O transporte tubular abrange todas as partes constituintes de uma instalação física, através da qual os líquidos (petróleo e seus derivados) ou gases (gás natural, dióxido de carbono) são transportados, incluindo as tubagens e os equipamentos a elas anexados, tais como válvulas, etc. Fazem também parte desta instalação unidades de compressão, estações de bombagem, estações de dosagem, estações de regulação, estações de distribuição, etc.

O transporte tubular é o tipo de transporte mais seguro e eficiente no que se refere à transportação de petróleo bruto e gás natural, desde os campos de produção até às refinarias e fábricas de transformação. É também o mais indicado para fazer chegar os derivados do petróleo e gás natural até aos consumidores (CEPA, ). A figura 1 mostra-nos um exemplo ilustrativo de um transporte tubular.

O transporte tubular veio desempenhar um papel vital na nossa vida diária. Na cozinha e nas limpezas, nos trajectos do dia-a-dia, no transporte aéreo e no aquecimento das nossas casas, é tudo possível graças às redes de distribuição de combustíveis através de tubulações, sendo a única maneira viável de transportar enormes volumes destes líquidos e gases. A utilização deste tipo de transporte permite evitar congestionamentos nas nossas vias marítimas e rodoviárias como também acidentes que nelas possam vir a ocorrer. Em suma, o transporte tubular é prático e seguro (PHMSA, ). O transporte tubular pode assim ser instalado em qualquer meio, qualquer terreno ou ambiente. Para isso existem três tipos de transporte tubular que se podem instalar: terrestre, subaquático e aéreo.

O transporte tubular terrestre consiste num tipo de transporte em que o veículo utilizado compõe a própria infra-estrutura construída, a qual irá permitir a distribuição de, principalmente, produtos petrolíferos a longas distâncias. Isto faz com que seja o meio mais seguro e económico de transporte deste tipo de produtos, interligando regiões produtoras, plataformas, refinarias, terminais marítimos e os centros consumidores. É responsável pela diminuição de tráfego quer nas rodovias como nas ferrovias, aumentando assim a sua segurança e diminuindo a poluição causada pelo tráfego (Dias, 2007).

O transporte tubular subaquático é necessários para o transporte do crude e de gases, desde os poços de petróleo e de gás no mar alto até ao transporte tubular terrestre que posteriormente transporta os produtos para as refinarias ou outras instalações. Eles são bem mais caros e de difícil construção do que os transportes tubulares terrestres. A sua construção geralmente emprega uma embarcação onde os tubos são soldados uns aos outros e conectados às tubagens terrestres. À medida que as secções vão sendo soldadas até à extremidade das tubagens, a embarcação move-se em direcção ao poço de petróleo, e as partes do tubo já concluídas são continuamente rebaixadas atrás da embarcação para o mar. A construção prossegue até a embarcação chegar ao poço de petróleo. No mar alto, são utilizados navios em detrimento das embarcações devido às enormes ondas (Liu, 2009).

O transporte tubular aéreo, figura 17, é concebido para suspender tubagens de largo diâmetro entre um determinado número de torres, espaçadas entre si, entre todos os tipos de terreno e em quaisquer climas. Cada uma das torres possui uma armação em forma de ‘A’, com um cabo suspenso entre cada uma delas por entre a abertura do meio das pernas da torre. Este cabo tem a finalidade de transportar as condutas tubulares e outros materiais durante a construção, e também de transportar equipas de inspecção e de manutenção, numa fase posterior à construção. As tubagens serão então suspensas a partir das torres e estendidas através da abertura das suas pernas (Aerial, 1972).

Este meio de transporte não deve ser confundido com o underground tubular transport (UTT), por sua vez distinto do transporte por túnel. O UTT é um meio de transporte totalmente novo, inspirado na tecnologia espacial (Winkelman, 2007). Ver também, UTP and ULS: underground transport best guarantee for sustainable mobility - part 3

História

thumb|left|Figura 2. Edwin Drake.

