Almirante Tamandaré foi um cruzador protegido operado pela Marinha do Brasil de 1897 a 1915. A construção do cruzador integrou os esforços brasileiros de desenvolvimento da construção naval militar em aço. Apesar de seu porte e das soluções técnicas empregadas, o Almirante Tamandaré apresentou deficiências que limitaram sua confiabilidade e seu emprego operacional ao longo da carreira. Media 95,92 metros de comprimento máximo, 14,43 metros de boca extrema, 7,06 metros de pontal, 6,02 metros de calado máximo. Com 4 537 toneladas de deslocamento, tornou-se o maior navio de guerra construído no Brasil, posição que ainda mantém em termos de deslocamento. A bateria principal constituía-se de dez canhões de 152 milímetros. A propulsão era por mastros e máquinas a vapor. Após seu lançamento ao mar, em 1890, os trabalhos de construção e aparelhamento prosseguiram durante os anos seguintes. Antes mesmo de ser oficialmente incorporado à Esquadra, o cruzador foi utilizado pelos revoltosos durante a Revolta da Armada de 1893–1894.

Os problemas de navegabilidade limitaram significativamente o emprego operacional do cruzador, que realizou poucas comissões ao longo de sua carreira. Durante a Revolta da Armada, foi utilizado pelos revoltosos nos combates na Baía de Guanabara, antes mesmo de seu comissionamento oficial. Em 1908, realizou uma comissão à Bahia, durante a qual ficou à deriva e posteriormente encalhou nas proximidades do Morro de São Paulo. Após ser socorrido por outros navios da Marinha, retornou ao Rio de Janeiro. Após essa viagem, ficou permanentemente fundeado ao Porto do Rio de Janeiro, servindo de escola naval para guardas-marinha e grumetes até 1914. A marinha registrou sua baixa em 27 de dezembro de 1915, sendo enviado para desmanche em 1920.

Construção esquerda|miniaturadaimagem|Lançamento do Almirante Tamandaré em 20 de março de 1890 O cruzador protegido Almirante Tamandaré foi construído no estaleiro N.°1 do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, ainda no período imperial do Brasil. Seguiu o projeto do Engenheiro Naval João Cândido Brazil por determinação do Ministro da Marinha, Senador João Florentino Meira de Vasconcelos em 1883, a um custo de 3.700:000$000. O projeto iria conceber um navio de grande capacidade ofensiva e defensiva.

A construção foi iniciada em 1884 e esteve inicialmente sob a supervisão de Arthur Silveira de Motta, Barão de Jaceguai, e, posteriormente, de Francisco Pereira Pinto, Barão de Ivinheima. O nome Almirante Tamandaré, segunda embarcação a ostentá-lo, é uma homenagem ao Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré, patrono da Marinha do Brasil. A quilha foi batida ainda em 1884 e o lançamento ao mar ocorreu em 20 de março de 1890. Os trabalhos de construção, aparelhamento e armamento, contudo, prosseguiram durante os anos seguintes, não estando o cruzador ainda concluído quando foi utilizado pelos revoltosos durante a Revolta da Armada, em 1893. Sua incorporação oficial à Esquadra ocorreu em 27 de novembro de 1897. Ainda durante a fase de construção, o Almirante Tamandaré solicitou ao Ministro da Marinha Eduardo Wandenkolk que a embarcação fosse batizada de Almirante Cochrane, em homenagem a Thomas Cochrane, oficial britânico e comandante de fragatas que lutou ao lado do Brasil na Guerra de Independência, entretanto a solicitação não foi atendida. Com deslocamento de 4 537 toneladas, o Almirante Tamandaré permanece, em termos de deslocamento, o maior navio de guerra construído no Brasil..

Características miniaturadaimagem|Almirante Tamandaré em construção O casco era construído em aço, possuía fundo duplo e era subdividido em 119 compartimentos estanques. O costado era revestido por madeira de peroba de 175 mm, fixada por cavilhas de ferro galvanizado. O navio media 95,92 metros de comprimento máximo, 86,67 metros de comprimento entre perpendiculares, 14,43 metros de boca extrema, 14,03 metros de boca moldada, 7,06 metros de pontal, 6,02 metros de calado máximo, e 4 537 toneladas de deslocamento. O armamento era composto por dez canhões Armstrong de tiro rápido de 152 mm, dois canhões de 120 mm, dez canhões Nordenfelt de 47 mm, oito metralhadoras e oito tubos lança-torpedos. Os canhões de 152 mm foram retubulados em 1897.

