thumb|350px|Fachada do Palazzo Ducale di Genova, entrada principal pela Piazza Matteotti
O Palácio Ducal de Gênova () e um dos principais edifícios históricos da cidade de Génova. Antiga resdiência dos doges da República de Génova, é actualmente um dos principais polos museulógicos da capital da Ligúria.
Deixado ao abandono por longo tempo, e usado como sede dos gabinetes judicários antes da construção, na década de 1970, do novo palácio de justiça no Bairro de Portoria, viu completar o seu restauro por ocasião das Colombíadas de 1992, com as quais foram comemorados Cristóvão Colombo e o quinto centenário da descoberta da América.
Actualmente, acolhe no piano nobile (andar nobre) importantes mostras de arte, debates e convénios (organizados nas salas afrescadas do Conselho Maior e do Conselho Menor) e, nos pátios e arcadas, estabelecimentos comerciais e de restauração.
Em 2001, encontraram-se aqui em congresso os Chefes de Estado e de Governo reunidos em Génova para o G8. Em torno do centro histórico foi instituida uma blindadíssima "zona vermelha", que não serviu, porém, para evitar, pelo menos no seu exterior, aqueles que passaram à história como os "factos do G8 de Génova".
História O Palazzo Ducale di Genova foi edificado sobre estruturas medievais preexistentes. Originalmente estava situado na fronteira com o quarteirão-enclave da poderosa família Doria, delimitado pelo perímetro da actual Piazza San Matteo. A construção do palácio ocorreu no final do século XIII, um momento de grande esplendor das antigas Repúblicas marítimas. Ao período medieval remonta, também, uma parte da Torre Grimaldina, a qual foi construída entre 1251 e 1275, vindo a ser aumentada em 1539.
Das origens ao incêndio de 1777 Estruturas medievais preexistentes O dimínio doriano estava estrategicamente situado de forma a controlar a saída da cidadde do século XI pela Porta de Serravalle, próximo da Cattedrale di San Lorenzo; posteriormente incluído na cerca pela Mualha do Barbarossa, tornou-se, então, no ponto nevrálgico da cidade, servindo de passagem da parte antiga e da zona de Luccoli para a saída de Acquasola.
O domínio dos Doria, pela zona de São Marcos, incluia nos seus limites meridionais as casas situadas na actual Ladeira do Arcebispado e Via Reggio. Tratava-se duma fila de casas em banda, colocadas exactamente contra as muralhas carolíngeas, estreitada entre esta e um torreão defensivo a levante, construído no sítio da actual Piazza Matteotti, próximo da ala poente do Palazzo Ducale.
Destas casas, foram vendidas quatro, em 1251, por Guglielmo Doria a Argentina Fieschi, esposa do Conde de Lavagna, Alberto Fieschi, da poderosa Casa Fieschi. Estes pensavam erguer aqui um grande palácio, encostado às outras casas junto à Cattedrale di San Lorenzo, tencionando, deste modo, criar um núcleo urbano estrategicamente tão forte quanto o vizinho pertencente aos Doria.
A Torre Grimaldina thumb|200px|Vista parcial da Torre Grimaldina
Para este palácio, Alberto Fieschi mandou construir uma torre, que corresponde à torre do actual palácio, com excepção da cela campanária no topo, acrescentada posteriormente.
A construção da torre por Alberto é confirmada pelo facto desta não constar nos documentos de venda das casas pelos Doria, em 1251, mas aparecer nos de utilização do palácio pela comuna depois do exílio de Alberto, em 1271. O palácio estendia-se, com uma arcada de quatro arcos, a levante de tal torre.
As intenções dos Fieschi na zona de Serravalle, próximo de San Lorenzo, foram abandonadas em seguida, trasferindo-se a família para as suas propriedades, situadas principalmente na parte oriental da cidade. O palácio de Alberto Fieschi, quando este teve que abandonar Génova como furagido durante a luta entre as facções, foi tomado pelo Capitano del Popolo entre 1271 e 1272.
Alberto Fieschi viria a falecer, em 1273, sem poder regressar a Génova.
