O escândalo do caso Alstom consiste numa série de denúncias de suborno envolvendo a empresa francesa Alstom e governos de vários países do mundo. No Brasil, foi apontado o envolvimento de autoridades ligadas ao Governo do Estado de São Paulo. Tais denúncias foram veiculadas pela imprensa internacional, especialmente pelo Wall Street Journal e por Der Spiegel, a partir de 2008, THE FRENCH CONNECTION: Did Alstom Bribe like Siemens? Por Jürgen Dahlkamp, Jörg Schmitt e Stefan Simons. Spiegel Online International, 7 de janeiro de 2008.com repercussão no Brasil, principalmente pelos jornais O Estado de S. Paulo Alstom teria pago propina usando offshores.] Agência Estado, 30 de maio de 2008. Para Suíça, Alstom usou offshores em propina. Pagamentos seriam feitos com base em consultorias de fachada; valor das "comissões" chega a R$ 13,5 milhões. Por Sônia Filgueiras e Eduardo Reina. Estadão, 30 de maio de 2008] e Folha de S. Paulo.Caixa 2 de FHC citava empresas da Alstom. Por José Ernesto Credendio, Mario Cesar Carvalho e Andrea Michael. Folha de S. Paulo, 4 de julho de 2008
Segundo foi divulgado pela imprensa, a Alstom desembolsou US$ 6,8 milhões em propinas para conseguir um contrato de 45 milhões de dólares na expansão do metrô de São Paulo.La justice suisse soupçonne le groupe Alstom de corruption. Le Monde, AFP e Reuters, 22.08.08, 15h10]
Conforme consta de documentos enviados ao Ministério da Justiça do Brasil pelo Ministério Público da Suíça, no período de 1998 a 2001 pelo menos 34 milhões de francos franceses teriam sido pagos em suborno a autoridades do Governo do Estado de São Paulo e a políticos paulistas, através de empresas offshore, ou seja, empresas criadas em paraísos fiscais, onde gozam de proteção por regras de sigilo que dificultam investigações. Os pagamentos teriam sido feitos mediante contratos de 'consultoria de fachada'. O valor das "comissões" pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos com o Governo de São Paulo chegaria a aproximadamente R$ 13,5 milhões. Segundo concluiu o Ministério Público da Suíça, ao fazer o cruzamento de informações, esses trabalhos de "consultoria" foram considerados fictícios.
No período de negociação e da assinatura desses contratos de consultoria, estiveram à frente da Secretaria de Energia de São Paulo - que comandava a Eletropaulo - o então genro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, David Zylbersztajn (que deixou o cargo em janeiro de 1998, para assumir a direção geral da Agência Nacional do Petróleo), o ex-secretário de Coordenação das Subprefeituras da cidade de São Paulo, Andrea Matarazzo, que ocupou a secretaria por alguns meses, e o ex-secretário estadual dos Transportes, Mauro Arce.
Um ex-diretor da Alstom contou em depoimento à Polícia Federal que a multinacional francesa pagou propina a um ex-assessor do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), presidente nacional do PMDB, para receber uma dívida de R$ 42 milhões da Eletronorte Alstom deu propina para receber da Eletronorte. Por Reinaldo Azevedo. Veja, 27 de outubro de 2013.
