A Guerra civil no ChadeFrance faces tough choices over Chad - BBC, 4 de fevereiro de 2008 teve início em dezembro de 2005. O conflito envolveu as forças governamentais e vários grupos rebeldes chadianos - estas incluem a Frente Unida para a Mudança Democrática (FUC), a União das Forças para a Democracia e o Desenvolvimento (UFDD), a Reunião de Forças pela Mudança (RFC) e a Concórdia Nacional do Chade (CNT). Ao lado dos rebeldes, está a milícia árabe Janjawid, abertamente apoiada pelo governo do Sudão. A Líbia tentou intermediar o conflito, assim como diplomatas de outros países.
Desde a sua independência da França em 1960, o Chade tem sido atolado pela guerra civil entre os árabes e muçulmanos do norte e cristãos subsaarianos do sul. Como resultado, a liderança e a presidência no Chade é disputada entre os cristãos sulistas e os muçulmanos nortistas. Quando um dos lados está no poder, o outro lado normalmente inicia uma guerra revolucionária para enfrentá-lo. A França, a antiga potência imperial de ocupação, e a Líbia, vizinha do norte, se envolveram em vários momentos ao longo desses conflitos.
Em 2003, o conflito na região de Darfur, no vizinho Sudão, expandiu através da fronteira com o Chade. Os refugiados do Sudão se juntaram aos civis do Chade que estavam tentando escapar da violência rebelde e, eventualmente, encheram os campos. Ficou claro que os rebeldes do Chade receberam armas e assistência por parte do governo do Sudão. Ao mesmo tempo, os rebeldes do Sudão conseguiram ajuda do governo do Chade.
O Governo do Chade estimava em janeiro de 2006 que 614 cidadãos chadianos tinham sido mortos nas batalhas fronteiriças.Chad wants Sudan to disarm rebels - Al Jazeera, 12 de janeiro de 2006 Em 8 de fevereiro de 2006, foi assinado o "Acordo de Trípoli", que cessou a guerra por aproximadamente dois meses.
No entanto, a persistência de combates levou a várias tentativas para um novo acordo. Em 2007, surgiu uma brecha entre as duas principais tribos, a Zagaua e a Tama. A tribo Zagaua, a qual pertence o presidente chadiano Idriss Déby, acusa o governo sudanês de colaborar com os membros da tribo rival Tama.Chad rebels battle army in east - BBC, 19 de outubro de 2007
Em fevereiro de 2008, três grupos rebeldes se uniram e lançaram um ataque contra a capital do Chade, N'Djamena. Depois de lançar um ataque que não conseguiu tomar o palácio presidencial, o ataque foi repelido decisivamente. A França enviou tropas para fortalecer o governo. Muitos dos rebeldes eram antigos aliados do presidente Idriss Déby. Acusaram-no de corrupção contra membros de sua própria tribo.
A guerra civil no Chade é uma guerra regional, que tem profundas ligações a conflitos em Darfur e com a guerra civil na República Centro-Africana.Darfur conflict zones map - BBC, 6 de dezembro de 2006
Antecedentes Em 2005, o presidente do Chade Idriss Déby - que havia conquistado o poder em 1990, após lançar uma ofensiva contra o governo central da época, a partir do Darfur e com apoio da Líbia - alterou a Constituição do país para que ele pudesse concorrer a um terceiro mandato, o que desencadeou a partir deserções em massa exército.Chad troops battle against rebels - BBC, 3 de fevereiro de 2008
As deserções do exército chadiano em larga escala a partir 2004 e 2005 obrigou Deby a desmantelar a seu guarda presidencial e a formar uma nova força militar de elite, o que acabou por enfraquecer a posição do presidente e a incentivar o crescimento dos grupos armados de oposição. Foram formados grupos armados, como a União para a Democracia e a Liberdade em agosto de 2005, e a Plataforma para a Mudança, Unidade e Democracia (SCUD) dois meses mais tarde, que tentaram derrubar o governo de Déby, acusando-o de ser corrupto e totalitário. Ainda naquele ano, a RDL e o SCUD se juntaram a outros seis grupos para formar a Frente Unida para a Democracia e Mudança (FUCD).Chad's Spiralling Conflict - Al Jazeera English, 2 de fevereiro de 2008
A situação se agravou com a suposta acumulação de riqueza petrolífera por Déby e seu séquito.
