Fosfato de etoposido, etoposida ou etoposídeo (último conforme DCB ) é usado para retardar tumores.Goodman & Gilman. As bases farmacológicas da terapêutica. [tradução da 10. ed. original, Carla de Melo Vorsatz. et al] Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005. É um inibidor da enzima topoisomerase II.

Uso medicinal É usado como forma de quimioterapia para doenças malignas como o sarcoma de Ewing, câncer de pulmão, câncer testicular, linfoma, leucemia não-linfocítica e glioblastoma multiforme. É geralmente administrado em combinação com outros medicamentos (como a Bleomicina, no tratamento de câncer de testículo). Também é usado às vezes em um regime preparatório antes de um transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH).

Administração O fármaco é administrado, tanto por via intravenosa (IV), como oralmente através de capsulas ou comprimidos. Caso o fármaco seja aplicado por IV, o procedimento deve ser feito de forma lenta, durante 30 a 60 minutos, visto que o composto é capaz de reduzir a pressão sanguínea enquanto administrado. Durante a infusão, a pressão sanguínea deve ser monitorada e a velocidade da aplicação, ajustada de acordo.

Efeitos colaterais Efeitos colaterais mais comuns durante o tratamento com Etoposido são:

redução da pressão sanguínea; perda de cabelo; dor e queimação na região do acesso venoso; constipação e diarréia; gosto metálico na boca; e supressão da medula óssea, acarretando em: redução na contagem de leucócitos (maior susceptibilidade a infecções); redução na contagem de hemácias (desenvolvimento de quadro anêmico); redução na contagem de plaquetas (maior facilidade na formação de hematomas e maior tempo de coagulação).

Os efeitos menos comuns são:

náusea e vômito; reações alérgicas; irritação na pele; febre; feridas na boca; leucemia mieloide aguda (tratada com o próprio etoposido).

Quando administrado concomitantemente à varfarina, pode causar sangramentos.

Farmacologia

Mecanismo de ação O etoposido forma um complexo ternário com o DNA e a enzima topoisomerase II, a qual auxilia no relaxamento do DNA superenrolado (positivo ou negativo). A topoisomerase II normalmente quebra as ligações em um mesmo ponto das duas fitas do DNA, permitindo que outra dupla-hélice passe pela abertura, reduzindo a tensão e torção da molécula. Uma vez atravessada a dupla-fita, a enzima restaura as ligações rompidas. A ligação com o etoposido, no entanto, impede que a enzima seja capaz de religar as fitas do DNA, fazendo com que a ruptura criada permaneça aberta e impedindo que a topoisomerase II saia do local e atue em outra região. Dessa forma, a atuação do fármaco resulta em quebras na dupla-fita de DNA (podendo ocasionar diversos efeitos deletérios na célula) e no esgotamento de topoisomerase II disponível no organismo.

Células cancerígenas possuem maior dependência sobre a topoisomerase II do que células saudáveis, já que se aquelas se dividem muito mais rapidamente do que estas. Assim, há a ocorrência de mais erros na síntese de DNA, promovendo a apoptose da célula cancerígena.

Química O etoposido é um semissintético derivado da podofilotoxina, extraída a partir do rizoma da mandrágora-americana (Podophyllum peltatum). Mais especificamente, é um glicosídeo formado por podofilotoxina e um derivado da D-glicose. É um composto similar ao teniposido (ou teniposídeo), sendo distinguíveis apenas por um grupo metila, substituído no teniposídeo por um grupo tienil. Ambos os compostos foram desenvolvidos com o objetivo de criar derivados menos tóxicos da podofilotoxina.

A substância é um pó cristalino, entre o branco e um amarelo-amarronzado. É solúvel em solventes orgânicos.

Geralmente, é utilizado em sua forma salina, o fosfato de etoposido.

Categoria:Antineoplásicos Categoria:Oncologia Categoria:Inibidores da topoisomerase Categoria:Medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde Categoria:Éteres fenólicos Categoria:Compostos heterocíclicos com oxigénio Categoria:Carcinógenos do grupo 1 do IARC