Autódromo José Carlos Pace é um autódromo municipal localizado no distrito de Cidade Dutra, na Zona Sul do município brasileiro de São Paulo, e considerado um dos melhores e mais importantes circuitos de corrida do mundo. Pela proximidade com o bairro de Interlagos, situado no distrito vizinho do Socorro, é popularmente chamado de Autódromo de Interlagos. Foi inaugurado em 12 de maio de 1940 pelo interventor Ademar de Barros, e nos anos de 1972 a 1977, 1979 e 1980 e de 1990 a 2019, sediou o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. Desde 2021, o autódromo sedia o Grande Prêmio de São Paulo.
O nome tradicional do bairro (e consequentemente do circuito) vem do fato da localização em uma região entre dois lagos artificiais, Guarapiranga e Billings, que foram construídos no começo do século XX para suprir a cidade com água e energia elétrica. O nome foi sugerido pelo arquiteto e urbanista francês Alfred Agache devido a semelhança da região com a cidade de Interlaken (literalmente "entre lagos"), na Suíça. Em 1985, foi renomeado para homenagear o piloto de Fórmula 1 José Carlos Pace, falecido em 1977. Anexo à sua construção, há o Kartódromo Municipal Ayrton Senna.
O circuito tem sentido anti-horário. Nesse autódromo são realizadas as principais competições de Automobilismo do Brasil. É conhecido internacionalmente por sediar a etapa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 e os festivais de música Lollapalooza e The Town.
História thumb|left|250px|Fotografia aérea do Autódromo de Interlagos
No fim da década de 1920, o engenheiro britânico Luiz Romero Sanson idealizou uma região de lazer entre as represas Billings e Guarapiranga, sendo que sua filha escolheu o nome Interlagos para o local. A ideia era atender a população mais rica da cidade, que se interessava pelo automobilismo. A construção do circuito também foi incentivada por um acidente acontecido em 1936, quando foi realizada a primeira prova internacional de São Paulo nas ruas da cidade. A francesa Hellé-Nice sofreu um acidente que causou seis mortes e deixou mais de 30 pessoas feridas. A iniciativa da construção foi de Sanson e do Automóvel Clube do Brasil. O traçado foi inspirado nas pistas de Indianapolis, nos Estados Unidos, Brooklands, na Inglaterra e Monthony, na França.
Em abril de 1939, com o autódromo ainda em obras, um grupo de pilotos liderado por Manoel de Teffé deu as primeiras voltas na pista. Um ano após houve a grande inauguração no dia 12 de maio de 1940, quando o autódromo abriu suas portas. Tinha, à época, uma extensão total de m. Nesse dia, o autódromo recebeu 15 mil pessoas para duas corridas: uma de motos, com 96 km (12 voltas), e o Grande Prêmio São Paulo, com 200 km (25 voltas). O vencedor foi o piloto Artur Nascimento Júnior, que percorreu 25 voltas da prova no tempo de 1 hora, 46 minutos e 44 segundos. A estrutura ainda não estava pronta e ainda não havia arquibancadas, boxes, lanchonetes, banheiros, torre de cronometragem e de transmissão.
Fechado para reformas em 1967, só foi reaberto em 1 de março de 1970, para a realização de uma prova do campeonato internacional de Fórmula Ford. Em 1971, o autódromo passou novamente por reformas para abrigar no ano seguinte, pela primeira vez, um Grande Prêmio de Fórmula 1. Em 1972 houve o primeiro Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 sem contar pontos para o campeonato, sendo vencido pelo argentino Carlos Reutemann, piloto da equipe Brabham. Em 1973, a prova já era válida pelo campeonato mundial de equipes e pilotos, sendo vencida pelo brasileiro Emerson Fittipaldi, da Lotus. Em 1975, o autódromo foi palco da primeira dobradinha de brasileiros na Fórmula 1: José Carlos Pace foi o vencedor, seguido de Fittipaldi. Até 1980, o autódromo recebeu o Grande Prêmio sucessivamente, com exceção de 1978 que foi no Autódromo de Jacarepaguá devido a reformas no circuito. Devido às condições precárias e poucas manutenções, Interlagos ficou impossibilitada de realizar corridas de Fórmula 1 e, consequentemente, o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 passou a ser realizado no Rio de Janeiro em Jacarepaguá de 1981 até 1989. Em 29 de junho de 1988, o Autódromo de Interlagos recebeu o 1° Hanabi Matsuri, em comemoração aos 80 anos da Imigração japonesa no Brasil.
