Poesia é o título do primeiro livro publicado da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen.
Este livro foi inicialmente publicado numa edição pessoal da autora em 1944. Actualmente, está disponível numa publicação da Editorial Caminho.
Desde a primeira série de Cadernos de Poesia (1940-41) que Sophia se associara a projetos de vocação eclética, numa espécie de ecumenismo estético pautado pela independência crítica e pela exigência ética. Erigindo por lema “A Poesia é só uma!”, os Cadernos ter-se-ão constituído alternativa superadora da irredutível polémica nacional entre neo-realistas e “presencistas”.
Poesias I Apesar das ruínas e da morte Noite Luar Atlântico Mar Meio-Dia O Jardim e a Noite Evohé Bakkhos Apolo Musageta Espero sempre por ti o dia inteiro, Às vezes julgo ver nos meus olhos Noite das coisas, terror e medo Cidade Noites sem nome, do tempo desligadas, Cidade suja, restos de vozes e ruídos, Ir beber-te num navio de altos mastros Casa Branca
II Pudesse eu não ter laços nem limites Primavera Tudo me é uma dansa em que procuro Se tanto me dói que as coisas passem Mais do que tudo, odeio Senhor Noite de Abril Quem és tu que assim vens pela noite adiante, Aquelas que exaltadas e secretas Paisagem Como Uma Flor Vermelha O Jardim e a Casa Jardim Perdido Jardim No Alto Mar Fundo do Mar Nunca mais Níobe Transformada em Fonte Céu, terra, eternidade das paisagens, etc...
III Lutaram corpo a corpo com o frio Em Todos os Jardins Se todo o ser ao vento abandonamos As Fontes A Hora da Partida Que poderei de mim mais arrancar Ó noite, flor acesa, quem te colhe? Há cidades acesas na distância, Sinto os mortos no frio das violetas Quando brilhou a aurora, dissolveram-se Senti que estava às portas do meu reino, Homens à Beira-Mar Sinal de Ti O Vidente Que o Teu gládio me fira mortalmente. No ponto onde o silêncio e a solidão
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