Uma consonate retroflexa é uma consoante coronal apical articulada entre osso alveolar e o palato duro na qual a língua assume uma forma plana, côncava ou curvada.

A palavra "retroflexo" deriva do latim "retroflexus", "que se dobra para trás"; algumas consoantes retroflexas são pronunciadas com a língua inteiramente curvada, então essa articulação envolve a parte inferior da ponta da língua (subapical). Ainda assim, a categoria "consoante retroflexa" comumente envolve outras consoantes com pontos de articulação similares, porém sem uma curvatura extrema da língua. Essas podem ser articuladas com a ponta (apicais) ou a lâmina (laminais) do órgão.

Tipos Consoantes retroflexas, como várias outras consoantes coronais, apresentam diversas variedades condicionadas por: formato da língua, que pode estar plana, côncava, ou com a ponta curvada para trás; ponto de contato do órgão, que poder ser com a ponta (apical), a lâmina (laminal) ou sua parte inferior (subapical); o ponto de contato com o céu da boca, que pode ser com o osso alveolar (alveolar), a área entre o osso e o palato duro (pós-alveolar), ou o palato duro (palatal); e, finalmente, maneira de articulação - tanto consoantes sibilantes (fricativas e africadas) quanto não sibilantes (nasais, laterais, oclusivas e róticos) podem assumir articulações retroflexas.

A maior variedade de combinações ocorre com sibilantes, já que nessas quaisquer pequenas mudanças na forma e na posição da língua levam a transformações significativas no som produzido. Sons retroflexos geralmente tem tons mais baixos que outros de consoantes alveolares ou pós-alveolares - com uma diferença notável em comparação com o som de sibilantes alveolares sulcais. Quanto mais atrás no céu de boca for o ponto de contato, mais côncavo é o formato da língua e mais baixo é o tom do som, com as consoantes subapicais sendo as mais extremas.

As principais combinações geralmente observadas são: Laminais pós-alveolares com língua plana. Ocorrem, por exemplo, no polonês - cz, sz, ż (rz), dż. Apicais pós-alveolares com língua levemente côncava. Ocorrem, por exemplo, no mandarim - zh, ch, sh, r, no hindi, e em outras línguas indo-arianas.麦耘 (Institute of Linguistics, Chinese Academy of Social Sciences). (2015). 汉语的R色彩声母. 东方语言学 (01), 1-16. doi: CNKI:SUN:YYDF.0.2015-01-001. Subapicais palatais com língua muito côncava. Ocorrem principalmente em línguas dravídicas e em algumas indo-arianas. Essa combinação é a que produz o som de tom mais baixo e, depois de vogal, o fonema comumente roticiza fortemente o som vocálico - de maneira análoga ao que aconteceria se, no inglês estadunidense, um "r" ocorresse entre uma vogal e consoante; por exemplo, se a palavra "apologize" fosse pronunciada como "apolorgize".John Esling, 2010, "Phonetic Notation". In Hardcastle, Laver, & Gibbon, eds, The Handbook of Phonetic Sciences, p. 693

Sons subapicais são por vezes chamados de "retroflexos verdadeiros", devido ao formato dobrado para trás da línuga; nesses casos, outros sons recebem outros nomes. Por exemplo, Ladefoged e Maddieson preferem chamar o retroflexo laminal pós-alveolar de "pós-alveolar plano".

Outros sons Sons retroflexos devem ser diferenciados de outras consoantes produzidas na mesma área da boca: As consoantes palato-alveolares (como ), que são sons como ch e j quando ocorrem em palavras do português brasileiro como "chá" e "janela"; As consoantes alveolopalatais (como ), que são sons como j, q e x quando ocorrem em mandarim; As consoantes palatais dorsais (como ), que são sons como ch quando ocorre no alemão "ich" ou ñ no espanhol "año". As consoantes alveolares sulcais (como ), que são sons como s no português "santo" ou z em "zebra".

As três primeiras classificações de sons acima são articuladas com a língua em formato convexo, o que adiciona aos fonemas uma articulação secundária palatal. O último tipo é articulado com a formação de um sulco extremamente marcado na parte central da língua, o que dá aos fonemas uma forte característica de sibilação. Os sons retroflexos, ao contrário, possuem forma plana ou côncava, e são desassociados de qualquer palatalização ou formação de sulco.