O sistema de propulsão do cruzador era misto. Originalmente, o navio era equipado com três mastros em galera, com a superfície da vela no convés de 1 612 metros quadrados. Dispunha de duas maquinas a vapor alternativos, construídas em Londres nas oficinas de Maudslay Sons & Field. Tinha sete caldeiras e 28 fornalhas. Todo esse aparato fazia desenvolver 6 500 cavalos-força de potência a até 7 500 cavalos-força quando forçada as máquinas, levando o cruzador à velocidade de 17 nós (31,48 quilômetros por hora). O navio tinha pequenas embarcações auxiliares acopladas ao casco: duas lanchas a vapor, uma lancha a remo, um escaler salva-vidas, e mais cinco outros escaleres e duas baleeiras.

Serviço Durante sua prolongada fase de construção e aparelhamento, o Almirante Tamandaré permaneceu no Rio de Janeiro. Quando eclodiu a Revolta da Armada, em 1893, o cruzador ainda não havia sido oficialmente incorporado à Esquadra, mas foi utilizado pelos revoltosos durante os combates na Baía de Guanabara. Seu primeiro comandante, nomeado por ocasião do lançamento do navio em 1890, havia sido o capitão de mar e guerra Frederico Guilherme Lorena, que posteriormente participou da revolta. Durante os combates na Baía de Guanabara contra os florianistas, a artilharia do cruzador se mostrou eficiente, conforme relato da tripulação. Após o fim da revolta, o navio permaneceu no Rio de Janeiro até ser comissionado em 27 de novembro de 1897.

O projeto do Almirante Tamandaré sofreu diversas modificações antes de sua entrada em serviço, entre elas o abandono da armação em galera originalmente prevista. Após sua incorporação, o navio passou por novos reparos ainda em 1897, quando foi equipado com dois mastros militares de combate. O castelo recebeu um novo ventilador metálico e foram retirados os canhões em bateria. Apesar das modificações, diversas deficiências permaneceram, limitando seu emprego operacional e fazendo com que o cruzador passasse grande parte de sua carreira fundeado no Rio de Janeiro. Entre os anos 1901 e 1902, o Almirante Tamandaré serviu como quartel para guarda-marinhas, e de 1906 a 1914, como sede das Escolas Profissionais e da Escola de Grumetes; nessa época o navio foi chamado de cruzador-escola.miniaturadaimagem|Cruzador protegido Almirante Tamandaré|esquerdaAs deficiências apresentadas pelo Almirante Tamandaré limitaram seu emprego operacional, fazendo com que o cruzador realizasse poucas comissões ao longo de sua carreira. Apesar das modificações realizadas antes e depois de sua incorporação, parte desses problemas permaneceu sem solução. Em agosto de 1908, o cruzador seguiu para a Bahia, fazendo escala em Vitória entre os dias 20 e 24. Ao se aproximar do Morro de São Paulo, no litoral baiano, o Almirante Tamandaré ficou sem governo e passou a derivar. O navio auxiliar Andrada tentou rebocá-lo, mas o cruzador acabou encalhando na região. Posteriormente, foi socorrido pelos cruzadores República e Tiradentes, além de um rebocador. Retornou ao Rio de Janeiro e permaneceu como sede de escolas navais, na Baía de Guanabara, até 1914. No ano seguinte, em 27 de dezembro, foi dada a baixa do serviço ativo. O cruzador foi desmanchado em 1920. As deficiências apresentadas pelo navio limitaram seu emprego operacional, tendo o cruzador realizado apenas duas ou três comissões ao longo de sua carreira.

Ver também Lista de navios da Marinha do Brasil com o nome Tamandaré Lista de navios descomissionados da Marinha do Brasil

Ligações externas

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