Informações sobre a Eletropaulo A Alstom estava sendo investigada no Brasil, na Suíça e França por supostos pagamentos de propina para obter contratos com estatais em São Paulo e outros Estados brasileiros, que teriam sido negociados junto aos governantes tucanos por Claudio Mendes. O engenheiro francês Jean Pierre Courtadon, contratado em 1996 para dar assistência técnica e comercial para a viabilização de um contrato com a Eletropaulo, confirmou a ação do principal suspeito de negociar propinas com os tucanos - Claudio Luiz Petrechen Mendes.<ref name=ALSTOM14>[http://txt.estado.com.br/editorias/2008/07/01/pol-1.93.11.20080701.16.1.xml Offshore foi aberta a pedido do grupo Alstom, diz francês.] Por Eduardo Reina. O Estado de S. Paulo, 1º julho de 2008.</ref>
Conforme o jornal Folha de S. Paulo, o engenheiro Courtadon declarou ao Ministério Público que o sociólogo Claudio Mendes, apontado como pivô do caso Alstom, vendia "facilidades" e contatos com pessoas do governo de São Paulo para empresas da área de energia. Os dois estão sendo investigados no caso Alstom por suspeita de terem recebido recursos, que depois foram distribuídos entre políticos do PSDB paulista, entre 1998 e 2003, durante os governos de Mario Covas e Geraldo Alckmin. Engenheiro diz que suposto pivô do caso Alstom vendia "facilidades". Folha Online, 27 de junho de 2008 Depois, Courtadon disse que talvez tenha sido mal interpretado ao afirmar que Claudio Mendes vendia "facilidades' de acesso a membros do governo. "Como não tenho total domínio da língua portuguesa, posso ter usado inadequadamente algum termo, que causou errônea interpretação." Courtadon disse também que a Folha violou a lei ao divulgar o conteúdo de depoimento feito em investigação que corre sob segredo de Justiça. Por isso, ameaçou processar o jornal, se o conteúdo de seu depoimento fosse publicado. Na mesma matéria, o jornal defendeu-se, observando que "a lei diz que autoridades, não jornalistas, são obrigadas a preservar o sigilo nesse tipo de investigação".Engenheiro sugere má interpretação. Folha de S. Paulo, 27 de junho de 2008.
Claudio Mendes, por sua vez, disse que nunca vendeu "facilidades" nem acesso ao governo para empresas porque não conhecia o governador Mario Covas nem seus auxiliares (Folha de S.Paulo, 27 de junho de 2008). Porém, segundo a revista Época, Mendes, "além de ter sido um dos assessores mais próximos de Mário Covas, foi secretário-adjunto de Robson Marinho na Casa Civil."O código "Neves": Investigadores têm novas pistas sobre o elo entre políticos e a Alstom no pagamento de propinas. Por Wálter Nunes. Época, 5 de julho de 2008
O arquivamento da CPI da Eletropaulo Em 2008, a bancada de apoio ao então governador José Serra na Assembleia Legislativa de São Paulo bloqueou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Eletropaulo, impedindo que fossem investigadas ou mesmo discutidas as acusações que pesavam sobre a fornecedora de equipamentos Alstom e o governo de São Paulo. A investigação do governo suíço havia obtido um arquivo de 11 pastas, escondido na casa da secretária de um banqueiro, em Zurique, no qual está documentado que, em 1997, a Alstom começou a pagar propinas de pelo menos US$ 5 milhões a um intermediário brasileiro, identificado como "Claudio Mendes". Esse dinheiro destinava-se a facilitar a aprovação de contratos de compra de equipamentos para hidrelétricas e para o Metrô de São Paulo.O "Claudio" da Alstom e o garrote do PSDB. Abafaram o caso na Assembleia paulista e ele reapareceu em todo o mundo, no "Wall Street Journal. Por Elio Gaspari. Folha de S. Paulo, 22 de junho de 2008 (disponível para assinantes do UOL ou da Folha de S. Paulo) Surgiu uma nova pista na investigação sobre a propina paga pela Alstom, a integrantes do governo paulista e do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Trata-se do empresário José Amaro Pinto Ramos, de grande proximidade com políticos do PSDB.Lobista ligado a tucanos é alvo de promotor no caso Alstom. Conhecido de empreiteiros, Ramos tratava Sérgio Motta de ‘amigo fraterno’. Por Eduardo Reina. O Estado de S. Paulo, 18 junho de 2008.
Em 31 de maio de 2008 o governador José Serra declarou à Folha de S. Paulo, com relação à denúncia de propinas pagas pela Alstom a membros do governo do PSDB anterior ao seu que : não há o que investigar e que soube dos documentos suíços pelos jornais. Serra descarta investigação em caso Alstom; e Alckmin se cala. Mococa, SP: Folha de S. Paulo, 31/05/2008 - 08h47 Sobre o fato de seu atual secretário de Estado dos Transportes, Mauro Arce, ter sido secretário de Energia durante a época em que os repasses foram feitos às offshores, Serra respondeu: Não há o que declarar.