Cronologia Rusgas na fronteira Chade-Sudão Desde 2004, militantes da milícia sudanesa Janjawid envolvidos no conflito de Darfur têm atacado aldeias e vilas no leste do Chade, roubando gado, assassinando cidadãos e queimando suas casas.Milícias sudanesas 'estão atacando civis no Chade' - BBC, 5 de fevereiro de 2006 Mais de 200 mil refugiados da região de Darfur, região noroeste do Sudão, pediram asilo no leste do Chade. Refugiados da República Centro-Africana também estão entrando, sob a supervisão das Nações Unidas, no sul do Chade. O presidente Idriss Déby acusa o seu correspondente sudanês Omar Hassan Ahmad al-Bashir de tentar desestabilizar o Chade, exportando a guerra de Darfur para o seu país.
Dois grupos rebeldes, o RDL e o SCUD (formados entre agosto e outubro de 2005), tentaram derrubar o governo do Chade, acusado poe eles de corrupção e totalitarismo. Em dezembro de 2005 havia mais de 4 mil rebeldes na região fronteiriça entre Sudão e Chade. Sobre as acusações de Déby contra o Sudão,Chade diz estar em 'estado de guerra' com Sudão - BBC, 24 de dezembro de 2005 o ministro das Relações Exteriores sudanês al-Samani Wasiylah afirmou em 28 de dezembro que "isso é um disparate - ele [Déby] está apenas a tentar desviar a atenção dos problemas internos que ele está tendo. Este é um motim do exército [do Chade], todos sabem disso, e nós não queremos nos envolver no nisso."
O Chade negou relatos de que a sua força aérea realizou missões de reconhecimento no espaço aéreo sudanês.Troublesome Tribal Politics - Strategy Page, 3 de dezembro de 2005 Restraint plea to Sudan and Chad - Al Jazeera, 25 de dezembro de 2005
Batalha de Adré Em 18 de dezembro de 2005, um ataque de militantes da RDL e da SCUD às tropas chadiana na cidade de Adré, próximo à fronteira sudanesa, matou entre 100 e 300 rebeldes, cinco soldados e três civis.SUDAN-CHAD: Army chases rebels into neighbouring Sudan - Irin, 20 de dezembro de 2005 Aquele era o segundo ataque na região em três dias.Chad fightback 'kills 300 rebels' - BBC, 20 de dezembro de 2005 O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sudanês Jamal Mohammed Ibrahim negou incentivo aos rebeldes.
O ministro das Comunicações chadiano Hourmadji Moussa Doumgor anunciou que seu país acreditava na responsabilidade do governo sudanês pelos ataques rebeldes, uma vez que eles ocorreram a partir das fronteiras do Sudão.Chad blames Sudan after rebel raid, invokes right of pursuit - ReliefWeb, 18 de dezembro de 2005
Em 26 de dezembro, o ministro das Relações Exteriores chadiano Ahmad Allam-Mi disse a embaixadores estrangeiros na capital N'Djamena que "Os atentados foram repelidos pelo exército chadianos, que, utilizando o seu direito de perseguição, destruiu algumas bases rebeldes implantadas em território sudanês."
