Nogueira é uma aldeia portuguesa pertencente à freguesia e concelho de Arganil , paróquia da Diocese de Coimbra.Pertence à Região Centro, província histórica (ou região natural) da Beira Litoral, formalmente instituída por uma reforma administrativa havida em 1936, sub-região estatística Portuguesa do Pinhal Interior Norte.
A aldeia da Nogueira, situa-se na encosta da Serra da Aveleira, e é ladeada pelo Lombo Serrão.
É uma das diversas povoações serranas arganilenses, beirãs de Portugal, sendo a História que se pode relatar feita século após século, ou década a década(*), com particularidades vincadas que só podemos imaginar. As belas “construções” da natureza ainda sem grande intervenção humana. Dos relatos da expansão de um País e da descrição de povoações que foram sendo criadas e expandidas. De populações irmãs limitadas geograficamente em que a deslocalização era muito difícil, procurando na vizinhança a constituição de família, e do associativismo e união que era a raiz do progresso. Comunidade, amizade e fraternidade, que prevalece nestes povos e é sentida pelos seus visitantes.
(*)condicionantes históricas 1910-1933 Primeira República , Primeira Guerra Mundial , Ditadura nacional , Estado Novo. Revolução de 25 de Abril de 1974.
História administrativa-Minutas para os forais Nogueira aparece primeiramente descrita nas minutas para os Forais da Vila de Arganil, e demais lugares da Beira na era de 1213 no Reinado de D. Afonso II.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Minutas para os forais da vila de Arganil, Nogueira, Lourosa, Candosa, Couto do Mosteiro, Avô, Álvares do mosteiro de Folques da Ordem de Santo Agostinho, Pampilhosa, Midões e Póvoa, Santa Comba, todos do senhorio do bispo de Coimbra - PT-TT-CC-1-1-2_m0006.TIFArquivo Nacional da Torre do Tombo - Minutas para os forais da vila de Arganil, Nogueira, Lourosa, Candosa, Couto do Mosteiro, Avô, Álvares do mosteiro de Folques da Ordem de Santo Agostinho, Pampilhosa, Midões e Póvoa, Santa Comba, todos do senhorio do bispo de Coimbra - PT-TT-CC-1-1-2_m0040.TIFArquivo Nacional da Torre do Tombo - Minutas para os forais da vila de Arganil, Nogueira, Lourosa, Candosa, Couto do Mosteiro, Avô, Álvares do mosteiro de Folques da Ordem de Santo Agostinho, Pampilhosa, Midões e Póvoa, Santa Comba, todos do senhorio do bispo de Coimbra A partir dos quais mandar-se-ia fazer o Foral, por estes apontamentos e declarações, revistos pelas Inquirições e com “visto” de Rui Boto dado serem todos do Senhorio - Bispo de Coimbra – D. Pedro Soares. As primeiras cartas de foral, eram, fundamentalmente, contratos agrários com o objectivo de povoamento, pelo que muitos forais se encontram na base da formação de núcleos populacionais autónomos. As cartas de foral eram concedidas pelo Rei ou por um senhor, laico ou eclesiástico, a uma terra, estabelecendo as normas a seguir pelos habitantes entre si e em relação à entidade outorgante. Trata-se, na realidade, de uma carta de privilégio, e não existem grandes diferenças entre as concedidas pelo rei e as outorgadas pelos senhores, particulares ou eclesiásticos.
