60 Minutes é um programa jornalístico televisivo dos Estados Unidos, no formato de revista eletrônica, exibido pela CBS. Estreou em 1968 e foi criado por Don Hewitt e Bill Leonard, que adotaram uma forma de investigação centrada no repórter. Em 2002, ficou em sexto lugar na lista dos "50 Greatest TV Shows of All Time" da revista TV Guide, e em 2013 apareceu na 24.ª posição da lista das "60 Best Series of All Time" da mesma publicação. Em 2023, a Variety colocou 60 Minutes em vigésimo lugar entre os cem melhores programas de televisão de todos os tempos. O The New York Times chamou o programa de "uma das revistas jornalísticas mais estimadas da televisão americana".
O programa começou em 1968 como uma atração quinzenal apresentada por Mike Wallace e Harry Reasoner. Os dois se sentavam em lados opostos de um cenário de cor creme. O fundo passou mais tarde a ser preto, cor que permanece em uso. O programa adotou um grande cronômetro nas transições e apresentava os temas por meio de chroma key, recursos que continuaram a fazer parte de sua identidade visual. Em 1972, passou a ser exibido aos domingos, das 18h às 19h no horário do Leste, embora partidas da National Football League ocasionalmente alterassem esse horário. A faixa dominical permaneceu desde então, com mudanças ocasionais na hora de início. Em condições normais, 60 Minutes começa às 19h no horário do Leste. Quando há programação esportiva naquela tarde, pode começar às 19h30 ou após o encerramento da partida.
As reportagens são conduzidas por correspondentes que não dividem a tela entre si. Os correspondentes regulares são Lesley Stahl, L. Jon Wertheim, Bill Whitaker e Norah O'Donnell. O programa também deu origem a derivações e versões internacionais.
Histórico de exibição
Primeiros anos
A partir de 2006, o fundo do mostrador passou a ser vermelho, o texto do título ficou branco e o cronômetro foi colocado na posição vertical.
Painel sobre os 30 anos de 60 Minutes no Newseum, com Ed Bradley, Esther Hartigainer, Don Hewitt, Josh Howard, Steve Kroft, Mary Lieberthal, Andy Rooney, Morley Safer, Philip Scheffler, Lesley Stahl e Mike Wallace.
O programa adotou um formato de revista semelhante ao do canadense W5, que havia estreado dois anos antes. Usou procedimentos que se tornariam comuns no jornalismo investigativo, entre eles a remontagem de entrevistas, câmeras ocultas e visitas-surpresa à casa ou ao escritório de pessoas investigadas. Programas semelhantes surgiram na Austrália e no Canadá durante a década de 1970, além de versões produzidas por telejornais locais.
60 Minutes estreou em 24 de setembro de 1968 como programa quinzenal apresentado por Mike Wallace e Harry Reasoner. Ia ao ar às terças-feiras, às 22h no horário do Leste, alternando semanas com outras produções da CBS News. Reasoner definiu a primeira edição, na abertura, como uma "espécie de revista para a televisão". Ela apresentou:
os bastidores das suítes de campanha dos candidatos presidenciais Richard Nixon e Hubert Humphrey durante as convenções nacionais dos respectivos partidos naquele verão; comentários dos escritores europeus Malcolm Muggeridge, Peter von Zahn e Luigi Barzini Jr. sobre o sistema eleitoral dos Estados Unidos; um comentário do colunista de humor político Art Buchwald; uma entrevista com o então procurador-geral dos Estados Unidos, Ramsey Clark, sobre brutalidade policial; "A Digression", uma breve cena roteirizada na qual dois homens em silhueta, um deles Andy Rooney, discutiam a campanha presidencial; uma versão abreviada do curta-metragem vencedor do Óscar Why Man Creates, de Saul Bass; uma reflexão de Wallace e Reasoner sobre a relação entre percepção e realidade. Wallace disse que o objetivo do programa era "refletir a realidade".
