Wellington Moreira Franco (Teresina, ) é um político brasileiro, filiado ao MDB. Em sua carreira, foi prefeito de Niterói, deputado federal, governador do Rio de Janeiro e ministro dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer.
Ingressou na política brasileira durante o regime militar no MDB; em 1979, mudou-se para a ARENA, partido que apoiava a ditadura. Com o fim da ditadura e a chegada do PMDB ao poder, mudou de lado e passou ao PMDB, onde está até hoje. Foi membro dos Diretórios Estadual e Nacional do partido, bem como integrante da Comissão Executiva Nacional. Sua vida pública teve início em 1974, quando foi eleito Deputado Federal pelo MDB-RJ. Elegeu-se ainda prefeito de Niterói e, logo depois, governador do Estado do Rio de Janeiro. Retornando ao Congresso Nacional em 1994, exerceu por duas legislaturas o mandato de Deputado Federal. Além disso, foi vice-presidente da Caixa Econômica. No governo Fernando Henrique Cardoso, atuou como assessor especial no Palácio do Planalto.
Desde a década de 1990, Moreira Franco é conhecido no meio político pelo apelido de "gato angorá" - pela cabeleira branca e por seu perfil adesionista ("a característica do gato angorá é passar de colo em colo"). Teve seu nome citado também nas delações da Odebrecht, em dezembro de 2016, quando se revelou que o codinome de Moreira Franco nas listas de repasses de dinheiro eram "gato" e "angorá". Na década de 1980, era conhecido como "o genro do genro", uma vez que era casado com a neta de Getúlio Vargas.
Foi nomeado, no início da gestão Dilma Rousseff para a Secretaria de Assuntos Estratégicos e, posteriormente, a pedido do então vice-presidente Michel Temer, nomeado ministro da Aviação Civil. Considerado um dos melhores amigos de Michel Temer, sua demissão, por Dilma, no último dia do primeiro mandato da petista foi um dos motivos de insatisfação apontados pelo próprio Temer, em carta enviada à presidente, para o rompimento do vice e do PMDB com a petista. Após a destituição de Dilma, foi nomeado por Temer responsável pelo setor de privatizações e parcerias do governo com os interesses privados, assumindo a Secretaria Executiva do Programa de Parceria de Investimentos. Responsável pelos leilões de aeroportos para consórcios privados, Moreira Franco foi investigado na Operação Lava Jato, entre outros motivos, por mensagens trocadas com o então presidente da empreiteira Andrade Gutierrez à época das privatizações. No dia 21 de Março de 2019, foi preso preventivamente pela Operação Lava Jato.
Em 2017, Franco foi ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência e, posteriormente, ministro de Minas e Energia no governo Michel Temer. Após ter sua nomeação suspensa três vezes, por liminar da Justiça Federal do Distrito Federal, pela Justiça Federal do Rio de Janeiro e pela Justiça Federal do Amapá, teve sua nomeação aprovada com a exigência da não elegibilidade ao foro privilegiado. Isto tudo se deve à possível participação de Moreira Franco em esquemas de corrupção delatados por Cláudio Melo Filho na Lava-Jato.
Vida acadêmica Em 1964, ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil (atual UFRJ). Três anos depois, transferiu-se para o curso de sociologia e política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), concluído em 1969.
Foi pesquisador bolsista do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Brasil em 1965. Durante quatro anos (1966 a 1970), foi pesquisador da Escola Interamericana de Administração Pública (EIAP) e da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAP), ambas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro.
Fez cursos de mestrado no Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (IUPERJ) e no “Centre Universitaire de Vincennes” - Universidade de Paris; e de doutoramento na “École Pratique des Hautes Études” e no Instituto de Estudos Políticos de Paris - “Sciences Po”.
Foi professor de Sociologia na Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e diretor-presidente da Editora Nova Aguilar.
Carreira política Momentos marcantes Desde o curso secundário, militou no movimento estudantil, tendo sido membro do Diretório Acadêmico da PUC e dirigente estadual da Ação Popular (da Juventude Universitária Católica).
