O Rurik (Рюрик) foi um cruzador blindado operado pela Marinha Imperial Russa. Sua construção começou em agosto de 1905 nos estaleiros britânicos da Vickers, Sons & Maxim em Barrow-in-Furness, e foi lançado ao mar em novembro do ano seguinte, sendo entregue para a frota russa em setembro de 1908. Era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 254 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento normal de mais de quinze mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora).

O Rurik teve um início de carreira tranquilo e passou seus primeiros anos de serviço atuando no Mar Báltico. A Primeira Guerra Mundial começou em meados de 1914 e o navio operou com os outros cruzadores da frota, atacando posições alemãs e também participando de operações de criação de campos minados. Entrou em combate apenas uma única vez sua carreira, na Batalha da Gotlândia em julho de 1915. Nesta, enfrentou sem sucesso três cruzadores alemães e foi alvejado várias vezes, porém não foi seriamente danificado e sua presença fez os alemães recuarem.

A embarcação bateu em uma mina naval alemã em novembro de 1916 e foi seriamente danificada, passando meses sob reparo. A Revolução Russa estourou durante esse período e o Rurik acabou tomado pelos bolcheviques no final de 1917. A Rússia saiu da guerra no início de 1918 e o navio foi atracado em Kronstadt em outubro, onde permaneceu inativo pelos três anos seguintes se deteriorando. Estava em condições muito ruins em novembro de 1923 e assim a Frota Naval Militar Soviética decidiu descartá-lo, sendo rebocado para Petrogrado e desmontado entre 1924 e 1925.

Desenvolvimento A Marinha Imperial Russa realizou em 1904 uma competição de projeto que pediu propostas de vários estaleiros nacionais e estrangeiros para um novo cruzador blindado. O deslocamento máximo foi fixado em quinze mil toneladas, mais do que o dobro da predecessora Classe Bayan. A vencedora em junho de 1905 foi a britânica Vickers, Sons & Maxim e ela apresentou várias propostas, incluindo uma armada com doze canhões de 254 milímetros. Os russos acabaram escolhendo um navio ligeiramente menor com deslocamento de aproximadamente 13,7 mil toneladas com quatro canhões de 254 milímetros e doze de 203 milímetros, mais um armamento defensivo de vinte armas de 76 milímetros.

Experiências da Guerra Russo-Japonesa levaram a refinamentos do projeto. Canhões de 120 milímetros substituíram os 76 milímetros porque estas não eram poderosas o bastante para enfrentar os mais modernos barcos torpedeiros e contratorpedeiros. Quatro canhões de 203 milímetros foram removidos para economizar peso. A blindagem lateral provou-se importantíssima na guerra e foi aumentada no novo navio. O deslocamento aumentou em 1,5 mil toneladas apesar das medidas de redução de peso. A Marinha Imperial planejava construir outros dois cruzadores do mesmo projeto em estaleiros nacionais, mas esses planos foram abandonados por conta de problemas orçamentários, o advento de novas turbinas a vapor e a chegada dos cruzadores de batalha britânicos da Classe Invincible em 1907.

O Rurik foi considerado por historiadores como um bom projeto, mesmo com o surgimento dos mais poderosos cruzadores de batalha. N. J. M. Campbell afirmou que era "o melhor navio grande construído pela Marinha Russa até 1905", com Campbell e Anthony Watts afirmando que fora um dos melhores cruzadores blindados construídos.

Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho do Rurik O Rurik tinha 149,4 metros de comprimento entre perpendiculares, 157,6 metros de comprimento da linha de flutuação e 161,23 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 22,86 metros, calado de 7,92 metros e deslocamento normal de toneladas. Seu castelo de proa estendia-se até o mastro principal e o casco incorporava uma proa com rostro. A superestrutura consistindo apenas na torre de comando principal à vante com uma ponte de comando e uma torre de comando secundária menor à ré.

Foi finalizado apenas com um mastro de poste colocado pouco à frente da torre de comando secundária, mas um mastro de vante também de poste foi instalado em cima da torre de comando principal na época em que entrou em serviço em 1909. O mastro de vante substituído por volta de 1917 por um mastro em tripé mais firme para aguentar uma gávea usada na observação dos disparos de seus canhões. A direção era controlada por um único leme. Sua tripulação era formada por 26 oficiais e 910 marinheiros.

O sistema de propulsão consistia em em dois motores a vapor verticais de tripla expansão, cada um girando uma hélice. O vapor para os motores vinha de 28 caldeiras de tubos d'água Belleville a carvão cuja exaustão era canalizada para três chaminés localizadas à meia-nau uma atrás da outra. A potência indicada do sistema era de vinte mil cavalos-vapor (14,7 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). O cruzador podia carregar até toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de 6,1 mil milhas náuticas (11,3 mil quilômetros) navegando a uma velocidade econômica de dez nós (dezenove quilômetros por hora).

Armamento thumb|240px|A segunda torre de artilharia principal do Rurik em julho de 1911 A bateria principal do Rurik consistia em quatro canhões calibre 50 de 254 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, uma instalada à vante e outra à ré na linha central. Estas armas e torres foram projetadas pela Vickers especificamente para o navio. As torres tinham um formato oval e ficavam em cima de uma câmara que lidava com os projéteis e cargas de propelentes trazidas do depósito de munição abaixo. Um conjunto de guindastes levava as munições dos depósitos para a câmara, enquanto outro conjunto os transferia para as torres. Outras medidas de segurança incluíam um sistema de chuveiros automáticos e medidas para que os depósitos fossem inundados rapidamente em caso de um incêndio sério. As armas disparavam projéteis perfurantes ou altamente explosivos de 225,2 quilogramas a uma velocidade de saída de 899 metros por segundo. A uma elevação máxima de 21 graus, o alcance máximo dos projéteis perfurantes era de metros e dos altamente explosivos era de metros. Os canhões precisavam abaixar para entre cinco graus negativos e oito graus para poderem ser recarregados. A cadência de tiro era de dois disparos por minuto.