As primeiras condutas terão sido provavelmente construídas na China, por volta do ano 500 aC. A sua utilidade seria transportar o gás natural, proveniente dos poços de gás, para aquecer água salgada com o intuito de lhe retirar o sal (CEPA, ).

Seguiram-se anos de desenvolvimento do transporte tubular (Pipeline, ):

1859 - Por intermédio do “Coronel” Edwin Drake, figura 2, em Titusville (Pensilvânia), e após a perfuração do primeiro poço de petróleo, começou-se a utilizar este tipo de transporte para a deslocação de produtos petrolíferos. Em duas décadas, a produção de petróleo cresceu de tal maneira que mais de 80% do consumo mundial de petróleo era fornecido pela Pensilvânia.

1863 – As primeiras descobertas de petróleo eram transportadas para as estações ferroviárias em barris de whisky agora convertidos em barris de petróleo, que por sua vez seriam transportados em carroças movidas por cavalos. Desde o início, o transporte era a chave para o sucesso, e os condutores das carroças, conhecidos na altura como teamsters, detinham o primeiro monopólio regional. Eles cobravam mais para mover um barril de petróleo durante 8 km a cavalo, do que todo o restante transporte ferroviário desde a Pensilvânia até à cidade de Nova Iorque.

Os primeiros sistemas de tubagens eram curtos e muito primitivos e só poderiam ser úteis se os furos de petróleo estivessem próximos de tanques ou refinarias. Com o rápido aumento da procura do produto (geralmente querosene), surgiram mais poços e aumentou a necessidade de transporte dos produtos para o mercado. Foi então, rapidamente necessário desenvolver a qualidade, e prolongar os sistemas de condutas e de tubagens.

1865 - Foi construída, apesar das ameaças, ataques com armas, fogo posto e sabotagem, a primeira conduta de madeira, com cerca de 14,5 km. Durante esta altura na história, um jovem empresário chamado John D. Rockefeller, adquiriu activamente refinarias de querosene e estabeleceu grandes laços com as ferrovias. Em 1870, juntou todas as suas empresas numa só, a Standard Oil Company.

1879 – Negociantes de petróleo, em desespero de causa, para competir com a posição de Rockefeller nos sistemas de transporte, construíram a primeira linha principal de fornecimento de petróleo chamada Tidewater. Ao fim de um ano, Rockefeller era já proprietário de metade da Tidewater e logo instalou uma rede de transportes tubulares até Buffalo, Filadélfia, Cleveland e Nova Iorque.

1880 até 1905 – Entretanto, nos Estados Unidos, geólogos foram surpreendidos ao depararem com descobertas de petróleo em Ohio, Oklahoma, Kansas e com o primeiro verdadeiro poço de petróleo que brota naturalmente em Spindletop, Texas, o qual fluía 110 000 barris por dia. As refinarias começaram a surgir próximas de campos de petróleo e novos mercados (sendo o de Rockefeller o maior deles), surgiram na margem sul do lago Michigan, em Whiting, Indiana. Até ao virar do século, o petróleo foi sendo descoberto cada vez mais para ocidente, mais propriamente na Califórnia.

1905 – O negócio petrolífero deixou de ser a querosene e passou a ser a gasolina. As lâmpadas de petróleo foram substituídas por lâmpadas eléctricas, o que reduziu consideravelmente o mercado de querosene. No entanto Henry Ford veio alterar a paisagem com a produção em massa de automóveis. Os sistemas de transporte tubular que transportavam o crude desde os grandes campos de petróleo no Texas, Oklahoma e Kansas até às refinarias presentes no oriente, começavam a atravessar o país.

1917 – Até à chegada da Primeira Guerra Mundial, as condutas petrolíferas já percorriam a maior parte da nação.

1920 – Durante a década de 1920, impulsionados pelo crescimento da indústria automóvel, surgiu um crescimento da quilometragem de condutas petrolíferas, nos Estados Unidos, para mais de 185 069 km.