O primeiro "retrato de capa" feito com chroma key mostrava dois policiais usando capacetes, para o segmento da entrevista com Clark. Wallace e Reasoner se sentavam em cadeiras de lados opostos do cenário, que tinha fundo creme. O fundo preto que se tornaria mais conhecido só surgiu no ano seguinte. O logotipo usava Helvetica, e a palavra "Minutes" aparecia inteiramente em letras minúsculas. O logotipo mais associado ao programa, em Eurostile e com "MINUTES" em maiúsculas, só apareceu por volta de 1974. Para reforçar a aparência de revista, os produtores acrescentaram "Vol. xx, No. xx" ao título exibido por chroma key, numa referência à numeração de volumes e edições de revistas impressas. O recurso permaneceu até cerca de 1971. O cronômetro, porém, não apareceu na estreia e só foi introduzido alguns episódios depois. A ração para cães Alpo foi a única patrocinadora do primeiro programa.
Don Hewitt, que havia produzido o CBS Evening News com Walter Cronkite, escolheu Wallace para oferecer um contraste de estilo com Reasoner.Madsen, 1984, p. 14. O formato colocava os apresentadores também na função de repórteres, privilegiava histórias de alcance nacional contadas a partir das pessoas envolvidas ou em conflito com determinado assunto e limitava cada reportagem a cerca de 13 minutos. A primeira temporada encontrou resistência dentro da própria rede, e sua audiência pouco superava a de outros documentários da CBS News. Naquele período, programas jornalísticos em horário nobre costumavam dar prejuízo. As redes os mantinham nessa faixa para dar visibilidade aos departamentos de jornalismo e, indiretamente, aos telejornais noturnos, vistos por um público muito maior. 60 Minutes carregou esse problema nos três primeiros anos.
Mudanças vieram cedo. Quando Reasoner deixou a CBS para apresentar o telejornal noturno da ABC, antes de voltar à CBS e a 60 Minutes em 1978, Morley Safer entrou na equipe em 1970 e assumiu as reportagens menos confrontadoras que Reasoner costumava fazer. Com o governo Nixon restringindo o acesso da imprensa e criticando determinadas coberturas, Safer, que havia dirigido as sucursais da CBS News em Saigon e Londres, também começou a produzir reportagens investigativas mais duras. Apenas na temporada de 1970–71, 60 Minutes abordou bombas de fragmentação, o Exército do Vietnã do Sul, desertores do recrutamento militar, a Nigéria, o Oriente Médio e a Irlanda do Norte.Madsen, 1984, p. 15.
Efeitos da Prime Time Access Rule e anos seguintes
miniaturadaimagem|O chefe do Estado-Maior da Força Aérea dos Estados Unidos, general Norton A. Schwartz, durante uma entrevista com Lara Logan em 15 de abril de 2009.
Em 1971, a Federal Communications Commission, FCC, instituiu a Prime Time Access Rule, que permitia às afiliadas das redes nos cinquenta maiores mercados reservar meia hora do horário nobre de segunda a sábado e uma hora inteira aos domingos para programação local. As afiliadas, porém, enfrentavam custos altos para produzir a programação de assuntos públicos imaginada pela FCC, enquanto a audiência e a receita publicitária eram baixas. A comissão criou então uma exceção para programas jornalísticos e de assuntos públicos produzidos pelas redes. Após uma pausa de seis meses no fim de 1971, a CBS colocou 60 Minutes numa parte desse horário, das 18h às 19h no Leste e das 17h às 18h no horário Central, aos domingos, a partir de janeiro de 1972.
O arranjo ainda criava dificuldades. Para acomodar as transmissões da CBS de jogos da NFL no fim da tarde, 60 Minutes ficou fora do ar nos outonos de 1972 a 1975 e também no verão de 1972. Os contratos de transmissão de futebol americano protegiam as partidas contra interrupções após o episódio conhecido como "Heidi Bowl", ocorrido na NBC em novembro de 1968. Mesmo com a grade irregular, as reportagens do programa atraíram um público crescente durante os últimos anos da Guerra do Vietnã e o Caso Watergate. Poucos programas jornalísticos das grandes redes faziam reportagens investigativas extensas com a frequência de 60 Minutes. Nos verões de 1973 a 1975, a CBS recolocou o programa no horário nobre, às sextas-feiras em 1973 e aos domingos nos dois anos seguintes, substituindo atrações da temporada regular.