Em 1972, aos 28 anos, Moreira Franco filiou-se ao MDB do antigo estado do Rio de Janeiro, partido então liderado pelo senador Amaral Peixoto, seu sogro naquela época.
Em 1979, acompanhou Amaral Peixoto na mudança para o PDS, partido que dava sustentação à ditadura militar. Pelo PDS, foi candidato ao governo do Rio de Janeiro em 1982, perdendo para o candidato do PDT, Leonel Brizola. O pleito teve grande repercussão por ter sido a primeira eleição direta para governador do estado depois da edição do AI-2.
No processo de apuração dos votos, Brizola acusou a TV Globo, O TRE-RJ e a empresa Proconsult de tentarem fraudar os resultados da eleição em favor de Moreira Franco, no que ficou conhecido como o Caso Proconsult.
Em 1985, ao fim da ditadura militar, ano em que o PDS finalmente deixa a presidência da República e o PMDB chega ao poder, Moreira Franco também deixa o PDS e se muda para o PMDB, partido em que está até hoje. Desde 1987, é membro do Diretório Nacional do PMDB, tendo sido presidente do PMDB do Rio de Janeiro entre os anos de 1995 e 2004. Foi presidente da Fundação Ulysses Guimarães, mantida pelo partido, entre os anos de 2001 a 2007. Moreira volta a Brasília em 1999 como assessor especial do presidente Fernando Henrique Cardoso
Desde a década de 1990, Moreira Franco é conhecido no meio político pelo apelido de "angorá" - tanto pela vasta cabeleira branca adquirida desde cedo como também por seu conhecido adesismo ("a característica do gato angorá é passar de colo em colo").
Deputado federal (1975 – 1977) Sua vida pública teve início em 1974, quando foi eleito Deputado Federal pelo MDB-RJ. Moreira Franco foi eleito em três ocasiões. No primeiro mandato (de 1975 e 1976), Moreira foi opositor da fusão dos antigos estados do Rio e da Guanabara.
Na Câmara dos Deputados, Moreira Franco fez discursos denunciando que a fusão dos antigos estados do Rio e da Guanabara, imposta pelo governo militar, trouxera prejuízos para os dois lados, e para Niterói em particular, vítima de um forte esvaziamento econômico, social e político.
Em 1975, foi indicado pelo MDB como primeiro vice-presidente e relator do partido na primeira CPI aprovada na Câmara depois do Golpe Militar de 1964, instituída para investigar o comportamento e as influências das empresas multinacionais e do capital estrangeiro no Brasil.
Prefeito de Niterói (1977 – 1982)
Moreira Franco foi o primeiro prefeito eleito em Niterói depois do Golpe Militar de 1964. Cumpria seu primeiro mandato na Câmara quando se candidatou à Prefeitura de Niterói, no ano de 1976. Foi eleito com votos, 26% dos votos válidos. O segundo mais votado foi Silvio Lessa, que recebeu votos ou 20% dos votos válidos. Eleito pelo então MDB, partido de oposição à ditadura, tomou posse em 31 de janeiro de 1977 e em 1979 mudou-se para o PDS, partido da ditadura militar.
Como prefeito, implantou vários projetos de planejamento urbano, como o túnel Raul Veiga, ligando São Francisco a Icaraí, a reurbanização de São Francisco, Charitas e Piratininga. Idealizou o Plano de Complementação Urbana – o Projeto Cura em 1977, que não foi implantado em sua totalidade, apenas construídos os terminais rodoviários urbanos norte e sul. Implementou ainda o plano de recuperação do centro comercial de Niterói em 1979, que consistiu na reurbanização do centro comercial da cidade. A participação federal de recursos para os municípios naquela época (período compreendido entre 1960 e 1997) era de 5%, um repasse considerado insuficiente para que os municípios pudessem implantar integralmente os projetos de infraestrutura e urbanização. Antes de sua gestão, a Secretaria de Saúde, por exemplo, tinha como função administrar cemitérios.