A aproximante velar encontrada em variedades nortistas do holandês e em algumas variedades do inglês estadunidense são acusticamente similares à aproximante retroflexa, já que ambas são articuladas com a língua em contato com o palato mole.

Transcrição Transcrição no IPA No Alfabeto Fonético Internacional, os símbolos para consoantes retroflexas são tipicamente os mesmos que para as consoantes alveolares, mas com a adição de um diacrítico em formato de gancho virado para a direita sob o símbolo.

Consoantes retroflexas são transcritas no Alfabeto Fonético Internacional como a seguir:

IPA Descrição Exemplo Língua Ortografia IPA Significado nasal retroflexa vozeadaPanjabi ਗਾਣਾ / cançãoplosiva retroflezxa desvozeadaSueco partifestaHindi / Urdu टांग / pernaplosiva retroflexa vozeadaSomali BandhigapresentaçãoHindi / Urduडब्बा / ڈبہcaixafricativa retroflexa desvozeadaMandarim 上海 (Shànghǎi)XangaiSânscritoभाषाlíngua fricativa retroflexa vozeada Russoжаба sapoPolonêsżaba sapo aproximante retroflexa vozeada Tâmil தமிழ் Tâmilaproximante lateral retroflexa vozeada Tâmil ஆள் pessoaSueco KarlstadKarlstad tepe retroflexo vozeado Hauçá shaara varrendoHindi / Urduकीचड़ / کیچڑlama() tepe lateral retroflexo vozeado Pastó ړوند cegoMarataबाळbebê () fricativa lateral retroflexa desvozeada Toda verão fricativa lateral retroflexa vozeada Ao ejetiva retroflexa Gwichʼin etrʼuu andorinha do ártico implosiva retroflexa vozeada Ngada modhe bom implosiva retroflexa desvozeada Oromo cliques retroflexos Língua !kung ɡ‼ú água

Outras convenções Alguns linguistas restringem o uso desses símbolos a consoantes com articulção palatal subapical, em que a língua é curvada para trás e entra em contato com o palato duro. Nesses casos, os símbolos usados para articulações pós-alveolares apicais são os das consoantes alveolares com um diacrítico em forma de ponto subposto ao símbolo da consoante: ; nota-se que esse diacrítico está obsoleto e fora do padrão do IPA. Colateralmente, nos casos de retroflexos laminais, como os encontrados em russo e polonês, são usados John Laver (1994) Principles of Phonetics. Cambridge University Press. Os últimos também são encontrados transcritos com um diacrítico de retração, ; em outros casos, são tipicamente (porém inadequadamente) transcritos como se fossem palatoalveolares, como em .

Consoantes com articulações mais frontais, nas quais a língua toca a região alveolar ou pós-alveolar ao invés do palato duro, podem ser indicadas com o diacrítico de retração. Isso ocorre especialmente para ; outros sons indicados dessa maneira, como , tendem a codificar consoantes alveolopalatais e não retroflexas.

Ocorrência Embora os dados não sejam precisos, estima-se quem em torno de 20% das línguas do mundo contenham consoantes retroflexas de um ou outro tipo.Ian Maddieson (with a chapter contributed by Sandra Ferrari Disner); Patterns of sounds; Cambridge University Press, 1984. Cerca de metade dessas línguas possui apenas retroflexos continuantes, e a maioria do resto tem tanto oclusivos quanto continuantes.

Consoantes retroflexas estão concentradas no subcontinente indiano, especialmente nas línguas indo-arianas e dravídicas, mas são encontradas em outras línguas da região, como mundari e Burushaski.

As línguas nuristani do leste do Afeganistão também tem consoantes retroflexas. Entre as Línguas iranianas orientais, elas são comuns em pastó, wakhi, ishkashimi e munji-yidgha. Também ocorrem em outras línguas asiáticas como mandarim, javanês e vietnamita. No oeste asiático, o variante shihhi do árabe também tem aproximantes retroflexas.

Retroflexos são relativamente raros em línguas europeias, mas ocorrem, por exemplo, em sueco e norueguês.

Bibliografia

Ligações externas Silke Hamann's dissertation on retroflex consonants Retroflex Consonant Harmony in South Asia by Paul Arsenault

Categoria:Fonética Categoria:Consoantes