thumb|350px|Fachada principal do Grande Palácio do Kremlin.

O Grande Palácio do Kremlin (em russo Большой Кремлёвский дворец, transcrito Bolschoi Kremljowski dworez) é a residência oficial do Presidente da Rússia. Está localizado no coração da capital russa, na parte sudeste do Kremlin de Moscovo, sobre a Colina de Pinar, constituindo uma parte importante daquele conjunto arquitectónico. A parte central do palácio, com o seu aspecto actual, foi erguido entre 1838 e 1850, por iniciativa de Nicolau I, no mesmo lugar do antigo edifício do grande palácio moscovita do Príncipe Ivã III, do século XV, e do palácio da Imperatriz Isabel I, do século XVIII. O projecto e a construção foram realizados pelo grupo de arquitetos: N.I. Chichagov, V.A. Bakarev, F.F. Rijter, P.A. Guerasimov, F.G. Solntsev e outros sobre a direcção do famoso arquitecto Konstantin Thon. Serviu como residência principal em Moscovo do czar e da sua família.

Descrição geral thumb|left|300px|Localização do Grande Palácio do Kremlin na planta do Kremlin.

A partir do século XIX, o edifício central do Grande Palácio do Kremlin cresceu entre outros palácios e antigos aposentos dos czares, como o Palácio dos Terems, o Palácio das Facetas, a Câmara Dourada da Czarina e as igrejas palacianas, os quais também foram incluídos como parte do complexo palaciano. Não directamente adjacentes ao palácio, mas a ele ligados por passadiços fechados, encontram-se o Palácio do Arsenal e a Catedral da Anunciação.

O Grande Palácio do Kremlin domina o conjunto arquitectónico do Kremlin de Moscovo com os 125 metros de comprimento da sua fachada principal e uma altura de 44 metros até ao cimo da cúpula. O edifício situa-se na parte sul do Kremlin, perto da encosta que desce até ao Rio Moscova, sendo a sua fachada principal particularmente bem visível a partir da margem oposta desse rio.

280px|thumb|O Rio Moscova e a Ponte Bolshoy Kamenny com o Grande Palácio do Kremlin ao fundo.

A partir da Ponte Bolshoy Kamenny também se alcança uma vista representativa do Grande Palácio do Kremlin. Dentro do conjunto do arquitectónico do Kremlin encontram-se Grande Palácio do Kremlin e os edifícios anteriores nele englobados junto à muralha a sul, o Palácio do Arsenal a oeste, o antigo palácio dos congressos (hoje oficialmente: Palácio Estatal do Kremlin) a norte e a Praça das Catedrais (com a Catedral do Arcanjo São Miguel, a Catedral da Dormição e a Catedral da Anunciação) a leste.

Visto do exterior, o Grande Palácio do Kremlin parece ter três pisos, mas no interior possui apenas dois. O que ocorre é que os cinco salões de cerimónia do segundo piso atingem uma altura máxima de 18 metros, sendo iluminadas por duas filas sobrepostas de janelas arqueadas (como nos terems russos do século XVII). O número de divisões do Grande Palácio do Kremlin ascende a cerca de 700, com uma área total de 24 000 metros quadrados. Se contarmos com os adjacentes Palácio dos Terems, Palácio das Facetas e Câmara Dourada da Czarina, o conjunto palaciano atinge uma área total de 35 000 metros quadrados.

Enquanto no século XIX o palácio servia de residência aos czares e, entre outros, de local de recepção solene quando a Família Imperial estava em Moscovo, na actualidade o complexo faz parte do Património Mundial da UNESCO,Ver também: relatório ICOMOS de 24 Outubro 1989 (verifiado em 14 de Janeiro de 2009) integrado no conjunto dos museus do Kremlin, servindo também de residência oficial do Presidente da Rússia. Por esse motivo, os edifícios (incluindo o Palácio dos Terems e o Palácio das Facetas) não estão, geralmente, disponíveis ao público. No entanto, os seus interiores podem ser vistos no âmbito duma visita especial programada, normalmente muito cara (dependendo do tamanho do grupo, fica por cerca de 100 a 1000 euros por pessoa)Informações sobre as visitas guiadas, em russo (verificado em 11 de Janeiro de 2009)).

