Rui Horta (Lisboa, 20 de Abril de 1957) é um coreógrafo e bailarino português, Prémio Almada (2003), na área da dança.

Biografia Rui Horta começou a dançar aos dezassete anos nos Cursos de Bailado do Ballet Gulbenkian, com Jorge Salavisa e Wanda Ribeiro da Silva.

Em 1977 funda o Grupo Experimental de Dança Jazz, e no ano seguinte vai para Nova Iorque onde terminou a sua formação em Dança, ensinou e foi intérprete durante vários anos.

Em 1984 regressa a Portugal e entre esse ano e 1987 fundou e dirigiu a Companhia de Dança de Lisboa, e a Escola de Dança Rui Horta (no edifício dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses), sendo um dos principais agentes no desenvolvimento de uma nova geração de bailarinos e coreógrafos portugueses.

Em 1988 sai da Companhia de Dança de Lisboa e funda o colectivo Rui Horta & Friends, para o qual cria Linha (com Carlota Lagido, Francisco Camacho, Paulo Ribeiro e Clara Andermatt, entre outros), e no ano seguinte Interiores. Com estas duas obras, realizou as suas primeiras digressões pela Europa.

Foi então (1990) convidado a fundar o S.O.A.P. Dance Theatre Frankfurt, companhia residente no Künstlerhaus Mousonturm, em Frankfurt. Com o S.O.A.P. criou seis programas: Long time before the end, Made to Measure, Domestic Arrangements,Object Constant, Glass/Short stories of fools e Khora, que estiveram em digressão por todo o mundo, em alguns dos mais importantes festivais e teatros, tais como: Festival Steps (Zurique); Festival The Turning World, no Place Theatre (Londres); Festival International de Nouvelle Danse (Montréal), Festival Dancin' City (Copenhaga); International Theater Festival (Tóquio); Tanz im August (Berlim); Vooruit (Gent); The Joyce Theater (Nova lorque); Harbourfront Centre (Toronto); Moskojew Theater (Moscovo); Maison de la Danse (Lyon); bem como no Thêatre de la Ville (Paris) que viria a co-produzir o seu trabalho ao longo de uma década.

Desde 1998, ano em que criou o colectivo Rui Horta Stageworks (resultando da sua produção como freelance), até 2000, Rui Horta trabalhou em Munique, como coreógrafo residente no Muffathalle. Para este novo projecto criou, Bones & Oceans (solo com o actor e bailarino Anton Skrzypiciel (1998), e duas novas produções colectivas: Zeitraum (1999) e Blindspot (2000).

Em Agosto de 2000, regressou a Portugal, com a sua mulher de então, Pia Kraemer, e os seus três filhos, instalando-se em Montemor-o-Novo onde estabeleceu um centro multidisciplinar de pesquisa e criação, O Espaço do Tempo, sediado no Convento da Saudação. Paralelamente (até 2002), foi Artista Associado à Maison de la Culture de Bourges.

Durante os anos seguintes, as suas criações foram apresentadas intensamente por todo o mundo, particularmente as peças Pixel (2001), LP (2004), SetUp (2005) e Scope (2007). 

Durante a temporada de 2009/2010 foi artista associado ao Centro Cultural de Belém, Lisboa (Talkshow, em 2009 e Lágrimas de Saladino e Local Geographic, 2010), tendo igualmente encenado o espectáculo 4’33’’ (Tributo a John Cage), com o Remix Ensemble/Casa da Música, Porto (2010). Ainda na Casa da Música, apresentou em 2012 Danza Preparata, sonatas e interlúdios de John Cage, com a bailarina Silvia Bertoncelli e o pianista Rolf Hind, obra que circulou intensamente por toda a Europa.

No âmbito do ensino, foi, nos anos 80 e 90, professor convidado no Laban Centre e na London Contemporary Dance School, ambos em Londres; nos Conservatórios de Paris e Lyon; na Perridance e na Steps (Nova lorque), entre outros.

Dirigiu vários projectos de formação avançada, tais como o SiWiC, em Zurique (1998), The Coaching Project 2000, em Düsseldorf, o Colina – Collaborations In Arts, em Montemor-o-Novo (em 2003 e 2004) e Tryangle (2011).

Ensinou desenho de luz em várias ocasiões, como por exemplo em Moscovo e Salvador da Bahia, a convite do Instituto Goethe.

Como coreógrafo, encenador, desenhador de luz e cenógrafo, criou obras para diversas companhias de reportório, tais como Hereux de s’asseoir, para o Ballet du Grand Théâtre de Genève (1997), Flat Space Moving, para o Cullberg Ballet (1997); Garden, para o Nederlands Danstheater(1999);  Olakala, para a Companhia de Novo Circo francesa Les Arts Sauts (2003),  Polar Sequences, para a Random Dance (2003), Pocket Ocean (2004) e Happy New Year (2006) para a Icelandic Dance Company; Mute,  para o Scottish Dance Theatre (2006), Can you see me? (2006),para a Phoenix Dance Company , Great Originals, para o Staats Theater Nurenberg(2007), Stream, para a Malmö Opera (2007), Einstein Dreams, para o  Ballet da Ópera de Gotenburgo (2010), etc...