Atritos em cidades fronteiriças thumn|left|250px|Cidades atacadas na fronteira Chade-Sudão Em 6 de janeiro de 2006, militantes do Janjawid atravessaram a fronteira do Sudão em direção ao Chade e atacaram as cidades de Borota, Ade, e Moudaina, deixando um saldo de nove civis mortos e três gravemente feridas. O governo do Chade declarou que "as milícias sudanesas atacaram os assentamentos de Borota, Ade, Moudaina… ontem matando nove e ferindo três entre a população civil… chadianos. O governo chadiano mais uma vez adverte o governo sudanês contra qualquer ação precipitada, porque a agressão das milícias sudanesas não ficará impune por muito mais tempo."Chad warns Sudan after cross-border raid kills 9 - Reuters, 6 de janeiro de 2006
Acordo de Trípoli Em 8 de fevereiro de 2006, os presidentes do Chade, Idriss Déby, do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, e da Líbia, Muammar al-Kadhafi, assinaram o Tratado de Trípoli, que prometia acabar com o conflito. O acordo foi alcançado depois de uma mini-cúpula em Trípoli, capital líbia, organizado por al-Qaddafi.Chad and Sudan agree to end tension Reuters, 8 de fevereiro de 2006 Sudão e Chade aceitam dirimir suas diferenças de forma pacífica - UOL Notícias, 8 de fevereiro de 2006
Também compareceram ao encontro os presidentes Denis Sassou Nguesso (da República do Congo e então da União Africana), François Bozizé (da República Centro-Africana) e Oumar Konaré (da Comissão Alpha da UA).Sudan, Chad sign peace agreement in Tripoli - ArabicNews.com, 9 de fevereiro de 2006 Presidentes do Sudão e do Chade assinam acordo de paz em Trípoli - UOL Notícias, 9 de fevereiro de 2006
No entanto, rebeldes da UFDC disseram que o tratado era apenas "um pedaço de papel com assinaturas nele" e que "significa nada."Chadian rebels threaten fresh assault - Reuters, 13 de fevereiro de 2006
Exigências originais do líder rebelde chadiano Mohammed Nour - como a de que Déby deveria renunciar ao poder e, em um período de dois anos, realizar eleições nacionais livres e justas - foram modificadas. Nour queria a convocação de um fórum nacional, antes do final de junho de 2006, para que os partidos e organizações de oposição discutissem a forma como o país deveria fazer a transição política.
Em 6 de março, o Comité Ministerial Africano (constituído pelos chanceleres do Chade, Sudão, Líbia, República Centro-Africana, Congo-Brazzaville e Burquina Fasso, além do presidente do Conselho Executivo da Comunidade dos Estados Sahel-saarianos ) reuniu-se em Trípoli. Said Djinnit, comissário para a paz e a segurança da União Africana, despachou seu relatório sobre o conflito e a comissão concordou com a criação de grupos de vigilância sobre a fronteira chade-sudanesa.
A expectativa era a de que o acordo de Trípoli fosse implementado após umaa próxima reunião da comissão, antes do final de março. A comissão identificou dez posições para vigilância ao longo da fronteira - cinco do lado chadiano e cinco do lado sudanês -, e a expectativa era para formar grupos de controle e mecanismos para o seu funcionamento. O chanceler líbio declarava que a reunião havia sido "construtiva, sincera e detalhada" e que os resultados foram "práticos".Ministers set up surveillance groups on Chad-Sudan borders Angola Press, 6 de março de 2006
Continuidade das atividades rebeldes Nour alertava que esperaria a reação do presidente Déby a proposta de fórum. "Em caso de recusa, então vamos atacar usando a força para removê-lo. Ninguém deseja uma guerra, mas se essa for a única maneira, nós vamos para o Chade." Pequenos grupos rebeldes e membros do exército do Chade prometeram manter-se fiéis a UFDC. Em 13 de fevereiro, um outro grupo rebelde aderiu a UFDC. Nour anunciava que a UFDC era "oito vezes mais forte" do que quando atacou a cidade de Adré em 18 de dezembro.
O coronel Bishara Moussa Farid, que havia atuado nas forças de paz em Ruanda e na República Democrática do Congo e que tinha também ajudado tanto Déby quanto seu antecessor Hissène Habré a manter o controle do governo do Chade, desertou do exército chadiano e afirmou que a UFDC estava em "muito melhor situação do que nas rebeliões anteriores" e que o grupo rebelde "não tinha equipamentos e armas pesadas como tinham agora."Chad rebel leader demands change, by force if needed - Reuters, 13 de fevereiro de 2006 Em 20 de fevereiro, dois generais de alta patente, Sedi Aguid e Issaka Diar, foram ao Sudão sem autorização do Governo do Chade. O presidente Déby questionou sobre o que "oficiais foram fazer em território sudanês.", e o general Nour respondeu que os generais estavam "em um dos nossos campos na fronteira".Top Chad army generals "desert" - BBC, 20 de fevereiro de 2006
Violação do acordo Em 6 de março, o Tratado de Trípoli foi violado quando os milicianos Janjawid atravessaram a fronteira sudanesa e atacaram a cidade chadiana de Amdjereme. O governo chadiano acusou-os de roubar centenas e, em alguns casos, milhares de animais de cultivo pertecentes a chadianos. As forças militares chadianas perseguiram os militantes Janjawid do outro lado da fronteira e recuperou o gado roubado.