História do complexo palaciano No local onde se ergue actualmente o Grande Palácio do Kremlin já existia uma fortificação bem conhecida desde o século XII. Antes do século XIX, e da construção do actual palácio, a área já era dominada por antigas residências e câmaras dos Grão-duques de Moscovo e dos Czares da Rússia.

Edifícios predecessores até ao século XVII thumb|300px|left|O Kremlin de Moscovo no século XIV, com construções de madeira no seu interior. Desenho de Apollinari Wasnezow.

As descrições dos primeiros edifícios existentes no sítio onde se ergue actualmente o Grande Palácio do Kremlin não sobreviveram; no entanto, sabe-se que existia aqui um palácio grão-ducal na época de Ivan Kalitas (início do século XIV).Romanjuk, p. 136 O facto de as residências dos governantes do Grão-ducado de Moscovo e, posteriormente, do Czarado da Rússia e do Império Russo, se erguerem precisamente nesta parte do Kremlin é facilmente explicável pela altamente prestigiosa posição do terreno: o espaço para sul até à íngreme margem do Moscova recebeu os edifícios, os quais eram amplamente visíveis a partir do rio, numa posição dominante sobre todos os outros edifícios da fortaleza.

No início do século XV, erguiam-se no terreno, entre outras, as câmaras da Princesa Sofia da Lituânia, esposa do Grão-duque Basílio I. Este último mandou ampliar os edifícios em 1404, tendo surgido, pela primeira vez na história de Moscovo, uma casa com relógio de parede na fachada. Dado que, em seguida, praticamente todos os edifícios eclesiásticos da cidade foram construídos em madeira, os incêndios passaram a ser uma ameaça constante. Por esse motivo, durante o século XV, deram-se muitos incêndios de grandes proporções, que resultaram na destruição parcial ou total das câmaras, as quais foram mais tarde restauradas ou reerguidas. O primeiro edifício em pedra do Kremlin surgiu somente em 1487, com a construção do palácio conhecido actualmente como Palácio das Facetas, o que marca o nascimento do actual complexo do Grande Palácio do Kremlin.

Depois do ano de 1493, quando um incêndio particularmente devastador consumiu novamente uma grande parte do Kremlin, incluindo as câmaras em madeira dos grão-duques, começou a construção do primeiro palácio de pedra, o Palácio das Facetas, edificado especialmente com fins representativos como complemento da residência principal dos grão-duques.

A execução dos trabalhos ficou a cargo de arquitectos italianos – tal como aconteceu com as recém-construídas muralhas, torres e vários outros edifícios actualmente preservados no Kremlin; merece especial destaque a construção do palácio familiar do grão-duque de então, Ivã III o Grande, executada pelo arquitecto milanês Aloisio da Milano (naquela época, conhecido na Rússia como Alewis FrjasinEmbora Alewis não seja mais que o equivalente russo do antigo nome próprio Alois (ou Aloisio), Frjasin () é um psudo-apelido, usado, então, na linguagem como sinónimo de "italiano", sendo aplicado a vários arquitectos italianos do Kremlin. Os seus nomes eram geralmente apresentados com certeza; Karamsin e outros historiadores falavam de Alewis Frjasin como Aloisio da Milano ou de Mark Frjasin como Marco Ruffo. Ver também: Slovo, 57/2008 (revisto em 14 de Janeiro de 2009).). A construção começou em 1499 e foi concluída em 1508, ou seja, três anos depois da morte de Ivã III. Ao contrário do que sucedeu com os anteriores edifícios de madeira, o novo palácio resistiu por mais de 200 anos. Durante os séculos XVI e XVII foi reconstruído e ampliado várias vezes, sendo concluído com o alargamento de 1636, o qual subsiste até hoje como o Palácio dos Terems.

Antecessores do século XVII ao século XIX thumb|300px|thumb|left|O palácio da autoria de Rastrelli na década de 1760.

