Marte. Fazia parte da esquadrilha o líder da missão, o major Lysias Augusto, o pilotando um Curtiss O1-E Falcon (batizado de “Kyri Kyri”), tendo como observador o 2º tenente Abílio Pereira de Almeida; o capitão comissionado Arthur da Motta Lima Filho com um WACO CSO, tendo como observador o 2º tenente Hugo Gavião Souza Neves; e o capitão comissionado José Ângelo Gomes Ribeiro, pilotando um Curtiss O1-E Falcon (batizado de “Kavuré-y”), tendo como observador o 2º tenente comissionado Mário Machado Bittencourt. O capitão Aderbal da Costa Oliveira não participou da missão em função de problemas mecânicos no seu aparelho, um avião bombardeiro. Era previsto o reabastecimento e remuniciamento no aeródromo de Praia Grande, já previamente preparado para a missão. Após algumas tentativas o Curtiss do capitão José Ângelo Gomes Ribeiro, durante mergulho para lançamento de bomba contra o navio, entrou em chamas e se esfacelou no mar, em local próximo à Ilha da Moela, no Guarujá. Especulou-se que tenha sido alvejado pela bateria antiaérea do navio de guerra, tese que foi alardeada pela imprensa governista. Porém, o major Lysias Augusto refutou essa tese, em depoimento no seu livro Gaviões de Penacho (1934), tendo afirmado que a causa mais factível e provável foi uma falha mecânica no motor do aparelho durante um mergulho na máxima aceleração, atribuindo ao engasgamento de válvula com retorno de chama, o que proporcionou a combustão do aparelho e a sua queda no mar. Conforme argumentou:

Após terem lançado todas as bombas e já com o combustível esgotado, e diante da fatalidade, o restante da esquadrilha abandonou a missão, sem terem causado significativos danos ao navio de guerra. Foi declarado luto oficial de 8 dias por conta da perda e realizada amplas homenagens aos finados aviadores.

Findo o conflito, em 2 de outubro, partiu para o exílio na Argentina, junto de outros aviadores das tropas paulistas, como o capitão Aderbal da Costa Oliveira e os 1º tenentes Orsini de Araújo Coriolano e Arthur da Motta Lima Filho.

Em fevereiro de 1934 retornou ao Brasil, após autorização especial do governo federal e na sequência foi revertido ao serviço ativo do Exército. Em 1º de setembro foi promovido a tenente-coronel. Ainda naquele mês foi nomeado chefe da 1ª Divisão da Diretoria de Aviação do Exército e, mais tarde, transferido para a 2ª Divisão.

thumb|200px|left|Registro de 1937 do então tenente-coronel Lysias Augusto Rodrigues.

Em outubro de 1934 teve negado um pedido na Justiça Militar de averbação de horas de voo respectivas ao período em que serviu como combatente na Aviação do Exército Constitucionalista na Revolução de 1932.

No seu retorno ao Exército Brasileiro deu continuidade ao trabalho iniciado com a exploração terrestre empreendida em 1931, na companhia de dois destacados funcionários da Cia Panair do Brasil.