A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) é uma instituição de ensino superior pública federal brasileira, sendo considerada uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), regulamentada pela Legislação Federal, pelo seu Estatuto, pelo Regimento Geral e por normas complementares específicas.
O perfil institucional da UFFS, bem como sua missão, seus objetivos e sua área de atuação acadêmica, encontra forte aderência aos movimentos sociais da Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul e entornos, de cuja organização a universidade é, em grande medida, resultado. Nessa região, historicamente desassistida pelo Poder Público no tocante ao acesso à educação superior, a UFFS legitimou-se como instituição pública por meio da Lei nº 12.029, de 15 de setembro de 2009. Desde então, tem sido uma grande referência no crescimento regional, na interiorização da educação e nos projetos de desenvolvimento locais.
Situa-se na Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul, que, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, constitui-se de 396 municípios, com uma área total de 139.282,5 km² e com aproximadamente 3,8 milhões de habitantes. Dada a natureza, constitui-se em uma instituição de ensino superior interestadual. A reitoria da universidade está localizada na cidade de Chapecó, em Santa Catarina. Os demais campi de atuação localizam-se em outros cinco municípios; Cerro Largo, Erechim e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e nos municípios de Laranjeiras do Sul e Realeza, no Paraná.
De acordo com o Ranking Universitário Folha (RUF) de 2019, divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, a UFFS foi classificada como a 57ª melhor universidade brasileira no quesito ensino, bem como a 114ª melhor universidade do Brasil. Ademais, a instituição contou com sete cursos entre os 100 melhores e mais qualificados em nível nacional. Dentre eles estão Matemática (46ª), Agronomia (51ª), Medicina Veterinária (55ª), Física (82ª), Química (86ª), Economia (98ª) e Arquitetura e Urbanismo (99ª). O ranking espanhol, Webometrics Ranking of World Universities, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), o maior órgão público de pesquisa da Espanha, classificou a UFFS como a 98ª melhor universidade do Brasil e a 240ª melhor universidade da América Latina.
Organização A Instituição A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) propõe-se a participar do processo de transformação da Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul e entornos, transpondo as barreiras fronteiriças, reconhecendo as distâncias sociais e culturais, as lutas políticas da sociedade civil organizada, por meio da promoção da educação popular, gratuita e de qualidade. Atualmente, a UFFS conta com mais de 50 cursos de graduação e 40 cursos de especialização, 33 residências médicas, 16 mestrados e 2 doutorados, todos com corpo docente composto por mestres e doutores.
Possui autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, em toda sua estrutura, nos termos da legislação vigente e em conformidade com os princípios, as finalidades e os objetivos institucionais, devendo tornar públicas suas atividades.
A UFFS organiza-se em órgãos superiores, intermediários e básicos, sendo estes deliberativos e de administração. Os Órgãos Superiores da Universidade Federal da Fronteira Sul são o Conselho Universitário e a Reitoria. O Conselho Universitário (CONSUNI) é o órgão máximo da UFFS com função normativa, deliberativa e recursal, responsável pela formulação da política geral da instituição nas dimensões acadêmica, administrativa, financeira, patrimonial e disciplinar. À Reitoria, órgão executivo da Administração Superior, incumbe a coordenação, fiscalização e superintendência das atividades da universidade. Para desenvolver as atividades da Administração Superior, a Reitoria conta com pró-reitorias e órgãos específicos, que funcionam nos termos do Regimento Geral da universidade. Os campi universitários, como órgãos intermediários, são as unidades constitutivas da UFFS, dotadas de organização administrativa e didático-científica própria, que compõem as bases físicas, integradas e indissolúveis, onde são desenvolvidas permanentemente as atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração da Universidade. As Unidades Acadêmicas, como órgãos de base, identificadas por critérios epistêmicos multidisciplinares, são partes constitutivas dos campi da UFFS e possuem natureza acadêmica e administrativa.
Missão Conforme seu Estatuto, a Universidade Federal da Fronteira Sul tem como missão:
Assegurar o acesso à educação superior como fator decisivo para o desenvolvimento da Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul, a qualificação profissional e a inclusão social; Desenvolver atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, buscando a interação e a integração das cidades e dos estados que compõem a Grande Fronteira do Mercosul e seu entorno; Promover o desenvolvimento regional integrado, condição essencial para a garantia da permanência dos cidadãos graduados na Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul e a reversão do processo de litoralização hoje em curso.
