Iguatemi é um distrito da Zona Leste da cidade brasileira de São Paulo. Fica a aproximadamente 13 quilômetros do centro do município de Santo André e 23 quilômetros do centro da capital. Faz divisa com os distritos de São Rafael, São Mateus, Parque do Carmo, José Bonifácio, Cidade Tiradentes e o município de Mauá. Criado em 1992 pela prefeitura de São Paulo, através da Lei Municipal nº 11220.

A vulnerabilidade social do Iguatemi é evidenciada por indicadores como a baixa renda média, o alto percentual de domicílios em favelas e loteamentos irregulares, a elevada taxa de desemprego e a precariedade dos serviços públicos. O distrito apresenta uma das menores idades médias ao óbito da cidade, com 59,3 anos, e taxas de homicídio, mortalidade infantil e gravidez na adolescência superiores à média municipal.

História Apresenta uma trajetória marcada por profundas transformações territoriais, sociais e urbanas ao longo do século XX. A região era originalmente composta por áreas de Mata Atlântica, campos e várzeas, com presença de córregos e solos férteis, sendo ocupada, em tempos pré-coloniais, por grupos indígenas de línguas tupi-guarani, que utilizavam o território para caça, coleta e pequenas roças de subsistência, aproveitando as condições ambientais favoráveis da bacia do Alto Tietê. Com o avanço da colonização portuguesa, a partir do século XVII, a região foi incorporada ao sistema de sesmarias e grandes propriedades rurais, sendo utilizada principalmente para a produção agrícola e criação de gado, em função da proximidade com os caminhos que ligavam São Paulo ao interior e ao litoral.

Durante o período colonial e imperial, o território permaneceu relativamente isolado, com ocupação esparsa e predomínio de sítios, chácaras e pequenas fazendas, cenário que se manteve até meados do século XX. O nome Iguatemi tem origem tupi e significa "rio sinuoso", em referência ao traçado dos córregos que cortam a região, como o Córrego Iguatemi, elemento marcante da paisagem local e que influenciou a denominação do distrito. A primeira menção documental ao nome Iguatemi remonta ao início do século XX, quando a área era conhecida por suas matas e várzeas, utilizadas para abastecimento de lenha, carvão e gêneros agrícolas para a capital. Até a década de 1960, a paisagem era dominada por áreas rurais, sítios e pequenas propriedades, com núcleos de ocupação dispersos e acesso precário, sendo a região conhecida também como Guabirobeira, em alusão à abundância da fruta nativa guabiroba.

A urbanização do Iguatemi teve início de forma mais intensa a partir da década de 1970, impulsionada pelo crescimento populacional da cidade de São Paulo e pela pressão por moradia nas áreas periféricas. O processo de loteamento foi marcado pela ausência de planejamento urbano e pela autoconstrução, com a abertura de bairros como Vila Eugênia, Jardim São Gonçalo, Jardim Roseli, Jardim São Benedito e Jardim Marilú, todos implantados em 1965, seguidos por outros loteamentos ao longo da década de 1970. A ocupação do distrito ocorreu de forma silenciosa, transformando áreas verdes em áreas construídas, com crescimento acelerado de favelas e loteamentos irregulares, especialmente a partir dos anos 1970, fenômeno que se intensificou nas décadas seguintes. O distrito foi oficialmente criado em 1992, por meio da Lei Municipal nº 11.220, sendo desmembrado da região de São Mateus e incorporando áreas anteriormente pertencentes a outros distritos limítrofes.

O crescimento populacional do Iguatemi foi acompanhado por intensos fluxos migratórios, sobretudo de migrantes nordestinos e do interior paulista, atraídos pela oferta de lotes acessíveis e pela proximidade de polos industriais da Mooca, Ipiranga e do Grande ABC. A ausência de infraestrutura básica, como água encanada, esgoto e pavimentação, marcou as primeiras décadas de ocupação, agravando as condições de vida dos moradores e contribuindo para a formação de bolsões de pobreza e vulnerabilidade social. O processo de urbanização foi caracterizado pela autoconstrução e pela luta dos moradores por melhorias, com forte atuação de associações de bairro e movimentos sociais, que reivindicaram a implantação de equipamentos públicos, escolas, postos de saúde e regularização fundiária.

O nome Iguatemi, de origem tupi, reflete a relação histórica do território com a hidrografia local e com a paisagem de várzeas e campos, elementos que moldaram a ocupação e a identidade do distrito. Ao longo do século XX, a expansão urbana avançou sobre áreas de mata e várzea, promovendo a substituição do ambiente natural por bairros populares, muitos deles implantados sem a observância de critérios urbanísticos e ambientais. O processo de favelização e a presença de loteamentos irregulares são marcas do desenvolvimento recente do distrito, que, a partir dos anos 1980, passou a receber investimentos públicos em infraestrutura, habitação social e equipamentos urbanos, ainda que de forma insuficiente para atender à demanda crescente.

No século XXI, o Iguatemi consolidou-se como um dos distritos mais populosos e vulneráveis da zona leste paulistana, com desafios relacionados à regularização fundiária, urbanização de favelas, saneamento básico e acesso a serviços públicos. A verticalização recente, a implantação de conjuntos habitacionais e a ampliação da malha viária, como a Avenida Ragueb Chohfi e o Complexo Viário Jacu Pêssego, transformaram a paisagem urbana e facilitaram a integração do distrito à Região Metropolitana de São Paulo.

