Um mercado é um local onde pessoas se reúnem regularmente para a compra e venda de víveres, gado, produtos agrícolas e outros bens. Em diferentes regiões do mundo, espaços deste tipo podem ser designados por souk, bazar, tianguis, palengke, feira, praça, mercado público ou mercado municipal.

Alguns mercados funcionam diariamente e são considerados mercados permanentes, enquanto outros se realizam apenas uma vez por semana, mensalmente, em dias festivos ou em ocasiões sazonais, sendo considerados mercados periódicos. A forma física e social de um mercado depende da população, cultura, clima, tradições comerciais e condições geográficas de cada localidade. O termo pode abranger praças de mercado, mercados cobertos, mercados municipais, mercados retalhistas, mercados grossistas, mercados de rua, mercados alimentares, bazares, feiras e, por extensão moderna, mercados em linha.

Os mercados existem desde que as sociedades humanas praticam a troca e o comércio. Ao longo da história, funcionaram como lugares de abastecimento, sociabilidade, contacto entre produtores e consumidores, circulação de informação e regulação comercial. Devido ao seu papel no abastecimento alimentar, muitos mercados foram historicamente regulados por autoridades públicas, sobretudo em matérias como pesos, medidas, higiene, qualidade dos produtos, licenças e preços.

Etimologia

A palavra «mercado» deriva do latim mercatus, com o sentido de lugar de comércio ou acto de comprar e vender. Em inglês, o termo market provém da mesma raiz latina. Uma das primeiras ocorrências registadas da palavra em inglês surge na Crónica Anglo-Saxónica, no século X, numa passagem que significa «desejo que haja um mercado na mesma povoação».

História

Antiguidade e pré-história

Os mercados são conhecidos desde a Antiguidade.Bintliff, J., «Going to Market in Antiquity», in Eckart Olshausen e Holger Sonnabend, eds., Stuttgarter Kolloquium zur Historischen Geographie des Altertums, Stuttgart, Franz Steiner, 2002, pp. 209–250. Alguns historiadores têm defendido que formas de mercado existem desde que os seres humanos começaram a trocar bens entre si.Twede, D., «Commercial amphoras: The earliest consumer packages?», Journal of Macromarketing, vol. 22, n.º 1, 2002, pp. 98–108.Wengrow, D., «Prehistories of Commodity Branding», Current Anthropology, vol. 49, n.º 1, 2008, pp. 7–34. Mercados públicos e ao ar livre existiam na Babilónia, Assíria, Fenícia, Grécia, Egipto e Península Arábica, embora nem todas as sociedades tenham desenvolvido sistemas de mercado.Paquet-Byrne, L., The Urge to Splurge: A Social History of Shopping, ECW Press, 2003, pp. 13–14.

Na região do Mediterrâneo e do Egeu, redes de mercado e comércio desenvolveram-se desde a Idade do Bronze. Eram transaccionados bens como sal, lápis-lazúli, corantes, tecidos, metais, cerâmica, utensílios, armas e objectos de prestígio. A evidência arqueológica sugere que os comerciantes da Idade do Bronze organizavam as rotas de comércio segundo circuitos geográficos, ao longo dos quais circulavam não apenas produtos, mas também ideias e técnicas.Alberti, M. E., «Trade and Weighing Systems in the Southern Aegean from the Early Bronze Age to the Iron Age», in B. Molloy, ed., Of Odysseys and Oddities: Scales and Modes of Interaction Between Prehistoric Aegean Societies and their Neighbours, Oxford, Oxbow, 2016.Herrero, B. L., «An Elite Infested Sea: Interaction and Change in Mediterranean Paradigms», in B. Molloy, ed., Of Odysseys and Oddities: Scales and Modes of Interaction Between Prehistoric Aegean Societies and their Neighbours, Oxford, Oxbow, 2016.

