A Boitempo Editorial é uma editora brasileira, fundada em 1995 por Ivana Jinkings.

No catálogo da editora, sediada em São Paulo, tem destaque a publicação de ensaios, em diversas áreas das ciências humanas, como economia, política, história e cultura, assinados por influentes pensadores nacionais e internacionais de esquerda. No campo da literatura, a Boitempo abriga tanto autores clássicos e consagrados quanto escritores estreantes. Nas palavras de um de seus autores e colaboradores no vídeo comemorativo dos 20 anos da editora, "a Boitempo, sem estar linkada a um partido, ela faz o papel que o Gramsci queria: da hegemonia cultural."Vídeo no Youtube denominado "20 ANOS DE BOITEMPO!", publicado em 15 de dezembro de 2015 no Canal TV Boitempo. A palavra "boitempo" foi inventada por Carlos Drummond de Andrade para nomear um poema. Posteriormente, o nome estendeu-se a uma série de livros de poemas memorialísticos: Boitempo (1968), Boitempo II - Menino Antigo (1973) e Boitempo III - Esquecer para lembrar. O nome da editora homenageia o maior poeta brasileiro e também o criador da primeira Boitempo, o livreiro, jornalista e militante comunista brasileiro Raimundo Jinkings, pai de Ivana.Um caminho trilhado pela esquerda. Saraiva Conteúdo, 30/09/2011

História

Fundação Em 1995, após anos trabalhando como jornalista em São Paulo, Ivana largou a profissão e lançou seu próprio livro e, posteriormente, selo editorial.

Os primeiros títulos a serem publicados foram decididos a partir de reuniões na casa de Ivana. Inicialmente, o objetivo era editar textos de grande qualidade, esquecidos ou ainda inéditos no Brasil, como a obra de estreia da Boitempo - Napoleão, de Stendhal, livro que revela o lado "historiador político" do escritor. A ele se seguiram outros clássicos da literatura, como Machado de Assis, Anatole France e Jack London. Aos poucos, as escolhas literárias passaram a abarcar também novos autores, como Edyr Augusto, Nelson de Oliveira e João Carrascoza, passando por nomes já consagrados, como Flávio Aguiar e Roniwalter Jatobá.

A Boitempo passou a editar também uma linha de ensaios voltada para a história passada e contemporânea, com obras que se tornaram referência em diversos centros de ensino e pesquisa. Os temas são variados e amplos: indústria cultural, ditadura militar, neoliberalismo, trabalho, capitalismo, comunismo, marxismo, questões de gênero, filosofia, educação, ética e meio ambiente. Seu catálogo reúne nomes de prestígio internacional, como Boaventura de Sousa Santos, Edward Said, Emir Sader, Francisco de Oliveira, Giorgio Agamben, Immanuel Wallerstein, István Mészáros, Michael Löwy, Ricardo Antunes, Roberto Mangabeira Unger e Slavoj Zizek.

Projeto Marx-Engels e Curso livre Em 1998, a editora lançou uma edição do Manifesto Comunista, de Marx e Engels. Com o objetivo de traduzir a extensa obra dos dois autores, ao longo de 15 anos, a Boitempo publicou 16 obras dos autores, entre elas A ideologia alemã e O Capital.Sobre a coleção Marx-Engels

Com o intuito de reavivar o interesse por Marx e Engels, em 2008, a Boitempo promoveu um curso livre sobre a obra dos dois autores. O curso teve cerca de 1500 inscritos.NEM SÓ NIETZSCHE FAZ SUCESSO Além disso, no mesmo ano, publicaram 9 títulos dos mesmos autores.

Revista Margem Esquerda Em 2003, a editora lançou a revista semestral marxista Margem Esquerda, que publica estudos inéditos em português de grandes estudiosos marxistas.

Entre os colaboradores estão Paulo Arantes, Leandro Konder, Vladimir Safatle e Slavoj Žižek.