O ex-governador e candidato a prefeito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) também não quis comentar as investigações do caso Alstom. Segundo sua assessoria de imprensa, Alckmin apoia as investigações relativas ao caso e afirma desconhecer as irregularidades apontadas até agora pelas autoridades.Cláudio Mendes, considerado pela imprensa "o grande negociador de propinas para políticos de São Paulo com a Alstom" (entre 1998 e 2003),Suspeito no caso Alstom omite participacao em empresa. Estadão, 26 de junho de 2008 segundo a Justiça da Suíça, omitiu informações sobre a sua participação em empresas de consultoria, importação e exportação no depoimento prestado ao Ministério Público brasileiro. Mendes omitiu ter sociedade na Inter Empresarial Comercial Importação e Exportação e na Techpar Engenharia e Participações, o que pode ser crime de falso testemunho. Mendes teria começado a intermediar negociações entre empresas e o governo paulista no final da década de 1980, atuando até 2004, passando pelas administrações de Orestes Quércia, Luiz Antonio Fleury, Mário Covas e Geraldo Alckmin".
Contratos da Alstom com o governo Alckmin foram julgados irregulares pelo TCE O TCE (Tribunal de Contas do Estado) julgou irregular uma compra de 12 trens da Alstom, no valor de R$ 223,5 milhões, feita sem licitação pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), empresa do governo de São Paulo. O contrato foi assinado em 28 de dezembro de 2005, no governo de Geraldo Alckmin (PSDB).TCE julga irregular compra de R$ 223 mi de estatal de SP. Por Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio. Folha de S.Paulo, 21 de maio de 2008.
Suborno de 200 milhões de dólares, na Usina Hidrelétrica de Itá Segundo o Der Spiegel, a Alstom está sendo acusada pelo governo Suíço de ter pago em 1998, através da Compañía de Asesores de Energia, uma empresa panamenha, propinas no valor de 200 milhões de dólares La Suisse et la France pistent la «caisse noire» d’Alstom. Por Nicolas Cori. Quotidien, 7 de maio de 2008. a integrantes do governo brasileiro para obter a concessão da Usina Hidrelétrica de Itá no Brasil num contrato de 1,4 bilhões de dólares.French Firm Scrutinized In Global Bribe Probe. Por David Crawford. Offnews.info, 5 de julho de 2008. Esse é mais um dos desdobramentos do episódio que ficou conhecido como o 'Escândalo do caso Alstom'. Investigações em andamento estão sendo feitas por autoridades brasileiras e examinam 139 contratos assinados entre a Alstom e o Governo do Estado de São Paulo nos últimos anos, num valor total de 4,6 bilhões de dólares. Alstom à nouveau soupçonné de corruption par la justice suisse]. Por Daniel Eskenazi. Le Temps.ch, 23 de agosto de 2008</ref>De nouveau soupçonné de corruption au Brésil, Alstom risque gros. RFI, 30 de junho de 2014.
Suborno no caso Alstom é o dobro, revela Justiça suíça Documentos já auditados na Suíça, pela empresa de auditoria KPMG Fides Peat, mostram que ultrapassa a US$ 31 milhões o montante destinado pela Alstom a contas offshore, localizadas em paraísos fiscais e que foram usadas para pagar suborno a políticos em quatro países, dos quais a maior parte foi destinada ao governo de São Paulo, na gestão Geraldo Alckmin, para obtenção de contratos com estatais. A multinacional também enviou parte desses dólares para Cingapura, Indonésia e Venezuela.
Em 2011, a Alstom foi condenada pelas autoridades suíças por pagamento de propinas para ganhar licitações para execução de obras, em vários países. Alstom fined $42 mln in Swiss bribery probe. Por Dominique Vidalon. Reuters, 22 de novembro de 2011.