No Médio Oriente, fontes documentais sugerem que formas antigas de bazar se desenvolveram por volta de 3000 a.C.Mehdipour, H. R. N., «Persian Bazaar and Its Impact on Evolution of Historic Urban Cores: The Case of Isfahan», The Macrotheme Review, vol. 2, n.º 5, 2013, p. 13. Os primeiros bazares ocupavam frequentemente corredores ou ruas longas dentro das cidades, com bancas ou lojas dispostas dos dois lados. Em muitas cidades do Médio Oriente, os bazares eram cobertos para proteger vendedores e compradores do sol intenso.

Grécia e Roma antigas

Na Antiguidade clássica, os mercados situavam-se geralmente no centro das povoações. Na Grécia antiga, os espaços de mercado encontravam-se em torno da ágora, que era simultaneamente lugar de comércio, encontro, circulação e vida cívica. Entre os séculos VI e IV a.C., os vendedores gregos tendiam a agrupar-se segundo o tipo de produto vendido: peixe, vestuário, perfumes, recipientes e outros bens eram comercializados em áreas distintas.McMillan, J., Reinventing the Bazaar: A Natural History of Markets, Nova Iorque, Norton, 2002, p. 5.

Em Atenas, havia funcionários públicos encarregados de fiscalizar pesos, medidas e moeda, de forma a prevenir fraudes nas transacções. O relevo montanhoso da Grécia dificultava o transporte de excedentes agrícolas, favorecendo o aparecimento de intermediários especializados, que compravam produtos aos agricultores e os transportavam para os mercados urbanos.

Na Roma antiga, o comércio realizava-se no fórum e em mercados especializados. O Mercado de Trajano, construído por volta de 100–110 d.C., era um vasto complexo comercial com lojas distribuídas por vários níveis.Coleman, P., Shopping Environments, Oxford, Elsevier, 2006, p. 28. Em Pompeia, vários mercados serviam uma população de cerca de 12 000 habitantes. Os mercados de produtos agrícolas situavam-se perto do fórum, enquanto os mercados de gado se localizavam na periferia da cidade. O macellum era provavelmente usado para a venda de carne e peixe. Inscrições e grafitos sugerem a existência de ciclos regulares de mercado e de controlo público sobre vendedores e transacções.Beard, M., The Fires of Vesuvius: Pompeii Lost and Found, Harvard University Press, 2008.

Europa medieval

Na Europa ocidental medieval, os mercados desenvolveram-se junto de mosteiros, castelos, residências senhoriais e núcleos urbanos em crescimento. Priorados, casas aristocráticas e centros de poder geravam procura por bens de luxo e de necessidade, oferecendo também protecção a mercadores e vendedores. Estes centros atraíam comerciantes e contribuíam para o crescimento das povoações.

Em Inglaterra, o Domesday Book, de 1086, enumera 50 mercados, embora vários historiadores considerem que o número real seria superior. Entre 1200 e 1349, terão sido criados cerca de 2000 novos mercados em Inglaterra. Em 1516, Inglaterra tinha cerca de 2464 mercados e 2767 feiras, enquanto o País de Gales contava com 138 mercados e 166 feiras.

A partir do século XII, os monarcas ingleses concediam cartas a senhores locais para a criação de mercados e feiras. Estas cartas protegiam os privilégios comerciais de uma localidade e podiam impedir a existência de mercados concorrentes no mesmo dia nas proximidades.Dyer, C., Everyday Life in Medieval England, Londres, Hambledon and London, 1994, pp. 283–303. As feiras, normalmente anuais e frequentemente ligadas a festividades religiosas, transaccionavam bens de maior valor; os mercados semanais ou quinzenais abasteciam a população local em produtos frescos e bens de primeira necessidade.Casson, M. e Lee, J., «The Origin and Development of Markets: A Business History Perspective», Business History Review, vol. 85, 2011, pp. 9–37.