Na habitação, Moreira concedeu três mil títulos de propriedade aos moradores da Ilha da Conceição e construiu moradias populares no Barreto, Neves, Fonseca e Largo do Barradas. Através dos programas Pró-Bairro, Pró-Mutirão e Patamares Equipados foram criados conselhos comunitários e núcleos assistenciais, com a finalidade de colher e atender diretamente as reivindicações da população.
Programa Pró-bairro Testado com êxito nos bairros do Barreto, Engenhoca e Fonseca, onde foram feitas campanhas de vacinação, casamentos coletivos e cursos profissionalizantes, o Pró-Bairro foi um projeto pioneiro que serviu de modelo para outras prefeituras.
Pró-Mutirão Projeto destinado a obras de saneamento básico, que envolveu 30 associações de moradores, como as comunidades de Vila Ipiranga, Santa Bárbara, Viçoso Jardim, Morro de São Geraldo, Pendotiba, Morro do Estado, Morro de Souza Soares, Capim Melado, Jurujuba e Ilha da Conceição. Um dos resultados do projeto foi a construção da caixa d’água no Morro do Preventório, em Charitas.
Patamares Equipados Na cultura, destacam-se projetos como o Seis e Meia (shows de música no Teatro Leopoldo Fróes), o Barca das Sete, (shows de música popular na Praça Araribóia) o Teatro na Praça (apresentação de peças teatrais nas principais praças de Niterói) e o Arraiá da Praia Grande (comemoração em homenagem ao padroeiro da cidade, que durava todo o mês de junho).
Em 14 de maio de 1982, Moreira Franco renunciou para se candidatar ao governo do Estado, não tendo sido eleito.
Governador do Rio de Janeiro (1987 – 1991) Em 1986, em convenção estadual do PMDB, Moreira disputa e vence o Senador Nelson Carneiro e é indicado para concorrer ao governo do Estado nas eleições estaduais em 15 de novembro daquele ano. Articula uma coligação ampla – do PCdoB ao PFL – composta de doze partidos e vence Darcy Ribeiro, do PDT, por 49,4% contra 35,9% dos votos. miniaturadaimagem|Governador Moreira Franco. Toma posse a 15 de março de 1987. A séria crise econômica que o país atravessava, marcada por inflação elevada e desvalorização cambial, afetou a arrecadação de impostos do estado, além de gerar adiamento de investimentos de empresas. O ambiente econômico e financeiro adverso, com o fracasso do Plano Cruzado, causou um aumento da dívida pública estadual.
A área de saneamento, em particular as obras na Baixada Fluminense, tem uma lenta retomada na gestão de Moreira Franco. É elaborado um plano estratégico para a recuperação financeira da CEDAE, bem como ampliação e extensão das redes de água e esgoto. Porém, ao final da década de 1980, continuava precária a situação do saneamento na Baixada Fluminense, situação que se agravou com o período de chuvas em 1988. Depois da calamidade e com a atuação de movimentos populares, o governo do estado buscou ajuda do Banco Mundial para o financiamento de um plano emergencial de combate a enchentes, plano este chamado de "Projeto Reconstrução Rio". O atraso na liberação do financiamento fez com que as obras deste projeto iniciassem só dois anos depois, quase no final do mandato de Moreira Franco.
Para ajudar na recuperação econômica do estado, Moreira propôs a criação do Polo Petroquímico de Itaguaí, com um potencial para gerar trinta mil empregos. Desse projeto surgiu a criação da Companhia do Polo Petroquímico do Rio de Janeiro. No entanto o Polo Petroquímico de Itaguaí nunca foi construído, tendo como principal motivo a saída da Petroquisa, unidade petroquímica da Petrobras, depois da crise financeira de 1990, com o Plano Collor.
Na educação, promoveu a municipalização do ensino, através da Resolução 1.411/87, o Programa de Municipalização no Estado do Rio de Janeiro (PROMURJ). Esta descentralização, no entanto, foi apontada como uma forma encontrada de desobrigar o Estado a manter o alto custo dos CIEPs, criados na primeira gestão de Leonel Brizola.