On Dumpster Diving (Sobre como Catar Lixo) é um ensaio do escritor norte-americano Lars Eighner, publicado em 1994 no livro Travels with Elizbeth.
O sucesso de On Dumpster Diving tem origem não só na sua temática pouco comum, mas também na maestria estilística com que o ensaio é escrito. O texto, narrado por um sem-teto, teve tamanha repercussão que cerca de 10 anos após sua publicação passou a ser ensinado em várias universidades norte-americanas.
Fatos O autor propõe-se contar sobre suas experiências reais como scavenger (um termo inglês para catador de lixo) nas cidades de Austin e Los Angeles. Os detalhes beiram o cômico pela sua realidade: Eighner dá uma lista extensa de dicas sobre como catar comida, remédios, álcool, drogas, pornografia, bens de consumo em geral, como se livrar de formigas no lixo, melhores horários para procurar lixo, ética de catadores de lixo, etc. Pastiche O texto, como um todo, funciona como um sátira de convenções; o próprio título On Dumpster Diving (um uso bastante formal, não utilizado em inglês coloquial, que seria mais: About Dumpster Diving) sugere um tom quase acadêmico para um assunto tão trivial como este. Sua própria descrição das técnicas é feita em tom científico, criando um efeito de humor: . O motivo de tal afirmação é detalhadamente desenvolvido durante a descrição das técnicas de catar lixo. Sua escolha por morar nas ruas e abandonar a vida de "40 horas de trabalho por semana" é ideológica e não forçada. Para além disso, o autor decide trocar a convivência com humanos num meio social convencional pela companhia de uma cadela de nome Elizabeth.
Optando por esse novo estilo de vida, ele se torna apto a aprender como reconquistar seus sentimentos e sua humanidade em uma sociedade na qual as pessoas vivem um eterno ciclo de consumo que, paradoxalmente, se constitui como um processo viciado, onde as necessidades nunca se saciam pelo que se consome.
O conceito criticado remete para teorias sócio-econômicas e psicológicas sobre o capitalismo tardio desenvolvidas por George Bataille e Jean Baudrillard. Baudrillard inverte o modelo da economia tradicional de Max Weber em que um produto é criado a fim de saciar uma necessidade material da sociedade; ao invés disso, no capitalismo tardio, em função da multiplicidade de mercados e sua conseqüente concorrência desenfreada, o ato produtivo perde seu sentido, de forma que produtos são criados, e sua exposição (via publicidade) cria a necessidade no consumidor. Segundo o pensamento marxista, essa vontade é falsa; o indivíduo que é regido por tais desejos perde contato com sua própria força de vontade e, como afirma Eighner, com sua humanidade.A respeito das teorias sócio-econômicas de Baudrillard veja "The Consumer Society: Myths and Structures" (1970) e "For a Critique of the Political Economy of the Sign" (1972). Baudrillard discorda com o marxismo no ponto em que necessidades de consumo são falsas ou não, o ponto para ele é que o próprio indivíduo não se sente alienado quando consome e sente desejo. Ele não sabe mais discernir em que medida a lógica do consumo, composta pela relação de valores de signo dos produtos com indivíduos, exerce influência sobre ele; Bataille desenvolve detalhadamente uma teoria do consumo (afirmando que o excesso é um pré-requisito de um sistema econômico como o capitalista) em seu livro "Accursed Share" (Georges Bataille, The Accursed Share, Volume 1: Consumption, trans. Robert Hurley. New York: Zone Books, 1991).
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Categoria:Livros dos Estados Unidos