A anterior construção serviu como residência dos czares russos, em parte ou no seu todo, até ao final do século XVII. Esta situação mudou em 1703, durante o reinado de Pedro I, o Grande. Este fundou a nova capital imperial em São Petersburgo e evacuou a antiga sede dos czares. Os antigos aposentos imperiais em Moscovo praticamente não voltaram a ser usados com o seu fim original, vindo a degradar-se com o tempo. Além disso, alguns edifícios secundários em madeira foram consumidos pelo fogo e não voltaram a ser reconstruídos. O resto do palácio foi utilizado, entre outros, como edifício administrativo.

Em 1749, a Imperatriz Isabel mandou remover uma parte das antigas câmaras dos czares, de forma a permitir a construção dum novo palácio representativo no seu lugar, o qual devia ser a principal residência do imperador russo em Moscovo. A execução foi entregue ao famoso arquitecto italiano Bartolomeo Francesco Rastrelli. A construção foi concluída em 1753 e recebeu o nome de Palácio de Inverno. Alguns anos mais tarde, Rastrelli construiria, no mesmo estilo barroco, o mais famoso Palácio de Inverno, em São Petersburgo, desde logo, a residência imperial naquela cidade. Na guerra contra Napoleão, em 1812, o Palácio de Inverno de Moscovo foi destruído, sendo restaurado, em 1817, segundo um projecto do arquitecto Wassili Stassow.

No final do século XVIII, durante o reinado de Catarina II, a Grande, foi considerada a construção dum edifício para substituir o cada vez mais obsoleto palácio de Rastrelli. Na época, os arquitectos Wassili Baschenow e Matwei Kasakow fizeram um grande projecto para um palácio, com proporções muito maiores como as do actual edifício e que obrigariam à cedência de vários antigos edifícios do Kremlin. Com o tempo, o projecto acabou por ser rejeitado, não só por importantes razões financeiras, mas também por a sua larga escala para as dimensões do Kremlin ter sido fortemente criticada.Russianculture.ru (revisto em 14 de Janeiro de 2009)

A nova residência do czar do século XIX thumb|left|300px|Aspecto geral do Grande Palácio do Kremlin.

O palácio de Rastrelli só foi mandado demolir pelo Czar Nicolau I, na década de 1830, o qual mandou construir no seu lugar uma nova residência moscovita do czar, num estilo aproximadamente classicista em voga na Rússia da época. O projecto do novo palácio ficou a dever-se a Konstantin Thon, arquitecto bem conhecido pela construção duma série de edifícios oitocentistas de Moscovo (incluindo a Catedral de Cristo Salvador e a Gare de Nicolau (Nikolayevsky Vokzal, actual Gare de Leninegrado).

A construção do edifício central do palácio estendeu-se de Junho de 1838 a Abril de 1849, tendo o custo total do projecto ascendido a cerca de 12 milhões de rublos. O resultado corresponde, basicamente, ao ainda existente complexo do Grande Palácio do Kremlin, o qual engloba, além do palácio oitocentista, os edifícios vizinhos mais antigos do Palácio das Facetas, Palácio dos Terems e Câmara Dourada da Czarina. Os dois últimos ficaram quase cercados pelo novo palácio, de modo que, actualmente, são pouco visíveis do exterior. Isto, e o facto de o novo e magnífico edifício classicista contrastar significativamente com o já existente conjunto arquitetónico do Kremlin, com a antiga arquitectura russa a ser dominada pelos tempos modernos, fez com que Konstantin Thon fosse frequentemente criticado. Num guia turístico de Moscovo, datado de 1917, o edifício ainda era depreciativamente chamado de "quartel" devido às suas impressionantes dimensões.Romanjuk, p. 142 Desde a sua construção até à abdicação do Czar, o Grande Palácio do Kremlin, incluindo os edifícios que englobou, foi a principal residência dos monarcas russos na, então, segunda maior cidade do império. Foi aqui que o czar viveu, com a sua família e comitiva, durante as permanências em Moscovo. Também foram aqui realizadas importantes cerimónias de Estado, tais como a recepção a altos dignitários estrangeiros ou cerimónias de coroação dos Czares. Além disso, o palácio não estava acessível a excursões do público nem nos dias festivos.Kiselёv, p. 114

Século XX e século XXI