Palácio do Capitano del Popolo O seu palácio tornava-se, agora, sede do Capitano del Popolo, que por esse motivo tinha abandonado a sua sede inicial, o Palazzo San Giorgio. Leonardo Fieschi, filho de Alberto, não voltaria a recuperar a posse do palácio paterno, o qual continuava como sede do governo e onde, então, também se realizavam as reuniõe do Conselho dos Anciões.
As negociações entre o governo e os Fieschi prolongaram-se por muito tempo. Por fim, quando o governo decidiu criar uma nova sede, bem maior que o Palazzo San Giorgio, a decisão foi tomada. A comuna alargou a propriedade adquirindo algumas casas contíguas, também pertencentes aos Doria e situadas no lugar da actual Loggia degli Abati, a poente da torre de Alberto, em 1291.
Com esta aquisição, a comuna iria empreender a reestruturação de todo o complexo.
O Palazzo degli Abati Os Fieschi venderam o palácio definitivamente em 1294, por um preço elevadíssimo saldado em 1303. A comuna mandou construir um corpo arcado a poente da torre, colocando-o simetricamente em relação ao loggiato da casa de Alberto Fieschi, tornando-se este no primeiro núcleo do Palazzo Comunale (Palácio Comunal), ou Palazzo degli Abati (Palácio dos Abades).
250px|thumb|Pátio quinhentista do Palazzo Ducale di Genova, projectado por Andrea Ceresola
Os edifícios medievais reapareceram sob o reboco quinhentista dos edifícios ducais durante os restauros de Poggi e Orlando Grosso, os quais colocaram em evidência, sobretudo, segundo a perspectiva da Ladeira do Arcebispado e da Via Tommaso Reggio, a parte do primeiro palácio com a Loggia degli Abati e, ao lado desta, a torre do palácio de Alberto Fieschi.
Séculos XVI e XVII Em 1539 deu-se a já citada elevação da Torre Grimaldina, com a adição da cela campanária que ainda hoje pode ser vista.
Na década de 1590, o palácio viria a ser ampliado segundo um projecto de Andrea Ceresola, dito il Vannone, o qual reestruturou o edifício com a adição do pátio, que ainda hoje constitui uma das partes mais espectaculares, do ponto de vista arquitectónico, de todo o complexo.
No século XVII, foram pintados, na Capela Ducal, afrescos por Giovanni Battista Carlone (1655) e Domenico Fiasella
Do incêndio de 1777 à actualidade O Palazzo Ducale di Genova foi devastado por um incêndio, em 1777, e reconstruído dentro do ano seguinte. Na manhã de 3 de Novembro daquele ano, as chamas irromperam por alguns ambientes do velho palácio ducal, então chamado de Real Palazzo.
Alguns populares, vendo uma insólita coluna de fumaça a sair do telhado junto à Torre Grimaldina, advertiram a guarda no portão da Piazza Nuova. O oficial de serviço, efectuando um primeiro reconhecimento, descobriu que o foco do incêndio se situava nos andares elevados da ala poente, onde estavam a arder as traves do telhado e os tectos.
Rapidamente iniciaram os socorros, sendo logo avisados os Eccellentissimi Residenti (Excelentíssimos Residentes), ou seja, os dois patrícios, ou due di casa (dois de casa), residentes no palácio. Este apressaram-se a sair dos seus aposentos, situados na parte voltada para a Piazza San Matteo, e advertiram o Doge Giuseppe Lomellini, saindo este, por sua vez, com toda a pressa para o pátio arcado de poente.
Crónica de um incêndio Entretanto, o incêndio propagava-se e, cerca das 8 horas da manhã, chamavam-se de emergência todas as forças disponíveis. Uma ordem transmitida a todos os quartéis chamava as tropas; fez-se acorrer a boa vontade das galés estacionadas no porto, dirigidas por Giovanni Battista Spinola e Carlo Staglieno. Por fim, chamaram-se porteiros, pedreiros e carpinteiros. Fazia-se de tudo para salvar os arquivos e para retirar as munições da vizinhança do fogo.
O capitão da Câmara, Gaetano Perucco, recebia do doge ordens para cortar o tecto de forma a bloquear a progressão do incêndio, que estava em risco de chegar às Salas Maior e Menor do Conselho. Perucco, achando tal medida exagerada não a executou; o incêno estendeu-se, então, à aprte central. Salvaram-se as alas, a de levante, com a armaria, e a de poente, coms os aposentos do doge. O maior receio era que o fogo atingisse os depósitos de pólvora das caves do palácio, pelo que grande parte dos habitantes dos quarteirões limítrofes abandonaram as suas casas.