Em 1975, uma alteração na Prime Time Access Rule devolveu uma hora aos domingos às redes para programação jornalística ou familiar. Quando o drama familiar Three for the Road terminou após doze semanas, 60 Minutes ocupou sua faixa às 19h no horário do Leste, 18h no Central, em 7 de dezembro de 1975. Desde então, permaneceu nessa faixa dominical, com ajustes relacionados principalmente às transmissões esportivas.
A mudança de horário e a entrada do então correspondente da Casa Branca Dan Rather fortaleceram a audiência. Em 1976, 60 Minutes tornou-se o programa mais assistido das noites de domingo nos Estados Unidos. Na temporada de 1979–80 chegou ao primeiro lugar entre todos os programas medidos pela Nielsen, algo inédito até então para um programa jornalístico em horário nobre. O crescimento trouxe grande receita à CBS. O preço de um comercial de trinta segundos passou de US$ 17.000 em 1975 para US$ 175.000 em 1982.Madsen, 1984, p. 17.
O programa às vezes começa depois das 19h no horário do Leste por causa de eventos esportivos ao vivo da CBS Sports. Quando uma partida da NFL termina, 60 Minutes é exibido integralmente e empurra os programas seguintes para mais tarde. No fuso do Pacífico, a atração geralmente consegue começar no horário previsto porque as transmissões esportivas ao vivo terminam mais cedo naquela região. A audiência do programa também levou a CBS Sports a programar eventos, entre eles a rodada final do Masters Tournament, o PGA Championship e partidas do torneio masculino de basquete da NCAA, como antecedente de 60 Minutes e da programação noturna da rede.
A partir da temporada de 2012–13, quando a NFL passou a iniciar a segunda partida de algumas rodadas duplas às 16h25, a CBS mudou o horário previsto de 60 Minutes para 19h30, ou para depois do encerramento da partida, nas emissoras dos fusos do Leste e Central que recebem o segundo jogo. Nas emissoras que não transmitem uma partida tardia, o início permanece às 19h no horário do Leste ou do Pacífico, salvo quando uma partida única termina mais tarde. Desde a temporada de 2023–24, algumas edições têm duração de noventa minutos.
Transmissão pelo rádio e distribuição pela internet
60 Minutes também é transmitido simultaneamente por antigas emissoras de destaque da CBS Radio. Entre elas estão WBBM, em Chicago, KRLD, em Dallas, WWJ, em Detroit, KNX, em Los Angeles, KYW, na Filadélfia, e KCBS, em São Francisco, todas pertencentes à Audacy, além da WBZ, em Boston, pertencente à iHeartMedia. A KFQD, de Anchorage, transmite o programa por sua relação com a afiliada local da CBS, KAUU.
Mesmo nos fusos Central e do Leste, as transmissões radiofônicas locais começam às 19h ou às 18h no horário Central quando o programa é exibido pela afiliada de televisão correspondente, salvo interrupções para cobertura esportiva local ou notícias urgentes. Isso ocorre independentemente de atrasos na transmissão televisiva nacional da CBS, de modo que ouvintes de rádio podem escutar parte do programa antes dos telespectadores.
Uma versão em áudio de cada edição, sem publicidade, passou a ser distribuída como podcast e pela iTunes Store a partir da transmissão de 23 de setembro de 2007. Vídeos do programa, inclusive episódios completos, também são disponibilizados para transmissão pela internet algumas horas depois da exibição inicial, no CBSNews.com e no Paramount+.
Formato
60 Minutes normalmente apresenta três reportagens longas, sem gráficos sobrepostos. Há intervalos comerciais entre as reportagens. Cada matéria é introduzida a partir de um cenário cujo fundo lembra páginas de uma reportagem de revista sobre o mesmo assunto. O programa conduz investigações próprias e acompanha investigações iniciadas por jornais nacionais e outros veículos. Diferentemente de seu concorrente 20/20 e de telejornais locais e nacionais tradicionais, os jornalistas de 60 Minutes não aparecem juntos em frente às câmeras nem conversam entre si durante as reportagens.