Remontou diversas peças suas para várias companhias internacionais, como a Opéra de Marseille (Flat Space Moving,1999), Noordans (Ordinary Events e Nest), Statts Theater Giessen (Diving, Ordinary Events e Khora), Icelandic Dance Company ( Diving, Ordinary Events), Carte Blanche (Ordinary Events, Diving e Object Constant), o Ballet Opera de Dortmund e Ballet Opera de Linz (Wolfgang, bitte... e Ordinary Events), o Theater Am GaertnerPlatz (Happy New Year), Groupe Grenade (Spotlight), Ballet du Nord (Ordinary Events), entre outros.

Em Portugal, criou ainda peças para o Ballet Gulbenkian (Lunar, o dia fragmentado (1997); Cartografias dos lugares comuns (1999); À Mesa em 15 Minutos (2000) e Monólogos do Oriente, tendo remontado para esta companhia Wolfgang, bitte..., e Flat Space Moving (1998). Para a Companhia Nacional de Bailado criou Come Together (2008) e Romeu e Julieta (2016).

Para a Companhia Instável, criou em 2006 Pure, que reuniu as peças Garden, With e Nest.

A sua actividade criativa pluridisciplinar tem-se traduzido em colaborações com outros autores (Contigo, peça de novo circo co-encenada por Rui Horta e João Paulo Santos e estreada no Festival d’Avignon em 2006); e em áreas como a música (Zoetrope, em colaboração com a banda Micro Audio Waves em 2009 ou Lágrimas de Saladino, com a Sociedade Antiga Filarmónica Montemorense “Carlista” (2010), a ópera, Flowering Tree, encenação da ópera de John Adams, Fundação Gulbenkian e Paint Me, encenação da ópera de Luís Tinoco e Stephen Plaice, Culturgest, ambas em 2010; e The Rakes Progress, para o Theater Basel (1999) e posteriormente para o Teatro Nacional S. Carlos, Lisboa, 2015); o cinema (Rugas, 2010); e o teatro, tais como Estado de Excepção (2012), Multiplex (2013) e Cabul (2015), peças em que estabeleceu uma forte cumplicidade com o actor Pedro Gil.

Actualmente, Rui Horta prepara uma criação para o Tanzteater Maiz (estreia em Mainz a 21 de Janeiro de 2017), um novo solo para ele próprio (estreia em Abril de 2017), a remontagem de Object Constant (estreia em Fevereiro de 2018) e uma nova produção de ópera com o libretista Stephen Plaice e o compositor Luís Tinoco (estreia em Setembro de 2018).

Distinções Rui Horta recebeu diversos prémios e condecorações, para além de vários prémios atribuídos pela imprensa o seu trabalho dos anos 1990 foi considerado como herança da dança alemã (Deutsche Tanz Herbst): Primeiro prémio nos Rencontres Choréographiques Internationales de Bagnolet Bonnie Bird Award (1992) German Producers Prize (1999) atribuído de dois em dois anos por um júri de 14 directores de teatro para premiar trabalhos notáveis da cena independente de dança alemã Prémio ACARTE, da Fundação Calouste Gulbenkian (com a peça Pixel, 2001) Prémio Almada (2003), na área da "Dança", partilhado com a coreógrafa Olga Roriz, atribuído pelo Instituto das Artes (IA), do Ministério da Cultura, a par do compositor Álvaro Salazar (Música) e do encenador Jorge Silva Melo (Teatro) que declinaria o prémio. Em 2008 foi feito Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 6 de junho. Em 2011 foi feito Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, a 10 de maio, em nome do Ministro da Cultura e da Comunicação francês.Não registada na Presidência da República Portuguesa.

Obras

Hereux de s’asseoir (1997), para o Ballet du Grand Théâtre de Genève Flat Space Moving (1997), para o Cullberg Ballet Wolfgang, bitte..., S.O.A.P. Dance Theatre Frankfurt Object Constant (1997),  S.O.A.P. Dance Theatre Frankfurt Lunar (1997), para o Ballet Gulbenkian Linha (1998), Rui Horta & Friends Bones & Oceans (1998) Interiores (1999), Rui Horta & Friends Zeitraum (1999) Garden (1999), para o Nederlands Danstheater The Rakes Progress (1999), para o Theater Basel Cartografias dos lugares comuns (1999), para o Ballet Gulbenkian Blindspot (2000) À mesa em 15 minutos (2000), para o Ballet Gulbenkian Pixel (2001), Rui Horta Stageworks Olakala (2003), para a Companhia de Novo Circo francesa Les Arts Sauts SetUp (2005), Rui Horta Stageworks Pure (2006), para a Companhia Instável Contigo, com João Paulo Santos Scope (2007), Rui Horta Stageworks Great Originals (2007), para o Staats Theater Nurenberg Stream (2007), para a Malmö Opera Come together (2008), para a Companhia Nacional de Bailado Talkshow (2009) Zoetrope (2009), com Micro Audio Waves Lágrimas de Saladino (2010) Local Geographic (2010) Einstein Dreams (2010), pelo Ballet da Ópera de Gotenburgo   Rugas (filme, 2010) 4’33’’ (Tributo a John Cage) (2010), com o Remix Ensemble/Casa da Música Flowering Tree (2010), encenação da ópera de John Adams, Fundação Gulbenkian, Lisboa     Paint Me (2010), encenação da ópera de Luís Tinoco e Stephen Plaice, Culturgest, Lisboa Danza Preparata (2012) Estado de Excepção (2012) Multiplex (2013) Hierarquia das Nuvens (2014), Rui Horta Stageworks The Rakes Progress (2015), para o Teatro Nacional S. Carlos, Lisboa Cabul (2015) Romeu e Julieta (2016), para a Companhia Nacional de Bailado

Ligações externas

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