O armamento secundário tinha oito canhões Padrão 1905 calibre 50 de 203 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, estas localizadas nas pontas da superestrutura, duas em cada lateral. Essas armas também eram projetos da Vickers, porém já tinham sido usadas em vários couraçados pré-dreadnought russos. Disparavam projéteis semiperfurantes de 139,2 quilogramas a uma velocidade de saída de 792,5 metros por segundo. Tinham um alcance de metros a uma elevação de quinze graus; os canhões podiam abaixar até cinco graus negativos e elevar até 25 graus, porém o alcance de disparo para a elevação máxima é desconhecido. As torres secundárias eram bem semelhantes às principais, mas as armas podiam se recarregadas em qualquer ângulo. A cadência de tiro era de três disparos por minuto.

A defesa contra barcos torpedeiros consistia em vinte canhões calibre 50 de 120 milímetros montados em casamatas individuais. Dezesseis ficavam no convés do castelo de proa agrupados ao redor da superestrutura, enquanto os quatro restantes ficavam na popa. Disparavam projéteis semiperfurantes de 28,97 quilogramas a uma velocidade de saída de 792,5 metros por segundo, tendo um alcance de metros a uma elevação de 19,5 graus. A cadência de tiro era de oito disparos por minuto. Quatro canhões Hotchkiss calibre 43 de 47 milímetros finalizavam o armamento. Também foi armado com quatro tubos de torpedo de 450 milímetros. Levava inicialmente um carregamento de torpedos M1908 com uma ogiva de 95 quilogramas. Estes tinham duas configurações de velocidade e alcance: 38 nós (setenta quilômetros por hora) para um quilômetro ou 27 nós (cinquenta quilômetros por hora) para dois quilômetros. Os torpedos M1908 foram posteriormente substituídos pelo modelo M1912 com uma ogiva de cem quilogramas. A performance destes era muito melhor: 43 nós (oitenta quilômetros por hora) para dois quilômetros ou trinta nós (56 quilômetros por hora) para cinco quilômetros.

Blindagem A blindagem do Rurik era feita de placas de aço cimentado Krupp. Seu cinturão principal ficava 2,36 metros acima da linha de flutuação e 1,5 metro abaixo. Sua seção principal ficava entre as barbetas das torres de artilharia principais e tinha 152 milímetros de espessura, diminuindo para 138 milímetros na extremidade superior e 104 milímetros na inferior. À vante da seção principal a espessura diminuía para 102 milímetros com uma extremidade inferior de 76 milímetros, enquanto à ré a espessura era uniforme em 76 milímetros. A seção de ré do cinturão não chegava na extremidade da popa, em vez disso terminando em uma antepara transversal de 76 milímetros. Acima do cinturão ficava uma camada de proteção de 76 milímetros que cobria os armamentos terciários. Havia três conveses blindados: o inferior tinha 25 milímetros de espessura com laterais inclinadas de 38 milímetros que se conectavam à extremidade inferior do cinturão principal, o convés principal tinha 38 milímetros e acima deste o teto das casamatas tinha 25 milímetros.

A torre de comando tinha laterais de 203 milímetros. As torres de artilharia principais tinham frentes e laterais de 203 milímetros e tetos de 64 milímetros, ficando em cima de barbetas com espessura máxima de 180 milímetros. A espessura da barbeta diminuía atrás do cinturão principal para cinquenta a 115 milímetros. As torres de artilharia secundárias tinham frentes e laterais de 180 milímetros e tetos de cinquenta milímetros. Suas barbetas tinham 152 milímetros acima do cinturão e 38 a 76 milímetros abaixo. A proteção subaquática consistia em uma antepara antitorpedo de 38 milímetros, ficando a uma distância de 3,4 metros da parede externa do navio. Essa antepara cobria a cidadela.

Carreira Tempos de paz thumb|240px|esquerda|O Rurik em 1911 O batimento de quilha do Rurik ocorreu em 22 de agosto de 1905 nos estaleiros da Vickers, Sons & Maxim em Barrow-in-Furness, no Reino Unido, sendo lançado ao mar em 17 de novembro de 1906. Fraquezas estruturais foram reveladas durante testes de artilharia em 1907, mas a Marinha Imperial decidiu consertar esses defeitos apenas depois de sua entrega para que assim sua finalização não fosse adiada. Os testes incluíram disparar trinta projéteis de dois canhões de 254 milímetros, outros trinta de duas armas de 203 milímetros e quinze dos canhões de 120 milímetros. O navio excedeu sua velocidade e potência projetadas durante testes de velocidade ocorridos em 1908. O cruzador foi finalizado em setembro de 1908 e entregue para a Marinha Imperial. Viajou para a Rússia e foi enviado para o estaleiro de Kronstadt a fim de passar por modificações estruturais no casco para corrigir os defeitos de projeto. Depois disso operou no Mar Báltico pelos dois anos seguintes, sendo enviado para um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo em julho de 1910. Voltou para o Báltico e permaneceu na região por mais três anos. A partir de 1913 atuou como a capitânia da Frota do Báltico.

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