Geografia Com área oficial de 19,43 km², integra a divisão administrativa da cidade e destaca-se por sua localização periférica, perfil residencial popular e desafios socioambientais marcantes. O distrito limita-se ao norte com Parque do Carmo e José Bonifácio, a leste com Cidade Tiradentes, ao sul com o município de Mauá, e a oeste com São Rafael e São Mateus. Sua configuração territorial é marcada por colinas suaves e fundos de vale, com altitudes que variam entre 740 e 780 metros acima do nível do mar, compondo o cenário típico do Planalto Paulistano.

A hidrografia do distrito é composta principalmente pelo Córrego Iguatemi, que atravessa o território e é afluente do Rio Aricanduva, este último formando o limite sul do distrito e desempenhando papel fundamental na drenagem urbana e nos riscos de enchentes, especialmente em áreas de ocupação informal e fundos de vale. O Córrego Limoeiro também se destaca, associado ao Parque Linear do Córrego Limoeiro, que contribui para a conservação ambiental e oferece áreas de lazer e trilhas para a população. O distrito abriga ainda a Área de Proteção Ambiental Mata do Iguatemi, criada em 1993 e com cerca de 300 000 m², considerada o menor fragmento de proteção ambiental da cidade, remanescente de Mata Atlântica e sob constante pressão de ocupação e degradação. O zoneamento do distrito, conforme a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS – Lei 16.402/2016), é predominantemente classificado como Zona Residencial (ZR), Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) e Zona Mista (ZM), refletindo a presença de áreas consolidadas, assentamentos precários e setores de comércio e serviços.

O distrito enfrenta graves problemas ambientais, como enchentes recorrentes, poluição hídrica dos córregos, ocupação irregular de áreas de risco e déficit de áreas verdes públicas. A impermeabilização do solo e a expansão urbana desordenada agravam a vulnerabilidade socioambiental, especialmente em fundos de vale e encostas. Apesar disso, iniciativas como o Parque Linear do Córrego Limoeiro e a APA Mata do Iguatemi buscam preservar fragmentos de vegetação nativa e promover a sustentabilidade local, ainda que sob forte pressão urbana.

Demografia Segundo o Censo Demográfico de 2022 do IBGE, Iguatemi possui uma população total de 149 700 habitantes, distribuídos em uma área de 19,43 km², o que resulta em uma densidade demográfica de aproximadamente 7 705 habitantes por quilômetro quadrado. O perfil populacional é marcado por uma estrutura etária predominantemente jovem-adulta, com presença significativa de crianças e adolescentes, reflexo do histórico de assentamento de famílias de baixa renda e de migrantes internos. A composição étnica é majoritariamente parda e preta, com forte presença de migrantes oriundos do Nordeste do Brasil, além de descendentes de japoneses e libaneses que se destacam no comércio local.

A dinâmica demográfica é marcada por intensos fluxos migratórios internos, especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980, quando o distrito se consolidou como destino de migrantes oriundos do Nordeste do Brasil e do interior paulista, atraídos pela oferta de lotes acessíveis e pela proximidade de polos industriais e de serviços da zona leste e do Grande ABC. Essa migração resultou em uma população majoritariamente jovem, com elevada proporção de crianças, adolescentes e adultos em idade produtiva, além de uma composição étnica predominantemente parda e preta, reflexo da diversidade cultural e da mobilidade social típica das periferias paulistanas. O distrito também abriga descendentes de japoneses e libaneses, que se destacam no comércio local, e apresenta forte presença de comunidades religiosas católicas, evangélicas, espíritas e de matriz africana, compondo um mosaico de práticas culturais e de solidariedade comunitária.Evolução demográfica do distrito de IguatemiO Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do Iguatemi é de 0,751, valor inferior à média da cidade de São Paulo, que é de 0,805. Os subíndices do distrito são: renda (0,687), longevidade (0,816) e educação (0,751), todos abaixo dos valores municipais, especialmente em renda e longevidade. A idade média ao morrer é de apenas 59,3 anos, a menor entre todos os distritos paulistanos, enquanto a média da cidade é de 68 anos. A taxa de desemprego atinge 16,2%, muito acima da média municipal de 5,8%, e a remuneração média do emprego formal é de R$ 2 398,69, menos da metade da média da cidade, que é de R$ 5 239. Outros indicadores sociais reforçam a vulnerabilidade do distrito: a mortalidade infantil é de 12,23 por mil nascidos vivos, a gravidez na adolescência atinge 10,11% e o abandono escolar no ensino fundamental da rede municipal é de 0,37%. A taxa de homicídios é de 10,88 por 100 mil habitantes, acima da média municipal, e não há equipamentos culturais públicos registrados no distrito.

Política e administração O distrito de Iguatemi está sob a jurisdição da Subprefeitura de São Mateus, órgão responsável pela administração local, manutenção urbana, fiscalização, regularização fundiária e implementação de políticas públicas. A subprefeitura, localizada na Avenida Ragueb Chohfi, coordena ações de zeladoria, urbanização, licenciamento e atendimento à população, além de articular conselhos de bairro e canais de participação popular. O distrito é atendido pelo 66º Distrito Policial (DP), situado na Avenida Osvaldo Vale Cordeiro, e conta com apoio da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana para ações de segurança e prevenção à violência. Os serviços cartoriais, como registro civil, imóveis e títulos, são realizados em cartórios localizados em bairros vizinhos, enquanto a zona eleitoral responsável pelo Iguatemi integra a circunscrição da zona leste, com seções eleitorais distribuídas em escolas públicas do distrito.

Infraestrutura urbana