O antigo Convento de Nossa Senhora da Ínsua ou Convento de Santa Maria da Ínsua está situado no interior do Forte da Ínsua, em Caminha, no Viana do Castelo, em Portugal.Ficha na base de dados SIPA
A sul da foz do Rio Minho, foi fundado por frades franciscanos 'observantes' provenientes da Galiza no fim do século XIV. Forma com o Forte da Ínsua um importante e muito raro conjunto patrimonial, peça chave da história da arquitectura mundial.
Situação geográfica A Ínsua é uma ilhota granítica situada a sul da foz do rio Minho. Dista uns 200m da costa portuguesa e tem, no sentido norte-sul, uma extensão aproximada de 400m. A sua configuração actual é o resultado de um longo processo de evolução. Nos primórdios aquele maciço rochoso fazia parte do território espanhol formando juntamente com o Monte de Santa Tecla uma grande ilha que dividia a foz do rio Minho em dois braços. A dinâmica fluvial encarregou-se de ligar Santa Tecla a Espanha, separar a Ínsua do território espanhol (actualmente é ainda possível vislumbrar na maré baixa um aglomerado de rochas denominado Ínsua Velha que faria parte da anterior ligação) e aumentar a costa portuguesa pela acumulação de areias. De notar que periodicamente é possível fazer a pé a ligação entre a costa portuguesa e a Ínsua.
Antecedentes de culto Segundo Avieno, existiria na Ínsua, aquando da sua descrição das costas europeias no limiar do século IV, um templo dedicado a Neptuno, Deus dos Mares. No entanto, antes da fundação do Convento de Nossa Senhora da Ínsua o templo referido tinha já dado lugar a uma ermida cuja festa ocorria a 8 de Setembro. A ermida era dedicada à Nossa Senhora da Ínsua para os portugueses, a Santa Maria de Carmes para os galegos e a Santa Maria da Boa Viagem ou Santa Maria da Salva para os mareantes.
O convento de Nossa Senhora da Ínsua As origens do actual convento franciscano remontam à época do Grande Cisma do Ocidente. Quando este surgiu em 1378, Espanha passou a obedecer ao papa de Avignon e Portugal manteve-se obediente a Roma. Não contentes com a situação, um grupo de religiosos espanhóis provenientes da Galiza pediram a Bonifácio IX licença para se mudarem para Portugal e fundarem um Convento Franciscano da Observância. Bonifácio IX autorizou a 6 de Abril de 1392 a edificação de uma casa com oratório, torre sineira, refeitório e outras divisões necessárias, em lugar todavia honesto e decente. (Tiveram a mesma origem outros conventos da região, nomeadamente: Mosteiró, S. Francisco do Monte, S. Paio e S. Clemente das Penhas.)
Em 1392, o convento não passava de uma modesta casa, toda térrea e sem qualquer condição de defesa e a vida dos frades era de grande pobreza e penitência. Deve-se aos franciscanos desta época a descoberta de um poço de água doce na ilha.
Em 1471, frei Jorge de Sousa consegue fazer uma reedificação acrescentando mais algumas dependências e em 1498 é feito o sino. No fim do seu primeiro século de existência viviam no Convento 10 frades.
Neste convento fez noviciado, entre 1521 e 1522, frei André da Ínsua (1502-1571), eleito em 1547, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores.
A 8 de Julho de 1620, a vulnerabilidade das instalações e os frequentes ataques de piratas terão obrigado os religiosos a fundarem e a mudarem-se para o Convento de Santo António em Caminha. Ficaram apenas dois frades a cuidar do Convento convertido em oratório. No entanto, por intercedência do povo e de notáveis de Caminha, esta situação não durou muito tempo e em Maio de 1623 viviam na Ínsua 5 frades tendo como presidente Frei Lourenço de Évora.
Quando em 1630 o Padre Frei Francisco de Lisboa, então ministro provincial, visita o Convento e toma conhecimento da regra diária aí existente, determina através da Mesa das Definições, e como forma de conter os excessos de rigor dos religiosos:
I – Que em todo o ano se não comesse mais que uma vez ao dia. II – Que ficassem no coro desde as matinas até à prima. III – Que todos se ocupassem no trabalho de casa, reparando-a, alimpando-a, recolhendo os cavacos da praia, e outras coisas semelhantes. IV – Que entre dia jamais se ajuntem a falar uns com os outros. V – Que aos sábados, e vésperas dos dias santos se não faça de comer para alguém. VI – Que na Quaresma se coma peixe poucas vezes. VII – Que enquanto houver pão, por mais bolorento, e duro que seja, não se procure outro, até se não gastar aquele. VIII – Que a esmola a vá pedir um donato de quinze em quinze dias à vila da Guarda, e quando ele não possa ir, o façam os irmãos seculares, paras se guardar maior recolhimento.
No âmbito das Guerras da Restauração, em 1649 começa a ser construído à volta do convento o Forte abaluartado, a pedido do rei D. João IV para protecção da costa portuguesa e dos próprios frades franciscanos.
Em 1834 extinguem-se de Portugal as Ordens Religiosas.
Ver também Forte da Ínsua Farol da Ínsua
Bibliografia Felgueiras Silva Santos, João Manuel. "Caminha através dos tempos." CAMINIANA, Revista de Cultura Histórica, Literária, Artística, Etnográfica e Numismática, 2: 148-159. Junho 1980. Pacheco, Ana Assis, "Ínsua, um convento na foz do rio Minho", Estudos de teoria e história da arquitectura, nº18, 2022. Teixeira, Vítor Gomes, "O movimento da Observância Franciscana em Portugal (1392-1517), História, Património e Cultura de uma Experiência de Reforma Religiosa ", 2010.
Referências externas Programa Horizontes da Memória "Um Salto até Caminha" Professor José Hermano Saraiva faz uma visita guiada ao Convento da Senhora da Ínsua, em Caminha. Arquivo RTP
Categoria:Edifícios monásticos franciscanos de Portugal Categoria:Moledo Categoria:Património edificado em Caminha Categoria:Edifícios monásticos do distrito de Viana do Castelo