A atribuição de forais a concelhos, novos ou já existentes, feita pelo Rei, nos séculos XIII e XIV, pressupunha um movimento das próprias populações no sentido de se libertarem das leis e da justiça senhorial. Muitas vezes o foral concedido a uma terra tomava-se como modelo outros, com ou sem alterações, o que justifica a possibilidade de criação de tipologias.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Colecção de Forais
Foral de Arganil com menção à Nogueira O foral seria dado e assinado por D. Manuel I, à vila de Arganil do bispado de Coimbra em 1516. Assinado por "Rodericus". Concertado e registado no Tombo por Fernão de Pina, encarregue do corregimento dos forais do reino por comissão régia. Já incluía a Nogueira e demais lugares do bispado. O Foral foi entregue na Guarda, em 14 de Setembro de 1516, por António Cotrim, corregedor da comarca da Beira e Riba Côa, a Fernão Gil, morador em Arganil e almoxarife do bispo de Coimbra, conforme termo de entrega feito por João do Campo Coelho, escrivão da chancelaria, e assinado pelo corregedor e pelo escrivão.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Foral de Arganil Na era de 1516 a Nogueira produzia essencialmente milho, trigo e vinha, com os quais eram feitos os pagamentos dos direitos do lugar, constando 2 vizinhos.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Foral de Arganil - Slide 35
Memórias Paroquiais - História custodial e arquivística Um aviso de 18 de Janeiro de 1758 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - MPRQ Memórias Paroquiais 1722/1832
"Da Serra desta Terra!" Já o "interrogador" Manoel da Costa Lemos Tunes em 1758 titulava deste modo "DA SERRA DESTA TERRA!" a linda Serra da Aveleira, deslumbrado certamente com o vasto alcance sobre a paisagem destas Terras.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4 - 72 Arganil 1758/1758 - PT-TT-MPRQ-4-72_m0245.tiff Em 1758 a Aveleira é descrita como um braço da Serra da Estrela, de onde partem vários braços de Serra, e duas ribeiras. Do nascente a Ribeira de Folques, e da parte poente a Ribeira da Nogueira.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4 - 72 Arganil 1758/1758 - PT-TT-MPRQ-4-72_m0239.tiff A Nogueira aparece descrita geograficamente a par da Aveleira e Lomba da Nogueira por serem povoações muito próximas entre sí. A Nogueira com 33 vizinhos, a Aveleira com 5 vizinhos e a Lomba da Nogueira com 8 Vizinhos. Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4 - 72 Arganil 1758/1758 - PT-TT-MPRQ-4-72_m0230.tiff Em 1924, a Nogueira e Aveleira são descritas no Guia de Portugal, como sendo um passeio pitoresco em estrada que sobe o dorso de um monte, e que no seu cume, tem um largo panorama sobre a região cultivada de Arganil, o Rio Alva, e sobre as povoações próximas do Sarzedo e Avelar. A aldeia da Nogueira aninha-se num valezinho viçoso, muito arborizado e cheio de águas, mesmo rente à Aveleira que se levanta verticalmente. Casas simples de pequenas janelas e balcões exteriores quase a tocarem-se, sobre ruelas apertadas. Perto da Fonte, um Monólito que será um Menir chamado a Pedra do Álamo.
A Capela de Santo António A Capela de Santo António na Nogueira já existia à data deste inquérito em Abril de 1758.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4 - 72 Arganil 1758/1758 - PT-TT-MPRQ-4-72_m0236.tiff Capela modesta mas importante cujo padroeiro é Santo António, pelo que se denomina mesmo de Capela de Santo António (ou Santo Antoninho). Contava-se tradicionalmente, em 1758, a história do Frei Feliciano de Jesus Maria, da Ordem Franciscana dos Capuchos, devoto religioso de Santo António. Sendo de Porto de Mós e Juiz de fora em Arganil , faleceu em Viana do Lima aos 13 de Março de 1718 com opinião de Santo e que diziam fazer Prodígios.Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Dicionário geográfico de Portugal, Tomo 4, A 4 - 72 Arganil 1758/1758 - PT-TT-MPRQ-4-72_m0237.tiffLivro das Sepulturas, inédito - 1725 - Convento da Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos (Real Província da Imaculada Conceição) - Viana do Castelo A torre do relógio não foi construída junto à capela, como é habitual, mas sim um pouco afastada, e segundo se pensa com o objectivo de permitir que os habitantes da localidade vizinha, Lomba, pudessem também ouvir o sino a tocar as horas, o que de facto acontece. A capela, como seria de esperar, tem um importante papel na festa da aldeia.