Reitores e vice-reitores nº Reitor Vice-reitor Período Ref.1ºDilvo Ristoffnomeado pro tempore pelo Presidente do BrasilJaime Giolo2010–20112ºJaime Giolo nomeado pro tempore pelo Presidente do BrasilAntônio Inácio Andrioli2011–20153ºJaime Giolo nomeado pelo Presidente do Brasil a partir da lista tríplice preparada pela UFFSAntônio Inácio Andrioli2015–20194ºMarcelo Recktenvaldnomeado pelo Presidente do Brasil a partir da lista tríplice preparada pela UFFSGismael Francisco Perin2019–20235ºJoão Alfredo Braidanomeado pelo Presidente do Brasil a partir da lista tríplice preparada pela UFFSSandra Simone Höpner Pierozan2023–
História miniaturadaimagem|383x383px|Pôr do Sol visto na praça central da UFFS - Campus Chapecó
Da utopia à conquista miniaturadaimagem|384x384px|Vista parcial dos blocos no campus de Chapecó. O objetivo de criar uma universidade federal na Mesorregião Grande Fronteira do Mercosul e entornos foi pauta nos meios de comunicação, nas instituições de ensino e nas mais diversas esferas sociais e políticas durante anos. O ano de 2005 foi o período em que entidades, Organizações Não Governamentais (ONGs), lideranças municipais e grupos de municípios, igrejas e movimentos sociais se organizaram em torno da criação do Movimento Pró-Universidade Federal, com a proposta de criar universidades distintas nos três estados do Sul. Como a proposta não obteve adesão dos órgãos oficiais, em 26 de maio 2006 iniciou-se, por meio de um Grupo de Trabalho, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a elaboração de um projeto único de universidade multicampista, abrangendo os três estados do Sul, compreendendo o Norte do Rio Grande do Sul, o Oeste de Santa Catarina e o Sudoeste do Paraná. O processo de criação da UFFS veio ao encontro do cenário político que buscava a democratização e expansão da educação superior no Brasil para o período de 2003 a 2014. Dentre as ações do governo estava a interiorização da educação superior, que visava fomentar o desenvolvimento regional integrado e reverter o processo de litoralização da força de trabalho qualificada. Diante disso, a interiorização da oferta de educação superior se tornava essencial para combater o desequilíbrio no desenvolvimento regional, além de proporcionar uma expansão de vagas públicas. Assim, a criação de novos campi foi pautada na participação das universidades no desenvolvimento regional, na integração com a comunidade local, no desenvolvimento da formação profissional e em pesquisas regionais. Além da convergência entre os interesses governamentais e a sociedade organizada, o perfil institucional da UFFS, bem como sua missão, seus objetivos e sua área de atuação acadêmica encontraram forte aderência nas reivindicações dos movimentos sociais da região. miniaturadaimagem|384x384px|Bloco C no campus Chapecó, onde estão as salas administratrivas da Reitoria. O cenário apresentava-se propício para que os esforços do Movimento Pró-Universidade obtivessem resultado. Isso porque, a partir de 2005, com objetivo de ampliar o acesso à educação superior no país, muitas ações foram realizadas, entre elas o redimensionamento do FIES e a criação do PROUNI. Em 2006 foi criada a Universidade Aberta do Brasil (UAB) e, em 2007, o Programa do Governo Federal de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (REUNI), projeto que possibilitou a criação da UFFS.
Em 2007 várias ações foram desencadeadas para que a UFFS se tornasse realidade: realização de audiência pública; designação da Comissão de Implantação do Projeto Pedagógico Institucional e da Comissão de Projetos da Universidade; participação de integrantes do Movimento Pró-Universidade; técnicos do MEC, representantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deram início à criação das condições objetivas que permitiram o sinal positivo para a criação da universidade na região, resultando no início da tramitação do Projeto de Lei 2.199/2007, com vistas a instituir a Universidade.
Em 2008, a Comissão designada para implantar a Universidade organizou inúmeras atividades (oficinas e seminários) que culminaram na definição dos cursos a serem ofertados inicialmente. No mesmo ano, o Projeto de Lei de Criação da Universidade foi assinado pela Presidência da República e enviado ao Congresso Nacional. No ano seguinte, em 2009, a UFSC foi designada como tutora da UFFS, contribuindo para a definição dos locais provisórios para o funcionamento da Instituição, para a elaboração do Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e também para a decisão sobre as formas de ingresso, que teve como base a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). No dia 15 de setembro do mesmo ano, por meio da Lei nº 12.029/2009, foi oficializada a criação da UFFS.
Para definir a localização dos campi foram levados em conta alguns critérios específicos para cada cidade: município caracterizado como polo regional ou com infraestrutura de transporte, comunicação, educação básica e serviços públicos de forma adequada; cidades que se localizassem nos diferentes estados e que representassem centralidade no contexto geográfico, facilitando o acesso de estudantes; cidades mais distantes das Universidades Federais já existentes na Região Sul; municípios que ofereceriam contrapartidas previstas no projeto, dentre outros. A partir desses critérios foram definidos, inicialmente, cinco campi: Chapecó, em Santa Catarina; Cerro Largo e Erechim, no Rio Grande do Sul; Laranjeiras do Sul e Realeza, no Paraná.
Na definição dos cursos de Graduação, a Comissão de Implantação da UFFS priorizou a área das Ciências Agrárias e para licenciaturas, tendo em vista a importância da agroecologia para a região, a necessidade de tratamento dos dejetos, os problemas ambientais gerados pelas agroindústrias, as perspectivas da agricultura familiar e camponesa e a sua centralidade no projeto de desenvolvimento regional proposto pela Instituição. Já o foco nas licenciaturas se justifica pela integração às políticas do governo federal de valorizar as carreiras do magistério.
A partir disso, foram realizadas diversas ações para o estabelecimento da UFFS: posse, em 2009, do primeiro Reitor pro tempore, professor Dilvo Ristoff; lançamento de editais para a realização de concurso público para servidores docentes e técnico-administrativos; publicação do edital de tomada de preço para construção dos primeiros pavilhões da Universidade; liberação de recursos para a aquisição de livros; anúncio dos primeiros cargos de direção; elaboração e entrega, ao MEC, do plano de compra de móveis e equipamentos; e, por fim, a abertura das inscrições para o Processo Seletivo de ingresso na UFFS.
Início das atividades