Latinoamericana Organizada por Ivana Jinkings, Emir Sader, Rodrigo Nobile e Carlos Eduardo Martins, a Latinoamericana é uma enciclopédia sobre a América Latina e o Caribe, que resgata aspectos geográficos, sociais, econômicos, políticos e culturais deste continente sob a perspectiva da esquerda. Com 1.344 páginas, concentra-se nos últimos 50 anos de história e tem verbetes assinados por 123 autores de cerca de 20 países. Ganhadora do Prêmio Jabuti de melhor livro de não-ficção 2007 e Prêmio Jabuti de Ciências Humanas 2007, atualmente está sendo traduzida para o espanhol.Gullar ganha o Prêmio Jabuti pelo livro de crônicas "Resmungos"

E-books Desde abril de 2011, a editora vem lançando versões eletrônicas de suas obras.eBooks

Em 2012, a Boitempo anunciou um desconto de 50% nos preços de seus e-books em relação aos exemplares físicos, visando popularizar o formato.Boitempo reduz preço de e-books

Blog Boitempo Desde 2011, a editora criou um blog com colaborações regulares de autores da casa, com texto de abertura de Maria Rita Kehl.

Atualmente, entre os colunistas regulares estão Emir Sader, Michael Löwy, Ruy Braga, Luiz Bernardo Pericás e Mauro Iasi.

Denúncia de plágio Em 2012, a tradutora Denise Bottmann, criadora do blog Não gosto de plágio, acusou a Boitempo de plagiar a tradução de pelo menos duas de suas obras. A denúncia levou a Boitempo a tirar os livros denunciados de circulação e iniciar uma auditoria interna.Editora Boitempo é acusada de cometer plágio em tradução. Por Morris Kachani. Folha de S. Paulo, 1º de agosto de 2012 Posteriormente, a editora divulgou uma nota de esclarecimento sobre o assunto.Nota pública de esclarecimento. Blog da Boitempo, 13 de agosto de 2012.

Marx: criação destruidora Em 2013, a Boitempo, em parceria com o SESC-SP, promoveu um ciclo de palestras e debates desde o mês de março até maio daquele ano. Os eventos contaram com a presença de renomados intelectuais nacionais e internacionais, como David Harvey e o político alemão Michael Heinrich.Marx reloaded. Folha de S.Paulo 22/02/2013.

Junho de 2013: Cidades rebeldes No mês de agosto de 2013, após os protestos que aconteceram no país durante o mês de junho, a Boitempo lançou Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, primeiro livro impresso a tratar desses eventos. .Lançamento do livro “Cidades rebeldes - Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil” e ciclo de debates. Arch Daily

Com este livro, inauguraram, em parceria com a Carta Maior, a coleção de livros de intervenção Tinta Vermelha. Outros títulos da coleção são Occupy, publicado em 2012, e Brasil em jogo: o que fica da Copa e das Olimpíadas?, que trata das implicações de sediarmos dois megaeventos durante os anos de 2014 e 2016.Boitempo lança “Brasil em jogo: o que fica da Copa e das Olimpíadas?” Fazendo Media. 27.05.14 O selo Tinta Vermelha' publica livros com o mesmo formato - séries de ensaios sobre determinado tema - a 10 reais, preço de custo.

Coleções Além de seus títulos em ensaio e ficção, a Boitempo edita também seis coleções, coordenadas por alguns dos principais intelectuais brasileiros.

Estado de Sítio Coordenação de Paulo Arantes

Sob a inspiração de Walter Benjamin - "A tradição dos oprimidos nos ensina que o 'estado de exceção' em que vivemos é na verdade a regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a essa verdade" -, a coleção trata de temas centrais do nosso tempo: crescente autoritarismo do Estado, terrorismo, fundamentalismo e império, relações da televisão e do cinema com o poder e a guerra e conflitos globais.