Retorno da Formula 1 thumb|left|Torre de controle do Autódromo de Interlagos
Por conta da não-renovação do acordo com o Rio de Janeiro por questões políticas e financeiras (o acidente de Philippe Streiff, pedidos de propina e a negativa de realização de obras profundas em Jacarepaguá), a F1 considerou buscar outro lugar para completar o calendário. Graças à tenacidade de Piero Gancia, Presidente da CBA, a Prefeitura de São Paulo, então comandada por Luiza Erundina, comprou o projeto de reformar Interlagos para receber a F1. Erundina firmou uma parceria com a Shell e fez uma profunda transformação em Interlagos em pouco mais de 90 dias.
Em 1989, a Prefeitura de São Paulo, com o apoio da Confederação Brasileira de Automobilismo, iniciou negociações para trazer de volta a Interlagos o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Iniciou-se, assim, uma grande reforma que mudaria completamente o traçado original do circuito e, em 1990, o evento voltou para São Paulo, onde continua até o presente momento de forma ininterrupta. A extensão foi diminuída pela metade, chegando a m. Atualmente, o percurso é de m.
O plano original previa a redução do traçado do circuito, preservando, contudo, as curvas 1 e 2 do antigo percurso de 7,9 km. Diante da possibilidade de realização de uma corrida da Fórmula Indy no anel externo do autódromo, Bernie Ecclestone, então dirigente da Fórmula 1, defendeu a eliminação dessas duas curvas. A justificativa oficial baseava-se em preocupações com a segurança, o que gerou um impasse no processo de redefinição do traçado. Por sugestão de Ayrton Senna, foi então concebida uma sequência em descida ligando a antiga curva 1 à Curva do Sol. Esse trecho passou a ser denominado “S do Senna”, em homenagem ao tricampeão mundial.
No fim de 2019, a prefeitura de São Paulo apresentou duas vezes um edital para concessão do autódromo à iniciativa privada. Porém, o leilão está suspenso desde abril de 2020 pelo Tribunal de Contas do Município.
No ano de 2020, devido à pandemia de COVID-19, o Grande Prêmio do Brasil, que estava em seu último ano de contrato com a Fórmula 1, foi cancelado. Em razão disso, surgiu uma série de incertezas sobre a permanência do evento em Interlagos, com a realização da corrida no Brasil para os anos seguintes, sendo disputada entre o Autódromo de Interlagos e a Rio Motorsports, uma empresa que almejava construir o Autódromo de Deodoro e levar o Grande Prêmio do Brasil de volta para o Rio de Janeiro. Porém, devido a problemas com liberação ambiental, o autódromo foi inviabilizado, garantindo assim que Interlagos assinasse um novo contrato com a Fórmula 1 para receber uma etapa da categoria até 2025, mas com o evento passando a se chamar Grande Prêmio de São Paulo.
Em novembro de 2023 o chefe executivo da F1, Stefano Domenicali, disse: “Tenho o prazer de anunciar que ficaremos em Interlagos até 2030, e mal posso esperar por muitos anos mais da maravilhosa atmosfera que os torcedores brasileiros trazem”.