Infraestruturas e Rede Social
1922 A Estrada para a Nogueira A primeira comissão de melhoramentos da Nogueira, regularmente constituída, foi criada em 30 de Abril de 1922. Pretendia levar a efeito nesta terra alguns melhoramentos de que ela carecia, a construção de um marco fontenário e da estrada da Nogueira até Arganil. "Essa comissão ficou assim composta por: António Travassos de Almeida, Presidente; Antonino da Costa Carvalho, Vice-Presidente; João Fernandes Travassos, Secretário; Francisco Travassos de Almeida, Tesoureiro; João Travassos Correia, João Martins Serra, Francisco Martins Serra, Antonino Antunes de Carvalho, Francisco da Costa Martins, Diamantino Fernandes Varandas, António da Costa Duarte, João Fernandes Varandas e Manuel J. Bernardes Costa, Vogais."Jornal "A Comarca de Arganil" - 04 de Maio de 1922 - nº1094 Este projecto da Estrada seria posteriormente revitalizado, pela recém formada União Nogueirense (em 1931), levando-o a bom porto e culminando na inauguração em 04 de Setembro de 1932.Jornal "A Comarca de Arganil" - 06 de Setembro de 1932 - nº1876
"O Sonho" da Escola Primária A escola primária inexistente em Nogueira, vinha sendo uma pretensão ou “sonho” dos nogueirenses há vários anos. A escola responderia não só ás crianças Nogueirenses, mas também às crianças da Aveleira e Lomba. Os difíceis acessos para Arganil, sem estrada e em terreno enlameado, sujeitava-as a longas caminhadas, debaixo de intempéries com os pés na lama, pelo meio de pinhais perigosos sujeitos à iluminação da candeia.
No dia 11 de Maio de 1921, Manuel Antunes Martins de Almeida, nascido na Lomba e casado na Nogueira, apresentou-se na sessão plenária da Câmara Municipal, a oferecer gratuitamente casa para uma escola naquela localidade, e para habitação do professor durante 5 anos, pelo impasse de construção de uma nova. A Câmara aceitou unanimemente a oferta. Jornal "A Comarca de Arganil" – 19 de Maio de 1921 - nº1046
Em Março de 1922, seria determinada a transferência de um professor da Cerdeira (por falta de alunos e frequência) para uma outra escola a criar. Ora perante o esquecimento das crianças da Nogueira, Lomba e Aveleira, sem Professor e impedidos de usufruir de uma solução temporária, escreveria um Nogueirense:
“…Pensou-se em tempo na criação de uma escola em Nogueira, dessa mesma freguesia. Esta localidade, muito mais afastada, cercada de outras povoações, como Lomba e Aveleira, possuindo péssimos caminhos, etc., foi esquecida. Acresce que foi oferecida nessa altura uma casa por 5 anos, para o funcionamento da escola, casa essa que o digno sub-delegado de Saúde, Dr. José Antunes Leitão, reconheceu possuir as necessárias condições higiénicas, tendo sido também visitada pelo Ex.mo Inspector Escolar, que por sua vez reconheceu possuir o mesmo prédio para, ainda que regularmente, realizar o fim que tinha em vista o oferecimento. E tudo isto foi esquecido, tudo se pôs de parte, continuando as criancinhas destas povoações a serem privadas de receberem na idade própria os conhecimentos necessários que façam a luz no seu espírito e assim competentemente, muito mais tarde, possam desempenhar os diferentes papeis que lhe forem destinados neste grande agrupamento social de que todos nós fazemos parte. Acha, pois, a ex.ma Junta, a sua maneira de proceder, justa? Por certo que não, e pela muita consideração em que tenho todos os seus membros é que estou certo que modificará a sua resolução, por assim dizer o seu “Modus Faciendi”, criando onde de direito, por tudo o aconselhar, a respectiva escola. Estou certo que desta maneira pensarão todos aqueles que, imparcialmente, obedecendo apenas a um critério de justiça, quiserem julgar a questão… - António Travassos de Almeida - Coimbra 13 de Março de 1922"Jornal "A Comarca de Arganil" - 23 de Março de 1922 - nº1088
A Junta Escolar responderia em 19 de Junho de 1924 remetendo para a população, a construção da escola