O Pantanal de Cáceres é uma sub-região do Pantanal situada no sudoeste do estado de Mato Grosso, no Brasil, na Bacia do Alto Paraguai. Corresponde a uma das unidades ou sub-regiões do Pantanal Mato-grossense, estando associada principalmente ao município de Cáceres, na margem do rio Paraguai.
Localização e delimitação
O Pantanal de Cáceres localiza-se na região sudoeste de Mato Grosso, inserido na Bacia do Alto Paraguai. Em termos gerais, estende-se entre o rio Paraguai e o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, no sentido norte-sul, e limita-se, no sentido leste-oeste, com a Bolívia e com o Pantanal de Poconé.
Ocupa uma área de 12 412,56 km², dos quais 12 371,00 km², ou 99,66%, se situam no município de Cáceres; 4,48 km², ou 0,04%, em Curvelândia; e 37,08 km², ou 0,3%, em Lambari d'Oeste. A sub-região corresponde a aproximadamente 9,01% do Pantanal Mato-grossense e ocupa 50,87% da área territorial do município de Cáceres.
A delimitação utilizada em estudos sobre o Pantanal de Cáceres deriva de trabalhos de compartimentação do Pantanal brasileiro em sub-regiões, baseados em critérios como inundação, relevo, solos e vegetação. A proposta de Silva e Abdon subdividiu o Pantanal brasileiro em onze sub-regiões: Abobral, Aquidauana, Barão de Melgaço, Cáceres, Miranda, Nabileque, Nhecolândia, Paiaguás, Paraguai, Poconé e Porto Murtinho.
Características ambientais
A sub-região é descrita como um extenso ambiente inundável, formado por planície aluvial arenosa antiga, com fisionomias de savana e campo, onde predominam ambientes sujeitos ao pulso periódico de inundação, característica central da dinâmica pantaneira.
O estudo de Aquino, Galvanin, Neves e Lima indica temperatura média anual de 22,6 °C, precipitação anual entre 1200 e 1500 mm e altitude variando de 90 a 200 metros. Litologicamente, a área apresenta solos argilosos, sílticos e arenosos.
O Pantanal como um todo é uma das maiores áreas úmidas do mundo, ocupando a parte sul de Mato Grosso e o noroeste de Mato Grosso do Sul, além de se prolongar para o norte do Paraguai e o leste da Bolívia. O IBGE destaca a elevada biodiversidade do bioma, com centenas de espécies de aves, peixes, répteis e mamíferos registadas na região pantaneira.
Ocupação, pecuária e alterações ambientais
A pecuária é uma das actividades económicas historicamente associadas ao Pantanal, devido à presença de pastagens naturais. No Pantanal de Cáceres, estudos de sensoriamento remoto documentaram a expansão de pastagens exóticas e a redução de formações vegetais naturais.
Entre 1993 e 2014, a análise de imagens Landsat realizada por Aquino, Galvanin, Neves e Lima identificou supressão de 32,95% da vegetação natural na área estudada. No mesmo período, as áreas de pastagens exóticas aumentaram e passaram a ocupar 33,85% da área de estudo, enquanto os usos antrópicos também apresentaram crescimento. Os autores concluíram que o Pantanal de Cáceres se encontrava ameaçado pelo avanço da pecuária intensiva, em especial pela substituição de vegetação natural florestal e de savana por pastagens exóticas.
Outros estudos sobre o rio Paraguai em Cáceres apontam que a ocupação das margens e a expansão urbana alteraram trechos ribeirinhos, associando tais transformações a processos de ocupação desordenada e a diferentes usos urbanos e turísticos.
Turismo e rio Paraguai
Cáceres é frequentemente apresentada como uma das portas de entrada para o Pantanal Mato-grossense, sendo descrito pela prefeitura como a principal cidade mato-grossense abrangida por este bioma.
A navegação no rio Paraguai, a pesca esportiva, o turismo de paisagem e os barcos-hotéis são actividades associadas ao turismo em Cáceres e ao Pantanal local. Um estudo sobre a navegação e uso das margens do rio Paraguai sustenta que, nas últimas décadas, Cáceres teve forte incremento da actividade turística, sendo considerada porta de entrada para o Pantanal Mato-grossense, destacando o Festival Internacional de Pesca como atrativo turístico da cidade.
A paisagem ribeirinha de Cáceres tem sido estudada como recurso turístico, com a análise da qualidade visual das paisagens observadas a partir da orla do rio Paraguai na cidade pantaneira de Cáceres, com o objectivo de subsidiar o planeamento e a qualificação do turismo local.
Estudos científicos
O Pantanal de Cáceres tem sido objecto de estudos em geografia, geotecnologias, turismo, dinâmica de pastagens, ocupação ribeirinha e conservação ambiental. Entre os trabalhos académicos dedicados à região estão estudos sobre a modelagem de banco de dados geográficos aplicado ao turismo, a expansão de pastagens exóticas, a navegação e o uso das margens do rio Paraguai e a qualidade visual das paisagens turísticas da orla de Cáceres.
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