1945 – Durante a Segunda Guerra Mundial, os sistemas de produção cresceram rapidamente ao longo da costa oriental. 48 Petroleiros foram afundados nas fases iniciais da guerra, mostrando uma certa vulnerabilidade por parte dos Estados Unidos para tal ataque. Isto levou a que surgisse uma larga expansão do diâmetro das condutas petrolíferas terrestres que transportavam o crude e os produtos petrolíferos desde áreas como o Texas e Oklahoma até aos consumidores da costa oriental.

1950 até 1960 – Nas décadas de 50 e 60, o equilíbrio da oferta foi mudando rapidamente. Pela primeira vez os Estados Unidos eram um importador de petróleo. As companhias de petróleo americanas tornaram-se grandes exploradoras deste bem essencial mesmo nas terras mais longínquas. As principais descobertas foram feitas em locais como Egipto, Argentina, Venezuela,Médio Oriente, Mar Cáspio, Mar da China, Mar do Norte, Oeste do Canadá e África Ocidental.

1970 até 1977 – Na sequência da descoberta de um campo petrolífero no Alasca, em 1968, os criadores dos sistemas de transporte tubulares enfrentaram o desafio de construir uma conduta capaz de transportar 1,6 milhões de barris de petróleo por dia ao longo de cerca de 800 km de gélidas montanhas cobertas de neve e de uma tundra praticamente congelada. Concluído em 1977, o transporte tubular denominado Trans-Alaska, chegou a transportar mais de 2 milhões de barris por dia em 1988 e ainda hoje continua a fornecer cerca de 1 milhão.

1970 até 1990 – As condutas foram-se tornando cada vez mais versáteis à medida que eram chamadas para recolher petróleo e gás a 1 km abaixo da superfície do oceano; transportar químicos especiais entre fábricas químicas e as refinarias; transportar líquidos de gases naturais destinados ao desenvolvimento do aquecimento regional e para indústrias de olefina.

O transporte tubular continua a desempenhar um papel importante na indústria do petróleo, providenciando segurança, fiabilidade e rentabilidade. À medida que as necessidades de energia aumentam e as populações tendem a instalar-se longe dos seus centros de abastecimento, o transporte tubular é essencial para que nos continue a chegar energia.

Desde os tempos das condutas e dos barris de madeira, a indústria do transporte tubular à medida que se tem vindo a desenvolver, tem implementado as últimas tecnologias nas suas operações e na sua manutenção. Hoje em dia, a indústria utiliza sofisticados controlos e sistemas de computador, materiais de ponta para o fabrico das condutas e técnicas avançadas de prevenção da corrosão.

Actualmente a tecnologia continua a produzir melhores condutas com melhores aços, a encontrar melhores maneiras para instalar essas condutas no solo e analisar continuamente a sua condição mesmo já depois de estarem implementadas no solo. Ao mesmo tempo, as suas regulações de segurança tornaram-se mais completas, isto deve-se em grande parte à melhor compreensão dos materiais disponíveis e ao aperfeiçoamento das técnicas de operação e de manutenção das condutas tubulares.

Tabela 1. Listagem de países de acordo com o comprimento total de transporte tubular nele existente

Posição País Comprimento total de transporte tubular (km) Percentagem de transporte tubular no mundo Estrutura Data da informação1 793 28540,48%Produtos petrolíferos 244 620 km; Gás natural 548 665 km20062 244 82612,49%Aquecimento (água quente) 122 km; Gás 158 699 km; Petróleo 72 347 km; Produtos refinados 13 658 km20073 98 5445,03%Petróleo bruto e refinado 23 564 km; Gás de petróleo liquefeito 74 980 km200616 22 2891,14%Aquecimento (água quente) 244 km; Gás 12 070 km; Petróleo 351 km; oil 5 214 km; Produtos refinados 4 410 km200774 1 2970,07%Gás 1 098 km; Petróleo 11 km; Produtos refinados 188 km200777 1 2200,06%Gás 234 km; Gás de petróleo 85 km; Petróleo 896 km; Petróleo/Gás/Água 5 km2007 Outros países 798 04040,73% TOTAL1 959 501100%

Componentes do transporte tubular

thumb|500px|right|Figura 3. Componentes do transporte tubular.

Injecção inicial do produto