Depois de muitas horas, o fogo foi extinto e os danos avaliados. Tinha ardido o telhado sobre as duas salas do Conselho, cujos tectos estavam irreparavelmente danificados. Nesta parte tinham sido destruídas, chamuscadas ou semi-carbonizadas as pinturas de Marco Franceschini e de Francesco Solimena, e com estas os ornamentos de Aldobrandini (eram as perspectivas e os monocromáticos com os quais o bolonhês Tommaso Aldobrandini havia ornado as molduras do seu concidadão Marcantonio Franceschini).
A fachada, que na época não se encontrava aberta para a cidade, mas antes separada através dum pátio fechado cortina-caserna na Piazza Nuova, estava devastada e com as paredes enegrecidas.
O inquérito e as primeiras soluções de restauro esquerda|thumb|200px|A Torre Grimaldina vista da Piazza Corvetto
Seguiu-se um inquérito, para o qual o General dos Exércitos cumpriu uma pesquisa. Nos quartéis da tropa descobriu-se que os militares, inscluindo os que não tinham direito (os graduados de carreira, ditos "pane bianco"), haviam tomado o hábito de instalar-se nas caserna e de abrir chaminés com tubos para a saída de fumos. Por outro lado, numerosas famílias que ali viviam tinham instalado ainda mais perigosas cozinhas ou fornos, inclusive nos subterrâneos. Todos estes habitantes foram expulsos, apesar das súplicas daqueles que não tinham para onde ir. Descobriu-se depois que o porteiro do doge havia enchido o seu alojamento de lenha, a fim de cortar in extremis o perigosíssimo avanço das chamas, tendo pago a alguns estivadores para essa tarefa.
Uma pessoa foi acusada directamente. No dia 31 de Janeiro de 1777 tinha terminado do governo do Doge Brizio Giustiniano e no dia 4 de Fevereiro fôra eleito o seu sucessor, Giuseppe Lomellini, seguindo-se todas as cerimónias para a entronização deste último. No dia 6 de Setembro deu-se a tomada deposse do doge, tendo-se realizado o grande banquete de instalação. O conselheiro, cargo também conhecido como "traglietta", no dia anterior ao incêndio havia depositado, nos pisos altos, os materiais que tinham sido utilizados em Setembro para essa grande ceia, sendo, por isso, acusado de dar mais alimento às chamas e aprisionado. Mas, uma vez que várias pessoas haviam colaborado com ele na execução de tal ordem, acabou por ser desculpado.
As suspeitas viraram-se, então, para um dos seus filhos, como executor material de um incêndio doloso com mandantes altamente colocados. A justificar estas duras acusações surgiram divergências entre os membros do Serenissimi Collegi (Sereníssimo Colégio) sobre os restauros do velho palácio: havia quem desejasse limitar ao mínimo a despesa na intervenção e quem quisesse refazer o edifício de novo. Um primeiro procediemnto para o restauro, iniciado em Janeiro de 1777, tinha-se limitado a reparar as fissuras das Salas do Grande Conselho. Depois de várias perícias, no dia 21 de Abril de 1777 tinha sido decretado, por parte do Serenissimi Collegi, a ernovção da cornija e do pavimento, e as intervenções de conservação das pinturas. Esta solução mínima tinha a oposição de quem acreditava conseguir os fundos necessários recorrendo à intervenção privada, no caso a dos Giustiniani, com um pedido explícito dirigido aos dois senadores da família, Brizio e Ottavio. O incêndio havia tornado mais actual aquela necessidade.
A reconstrução thumb|300px|A fachada neoclássica do Palazzo Ducale di Genova, edificada depois do incêndio de 1777
Agostino Lomellini e Marcello Durazzo foram encarregados de dirigir a reconstrução. Mandaram cobrir provisoriamente os telhados abertos para evitar as infiltrações pluviais; para fazer isso, recorreram às madeiras e aos toldos das quatro galés da República (Capitana, Raggia, Santa Maria, San Giorgio).