Títulos A era da indeterminação. Francisco de Oliveira e Cibele Saliba Rizek (orgs.) Bem-vindo ao deserto do Real! Cinco ensaios sobre o 11 de Setembro e datas relacionadas. Slavoj Zizek Brasil Delivery: servidão financeira e estado de emergência econômico. Leda Paulani Cinismo e falência da crítica. Vladimir Safatle Estado de exceção. Giorgio Agamben Evidências do real: os Estados Unidos pós-11 de Setembro. Susan Willis Extinção. Paulo Arantes Guerra e cinema. Paul Virilio Hegemonia às avessas: economia, política e cultura na era da servidão financeira. Francisco de Oliveira, Ruy Braga e Cibele Rizek (orgs.) O poder global e a nova geopolítica das nações. José Luís Fiori Evidências do real: os Estados Unidos pós-11 de Setembro. Susan Willis O que resta da ditadura: a exceção brasileira. Edson Teles e Vladimir Safatle (orgs.) O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha. Giorgio Agamben O reino e a glória. Giorgio Agamben) Saídas de emergência: ganhar/perder a vida na periferia de São Paulo. Robert Cabanes, Isabel Georges, Cibele S. Rizek e Vera da Silva Telles (orgs.) São Paulo: a fundação do universalismo. Alain Badiou Videologias: ensaios sobre televisão. Eugênio Bucci e Maria Rita Kehl

Marxismo e Literatura Coordenação de Leandro Konder e Michael Löwy.

A coleção resgata a análise da literatura do ponto de vista da teoria crítica, em reflexões sobre a cultura e seu papel transformador. Outra linha importante da coleção é a publicação de textos que conjugam a qualidade literária com o engajamento político.

Títulos As artes da palavra: elementos para uma poética marxista. Leandro Konder Do sonho às coisas: retratos subversivos. José Carlos Mariátegui Em torno de Marx. Leandro Konder. Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade. Michael Löwy e Sami Naïr Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente. Daniel Bensaïd Profanações. Giorgio Agamben Sobre o amor. Leandro Konder Walter Benjamin: aviso de incêndio; uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. Michael Löwy

Mundo do Trabalho Coordenação de Ricardo Antunes

Estudos sobre o trabalho, a sua centralidade na sociedade capitalista, a análise do sindicalismo, questões de gênero e o impacto das transformações trazidas pela globalização são alguns dos temas desta coleção, que publica autores centrais para esta discussão, como István Mészáros.

Títulos A câmara escura: alienação e estranhamento em Marx. Jesus Ranieri A crise estrutural do capital. István Mészáros A década neoliberal e a crise dos sindicatos no Brasil. Adalberto Moreira Cardoso A educação para além do capital. István Mészáros A máquina automotiva em suas partes: um estudo das estratégias do capital na indústria de autopeças. Geraldo Augusto Pinto Atualidade histórica da ofensiva socialista: uma alternativa radical ao sistema parlamentar. István Mészáros Crítica à razão informal: a imaterialidade do salariado. Manoel Luiz Malaguti Da grande noite à alternativa: o movimento operário europeu em crise. Alain Bihr Da miséria ideológica à crise do capital:uma reconciliação histórica. Maria Orlanda Pinassi Do corporativismo ao neoliberalismo: Estado e trabalhadores no Brasil e na Inglaterra. Angela Araújo (org.) Estrutura social e formas de consciência:a determinação social do método. István Mészáros Filosofia, ideologia e ciência social. István Mészáros Forças do trabalho: movimentos de trabalhadores e globalização desde 1870. Beverly J. Silver Fordismo e toyotismo: na civilização do automóvel. Thomas Gounet Homens partidos: comunistas e sindicatos no Brasil. Marco Aurélio Santana Infoproletários: degradação real do trabalho virtual. Ricardo Antunes e Ruy Braga (orgs.) Linhas de montagem: o industrialismo nacional-desenvolvimentista e a sindicalização dos trabalhadores. Antonio Luigi Negro Mais trabalho! Sadi Dal Rosso Neoliberalismo, trabalho e sindicatos: reestruturação produtiva no Brasil e na Inglaterra. Ricardo Antunes (org.) Nova divisão sexual do trabalho? Um olhar voltado para a empresa e a sociedade. Helena Hirata O continente do labor. Ricardo Antunes O desafio e o fardo do tempo histórico: o socialismo no século XXI. István Mészáros O emprego na globalização: a nova divisão internacional do trabalho e os caminhos que o Brasil escolheu. Marcio Pochmann O emprego no desenvolvimento da nação. Marcio Pochmann O mister de fazer dinheiro: automatização e subjetividade no trabalho bancário. Nise Jinkings O poder da ideologia. István Mészáros O roubo da fala: origens da ideologia do trabalhismo no Brasil. Adalberto Paranhos O século XXI: socialismo ou barbárie? István Mészáros Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. Ricardo Antunes