Homenagem a José Carlos Pace Em agosto de 2024, o corpo de José Carlos Pace foi transferido de seu mausoléu vandalizado para o autódromo, onde foi sepultado no autódromo que leva seu nome. A ideia para isso surgiu de uma iniciativa do presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Paulo "Loco" Figueiredo, do presidente da Comissão Nacional de Carros Clássicos e do jornalista Ricardo Caruso. O corpo de Pace chegou a Interlagos, onde foi sepultado ao lado do busto que ali se ergue em sua homenagem. A cerimônia emocionante contou com a presença da família de Pace (sua viúva Elda, seus filhos Patrícia e Rodrigo, e seus netos), amigos, outros pilotos, jornalistas e admiradores de "Moco". José Carlos Pace deu uma última volta na pista, onde Rodrigo, filho de "Moco", pilotou um carro de corrida Karmann-Ghia 1967, usado por seu pai, da antiga equipe Dacon, onde Pace formava um trio com ninguém menos que os irmãos Fittipaldi, Emerson e Wilson Fittipaldi Júnior, na época. Isso faz de Pace o primeiro piloto falecido a ser sepultado em um circuito de corrida.
Melhorias Para o Grande Prêmio do Brasil de 2007, foram realizados os reparos de maior escala dos últimos 35 anos do circuito, para resolver fundamentalmente problemas com a superfície da pista. O asfalto existente foi totalmente substituído, resultando em uma superfície da pista muito lisa. Ao mesmo tempo, a entrada do pit lane foi reforçada para melhorar a segurança e foi construído um novo e maior stand fixo. Para facilitar o trabalho, o circuito foi fechado e não foram realizados eventos nos cinco meses imediatamente anteriores à corrida.
Em 17 de outubro de 2007, começou a operar a nova Estação Autódromo da Linha 9–Esmeralda, situada perto do circuito. A linha foi prolongada para melhorar o acesso entre o centro de São Paulo e a região sul da capital, incluindo o circuito. A estação, que fez parte dos planos de extensão da linha, localiza-se a 600 metros do portão do Setor G do autódromo.
Em dias de grandes eventos, mais notavelmente Lollapalooza, The Town e Fórmula 1, é disponibilizado um serviço de trens expressos até a região do autódromo com partidas da Estação Pinheiros (integrada à Linha 4 do Metrô), fazendo parada única na Estação Morumbi, visando proporcionar viagens mais rápidas para o público que se desloca a esses eventos. No caso do The Town, também é disponibilizado um serviço expresso de trens que partem da Estação Barueri da Linha 8, com parada única na própria Estação Pinheiros.
800px|thumb|centro|Panorâmica da reta principal do autódromo, tirada da arquibancada M, durante o treino de sexta-feira para o Grande Prêmio Petrobras do Brasil de Fórmula Um 2009
Interlagos sofreu reformas a serem entregues em 2015 ao custo de 130 milhões de reais para atender novas exigências da FIA. A pista foi inteiramente recapeada para o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 de 2014, assim como foram refeitas a entrada dos boxes e a área de escape da segunda perna do S do Senna. Para 2015, o paddock existente foi inteiramente remodelado. O então prefeito Fernando Haddad estudou construir novos boxes na reta oposta, porém a ideia foi abandonada.Obras em Interlagos custarão R$ 130 milhões, Folha de S. Paulo
Em 2024 o autódromo foi interditado após a etapa da WEC para uma reforma orçada em 275 milhões de reais para a corrida da Fórmula 1 em novembro, com renovação completa do asfalto após 10 anos. Após este recapeamento, os tempos de volta caíram consideravelmente em diversas categorias; como exemplo, nas provas de carros turismo e GT que correram no mesmo ano em Interlagos, a queda foi de cerca de 1,5 a 2 segundos para a Porsche Cup e StockCar Pro Series.
Eventos musicais O autódromo hospedou apresentações do KISS em 1999, do Iron Maiden em 2009 e do System of a Down em 2025, e desde 2014 é sede da edição brasileira do festival Lollapalooza. Em 2023 se tornou sede de outros dois eventos musicais, o The Town Festival e o Primavera Sound Brasil, sendo que este voltará a ser realizado em 2026 após dois anos de hiato, tomando lugar, novamente, no autódromo. Também foi palco do Electric Zoo Brasil em 2017, o qual estava inicialmente previsto para acontecer no Jockey Club e teve seu local alterado para o autódromo faltando poucas semanas para sua realização.
Comparação
Comparação das voltas mais rápidas por categorias.