Durante a Idade Média, a regulação dos mercados tornou-se um elemento essencial da vida económica. Pesos, medidas, qualidade alimentar, preços e fraudes eram fiscalizados por autoridades locais, contribuindo para a confiança dos compradores e para a reputação dos mercados.Davis, J., «Market Regulation in 15th Century England», in Ben Dodds e Christian Drummond Liddy, eds., Commercial Activity, Markets and Entrepreneurs in the Middle Ages, Woodbridge, Boydell Press, pp. 85–93. À medida que aumentava o número de cartas de mercado, as povoações competiam pela reputação dos seus produtos, pela eficácia da regulação e pelas condições oferecidas a comerciantes e compradores.Casson, M. e Lee, J., «The Origin and Development of Markets: A Business History Perspective», Business History Review, vol. 85, 2011, p. 28.

Mercados cobertos e mercados especializados

Com o desenvolvimento urbano, muitos mercados passaram a funcionar em edifícios ou estruturas permanentes. Em Itália, o comércio em bancas móveis sob arcadas cobertas desenvolveu-se em espaços como o Mercato Nuovo, em Florença, construído em 1547, o Mercato Vecchio, associado a Giorgio Vasari, e a Loggia del Grano, projectada por Giulio Parigi.Pevsner, N., A History of Building Types, Princeton University Press, 1979, p. 235; Goy, R. J., Florence: A Walking Guide to Its Architecture, Yale University Press, 2015.

Em várias cidades europeias, determinados mercados ficaram associados a produtos específicos. Londres possuía mercados de peixe, carne, cereais, couro e feno; outras localidades ganharam reputação por tecidos, queijos, gado ou produtos agrícolas. Esta especialização facilitava a fiscalização, a comparação de preços e a identificação da origem e qualidade dos bens.

Tipos

Os mercados podem ser classificados segundo a periodicidade, localização, forma física, tipo de produto ou função no sistema de distribuição.

Quanto à posição no comércio, distinguem-se geralmente mercados retalhistas, destinados à venda directa ao consumidor, e mercados grossistas ou abastecedores, orientados para a distribuição em grande escala.

Quanto à periodicidade, podem ser:

mercados permanentes, que funcionam diariamente ou em horário regular; mercados periódicos, que se realizam em dias determinados; mercados sazonais ou feiras, associados a festas, ciclos agrícolas ou eventos religiosos.

Quanto à forma física ou funcional, incluem-se:

bazar ou souk, geralmente associado a mercados cobertos ou semi-cobertos do Médio Oriente, Norte de África e Ásia; mercado de rua, instalado numa rua ou conjunto de ruas com bancas temporárias; praça de mercado, espaço público, geralmente central, onde se realiza ou realizava um mercado; mercado coberto, instalado em edifício ou estrutura coberta; mercado municipal, equipamento público de comércio retalhista, normalmente gerido, regulado ou supervisionado por uma autarquia, destinado sobretudo à venda de produtos alimentares frescos e outros bens de consumo diário; mercado público, expressão usada em vários países para designar mercados abertos ao público, frequentemente com gestão pública ou finalidade cívica; mercado grossista ou mercado abastecedor, orientado para a distribuição em grande escala; mercado flutuante, em que os produtos são vendidos a partir de embarcações; mercado nocturno, frequente em vários países asiáticos, com venda de alimentos preparados, vestuário, acessórios e produtos de lazer; mercado húmido, expressão usada sobretudo na Ásia para designar mercados de carne, peixe, marisco, frutas, legumes e outros produtos perecíveis, por oposição aos mercados secos;Wholesale Markets: Planning and Design Manual, FAO Agricultural Services Bulletin, n.º 90. mercado seco, dedicado a bens duradouros, como tecidos, utensílios, ferramentas ou equipamentos electrónicos; mercado em linha, plataforma digital que permite a compra e venda de bens ou serviços através da internet.

Os mercados podem ainda especializar-se em certos produtos, como gado, peixe, flores, antiguidades, artesanato, produtos agrícolas, alimentos preparados, bens em segunda mão ou artigos usados. Os mercados de pulgas, por exemplo, concentram-se frequentemente em objectos usados, antiguidades, artigos baratos ou mercadorias de ocasião. Os mercados de produtores privilegiam a venda directa por agricultores ou produtores locais.

Mercados no mundo

África